[Tomio’s Review] Super Mario 3D Land

Nome: Super Mario 3D Land
Produtora: Nintendo
Gênero: Plataforma
Plataforma(s): Nintendo 3DS

It’s me, Mario!

Super Mario 3D Land é o primeiro jogo do mascote da Nintendo lançado para o mais novo portátil da empresa, o Nintendo 3DS.

Efeitos de comparação

Super Mario 3D Land é basicamente uma mistura do que há de novo na série (Galaxy) com vários elementos clássicos, em geral retirados de Super Mario Bros. 3. Como resultado, há um jogo 3d, com controles simples e impecavelmente precisos, mas com câmera fixa.

O jogo usa e abusa de cores e de vários efeitos, desde iluminação ao 3D do portátil, para transportar todo o potencial artístico da série para o 3DS e tornar a experiência bastante agradável aos olhos. Destaque para o 3D, que melhora a noção de espaço e acaba ajudando em saltos mais milimétricos.

Os gráficos em geral, apesar de cumprirem bem seu papel em ser uma materialização do conteúdo artístico, peca pelo número alto de serrilhados. Felizmente os pontos técnicos negativos se encerram aí, já que o jogo é livre de qualquer queda de quadros por segundo ou loadings.

A trilha sonora é outra grata surpresa, com músicas novas e outras clássicas remixadas, todas com uma pegada mais jazz ou orquestrada, deixando a experiência ainda mais agradável.

Com o rabo entre as pernas?

Super Mario 3D Land conta a história que todos já sabem…até a metade. No jogo, a princera é novamente raptada pelo tartarugão Bowser, mas para a surpresa do encanador mais famoso do mundo, todos, absolutamente todos agora, fazem uso da Super Leaf, o power-up que concede poderes de guaxinim ao usuário. Agora Mario precisa se aventurar e lutar contra inimigos ainda mais perigosos em busca de Peach.

Essa pequena adição ao enredo não apenas altera o próprio conteúdo do jogo, como também deixa um tom mais hilário e diferenciado ao mesmo – uma ótima aposta para dar uma refrescada no universo do mascote, que já está mais do que manjado.

O jogo também conta com a presença de pequenas cutscenes, deixando a experiência um pouco mais cinematográfica. Apesar de bem breves, elas podem incomodar depois de um tempo, pela ausência de uma opção para pulá-las.

2D ou 3D?

Super Mario 3D Land, como já dito no começo da análise, é uma mistura de elementos dos jogos 2D com os jogos 3D da série. O controle e movimentação do personagem é completamente herdada dos títulos tridimensionais, enquanto a câmera é sempre fixa, levando até mesmo a momentos de platforming 2D. A princípio isso pode soar problemático na hora de realizar saltos, mas os possíveis problemas são resolvidos com o uso do recurso 3D, que amplia a noção de espaço do jogador e torna a precisão dos controles ainda maiores.

O jogo é dividido em mundos, que por sua vez, são divididos em fases, assim como nos jogos antigos da série. O destaque aqui vai para os ambientes de cada mundo, que não seguem uma “regra”, como por exemplo, ter um mundo todo de gelo, outro todo vulcânico, etc. No lugar disso, há uma verdadeira salada mista – o jogador está em uma fase de campo, e na próxima está se aventurando em uma praia, enquanto na próxima está no céu, explorando plataformas flutuantes, tudo dentro do mesmo mundo. Há quem considere isso um ponto negativo, mas a verdade é que essa pequena descaracterização ajuda muito em não deixar a série manjada, já que não tem aquela ambientação reciclada de sempre, nem temáticas que todos já cansaram de ver. O título possui até mesmo uma inusitada homenagem à série Legend of Zelda.

As fases se diferenciam em vários aspectos: existem curtas a consideravelmente longas, design simples a inteligente e complexo. O jogo também tem uma característica dos Marios 2D aliada a outra 3D: É possível coletar até três moedas-estrela por fase, que podem ser usadas para destravar fases extras e a fase final da campanha principal, um ótimo meio de incentivar a exploração completa de todos os estágios. Em geral, o jogo tem conteúdo amplo e bem excecutado, exceto pela dificuldade, que é muito baixa na campanha principal. O jogo só mostra todo o seu potencial em suas fases extras, onde o desafio aumenta consideravelmente, dando a impressão de que o jogo todo foi feito apenas para introduzir o jogador às fases opcionais. Felizmente, esses estágios estão em número massivo nesse jogo: são basicamente a mesma quantidade de fases da campanha principal.

