[Rodrigo’s Review] Ninja Gaiden 3

Nome:  Ninja Gaiden 3
Gênero: Action Melee/Hack-n-Slash

Distribuidora: Tecmo Koei Games Produtora: Team Ninja
Plataforma(s): Xbox 360 e Playstation 3

Versão analisada: Playstation 3

Ryu Hayabusa está de volta em Ninja Gaiden 3, agora sem o seu criador e diretor Tomonobu Itagaki. A serie criada a muito tempo, o primeiro Ninja Gaiden foi lançado para o Nintendo 8 bits, com algumas seqüências na época. Apos um longo período inativo, Ninja Gaiden recebeu uma novo capitulo lançado em 2004 para Xbox, o jogo rapidamente estabeleceu como um dos melhores do gênero, sua dificuldade, jogabilidade variada e profunda que exigia dedicação foram marcantes. O legado foi continuado em 2008 com o ótimo Ninja Gaiden 2, ainda com Itagaki, a segunda parte pecou com alguns erros simples mas ainda era uma pedida para os fãs de desmembramentos e ação frenética.

Em Ninja Gaiden 3, encarnamos novamente o herói, Ryu hayabusa, que finalmente tira sua mascara e mostra seu rosto. O novo jogo da mais ênfase no protagonista, a Team Ninja tentou criar um elo entre os jogadores e o ninja, tanto que Ryu  tem um relacionamento de amor com uma personagem. A idéia era aprofundar mais a historia, mas o jogo tem uma ambientação ridícula e sem sentido, ha momentos inexplicáveis e níveis totalmente fora do contexto.

O Inimigo no jogo é a organização LOA que pretende destruir o mundo, mas os motivos não são explicados e dificilmente você entenderá o sentido na historia do jogo que decorre por apenas 6 a 8 horas. A historia que seria o novo foco da serie serve como desculpa para que Ryu Hayabusa viaje pelos cenários por todo planeta para dilacerar a horda de inimigos que não tem fim, mesmo que ainda não faça sentido a maioria dos níveis do jogo.

Se não bastasse os níveis e historia esdrúxula, o jogo tem um ritmo totalmente bagunçado. Enfrentamos inimigos demasiadamente e com isso ficamos presos em algumas partes do cenário só atacando e matando inimigos, que quase não tem variação é totalmente sem graça. Você vai se sentir inútil e com vontade de atravessar inúmeras partes do jogo sem matar um inimigo sequer, mas infelizmente você terá que fazer. O Bosses, marca da serie, sempre variados e difíceis cada um exigindo um arma ou habilidade especifica, esqueça isso em Ninja Gaiden 3 a variação não passa de monstro gigantes e mechas, a dificuldade é mínima e apenas golpes de espadas detonam a maioria deles.

A dificuldade também foi modificada, Agora o jogo está mais fácil e menos desafiador. Ao final de cada batalha a barra de energia recarrega e inúmeros  checkpoints facilita ainda mais a vida dos jogadores. Mas o pior é enfrentar um volume enorme de inimigos mas só alguns te atacam por vez, os outros ficam aguardando calmamente a vez de serem cortados.

Ninja Gaiden 3 sofreu um alteração também em sua jogabilidade. Agora a variação de combos é mínima e vivemos um “QTEpendencia”, os QTE (quick time events), nunca fizeram parte da serie, Itagaki não gostava das seqüências de apertar botões dizia que não se enquadrava no ritmo da serie, o japonês estava certo. O numero de botões que aparecem na tela durante o jogo é abusivo e chato, estragam o ritmo a todo momento e ainda são inúteis, principalmente os de finalização que não existe necessidade de aparecer na tela.

A variedade de armas no jogo foi alterada, agora temos somente a espada principal e algumas armas secundarias como : o arco e flecha e os famosos Shurikens. De novidade Ryu recebeu um braço amaldiçoado, que conseguiu em uma briga com o principal inimigo do jogo, quando o novo braço começa a brilhar é possível executar ataques poderosos como : um dragão de fogo, que destrói vários inimigos de uma vez. Existe algumas desvantagens com o braço tendo momentos que Ryu perde sua força, mas com a nova dificuldade quem está acostumado com a serie nem vai se preocupar.

