[Tomio’s Review] Digimon World Re: Digitize

Nome: Digimon World Re: Digitize
Produtora: Tri Crescendo
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation Portable
Versão analisada: Japonesa

Digitais

Digimon World Re: Digitize é o mais novo título da maior franquia rival de Pokémon, produzido pela Tri Crescendo (Eternal Sonata) para Playstation Portable.

Admirável mundo digital

Re: Digitize reproduz mais uma vez o mundo digital dos Digimons, conhecidos pela série animada contando as aventuras de Agumon e companhia. O jogo possui um visual cartunesco com cores bem fortes e um mundo vasto e diversificado, sendo fácilmente um dos títulos mais bonitos do PSP. Tecnicamente, Re: Digitize é igualmente muito competente, com loadings rápidos, ausência de pop-in ou slow downs e campos enormes. O destaque aqui fica para o sistema de dia e noite do jogo, com excelente uso de iluminação e outros efeitos, além de outros aspectos diferenciados de gameplay por conta disso.

A trilha sonora é também de primeira, com uma seleção de instrumentos que puxam as melodias mais para o lado retrô:

Outro ponto forte do jogo é o controle de câmera, que foi muito bem adaptada aos limites do portátil.

Salvando o mundo…digo, banco de dados

Re: Digitize em termos de história é um jogo bem simples, pois o mesmo é claramente voltado para crianças. Por conta disso, a história, personagens e acontecimentos são bem simples e não muito profundos, mas se mostram competentes se for considerado o público alvo, com narrativa sólida e universo envolvente.

O mais interessante nesse aspecto é o número considerável de cameos, indo de personagens da série e até personagens de outros jogos.

Os novos bichinhos virtuais

Re: Digitize segue o mesmo gameplay do primeiro Digimon World, lançado para Playstation One. Ou seja: É preciso criar um Digimon para ele ficar mais forte e diginvolver, e explorar os diversos campos do mundo digital.

Assim como seu ancestral, uma coisa que definitivamente não combina com o público alvo é a dificuldade do jogo, pois a mesma é bem alta a ponto de ser brutal em algumas partes, exigindo que o jogador tenha domíno de todas as mecânicas de jogo e planejamentos avançados de ações se não quiser entrar em um loop interminável de treinamento em vão.

No título, o jogador precisa, literalmente, tomar conta de seu Digimon. Ou seja: Dar comida, levar ao médico, ao banheiro, treinar e lutar para melhorar atributos, dar bronca ou elogiar e até mesmo mandar dormir. As mecânicas de “babá” do jogo são todas muito bem aplicadas e completas, dando ao jogador a sensação de que está mesmo criando um ser vivo. Fazer ou deixar de fazer qualquer ação pode afetar drásticamente mais pra frente, seja na hora do Digimon evoluir para uma criatura mais poderosa, ou até mesmo no presente. Por exemplo: uma criatura mimada geralmente não obedece direito o treinador. Nessa hora, o ideal é dar uma bronca, pois após isso, geralmente o Digimon pára de reclamar ou recusar as ações de seu treinador.

Assim como em Digimon World, Re: Digitize tem como base os sistemas de evolução de Monster Rancher, RPG da Tecmo. Os Digimons não possuem level, pois eles ficam mais fortes de acordo com o tipo de treinamento. Um minigame de desviar de bombas, por exemplo, faz com que sua velocidade e inteligência aumentem. Os monstros possuem até mesmo idade e morrem depois de um tempo, deixando dados para que o próximo Digimon a nascer já comece um pouco mais poderoso. O tempo de vida de um Digimon vai depender diretamente da competência do jogador em criar seu parceiro de forma decente, dando o que ele precisa na hora certa e treinando da forma correta. Essa deadline para os Digimons, inclusive, é uma ótima forma de balancear a dificuldade do jogo. Outro ponto chave do jogo são as Digivoluções, evoluções dos monstros para versões mais poderosas: eles não ficam apenas mais fortes, como também são importantes para prolongar a vida do Digimon, pois quanto mais evoluções, mais ele vive. Evoluir um Digimon é bem interessante, pois dependendo do estilo de criação do jogador, uma mesma criatura pode resultar em diversas outras versões mais poderosas, aumentando, consequentemente, o fator replay.

Para avançar no jogo, é preciso seguir sua história, explorando dungeons e batalhando. O ponto positivo disso é o nível considerável de liberdade que o jogo dá para realizar essas atividades de enredo, podendo concluir muitas delas na ordem que quiser ou até mesmo ignorar algumas coisas.

O mundo de Re: Digitize é basicamente um itercalado de várias dungeons como se fossem uma só, estilo de jogo já visto em JRPGs como Final Fantasy XII (PS2), por exemplo. As dungeons são em geral bem grandes e com cenários bem variados. Dentro delas é possível encontrar itens como frutas e cogumelos, que servem de alimentos, inimigos, poças d’água para um minigame de pesca e Digimons NPCs, importantes serem descobertos para liberar sidequests, dungeons novas e até mesmo novos sistemas de jogo. O destaque é o já citado sistema de dia e noite, que pode influenciar na aparição de novos elementos em campo, dependendo do horário visitado. Apesar de possuir tudo isso, as dungeons passam uma forte sensação de vazio pela ausência total de baús e outros itens mais relevantes, quebra-cabeças ou labirintos mais bem elaborados, e principalmente pela escassa quantidade dos calabouços.