Os inimigos do jogo são outro aspecto a ser elogiado, já que, diferente da maioria dos jogos da franquia, são quase todos agressivos, partido para cima do Mario o tempo todo. Além disso, foram introduzidos inúmeras figuras novas para entrar no caminho do encanador, como outra espécie de fantasma e uma espécie de besouro, além das versões “guaxinim” dos inimigos clássicos, como o Boo ou o Goomba.

O título traz vários power-ups clássicos da série, como o cogumelo, a flor de fogo e a estrela de invencibilidade, além de muitas outras novas, como a flor-bumerangue (nome auto-explicativo), um cubo que se acopla na cabeça de Mario e o faz pular mais alto e planar (uma variação da hélice de New Super Mario Bros. Wii), um Super Leaf branco, que deixa o Mario em modo guaxinim e invencível, outro cubo que fica soltando moedas ao andar e até mesmo um cogumelo venenoso, que trabalha como um power-down para o herói. Super Mario 3D Land é certamente um prato cheio para ambos, saudosistas ou apreciadores de novidades.

O jogo, apesar de trabalhar com world map de “pontinhos” a la Super Mario Bros. 3 ou World, não possui nenhuma rota alternativa, podendo decepcionar quem espera por algo a nível dos exemplos citados. Em compensação, há ainda a presença de algumas saídas secretas para pular mundos, e estão todas muito bem escondidas.

Correndo da sombra

Super Mario 3D Land dura cerca de 4 a 5 horas para ser terminado pegando todas as moedas-estrela e destrancando todas as fases opcionais dos 8 mundos da campanha principal. Após esse feito, vem a grata surpresa: mais 8 mundos são liberados, indo desde versões mais complicadas das já existentes a completamente inéditas.

Como já dito anteriormente, são nesses mundos extras que o jogo brilha, mostrando seu verdadeiro potencial. O jogo aumenta a dificuldade consideravelmente, sendo possível sentir o desafio aumentando a cada mundo avançado, coisa que não é possível perceber na campanha principal. Nesses mundos, o jogo explora o próprio level design e as habilidades do jogador de diversas formas: seja começando uma fase com tempo limite mínimo para finalizá-la, seja com cenários completamente refeitos com mais inimigos e obstáculos, e até a introdução de uma sombra que segue o encanador o tempo todo e causa dano ao ser tocada.

O jogo também libera o uso de Luigi depois da campanha principal, que possui jogabilidade um tanto distinta do seu irmão mais velho. Além de tudo isso, o título ainda registra se o jogador consegue pular no topo do mastro, elemento clássico do primeiro jogo da série, ao final de cada fase. Para finalizar, jogar com o magricelo de verde e alcançar o topo dos mastros em todas as fases são requisitos para liberar ainda mais uma fase, a mais desafiadora de todas, inclusive, totalizando, pelo menos, 12 horas de jogo.

Quem joga fora de casa, pode dar a sorte de cruzar a rua com alguém que também tenha um 3DS, e com isso liberar salinhas que contém moedas-estrela exclusivas, ou power-ups gratuitos, facilitando um pouco a jogatina.

MAAAAAAAARIOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Super Mario 3D Land é um titulo imperdível para donos do novo portátil da Nintendo, uma experiência extremamente agradável como um todo e com conteúdo consideravelmente gordo para o gênero hoje em dia.

Nota: 9,5

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[Especial Mario Bros.] 25 anos de Super Mario

HERE WE GO!


Não me lembro quando foi a primeira vez que eu vi o tão famoso Super Mario, um dos maiores símbolos dos videogames e ídolo máximo da Nintendo. Mas com certeza meu primeiro contato com algum jogo do Mario foi com Super Mario World, do Super Nintendo. Mesmo assim, em algum dia há muito tempo atrás eu acabei conhecendo os Super Mario antecessores.

