[Epoch – The Time Machine] Tomba!

Tomba! (Ou Tombi na europa), é um jogo de ação e aventura 2D lançado pela extinta Whoopee Camp para Playstation 1.

Tomba em uma artwork

Tomba! Traz gráficos bonitos e coloridos em 2D, estilizados em computação gráfica, dando a impressão de um jogo feito de massa de modelar. Os controles não são muito diferentes dos jogos de ação 2D convencionais e a trilha sonora é bastante variada, com a maioria das músicas sendo agradáveis e casando bem com o clima de aventura.

A história do jogo é no mínimo singular. Em Tomba!, o jogador entra na pele de um menino pré-histórico de mesmo nome, que está atrás de uma ceeita suína malígna que roubou dele um importante bracelete, o qual recebeu de seu avô. O estilo artístico bem “anime” e os personagens bizarros, que vão desde um macaco falante a um sábio com um milhão de anos de idade, só contribuem para deixar o jogo com uma atmosfera bem leve e hilária.

Tomba e suas extraordinárias técnicas de judô contra os porcos malvados.

Tomba! não é só um simples jogo de ação e aventura 2D. O título possui quebra-cabeças e uso de itens de um adventure point-and-click, pontuação e número de vidas de um jogo de ação arcade e sistema de experiência e níveis de um RPG. O equilíbrio perfeito entre todo esse conteúdo, mais a boa exploração desses elementos, faz de Tomba! um jogo variado e compentente em tudo que ele apresenta. O jogador vai precisar alternar o arsenal do menino selvagem, que vai desde bumerangues a grampos, resolver problemas apresentados no mundo que variam desde preparar um suco de banana para um NPC a manipular uma floresta e suas plantas através de sentimentos, e dominar os impecáveis controles e física do jogo para poder superar os mais diversos desafios. O jogo chega até mesmo a mudar a câmera de tempos em tempos, de 2D vertical para isométrica.

Seus problemas acabaram – Tomba chegou!

Contudo, pode-se dizer que o “defeito” de Tomba! Seja a sua duração – é possível terminá-lo em menos de dez horas, dependendo do jogador. Além disso, o jogo não apresenta muito conteúdo extra, limitando-se a algumas poucas missões e itens opcionais.

Tomba! Foi um dos primeiros jogos a aparecerem na primeira plataforma de videogames da Sony. Chegou discreto e foi embora sem fazer muito barulho, mas certamente permaneceu na memória de quem o conheceu. Um pequeno grande jogo que deve ser conhecido por todo gamer, já que este, não permite a desculpa de “não ter tempo” pela sua duração.

Nota: 10

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[Epoch – The Time Machine] Final Fantasy IX

Final Fantasy IX, lançado em 2000, foi o último jogo da franquia para o Playstation 1, assim como um dos últimos jogos lançados para o primeiro console da Sony.

A trupe

Final Fantasy IX pode ser facilmente resumido em uma palavra: equilíbrio. E ela pode ser interpretada de inúmeras maneiras. Acertando em cheio sua proposta, que é a de agradar todo o tipo de fã, o jogo conta com sistemas clássicos de outros jogos da franquia, mas recriados com o que existia de melhor em tecnologia e mecânicas de sua época, resultando em um verdadeiro clássico moderno. Gráficos, arte, cenas em computação gráfica…todos os detalhes visuais foram tratados com todo o cuidado para fechar a quinta geração de videogames com chave de ouro. Não apenas na parte visual, como a parte sonora também foi muito bem trabalhada e, de quebra, com o lema do jogo, resultando em muitas versões remixadas de faixas clássicas de outros Final Fantasies, além das óbvias inéditas, sendo a grande maioria delas variadas entre belas melodias tristes ou relaxantes. Para completar, o título carrega inúmeras referências aos episódios anteriores da série, tendo desde nomes de itens e locais a personagens e acontecimentos.

Tema do jogo:

Qual o sentido da vida? E da morte? O que é certo e o que é errado? O que é preciso saber, o que é preciso ser feito e o que não é? Filosofia é o termo certo quando o assunto é enredo em Final Fantasy IX. Não fugindo da proposta principal, o jogo conta com uma trama simples e volta com a importância dos cristais à tona, mas essas características não passam de um simples pano de fundo para o mais importante: narrativa e personagens. Final Fantasy IX resgata o story-telling mais adulto e dramático de Final Fantasy IV, apostando bastante nos personagens, que apesar dos aspectos infantis (com direito a visual semi-superdeformed) e história de fundo simples, esbanjam carisma e características únicas graças à personalidade bem trabalhada de cada um deles. Como resultado, foi criado um jogo com história fácil de entender, sem que isso signifique ser menos interessante. É difícil não gostar pelo menos de um personagem quando existe um elenco com figuras como Vivi, o jovem black mage que busca o sentido de sua existência, Garnet “Dagger”, a princesa aventureira e Zidade, o hábil gatuno e protagonista do jogo. Vale lembrar que alguns deles tiveram a aparência, e até um pouco de sua personalidade, baseados em personagens do clássico Mágico de Oz.

Vivi, Steiner, Garnet e Amarant?