A câmera de Ninja Gaiden 3 é horrível, atrapalha a todo momento e dificulta em diversos pontos, temos o controle sobre ela limitado, irritando mais ainda o jogador. Quando atacamos os inimigos, ela tem a possibilidade de tomar um ar mais cinematográfico e conseqüentemente atrapalhando mais ainda o jogo.

A repetição assola o jogo. Por mais que você goste de hack-n-Slash, em pouco tempo estará enjoado do volume de inimigos e bosses; e com a possibilidade de ataques simples e também repetitivos. As partes de plataforma que sempre tiveram certo destaque, foram esquecidas e existe apenas simples momentos para ligar uma cenário ao outro.

Ninja Gaiden 3 inaugura a serie no mundo online. temos dois modos multiplayer no jogo que proporcionam até uma diversão, mas rapidamente você vai deixá-los de lado devido a melhores multiplayers que o mercado oferece.

Os gráficos de Ninja Gaiden 3 um pouco melhor que os de seu anterior. É incrível a sensação de estar jogando um jogo da geração passada; não existe um momento ou cut scene que impressiona pelos gráficos, que agora estão mais coloridos e com quebra de frames maiores ainda.

Ninja Gaiden 3 foi definitivamente um desastre, o pior de toda a serie. A Team Ninja teve a chance de criar uma nova experiência na serie, sem o Itagaki, as possibilidades de melhorar tudo que foi criado por Ninja Gaiden e Ninja Gaiden 2 foi esquecida. O jogo tenta se distanciar dos anteriores e procura ficar mais parecido com as series de sucesso ocidental do mesmo gênero, um erro fatal.

Como fã da serie, torço muito para que ainda exista lugar para Ninja gaiden. Mas que tudo deve ser refeito e revisto. Ninja Gaiden é uma serie oriental e tem suas caracteristicas japonesas, mudar isso e distanciar de toda a gloria passada é definitivamente esquecer do fãs e procurar matar uma serie ícone no mundo gamer.

Nota: 3,5/10

Launch Trailer de Ninja Gaiden 3

Anúncios

[Neto’s Review] Metroid Other M

“Mother, time to go!”

Capa japonesa do jogo

ENREDO

Metroid Other M é o novo jogo da série Metroid, já consagrada franquia da Nintendo e que existe desde o Nintendinho. No novo capítulo da saga, feito por uma brilhante parceria entre a Team Ninja e a Nintendo, o jogador encarna na pele (e na armadura) de Samus Aran em uma nave espacial abandonada. Após ouvir um chamado parecido com um choro vindo de lá, Samus vai até a nave e lá encontra-se com os membros da Galactic Federation, uma equipe altamente capacitada. É o antigo exército de Samus e, junto com eles, o jogador deve explorar a nave para saber o que aconteceu por lá.

Samus Aran na CG inicial do jogo, que mostra os eventos finais de Super Metroid

O jogo é certamente o mais sombrio que a Nintendo já esteve envolvida em anos. O clima pesado do jogo se faz presente a todo momento, com Samus tendo flashbacks de quando ainda era uma recruta da Galactic Federation a todo momento, bem como encontrando corpos em alguns momentos do jogo. E Other M vai além do que a Nintendo jamais mostrou em algum jogo com o qual esteve envolvida: corpos em estado de putrefação, dilacerados. Enfim, pode-se dizer que a Nintendo deixou de lado a sua política de jogo familiar neste novo adendo da franquia, entregando aos jogadores um jogo escuro, tenebroso e solitário, pois o jogador por várias vezes vai se encontrar guiando Samus por corredores desertos, abandonados e escuros, com as luzes falhando.

Metroid Other M é também uma viagem ao interior das lembranças de Samus, bem como de seus sentimentos. A todo momento o jogo apresenta cut-scenes e CGs, com Samus fazendo uma narrativa a respeito dos personagens e dos fatos que acontecem. É possível perceber o elo que Samus tem com os recrutas da Galactic Federation, principalmente com Adam Malkovich, o comandante da equipe, seu ex-chefe e uma figura paterna para Samus, que é órfã desde criança.