Em 1985 surgiu um jogo que iria revolucionar a indústria de videogames: Super Mario Bros., para o NES. Um jogo de premissa simples, onde víamos um encanador bigodudo e de chapéu que consistia em, simplesmente, pular. Mario pula sobre buracos, pula em cima de goombas, em cima de koopa troopas, enfim, a principal premissa de Super Mario Bros. era pular. Além do que foi introduzido logo ali, no primeiro jogo da série, o power up mais famoso de todos os tempos: o cogumelo. Mario, um encanador baixinho de início, quando encosta neste power up cresce e, assim, ganha mais resistência, podendo, então, tomar dois hits para morrer, ao invés de um.

Em 1989 é lançado nos EUA Super Mario Bros. 2, um jogo muito estranho e diferente do primeiro. A premissa ainda era pular, porém agora Mario e seus amigos poderiam agarrar objetos e arremessá-los, bem como fazer o mesmo com seus inimigos e o jogo apresentava fases não tão lineares, podendo Mario entrar por portas e etc. Em SMB2 o jogador pode escolher, além de Mario, jogar com Luigi, Peach ou Toad. Os inimigos não eram os mesmos do primeiro jogo, mas serviu para fixar alguns personagens, como Birdo e os Shy Guys. Na verdade, Super Mario Bros. 2 é uma cópia de um jogo chamado DOKI DOKI PANIC, apenas com os personagens alterados. Isso porque, na verdade, no Japão o SMB2 era um jogo que seguia a fórmula padrão do primeiro Mario Bros., só que apresentava uma dificuldade muito mais elevada. Posteriormente foi lançado em Super Mario All Stars – uma coletânea de jogos do Mario para Snes – como Super Mario Bros.: The Lost Levels.

1991 foi o ano de um dos melhores jogos de todos os tempos: Super Mario Bros. 3. Voltando às raízes do primeiro jogo, SMB3 apresentava fases lineares, inimigos clássicos da série, como os goombas e os koopa troopas. Só que SMB3 se destaca tanto pois tem um level design de alto nível até mesmo para os dias de hoje, proporcionando diversão e desafio. A não linearidade ficou por conta do World Map, tendo cada mundo suas fases e o jogador, conforme o caminho que for fazendo, podendo pular ou não determinadas fases, visitar fases bônus, etc. O jogo apresentou novos power ups que se tornaram clássicos, como a roupa de guaxinim que fazia Mario voar ou a roupa de sapo, ajudando Mario na natação.

Super Mario World veio em 1992, fazendo o debut da série no Super Nintendo. O jogo é praticamente um aprimoramento do SMB3. Na verdade, este é o meu Super Mario favorito, talvez por ter sido ele a forma com que eu conheci o mascote da Nintendo. Power ups continuaram fazendo parte da franquia e o World Map do jogo é genial, com todos os mundos  se interligando e existindo variações tremendas para se passar de fase e avançar no jogo, como modos escondidos de se passar de fase, utilizando-se chaves para abrir caminhos alternativos no mapa, além do mundo da estrela, que era o mundo secreto do jogo. Em Super Mario World fomos apresentados a uma das figuras mais carismáticas da Nintendo: o Yoshi, o famoso dinossauro (geralmente verde, mas que também tem azul, verde, vermelho, etc) que passaria, desde então, a ajudar o encanador bigodudo em várias aventuras. Yoshi inclusive ganhou um jogo próprio em 1995 no Super Nintendo, chamado Super Mario World 2: Yoshi’s Island, onde os yoshis carregam Baby Mario nas costas por toda a ilha.

A grande reviravolta veio em 1997, com Super Mario 64. Apresentando pela primeira vez Mario em 3D, a Nintendo mostrou que sabia tratar o personagem de forma satisfatória no que tange à transição 2D para 3D. Aliás, Mario é uma das poucas franquias que tiveram extremo sucesso tanto em 2D quanto em 3D, pois percebe-se que o arqui-rival do Mario – Sonic – não teve o mesmo sucesso (infelizmente). A liberdade proporcionada pelo 3D na época fez os jogadores entrarem em êxtase. Agora Mario podia andar por todo o castelo da Princesa Peach, entrando em quadros, que eram as fases do jogo, para capturar estrelas e, então, poder ir para o encontro final com Bowser, o inimigo de Mario desde Super Mario Bros. A linearidade aqui foi totalmente combatida e Mario podia agora fazer diversos caminhos nas fases, que apresentavam os mais diversos objetivos e não somente ir até o final da fase. Quem não se lembra de apostar corrida pela primeira vez com um Koopa Troopa gigante em Bomb-omb Battlefield? Simplesmente épico e revolucionário! Super Mario 64 é até hoje uma referência gritante para os jogos platformers atuais. Talvez a maior crítica dos jogos de Mario em 3D seja a limitação quanto aos power ups, que geralmente funcionam apenas para determinadas fases e têm limite de tempo, diferente dos jogos anteriores em 2D, onde era possível passar qualquer fase utilizando qualquer power up. Era o power up que deveria ser adaptado à fase antes, mas a partir de Super Mario 64 a fase começava a se adaptar a eles. Yoshi, infelizmente, foi deixado de lado e é apenas um NPC no jogo.