Final Fantasy IX mantém o velho sistema de turnos ativos (active time battle), com algumas modificações. A começar pelo sistema de evolução, onde cada personagem tem uma profissão fixa, com habilidades adquiridas utilizando equipamentos específicos e acumulando experiência. Apesar de ser aparentemente limitado, o jogo consegue manter um balanço bastante satisfatório entre os personagens, cada um tendo seus altos e baixos, sendo difícil (ou até mesmo impossível) definir o melhor grupo a ser montado. Não só os personagens como o poder dos golpes em si também foi balanceado, exigindo mais estratégias antes das lutas, montando um grupo eficiente para cada situação, como na luta em si, pegando o tempo e a situação certa de usar os recursos disponíveis. Consequentemente, o jogo ficou um pouco mais difícil que outros capítulos da série, e infelizmente essa característica se mostra instável, tendo tanto situações dificílimas como pateticamente fáceis em algumas passagens. Para aumentar o leque de estratégias, foi adicionado o Trance, evolução dos limit breaks onde o persoangem não utiliza apenas um golpe, mas fica, como diz o nome, em “transe” por alguns turnos, ficando mais poderoso e com habilidades únicas desse momento.

O jogador pode explorar Gaia (nome dado ao mundo de Final Fantasy IX) de forma não muito diferente de outros jogos: Os personagens devem ser guiados em dungeons, cidades e no world map. Em meio a essa atividade, é possível encontrar inúmeras atividades opcionais, que variam desde jogar cartas a caçar sapos em pântanos. Final Fantasy IX certamente possui o acervo mais variado e, principalmente, agradável de side quests até então, tendo muitas delas integradas discretamente na aventura principal para que a jogatina se torne realmente única. Um dos destaques em termos de conteúdo opcional fica por conta da exploração com chocobos, que evoluem através de um sistema de busca de baús. Uma forma genial de aliar processo e recompensa, resultando em uma atividade verdadeiramente prazerosa. Não só de exploração, como a informação em Gaia também é um elemento a levar destaque, com inúmeras localidades, povos e raças distintas, proporcionando uma experiência nova a cada localidade descoberta e a cada nação analisada.

Explorando cada canto do mundo. Literalmente.

Apesar de não ser tão popular quanto seus antecessores VII e VIII, Final Fantasy IX deixou sua marca na história não apenas do console da Sony, como também na geração em que foi lançado, sendo uma prova imóvel do que a Squaresoft era capaz e do quanto ela evoluiu até então, sem, é claro, esquecer da alma da série e de seus milhares de fãs.

Nota: 9,9

Review de Final Fantasy XIII

[Epoch – The Time Machine] Einhänder

Thunder Force, Gradius, Metal Slug, Darius, R-Type…certamente o primeiro console da Sony, Playstation, teve uma line up com as melhores séries de Shoot’em Up e Run’n’Gun do mercado em sua época. Não apenas de franquias consolidadas, como novos títulos surgiram em meio ao mar da concorrência e garantiram seus espaços na fama e no prestígio. Um desses jogos se chama Einhänder, primeira e única aposta da Squaresoft no gênero que resultou simplesmente em um dos melhores jogos de tiro lateral de todos os tempos.

Einhänder impressiona pelo seu capricho no level design, agulações de câmera cinematográficas e em seus gráficos, que são bastante agradáveis de se ver até mesmo hoje em dia através de um PSP. A alta interatividade com o cenário, seja com as coisas à frente do jogador como detalhes no fundo das paisagens, faz com que cada jogatina se torne diferente dependendo da ação tomada por quem joga. Não só os cenários como os inimigos também levaram bastante atenção, tendo muitos deles com múltiplas partes destrutíveis e que podem mudar drasticamente as estratégias. A trilha sonora é composta por muita música eletrônica, que casam perfeitamente com os tiroteios e explosões.

Em Einhänder, o jogador pilota a nave de mesmo nome para entrar em uma guerra entre a Lua e a Terra em um futuro distante. Como um piloto lunar, o jogador deve obedecer ordens de sua base e diminuir o máximo de poder terrestre que puder enquanto estiver vivo. O jogo tem uma narrativa discreta, mostrada através de breves cuscenes em CGs entre algumas fases e através de reports depois de uma missão cumprida. Assim como o nome, o jogo em geral utiliza bastante alemão para nomear as coisas ou para as vozes inimigas.

O jogo é bem diferente dos shoot’em ups convencionais, pois não carrega um sistema de power up, mas sim um sistema que aposta mais em estratégias de combate com um arsenal variado, roubando as armas dos inimigos que variam desde básicas metralhadoras até a canhões laser, todas com altos e baixos que vão desde alcance a número de tiros. As armas, incluvise, podem possuir dois padrões de ataque, bastanto o jogador controlar a mão que a nave possui (que dá razão ao nome). Além das armas, Einhänder possui um sistema similar a série Darius, onde é possível variar a rota de jogo dependendo das ações do jogador. No caso do jogo da Square, a modificação de rota acontece dentro de uma mesma fase, fazendo com que cada replay seja realmente único.