O sistema de batalhas de Re: Digitize é um tanto fora do comum: nele, o jogador não controla o lutador, mas sim o treinador. A princípio, o jogador tem a disposição apenas comandos simples, como “Faça o que quiser”, “Fuja” ou jogar um item de cura para o Digimon, mas com um parceiro evoluído, mais ações como “Mudar alvo”, “Se afaste” ou “Ataque com tudo” ficam disponíveis. A parte mais interessante disso é que esses comandos vão ficando disponíveis de acordo com o nível de inteligência do Digimon, ou seja, quanto mais o jogador treina seu bicho intelectualmente, mais ferramentas de combate ficam disponíveis. Infelizmente, o jogo é outra vítima da “burrice artificial”. Devido à fraca IA, muitos desses comando acabam não fazendo muito sentido, e somado à total ausência de controle sobre o Digimon, as batalhas acabam sendo mais um jogo de sorte do que estratégico.

Uma breve jornada

Re: Digitize é uma curtíssima aventura, que pode ser finalizada em menos de 10 horas dependendo do jogador.

Apesar disso, possui uma boa quantidade de extras, como descobrir e criar todos os Digimons possíveis, uma coleção de cartas que podem ser adquiridas de várias maneiras, um modo Arena com direito até a campeonatos, side-quests, um minigame de pescaria e até modos multiplayer cooperativo ou versus.

Re: Digitalizar

Digimon World Re: Digitize é a volta às raízes depois de muitos títulos mornos. É pequeno e tem alguns problemas, mas possui um capricho visível que não se apoia a nomes ou nostalgia. Recomendado para fãs de RPGs e obrigatório para amantes de Digimon.

Nota: 8,5

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[Especial The Legend of Heroes] Parte 4 – Trilhas alternativas

Uma série de sucesso não poderia ficar de fora do mundo dos spin-offs e adaptações, não é mesmo? Com a série Trails, essa regra foi seguida.

Ys VS Sora no Kiseki: Alternative Saga

Em 2010, meses antes de Trails of Zero, foi lançado o crossover Ys VS Sora no Kiseki: Alternative Saga (Ys VS Trails in the Sky: Alternative Saga, se traduzido), para Playstation Portable. O jogo, como sugere o nome, reúne grande parte do elenco da série Trails com os mais famosos personagens de outro sucesso da Falcom, a franquia Ys. Apesar de ser um spin-off, dá a entender que o jogo se passa perto dos eventos finais de Trails in the Sky Second Chapter.

Em uma batalha

O jogo segue a mesma proposta de títulos como Dissidia Final Fantasy e Tales of VERSUS, reunindo vários personagens famosos de sua produtora em um jogo de luta. Ys VS Trails se destaca com sua jogabilidade fluida e completa, herdada diretamente de Ys, trilha sonora remixada com os maiores sucessos da empresa, o primeiro jogo a dublar personagens da série Trails, o primeiro título da Falcom a apresentar um sistema interno de conquistas, que ajudam a desbloquear extras, e um conteúdo extra invejável, já que o jogo tem como bônus nada menos que vários vídeos, centenas de músicas e artes conceituais de vários jogos da Falcom, um prato cheio para os fãs da empresa. O título também prepara o terreno para Trails of Zero, com a participação do personagem Lloyd Bannings, protagonista da saga Crossbell.

Trails in the Sky The Animation

Em 2011, foi lançado um Original Video Animation (OVA) da trilogia Trails in the Sky, chamado Trails in the Sky The animation. Os dois episódio da animação, produzidas pelo estúdio Kinema Citrus (Tokyo Magnitude 8.0), conta resumidamente os acontecimentos de Trails in the Sky Second Chapter.

Olivier e suas melodias

A animação pode desapontar muitos fãs por não seguir fielmente o enredo do jogo, contendo muitas partes alteradas e até mesmo criadas, além de personagens que deveriam dar as caras não aparecerem até o final. Apesar dos pesares, ainda é uma curta que vale a pena ser visto. Além de ótimas cenas de lutas, usa a excelente trilha sonora original do jogo e o enredo geral ainda é mantido. Fora que, ver como funciona o sistema de orbments, assim como ouvir todos os personagens devidamente dublados, é no mínimo interessante.

Trails of Nayuta

Em 2012, a Falcom lança Trails of Nayuta, um RPG de ação, para Playstation Portable.

Apesar do nome, Trails of Nayuta não tem quase nada do universo Trails, a não ser alguns nomes de mecânicas e a presença de um cameo. O jogo fica muito mais próximo da série Ys, com jogabilidade rápida e fluida, mas em um gameplay muito mais puxado para o arcade.

Gameplay

As partidas rápidas de dungeons e a evolução gradativa do personagem faz de Trails of Nayuta um jogo com ritmo bastante agradável e adaptável ao jogador, A bola fora em relação ao título fica por conta do enredo, que não chega nem perto de ser complexo e grandioso como a série Trails canônica. Os personagens também não ajudam, pois praticamente nenhum ganha aprofundamento o suficiente para o jogador se identificar. Para os fãs da série Trails o título pode desapontar bastante, pois o enredo, que é o principal trunfo da série, não é grande coisa. Mas independente disso, temos um action RPG de alta qualidade, com conteúdo amplo e variado que entrete o jogador até o último segundo, além de outro excelente trabalho da produtora na parte sonora.

Trails of Zero Evolution

Em outubro de 2012, será lançado Trails of Zero Evolution, um remake para o Playstation Vita.