Em 2002 veio Super Mario Sunshine, para o GameCube. Talvez este seja o Super Mario mais diferente de todos. Agora Mario encontra-se em uma ilha que encontra-se bastante suja e Mario deve, com a ajuda de uma máquina de jato de água – o F.L.U.D.D. – , limpá-la. É também um dos jogos mais difíceis do encanador, apresentando um level design bastante desafiador e de várias possibilidades, sendo o F.L.U.D.D. indispensável para isto, já que ele possui diversas habilidades diferentes, que auxiliam Mario na empreitada, mas tudo isso dependendo do nível de água disponível, o que tornam as coisas mais desafiadoras. Agora, ao invés de estrelas, Mario coleta Shines, mas a premissa é a mesma de Super Mario 64: no final do objetivo coleta-se a Shine, assim como as estrelas de SM64. Ah, e Yoshi está de volta em Super Mario Sunshine!

Em 2007 veio Super Mario Galaxy, para o Wii. Um jogo que desorienta o jogador de várias formas, principalmente usando a gravidade. Mario agora encontra-se em uma nave espacial e deve viajar por diversas galáxias para coletar estrelas de poder para ir cada vez mais ao encontro de Bowser e reconquistar sua querida princesa Peach. O level design do jogo é soberbo e mostra por que Super Mario ainda é referência para os jogos platformers. Agora o jogo apresenta vários planetas nas galáxias, e, conforme Mario os circula, fica de ponta cabeça, o que, de início, pode causar desconforto ao jogador, mas, conforme passa, este desconforto torna-se somente mais desafio e diversão. As possibilidades em Galaxy são quase infinitas e deixa os jogadores de queixo caído, desde a trilha sonora orquestrada (Nintendo, faça o mesmo com Zelda logo, por favor), passando pela arte estonteante (que tira pedra do Wii) e chegando até aos desafios impostos pelo jogo para que o jogador alcance a estrela de cada fase.

A seqüência de Super Mario Galaxy chegou em 2010, também para o Wii: Super Mario Galaxy 2. A seqüência é basicamente um aprimoramento do primeiro Galaxy, mas não tanto para soar ao jogador um mais do mesmo. O level design segue riquíssimo e agora Mario encontra-se em sua própria nave e, mais uma vez, só para variar, indo atrás da Princesa Peach, que foi seqüestrada novamente pelo Bowser. Yoshi mais uma vez aparece, diferentemente do jogo anterior, onde ele inexistia. Yoshi veio em Galaxy 2 para aumentar as possibilidades do jogo, expandindo ainda mais o que foi feito no primeiro Galaxy. A premissa continua a mesma do anterior, com a gravidade deixando o jogador por vezes desorientado, mas apresenta uma nostalgia bem maior: Galaxy 2 apresenta várias partes em 2D, além de uma galáxia idêntica a um mundo de Super Mario 64. Simplesmente maravilhoso o trabalho da Nintendo para com os dois jogos Super Mario para o Wii.

Concluindo, Super Mario é a franquia com a qual a Nintendo mais tem esmero e carinho. Tudo nos jogos da série é tratado bem e serve qualquer jogador de qualquer idade, apresentando dificuldade, desafio e diversão na medida certa. Parabéns pelos seus 25 anos, Super Mario Bros.! Que a Nintendo continue tratando você como merece, apresentando aos jogadores o mais fino do que existe quando se fala de jogos de plataforma. Mario é ainda uma das figuras mais carismáticas da Nintendo e de todos os tempos dos videogames, mesmo sem nunca emitir nenhum som além dos já conhecidos “Yahoo”, “Yipeee” e derivados.