A nova peça da saga Metroid é também um jogo com clima cinematográfico. Nunca se viu um jogo da Nintendo com tanta preocupação em mostrar o enredo, apresentado em cut-scenes que batem de frente com as de produções dos rivais HD.

Samus jovem, presente em vários flashbacks

JOGABILIDADE

Metroid Other M não é nem side-scroller e nem uma aventura totalmente 3D. É uma jogabilidade única, dificilmente vista em algum outro título (talvez se assemelhe com Shadow Complex, do Xbox 360). A movimentação em Other M é uma mistura de side-scrollers clássicos com uma perspectiva em 3D. O jogador é totalmente livre para andar por todo o cenário que estiver acessível no momento, tendo as salas profundidade e Samus podendo correr por todos os lugares possíveis dela.

Cenários com liberdade de movimentação

A jogabilidade de Other M é rápida, porém é muito fácil de se acostumar à agilidade de Samus. O jogador deve segurar o Wii Mote de lado, como um controle de NES. A movimentação fica por conta dos direcionais em cruz do controle, enquanto os botões 1 e 2 são para tiro e pulo, respectivamente. Pressionando A, Samus morfa na famosa Morph Ball, marca registrada da série, podendo, assim, acessar pequenas passarelas, o que será necessário várias vezes durante o jogo.

Morph Ball

Talvez o maior trunfo deste Metroid seja a versatilidade da jogabilidade: apontando-se o controle para a tela, o jogador entra em primeira pessoa, porém não poderá mais se locomover enquanto estiver neste modo. Desta forma, o jogador pode dar Lock On nos inimigos para executar tiros de mísseis, por exemplo. O jogo fica levemente mais lento, para que o jogador possa mirar com mais tranqüilidade. E mirar com o Wii Mote é comprovadamente fácil.

Other M em primeira pessoa

O jogador não deve se assustar e pensar que é difícil ficar virando o controle a toda hora, pois depois de um tempo, este processo torna-se extremamente intuitivo, ainda mais que terá momentos onde este movimento deverá ser realizado várias vezes e de forma rápida, dependendo do inimigo em questão.

Samus, como já foi dito, é rápida, porém seus inimigos também são. Às vezes são até mais rápidos do que a protagonista. Com um toque no direcional, Samus executa esquivas (e, UAU, os movimentos da mulher são estilosos!), escapando das investidas inimigas. Cada inimigo tem um jeito de se matar, não é só meter o dedo compulsivamente no botão 1 que logo o bicho morre. O combate de Metroid Other M, apesar de frenético, é extremamente estratégico. Segurando-se o botão de tiro, Samus carrega seu canhão, liberando uma carga de energia bem mais forte do que o normal (isto funciona tanto no modo tradicional, com o controle virado de modo clássico, como no modo em primeira pessoa). O que pode parecer frustrante de início é que não há a necessidade de mirar quando jogando com o controle na forma clássica: os tiros vão automaticamente para o inimigo mais próximo. Porém eu creio que não havia outra maneira, já que, como as fases possuem “profundidade”, apertando-se para cima, Samus “entra” no cenário, e não somente mira para cima. Se o jogador quiser mirar, terá que entrar em primeira pessoa, o que é desnecessário em vários momentos.

Ação frenética em Other M

Power-ups estão presentes, porém cada um é liberado conforme o jogo julga necessário e nenhum tem segredo para ser usado. Power-ups do canhão da Samus, por exemplo, só é adicionado, e não selecionado. Então a arma de Samus, quando o upgrade é liberado, SOMA a habilidade, o jogador não pode escolher, por exemplo, ora usar somente o canhão de plasma e, em outro momento, usar somente o ataque de gelo. Uma vez liberado um tipo de tiro, este será usado em conjunto até o final do jogo.

O charme do gameplay está nas Boss Battles, cada chefe (e são vários!) exigindo uma estratégia diferente. Isto é muito bom pois apresenta uma variedade muito interessante, o que não torna o jogo uma mera repetição. Enquanto o jogador tem que correr para mirar certo em primeira pessoa no ponto fraco do chefe, terá que, rapidamente, virar o controle de volta para a forma clássica para poder esquivar das investidas inimigas.