Além dos gráficos melhorados e da trilha sonora remasterizada, o jogo vai contar com um conteúdo mais amplo, como mais minigames, mais side quests, e o principal aspecto: a quest principal completamente dublada. Esse será o primeiro jogo da série a receber dublagem completa, prometendo levar a imersão do enredo a outro nível.

Um dos novos minigames

E assim, encerra o especial sobre a série The Legend of Heroes. Qual será o próximo passo da Falcom? Um novo Spin-off? Remake? Animações? Ou o aguardado oitavo jogo numerado da franquia? A expectativa que os fãs criam sobre a série e a Falcom é a prova de uma empresa competente consegue trazer títulos de qualidade, independente da importância do jogo em questão com a série.

A franquia, em ordem de lançamento:

Duologia Dragon Slayer:

-Dragon Slayer: The Legend of Heroes (1989, PC)
-Dragon Syaler: The Legend of Heroes II (1992, PC)

Trilogia Gagharv:

-The Legend of Heroes III: Prophecy of the Moonlight Witch (1994, PC)
-The Legend of Heroes IV: A Tear of Vermillion (1996, PC)
-The Legend of Heroes V: A Song of the Ocean (1999, PC)

Série Trails – Trilogia Trails in the Sky (Saga Libeel):

-The Legend of Heroes VI: Trails in the Sky First Chapter (2004, PC)
–Trails in the Sky Second Chapter (2006, PC)
–Trails in the Sky The Third (2007, PC)

Série Trails – Saga Crossbell:

-The Legend of Heroes VII: Trails of Zero (2010, PSP)
–Trails of Azure (2011, PSP)

Outros:

-Ys VS Trails in the Sky: Alternative Saga (2010, PSP)
-Trails in the Sky The animation (2011, OVA)
-Trails of Nayuta (2012, PSP)
-Trails of Zero Evolution (2012, Vita)

Especial parte 1

Especial parte 2

Especial parte 3

[Tomio’s Review] The Legend of Heroes: Trails of Azure

Nome: The Legend Of Heroes: Trails of Azure
Produtora: Falcom
Gênero: JPRG
Plataforma(s): Playstation Portable, PC (apenas na China), Playstation Vita (Evolution)
Versão analisada: Playstation Portable, japonesa

Trilhas Azuis

The Legend of Heroes: Trails of Azure é o mais recente título da franquia Trails, iniciada pela trilogia Trails in the Sky. Azure é continuação direta de Trails of Zero. Assim como seu antecessor, recebeu um port HD para PCs apenas na China, e um remaster completamente dublado para Playstation Vita.

Maior, melhor e mais pesado

Trails of Azure continua com a estrutura básica de seu antecessor, ou seja: gráficos poligonais simples mas limpos, parte artística bem trabalhada e apresentada através de diversas jogadas de câmera, e sprites 3D para personagens e alguns objetos.

O jogo conta com efeitos visuais mais bem trabalhados, como a mudança da iluminação ambiente em dias de chuva, por exemplo.

A sonoplastia, além de já incluir toda a trilha sonora do jogo anterior, traz também algumas faixas remixadas e mais algumas inéditas, sendo muitas delas compostas com ênfase em piano e/ou violino, totalizando mais de cem músicas de altíssima qualidade, com variedade o suficiente para se encaixar perfeitamente em todos os momentos do jogo.

Com mais músicas, personagens, cenários e muito, muito mais cutscenes, o jogo acabou ficando mais pesado que a encomenda, resultando em telas de loading mais persistentes, quedas de quadros por segundo, alguns pequenos travamentos que duram alguns segundos e até alguns bugs em locais específicos que podem prejudicar a jogatina.

E o culpado é o mordomo…não.

Trails of Azure mais uma vez traz os acontecimentos de Crossbell, cidade onde Lloyd, Ellie, Tio e Randy, os protagonistas, trabalham como parte de uma divisão da polícia.

A narrativa dessa vez traz dois pontos distintos: de um lado, todos os eventos que vão acontecendo e envolvendo a cidade e seus moradores, e de outro, a organização criminosa Uroboros, presente desde o começo da franquia Trails, É interessante ver esse último lado, já que apresenta mais detalhes e revela alguns segredos da misteriosa organização, além de, consequentemente, relembrar inúmeros acontecimentos e fazer reaparecer muitos personagens que deram as caras na trilogia anterior.

Mas o destaque fica para o enredo principal: os acontecimentos que envolvem Crossbell. É impressionante como o jogo consegue conduzir uma história política densa e complexa a soar interessante o bastante para convencer o jogador a não parar de jogar em momento algum. Aliado a uma narrativa dinâmica, que não enrola ao mesmo tempo que entrega informações na dose certa, o título consegue prender a atenção de qualquer tipo de jogador com seu enredo, uma maratona incessante de reviravoltas imprevisíveis, jogos intelectuais sobre jogos intelectuais e uma atmosfera hostil e desesperadora em grande parte do tempo.

O elenco do jogo é monstruosamente grande, e o jogo felizmente consegue tirar proveito de todos os personagens, apresentando e se aprofundando no passado e na personalidade dos mais importantes, e disponibilizando muitas cenas e conversas opcionais para outros NPCs. O destaque aqui fica para as ações e pensamentos dos protagonistas, já que o jogo e sua história os fazem sentir na pele a pressão de serem apenas uma peça dentro de toda a engrenagem, ao contrário dos heróis poderosos e suas conversas heróicas forçadas da maioria dos outros jogos do gênero. Outro ponto que merece destaque são os vilões, que são todos compostos por figuras misteriosas ou com propósitos e ideais realistas e inteligentes o suficiente para convencer qualquer um de que não existe o bem e o mal absoluto.