Não apenas de ação desenfreada é composto Einhänder. O jogo carrega uma série de segredos a serem desvendados em cada fase, que podem variar entre quebrar objetos, obter uma arma escondida, destruir alguma coisa do cenário de fundo ou destruir inimigos específicos de forma específica. Muitos desses segredos dão ao jogador armas especiais, que em geral são muito mais poderosas que as armas comuns. Apesar do jogo claramente não ser do estilo hardcore, onde é preciso desviar de tiros milimetricamente, a dificuldade é baixa demais para um jogo do gênero, o que pode vir a ser um problema para os amantes de shooters, mas uma grata surpresa para iniciantes ou desprovidos de reflexos aguçados.

Einhänder é uma prova de que uma empresa especializada em um só gênero pode também criar grandes títulos em outras áreas. Uma pérola da Square, que infelizmente não foi continuada, mas que ainda assim faz a diversão de muita gente devido ao seu altíssimo fator replay.

Nota: 9,5

[Epoch – The Time Machine] Legend of Legaia

Legend of Legaia é um JRPG desenvolvido pela Contrail, subsidiária da atual Studio Japan, para Playstation em 1998 no Japão.

Vila de Vahn dominada pela Mist

Legend of Legaia conta a história dos humanos e dos serus, uma espécie de seres místicos, que conviviam em harmonia com a humanidade até o surgimento da misteriosa Mist, uma névoa malígna que espalhou o caos pelo mundo. Após ter sua vila afetada pela névoa, Vahn, o protagonista, parte em busca de soluções e respostas para o que tem acontecido com o auxílio de um ra-seru, seru surgido a partir de uma Genesis Tree, árvore capaz de anular a Mist e seus efeitos. O jogo possui uma atmosfera caótica que envolve quem joga com muita facilidade, transmitindo bem o drama das situações, seja através das musicas bem escolhidas, da trama em si ou até mesmo das expressões faciais dos bonequinhos. É difícil falar de Legend of Legaia e não lembrar das cenas onde as Genesis Trees são revitalizadas, mudando todo o ambiente em volta delas e trazendo uma sensação de tranquilidade e estabilidade.

Gráficos in-game

O jogo, mesmo sendo um dos primeiros trabalhos tridimensionais da Sony no gênero, possui gráficos tridimensionais decentes, uma boa direção de arte e belas CGs. Seguindo a mesma fórmula de jogos como Final Fantasy VII (Squaresoft), Legend of Legaia traz personagens em SD (superdeformed) nos ambientes de exploração e cutscenes, e em tamanho real durante as batalhas. Mas, ao contrário de muitos títulos, este possui cenários totalmente reproduzidos por sua própria engine, descartando os famosos “cenários de fundo”, imagens que simulam ambientes muito usados em jogos de câmera fixa em sua época. Os detalhes dos personagens no modo de batalha certamente impressionam a muitos se considerado a época e o console em que tudo aquilo que ocorre na tela eram reproduzidos, incluindo desde variação de roupas e armaduras dependendo dos equipamentos a vozes ao executar golpes. A trilha sonora é composta em geral por belas melodias com tons indígenas e/ou tribais, que casam bem com as cenas apresentadas ou com as batalhas ocorridas.

Uma das músicas do jogo:

O sistema de batalhas do jogo é algo único mesmo nos dias de hoje: Apesar do sistema ser em turnos passivos, é preciso executar golpes como em um jogo de luta, com comandos no direcional. O jogador pode descobrir sozinho novos comandos como também encontrar pergaminhos que ensinam a forma correta. O mais interessante é que, dependendo da arma equipada, o número de comandos pode ser afetado, geralmente pelo fato do equipamento em questão não ser adequado ao personagem que o carrega. Além de artes marciais, é possível também usar os serus, absorvidos pelo ra-seru como se fossem pokémons e utilizados em batalhas como summons. Cada seru possui suas próprias características, e inclusive sobem de nível após um certo número de uso. Além de diferente, Legend of Legaia consegue ter uma dificuldade bastante elevada, exigindo bastante estratégia, um bom level e bons equipamentos caso o jogador não queira usar macetes, mas queira ao menos sobreviver até o final.

Sistema de batalha

Legend of Legaia possui um vasto mundo, que apesar de possuir um bom número de localidades, não possui muitos locais opcionais. Em compensação os extras não foram esquecidos, e a grande maioria deles são bastante interessantes, como eventos que vão desde um minigame de pesca a um de dança no maior estilo Bust-a-Move (Konami). É possível também acompanhar eventos paralelos de NPCs ouvindo suas histórias e ajudando-os de alguma forma. Pra completar, o jogo oferece um sistema de porcentagem, mostrada após terminá-lo, para os jogadores saberem quantas magias conseguiram ou quantos baús encontraram durante a jornada. Adição simples, mas que ajuda e incentiva caçadores de extras e quem procura fazer 100% do jogo.

O grupo e uma Genesis Tree

Legend of Legaia é um jogo que nasceu sem chamar muita atenção, mas que facilmente encanta quem o joga, mostrando de forma simples do que os produtores e o console da Sony eram capazes.

Nota: 9