Como todo bom Metroid, a exploração está presente no jogo, porém de forma sutil. Vez ou outra o jogador vai se encontrar preso em determinado local do jogo, mas não levará muito tempo para encontrar o que fazer, já que o jogo é bem linear, com os seus objetivos marcados no mapa. Fica difícil se perder em Other M.

E prepare-se para morrer bastante. Como visto acima, Metroid Other M é difícil e complexo, apesar de ser de seus comandos serem de rápida aprendizagem. Os inimigos não costumam ter dó do jogador e vários, se te acertarem, vão tirar mais de metade da sua barra de vida. Deve-se ter cuidado e bolar estratégias para o combate, principalmente porque Samus pode executar várias finalizações diferentes contra os inimigos nocauteados, o que é, assim como os movimentos de esquiva dela, muito estiloso e traz algo que dificilmente se vê em um jogo da Nintendo: um inimigo sendo dilacerado, explodido em várias partes, que voam para todo canto.

Samus preparando seu golpe final

SOM

Está aqui um quesito onde vemos que houve um cuidado extremo na concepção de Metroid Other M. O trabalho sonoro do jogo é a nível de grandes produções dos consoles de alta definição. Todos os diálogos, pensamentos e monólogos do jogo são dublados. E é uma senhora dublagem, com as falas casando perfeitamente com o movimento da boca de quem fala. Sons dos ambientes, dos passos de Samus, grunhidos dos inimigos, sons de explosões: tudo isso em Other M teve um cuidado especial e é bonito de se ouvir.

O trabalho musical também casa perfeitamente com o clima tenso do jogo, encaixando-se perfeitamente no estilo Metroid, visto que a franquia sempre teve músicas inesquecíveis.

(Música tema de Other M)

GRÁFICOS

Este é mais um jogo da série “Ah, se fosse em HD!”. É um jogo que pede gritando para a Nintendo dar mais espaço para a qualidade gráfica no sucessor do Wii. Other M é um jogo escuro na maior parte do tempo, porém mescla com paisagens coloridas, como quando Samus está em uma selva dentro da nave (sim, você leu exatamente isto: uma selva dentro da nave). Other M é provavelmente o jogo mais imersivo que existe no Wii e o trabalho gráfico foi feito com cuidado, diferentemente dos jogos que se vê por aí que são lançados para o console da Nintendo. Other M prova que, com trabalho e dedicação, pode-se, SIM, fazer um jogo bonito no console. O destaque dos gráficos vai para o detalhamento da armadura de Samus.

Talvez não seja tão bonito quanto a série Prime, mas é, certamente, um dos jogos mais belos do Wii.

Cenários escuros, inimigos monstruosos

VEREDITO

Adulto. Esta é a palavra para Other M. Desde o enredo, contando com a profundidade dos pensamentos de Samus, passando pelos controles que requerem dedos rápidos e hábeis de quem joga, até o clima escuro, o novo capítulo da franquia Metroid vem para provar que o Wii também pode fazer um jogo voltado para o público dito “hardcore”. Other M não é um jogo para iniciantes em videogame, mas é totalmente voltado para um público maduro, já acostumado e com experiência gamística.

Por fim, fica o meu apelo para que a Nintendo continue dando atenção ao público que sempre a apoiou, principalmente na época do NES e do Snes, onde ela nos entregava grandes títulos e grandes produções. Other M soa como um eco do passado da Nintendo, é um jogo sem dó, hardcore e cheio de nostalgia, ainda que soando extremamente atual. Fica só o ponto baixo em relação às inúmeras CGs que o jogo possui, o que pode assustar alguns jogadores, infelizmente. Para mim, não há problemas, pois as CGs não são enjoativas, porém são muitas, o que pode cansar alguns, já que não há modo de passá-las.

Samus Aran

NOTAS

ENREDO: 9,0/10,0
JOGABILIDADE: 9,5/10,0
SOM: 9,5/10,0
GRÁFICOS: 9,0/10,0
+0,5 ponto para a Senhora Nintendo ter finalmente apostado no público Hardcore, tanto na jogabilidade frenética e sem dó quanto no enredo adulto
NOTA FINAL: 9,0/10,0 + 0,5 = 9,5/10,0