O sistema de relacionamento entre Lloyd e outros personagens, presente no jogo anterior, aparece novamente em Trails of Azure, e dessa vez voltado mais para o sim date, já que é possível até convidar um personagem para ir juntos em alguma atração de um parque de diversões, por exemplo. Essas ações não concedem apenas itens, habilidades únicas e mais detalhes sobre o personagem em questão, como podem até mesmo alterar a relação entre Lloyd, modificando algumas cenas e diálogos posteriormente. Apesar de soar um tanto fora de proposta, o sistema não prejudica em nada o enredo nem a atmosfera do jogo, e com o tanto de benefícios e informações extras que podem ser obtidos através dele, o mesmo acaba sendo uma boa adição, no final das contas.

Trails of Azure termina a saga Crossbell, composta pelo mesmo e por Trails of Zero. Como em todos os outros jogos da franquia esse também termina com algumas questões a serem respondidas e dicas de onde será o próximo “palco” para o Uroboros.

Hey Cloud, já vi esses monstros antes…

Trails of Azure se desenrola com exploração (gameplay básico de todo JRPG) e/ou investigação (mais puxado para o “point-and-click”, com diálogos e resoluções de casos/mistérios através de lógica) de dungeons, cidades e estradas, todas interligadas umas com as outras, com um bom trabalho no design e repletas de atividades, cenas e diálogos opcionais/secretos, que por sua vez concedem informações extras e mais benefícios mais pra frente. É importante destacar aqui a variedade de dungeons, ainda mais se tratando de uma continuação situada na mesma cidade, onde as produtoras tendem a reciclar conteúdo – o título praticamente não leva o jogador a nenhuma dúngeon que já foi visitada em Trails of Zero (a não ser para side quests), diminuindo consideravelmente a sensação de Dejá-vu. Infelizmente esse mesmo empenho não foi utilizado para o bestiário, que com exceção dos chefões, são praticamente todos reciclados do título anterior.

As batalhas rolam em arenas quadriculadas por turnos, uma espécie de híbrido de RPG com tactics. O jogador precisa se aproveitar dos bônus de turnos, como “ataque crítico” e “morte instantânea” para não sofrer muito em batalha. O interessante das lutas do jogo é que elas são mais um jogo de cálculos e manipulação de turnos, pois é possível interferir a vez do adversário de diversas formas – seja com crafts (habilidades) que atrasam o turno inimigo, arts (magias) que aceleram o turno aliado, as S-Crafts, habilidades especiais poderosas que podem ser encaixadas em qualquer momento da luta e até mesmo através do Burst, uma barra que funciona como uma espécie de Limit Break, da série Final Fantasy, e concede turnos consecutivos para o grupo dos heróis. Outro ponto interessante é o fato de todos os recursos estarem muito bem balanceados, com magias poderosas e/ou úteis que consomem muito EP (mana) e habilidades bem distintas de um personagem para o outro, por exemplo, necessitando um pouco de cuidado na hora de formar um grupo, principalmente contra chefões, que nesse jogo são inúmeros, e vários deles poderosíssimos mesmo em dificuldades baixas.

Para a customização, o jogo conta com o sistema de Orbment, chamado de Enigma em Trails of Zero e Enigma II em Trails of Azure. O sistema consiste em equipar quartz, pequenas pedras preciosas, em um dispositivo, resultando em aumento de status e a capacidade de uso de magias do portador, esse último dependendo de vários fatores, como a cor e nível das quartz misturadas em uma mesma linha, algo bem similar a juntar uma Materia “All” e uma Materia “Cure” pra obtenção de uma magia de área em Final Fantasy VII. Além de toda a variedade de quartz disponíveis, que vão desde pedras que aumentam o HP a outras que matam o alvo instantâneamente, exitem também as Master Quartz, versões ainda mais poderosas dessas pedras, que inclusive evoluem junto com o usuário, concedendo ainda mais habilidades passivas e magias ainda mais poderosas. Com tudo isso, o jogador é capaz de moldar os personagens de acordo com o gosto e/ou situação, como fazer um guerreiro baseado em status altos, ou um mago, calculando bem as combinações de diferentes Quartz pra obtenção de magias mais poderosas, que chegam até mesmo a ser summons em níveis extremos.

O jogo conta também com alguns sistemas de fast travel para quem quer evitar longas caminhadas em estradas. O jogador pode pegar ônibus, que obviamente param em pontos especificos do mapa, ou usar um carro, um recurso ainda mais prático de locomoção, pois com ele é possível praticamente parar na porta de qualquer lugar que deseja ir. É possível até mesmo customizar o veículo, como tralhas visuais, mudança de cor e dispositivos que recuperam HP, EP (mana) e CP (pontos para utilização de habilidades), esse último extremamente útil para a aventura.

O mestre dos puzzles em um RPG

Trails of Azure, assim como seu antecessor, possui inúmeras atividades extras/escondidas. É possível realizar tarefas como alimentar um gato com peixes, que são obtidos em outro mini-game de pescaria, em troca de quartz raros, oferecer refeições, estas preparadas após a obtenção de receitas espalhadas pelos locais e pessoas, para obtenção de itens, arriscar a sorte em jogos de cassino ou até mesmo dar uma parada no ritmo de jogo para ler uma série em novel disponível dentro do jogo. Dá até pra jogar um clone da série Puyo-Puyo, famoso puzzle da Sega.

Existe também um sistema de conquistas, similar aos das plataformas HD dessa geração. Após finalizar o jogo, é possível destrancar inúmeros extras, como uma galeria de videos e quais recursos são possíveis de serem carregados para um New Game +, tudo dependendo da quantidade de conquistas destravadas durante a jogatina, uma verdadeira junção do útil ao agradável.

O jogo possui, apenas de main quest, 50 horas mínimas de jogo. Quem busca os 100%, não menos de 100 horas de jogo estão garantidas.

Fechando com chave azul de ouro

The Legend of Heroes: Trails of Azure termina a saga “Crossbell” com maestria. Por alguns pequenos problemas técnicos e reciclagem de alguns materiais, ele não consegue ser impecável como seu antecessor, mas consegue prender o jogador e entreter de uma forma que nem todo jogo “perfeito” é capaz.

Nota: 9

Review de Trails of Nayuta

[Tomio’s Review] The Legend of Heroes: Trails of Zero

Nome: The Legend of Heroes VII: Trails of Zero
Produtora: Falcom
Gênero: JPRG
Plataforma(s): Playstation Portable, PC (apenas na China), Playstation Vita (Evolution)
Versão analisada: Playstation Portable, japonesa

Uma nova trilha

The Legend of Heroes VII: Trails of Zero (Eiyuu Densetsu VII: Zero no Kiseki no Japão) é o primeiro jogo da saga Crossbell, que por sua vez, faz parte da sub-série Trails, a mesma da trilogia “The Legend of Heroes VI: Trails in the Sky“. O jogo se passa alguns meses após a trilogia anterior, e em outro país.

Começando do zero?

Trails of Zero é o primeiro jogo da série a aparecer exclusivamente no Playstation Portable (existe um port HD para PC, apenas na China, e um remaster completamente dublado para Playstation Vita lançado em outubro de 2012). Mas não é porque ele deixou de ser feito para PC que a qualidade caiu, muito pelo contrário.

O jogo conta com cenários poligonais e câmera fixa, fazendo com que o fenomenal trabalho artístico fique em evidência. O título possui muitas pegadas de câmera que fazem os belos cenários de fundo aparecerem, assim como todos os minunciosos detalhes do ambiente. Tecnicamente, Trails of Zero de certo não é o melhor trabalho comparado a títulos de empresas grandes, mas apesar de básico, o resultado é bem satisfatório, com a presença discreta de serrilhados (o inimigo natural do portátil), loadings rápidos e elementos 2D bem detalhados, com movimentação fluida.

A trilha sonora de Trails of Zero possui mais de 70 faixas de alta qualidade e de grande variedade, indo do rock à orquestrada, tudo dependendo da situação. Até então, a sonoplastia do jogo é o melhor trabalho da Falcom, produtora que sempre deu bastante atenção a essa área em seus jogos.

O jogo conta ainda com algumas cenas e situações dubladas. Mas esse aspecto de jogo é tão raro que acaba sendo mais um ponto negativo que positivo, pois ver um momento dublado a cada 100 dá a impressão de que não fizeram mais para cortar custos.

Story RPG

Falcom, a produtora do jogo, faz questão de chamar Trails of Zero de “Story RPG”. E essa obsessão não é a toa.

Trails of Zero conta a história de Lloyd Bannings e seus colegas da “S.S.S.”, ou “Seleção Especial de Suporte ao cidadão”, divisão da polícia de Crossbell, uma cidade independente de Zemulia, o mesmo continente por onde se passou a trilogia Trails in the Sky. Crossbell passa uma sensação no mínimo interessante de “anos 60” e tecnologia atual em um mesmo ambiente.

O jogo tem basicamente dois pontos de narrativa: enquanto de um lado o jogador é apresentado ao dia-a-dia da divisão, resolvendo casos e se aprofundando em relacionamentos sociais, do outro é apresentado todo o background do jogo, a densidade da trama e as extensões colossais proporcionadas pelo universo “Trails“. Esses dois aspectos, que de início parecem até distintos, aos poucos vão se encontrando e se entrelaçando ao longo da jogatina, resultando em uma narrativa mais próxima de outros meios de entretenimento e literatura, e tão bem executada quanto.

O enredo de Trails of Zero é outro ponto a ser destacado, pois é bem diferente das tramas convencionais do gênero. Devido ao tema, algumas mecânicas de jogo e a ambientação, o jogo puxa a história muito mais para um thriller policial que para fantasia. Os mistérios, os pensamentos dos personagens, a quantidade massiva de informações apresentadas e abordagem de diversos temas políticos reais como corrupção e envolvimento de líderes estatais com o crime organizado não apenas fazem o jogador mergulhar de cabeça nos acontecimentos, como também o faz pensar as vezes que está jogando algo de outro gênero, como o point-and-click e seus jogos de detetive, ou mesmo outra mídia, como um seriado para a televisão, de tão denso e bem detalhado que o título é.

Em termos de personagens, o título com certeza não passa por dificuldades. Trails of Zero tem um elenco com dezenas de personagens, desde jogáveis a NPCs menos importantes. Além de todo o sólido background apresentado para os principais e personalidades bem trabalhadas para toda a trupe, o jogo carrega um interessante sistema, onde o jogador escolhe se quer saber mais sobre os habitantes de Crossbell – constantemente o jogo oferece cenas, situações e falas únicas para uma passagem limitada de tempo da trama, e se o jogador quiser obter mais detalhes sobre algum assunto ou do cotidiano de alguém, é preciso estar sempre atento ao redor, conversando com as pessoas e/ou realizando tarefas sempre que possível.

Apesar de ser uma nova trama, Trails of Zero exige uma noção básica da trilogia Trails in the Sky, se não quiser ficar por fora de inúmeros eventos envolvendo personagens e situações da mesma.

A luta da S.S.S.

Trails of Zero é um JRPG que se desenrola basicamente dentro da cidade de Crossbell e seus arredores. Ao contrário de Trails in the Sky First Chapter, onde a progressão era um tanto linear e limitada, em Trails of Zero o jogador pode andar livremente por todas as áreas do jogo, uma vez que as mesmas são liberadas, fazendo com que o jogador tenha um controle melhor de exploração e andamento de jogo.

O jogo é basicamente uma ligação de várias localidades, que divididas em três distintas, são elas: dungeons, estradas e Crossbell/vilas. As dungeons são uma das principais atrações do jogo – além de numerosas e de boa duração, todas elas possuem um excelente design, proporcionando um bom desafio e sensação de exploração. As estradas também possuem seus pontos positivos, pois são basicamente dungeons mais curtas e simples, sendo possível até mesmo encontrar itens caídos no caminho através de pontos brilhantes. Já para as vilas/cidade, o destaque vai para a própria Crossbell e sua imensidão – o tamanho dela chega até mesmo a assustar os jogadores de início, e é preciso um bom tempo para finalmente decorar os principais pontos dela. Para se ter uma idéia, o tamanho dela é equivalente a todas as cidades presentes em Trails in the Sky, juntas. Felizmente, para tudo isso existem sistemas de fast travel: as estradas possuem pontos de ônibus para cortar longas caminhadas, assim como Crossbell possui um menu que possibilita “pular” de uma área da cidade para outra, apenas selecionando seus respectivos nomes.

Um dos maiores diferenciais da série Trails é o sistema de pontuação. Em Trails of Zero, de tempos em tempos o jogador é apresentado a situações que necessitam tomar uma atitude, que variam desde explorar áreas e interrogar personagens fora do que é exigido pela missão a deduzir algo, organizando informações colhidas através de palavras-chave durante investigações. O resultado dessas escolhas não somente alteram algumas conversas posteriores a esses eventos, como também recompensa o jogador que tomar as decisões certas com pontos extras ao término de cada missão, que por sua vez, concedem itens exclusivos ao acumular uma certa quantia. Paralelo a esse sistema, existem também momentos em que Lloyd precisa escolher um de seus colegas para fazer algum tipo de atividade. Aprofundar a relação com alguém, além de conceder uma habilidade combinada exclusiva entre os dois, revela também mais detalhes sobre o personagem escolhido. Ao contrário do que parece, esse sistema não leva o jogo para o lado dos “sim dates”, pois tem intuito de apenas explorar melhor os personagens.

O sistema de batalhas é um híbrido de Tactics tabuleiro com o clássico sistema de turnos do gênero. Em um campo retangular, o jogador pode mover os personagens através de pequenos quadrados e realizar diversas ações, como atacar, usar magias, habilidades ou mesmo fugir. O sistema em si é simples e não apresenta nada inovador, mas é muito bem executado. Existe uma barra no canto da tela representando a ordem de ação de todos que estão na arena. Junto a essa barra, corre paralelamente outra barra com vários bônus de batalha – quando um bônus coincide com o turno de alguém, o mesmo é ativado. O interessante é que esses bônus, que são coisas como recuperação de HP e dano crítico, podem ser usados tanto pelos personagens quanto pelos monstros, exigindo assim táticas adiantadas e muito jogo de previsões. Aspectos básicos do gênero como esquivar e acertar golpes se tornaram mais importantes que o normal em Trails of Zero, já que um golpe que não acerta o oponente automaticamente ativa um contra-ataque do mesmo, dando ainda mais ênfase a trocas de equipamentos e uso de magias e habilidades de suporte.

A diculdade do jogo é outro ponto bem executado. O balanceamento de poder de crafts e arts, as habilidades e magias respectivamente, é muito bem acertada, fazendo com que todos os personagens usáveis sejam igualmente úteis, mas ao mesmo tempo bem diferenciados. Além disso, o jogo é daqueles títulos onde quem aproveita mais do que o mesmo tem a oferecer, sofre menos em lutas decisivas. Para aqueles que fazem tudo e mesmo assim querem passar por apuros, o jogo oferece diferentes níveis de dificuldade antes de começar um novo jogo.

Para o sistema de customização, o jogo oferece uma variedade de opções: Os equipamentos podem ser comprados, melhorados com um material especial ou até mesmo forjados através de itens diferentes. Além do básico, há também o sistema de Orbment – nele, o jogador pode equipar quartz, pedras preciosas que possuem uma cor e uma propriedade cada, como pedras vermelhas que aumentam a força ou pedras azuis que aumentam o HP, por exemplo. O sistema não concede apenas aumento de status e habilidades de forma bruta, como também é a chave para a utilização de arts, as magias do jogo. O número, variedade e poder das arts dos personagens dependem de vários fatores: quantidade, cor e mistura de quartz na Orbment. O que deixa cada personagem ainda mais único é o fato de cada um ter uma Orbment diferente, como um deles que permite várias pequenas combinações, ou outro que exige que dois slots sejam usados para quartz azuis, por exemplo. Tudo isso faz com que a customização seja minunciosa e não fique empacada em apenas um modelo, pois os status, habilidades e arts bons para um personagem ou situação pode não ser bom para o restante.

O trabalho de hoje:

Trails of Zero tem uma duração média de 40 horas sem contar nenhum extra. Para quem quer fazer 100% do jogo, são garantidas mais de 100 horas de jogatina.

Além das missões de main quest, o jogo apresenta inúmeras side-quests, essas também bastante variadas, como matar monstros mais fortes ou buscar livros emprestados para a biblioteca da cidade. Assim como nas missões principais, as side-quests também utilizam o sistema de pontos.

O jogo possui também diversas atividades opcionais, como alimentar um gatinho e ganhar quartz raros em troca, trazer oferendas para um santo em troca de itens, enviar relatórios de monstros (completar o bestiário) para o quartel general em troca de dinheiro e itens, e até mesmo um cassino, citando algumas das inúmeras coisas que podem ser feitas.

Um dos pontos mais interessantes dos extras do jogo é o fato de ter muito conteúdo escondido nele, como conversas, side-quests, cenas e personagens, que o jogador só poderá ver se estiver no lugar certo, no momento certo, incentivando ainda mais a exploração dos quatro cantos do jogo.

O título tem ainda um sistema interno de conquistas, similar ao sistema de troféus do Playstation 3. É interessante notar que esse sistema é muito melhor executado que os de consoles de mesa, já que cada feito concede pontos, e com esses pontos, o jogador pode destravar diversos extras, como galeria de imagens, minigames e elementos que podem ser carregados para um “New game plus”.

Para completar, o jogo incentiva o New game plus de diversas formas. As duas principais seriam uma dungeon extra, disponível apenas na segunda rodada, e os eventos exclusivos de relacionamento entre Lloyd e um dos membros da divisão, que são ao todo três personagens e um por rodada.

O relatório do dia

The Legend of Heroes VII: Trails of Zero é o que todo fã de JRPG queria nessa geração: Gameplay sólido, amplo e prazerosamente bem balanceado, somado a um enredo com narrativa impecável, história incomum e muito intrigante, personagens com profundidade e um universo complexo, mas muito bem explorado. Muitos jogadores temem pelo futuro do gênero, mas, enquanto a Falcom se preocupar em fazer títulos desse nível, não haverá razão para preocupações.

Nota: 10

Review de The Legend of Heroes: Trails of Azure

Review de Trails of Nayuta

[Tomio’s Review] Trails of Nayuta

Nome: Trails of Nayuta
Produtora: Falcom
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Playstation Portable
Versão analisada: Japonesa

Trilhas

Trails of Nayuta é o mais recente título da Falcom, responsável também pela série Ys.

Estrelas

Trails of Nayuta é atualmente o melhor trabalho técnico da Falcom para o PSP, com modelos 3D bem detalhados, expressões faciais nítidas, movimentação fluida dos personagens e representação artística bem fiel. Mas, ser o melhor trabalho da empresa não significa ser o melhor do portátil, já que existem ainda inúmeros títulos que aproveitam melhor o hardware do aparelho, como os títulos da Square-Enix, por exemplo.

A parte sonora conta com mais um trabalho com selo Falcom de qualidade, ou seja, composições excepcionais que passam a sensação necessária ao jogador no momento certo através de muitas faixas orquestradas.

Os defeitos vão para pontos de menos importância, como a quase ausência de cenas dubladas, completa ausência de movimentação labial e a falta de configuração de controles. Felizmente, esse último quesito não se faz tão ausente devido ao bom mapeamento e resposta dos comandos.

Novela

Em Trails of Nayuta, o protagonista de mesmo nome é um personagem um tanto diferente dos convencionais, por ser um completo maníaco por arqueologia e astronomia. Infelizmente esse aspecto não dura muito tempo, pois com o andar dos acontecimentos, Nayuta passa a ter um senso heróico raso e forçado como a maioria dos protagonistas do gênero, desperdiçando todo o potencal que ele carregava.

Além de Nayuta, o jogo apresenta um elenco consideravelmente grande. Apesar do número, o título não consegue fazer bom uso da grande maioria deles, sendo difícil até mesmo em julgá-los devido a total falta de aprofundamento. Consequentemente, isso acaba afetando cenas importantes do jogo, onde um momento sério ou dramático acaba sendo até engraçado, pois o que foi apresentado ao jogador sobre os personagens simplesmente não condiz com suas atitudes. A flor do deserto nesse caso é Noi, a fada que acompanha Nayuta e é basicamente todo o poderio mágico do jogador – A relação entre ela e Nayuta é muito bem detalhada, dando bastante peso em cenas onde a dupla é o destaque e passando a sensação necessária ao jogador de aventura vivida juntos.

Apesar de possuir “Trails” em seu nome, o jogo possui pouquíssimas referências ao prestigiado JRPG da Falcom. As ligações se limitam a nomes de sistemas de jogo (arts e crafts) e um easter egg de Trails of Zero/Azure. O jogo é muito mais próximo de Ys, a popular série action RPG da empresa.

Ao contrário dos personagens, a história do jogo e seu universo são muito bem construídos e detalhados, com uma narrativa que carrega muitas reviravoltas e que não deixa escapar nenhum furo.

Aventura

Trails of Nayuta é basicamente um action RPG, com progressão divida em várias dungeons. Dentro de uma dungeon, o jogador controla o personagem por campos 3D com câmera fixa, derrotando monstros, coletando cristais (miras, o dinheiro do jogo), buscando baús e descobrindo diversos itens dentro de objetos destrutíveis.

O gameplay do título carrega inúmeros pontos a serem destacados. A começar pelo design das dungeons, que proporcionam uma ótima sensação de exploração e aventura. Em seguida, o número de mapas: cerca de 60 mapas estão disponíveis, sendo pelo menos a metade deles completamente opcionais. O número alto é devido a um sistema de jogo que permite a troca de estações do ano de um local, modificando o terreno, itens, visual, música e inimigos, podendo assim, ser considerado facilmente uma área inédita.

O maior atrativo das dungeons é o sistema de objetivos e recompensas que elas carregam. Cada área possui 3 cristais grandes e um ou dois baús, além de uma missão específica de cada local, que variam desde chegar ao fim antes do tempo determinado a matar certo número de inimigos com magias, por exemplo. Ao completar as missões e coletar os itens especiais, o jogador recebe estrelas em um cartão. O melhor de tudo é que o jogador não precisa fazer tudo de uma vez, tampouco é obrigado, podendo, por exemplo, focar uma jogada para a coleta dos itens especiais e outra apenas para a missão, ou simplesmente ignorar tudo.

Ao atingir um número específico de estrelas no cartão, Nayuta pode trocá-las por uma habilidade nova ou equipamentos especiais com seu professor de espada. Esse sistema se mostra muito bem aplicado, pois, além de trazer a Nayuta habilidades de combate que farão muita diferença na hora do aperto, vai incentivar o jogador a explorar todo o conteúdo do jogo. Por falar em habilidades, a evolução que o personagem sofre ao longo da jornada é notável e bem prazerosa. Nayuta começa basicamente com comandos comuns de jogos do gênero, como esquiva, combos de espada e ataques aéreos. Com a ajuda de Noi, ele vai adquirindo magias poderosas e bem variadas, que se adaptam à necessidade e estilo do jogador, além de novas mecânicas, como andar em paredes e quebrar grandes rochas, que a dupla vai adquirindo ao longo da trama. Se o jogador se dedicar em obter quantas habilidades puder com o professor e somar com todos os recursos que vão ficando disponíveis ao longo da aventura, terá em pouco tempo um personagem quase irreconhecível com o do começo do jogo, com jogabilidade complexa (mas de fácil associação) e um leque enorme de possibilidades.

Outro detalhe que deixa os combates mais interessantes é o sistema de combos. Ao acumular hits, Nayuta vai ganhando diversos benefícios, como aumento de força física, mágica e dinheiro extra, incentivando o jogador a prosseguir mais cautelosamente se não quiser perder todos esses bônus levando dano de alguma armadilha ou inimigo.

O jogo possui também inúmeras lutas contra chefões, todos eles necessitando de estratégias diferenciadas. A dificuldade não só deles, mas do título em geral, pode mudar bastante dependendo da habilidade do jogador, dos equipamentos, do nível de Nayuta, da quantidade de itens de cura e das magias disponíveis. Para o jogador que já está acostumado com jogos do gênero e gosta de aproveitar bem o que joga, é aconselhável se aventurar no nível de dificuldade mais alta, pois a disposição massiva de recursos pode deixar o jogo fácil demais em alguns pontos na dificuldade média para baixo.

Além das dungeons, Nayuta pode voltar para sua vila quando quiser e realizar outras atividades, como serviços opcionais para os moradores, compras de ingredientes para preparar merendas (os itens de cura do jogo), compras de equipamentos que, além de aprimorar os atributos da dupla, alteram o visual deles, e vender itens coletados durante as aventuras para um museu. Essa última atividade certamente é a mais interessante, pois, além de ganhar dinheiro vendendo tralhas, o jogador pode visitar o museu quando quiser e ver tudo o que já foi coletado até o momento, que vão desde insetos e animais marítimos a peças de armaduras raras.

Atarefado

Trails of Nayuta é certamente um dos jogos que mais enganam o jogador quando o assunto é “sensação de estar acabando”. O jogo se expande diversas vezes mesmo quando parece não ter para onde ir além, garantindo gratas horas extras e inesperadas de gameplay.

O jogo dura cerca de 25 horas completando tudo que pode ser feito durante a primeira jogatina. Uma vez terminado, o jogador pode começar um New Game Plus, com um nível de dificuldade ainda maior disponível e muitos extras exclusivos para a segunda rodada, como novos personagens e side-quests, por exemplo.

O jogo conta também com um sistema interno de conquistas, similar aos troféus do Playstation 3. Mas no caso de Trails of Nayuta, o sistema é bem mais útil e interligado ao conteúdo do jogo, diferente de ser apenas símbolos do que já foi feito pelo jogador – Cada conquista concede um certo número de pontos, que por sua vez, podem ser trocados no New Game Plus por inúmeras coisas, que vão desde aumento do limite de nível de Nayuta a liberação de novas dungeons, somando assim, mais um incentivo para o jogador fazer 100% do jogo.

Vício

Trails of Nayuta, apesar do nome, não carrega quase nada do universo Trails, tampouco possui um enredo tão bom quanto um jogo da série principal. Mas os problemas acabam aí… se é que isso pode ser considerado um (afinal, Link salvar a princesa e seu reino não fez de Zelda uma série ruim por décadas). O jogo é impecável em gameplay, com apresentação perfeita de conteúdo e jogabilidade que se adapta facilmente a qualquer tipo de jogador. Um título obrigatório para todos os donos de um Playstation Portable.

Nota: 10