[Consciência Gamer] Os jogos inesquecíveis que só você lembra

Lembra daquele jogo que tinha um garoto com um rabo e que virava um macaco??? Não, não to falando de Dragon Ball…

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Um gamer óbviamente não vive só de top-sellers, alguns jogos que nem são grandes sucessos acabam tendo muita importancia na vida de um gamer, e as vezes marca mais que os peixes grandes da industria.

Mas mesmo entre esses jogos que não fazem tanto sucesso, existem aqueles que são conhecido por todos, inclusive muita gente fala que gosta só pra ir com rebanho(cof, cof, SotC, cof…), então não é desses jogos que eu estou falando, to falando daqueles jogos que quando você descobre que alguém também conhece vc fica extremamente surpreso.

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É muito comum ver o pessoal que joga videogame a mais tempo lembrando de um jogo que quase ninguém lembra, ou que sequer chegou a jogar na época, geralmente são jogos da geração 16 bits. O que me deixa meio intrigado na atual geração é que parece que todos os jogos são conhecidos, ao menos todos os bons jogos dos atuais consoles. Talvez seja o facil acesso a informação, mas parece que todo mundo conhece pelo menos “de longe” todos os jogos.

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Mas será que daqui 15, 20 anos vamos viver o mesmo que vivemos hoje, com lembranças de jogos esquecidos ou de fato os jogos atuais estão ficando marcados na memória de todos com esse bombardeio de informação? Eu tento pensar nos jogos que poderiam ser esses jogos, Mirror’s Edge é o primeiro que me vem a cabeça, mas acho que ele vai acabar sendo um jogo muito lembrado, assim como SotC… Então o que aconteceu com essa geração? Os jogos que só eu ou você gostava estão realmente extintos? Estão em outras plataformas(portáteis e PC)? Não consigo compreender se é bom ou ruim, mas pelo menos parece que uma mudança no cenário existe, agora basta dar tempo ao tempo e ver se de fato isso acabou, e se foi por alguma falta ou pelo grande acesso a informação que temos hoje.

Errr, meu post de estréia no Jogador Pensante, ficou meio superficial, confuso e sem conclusão… Mas vamo tentar melhorar rs

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[Epoch – The Time Machine] Trilogia Donkey Kong Country

Donkey Kong Country

I’ll hunt them down through every part of my island, until I have every banana from my hoard back!!

Capa do jogo

O que é que crocodilos têm a ver com bananas? Pensando-se zoologicamente, absolutamente nada. Só que, quando pensamos com nossas ávidas mentes de jogadores de fanáticos por videogame, certamente lembramo-nos de dois macacos em busca de um monte de bananas roubados por um bando de crocodilos.

Donkey Kong Country tem esta sinopse simplória, contando a incrível jornada de dois macacos (Donkey e Diddy Kong) procurando o tesouro mais importante que existe para eles: cachos de banana gigantescos. Ora, mas pelo menos finalmente não temos de salvar a princesa macaca ou salvar o mundo do colapso total.

Donkey e Diddy Kong

O enredo banal de Donkey Kong Country não deve ser levado em consideração quando colocado o cartucho no videogame. É certamente um dos jogos mais divertidos de todos os tempos e um dos mais bonitos do Super Nintendo, bem como gráficos soberbos para a época. Até hoje Donkey Kong Country é um jogo maravilhoso, em todos os quesitos. O ano era 1994 e o cartucho da Rare foi um dos primeiros a utilizar de forma incrivelmente satisfatória gráficos pré renderizados em 3D, tecnologia esta que seria muito utilizada posteriormente nos demais cartuchos de Snes, como no incrível Super Mario World 2: Yoshi’s Island. A trilha sonora do jogo também merece destaque e é extremamente memorável, com músicas clássicas que, quando ouvidas nos dias de hoje, na hora nos traz a lembrança dos dois macacos heróis em contra a tirania e vilania de um rei crocodilo ladrão de bananas.

(Life in the Mines, música do jogo)

A aventura de Donkey e Diddy inicia-se logo na enorme varanda da casa do protagonista, uma enorme floresta, cheia de árvores, crocodilos, esquilos, rinocerontes encaixotados, pássaros que jogam pedras em quem passar, abelhas malditas, dentre outras coisas incrivelmente imbecis que só Donkey Kong Country conseguiria exibir com tanta classe. Para livrar-se dos perigos e ameaças em geral, Donkey pode tanto pular sobre a cabeça dos inimigos (como é legal pular em cima deles) ou dar uma cambalhota (Diddy dá uma estrela) incrivelmente mortífera, destruindo a todos que se encontrarem no seu alcance.

Donkey Kong feliz com sua reserva de bananas

E como não poderia deixar de ser, os crocodilos são os seres mais malvados existentes por ali, visto que, quando Donkey ou Diddy são acertados, logo (imagino eu) são capturados e colocados dentro de um barril com a sigla DK. E pelo jeito são claustrofóbicos, porque o desespero de ficar ali dentro é visível, visto que o barril se mexe com bastante entusiasmo e ouvem-se sons de desespero por parte do macaco “embarrilzado” em questão. Os dois protagonistas podem, então, usar o barril para salvar o amigo capturado e, ao mesmo tempo, lançá-lo contra seus inimigos. É tanta praticidade, tanta flexibilidade, tanta genialidade destes dois símios!

Ao longo da jornada, Donkey e Diddy passarão pelas mais diversas paisagens. Desde florestas e mares, passando minas e fábricas, chegando até mesmo a templos em ruínas e geleiras com ventos fortíssimos. Conforme o jogador avança, o navio do Rei K. Rool vai ficando cada vez mais visível, lá no fundo da ilha que possui a forma do rosto de Donkey Kong (!).

A ilha onde ocorrem os eventos de Donkey Kong Country

O level design é certamente soberbo, apesar de simples. Jogar Donkey Kong Country é deixar de lado todos os problemas e se preocupar apenas com a diversão, com capturar todas as bananas que enfeitam as fases (o que me faz perguntar: se eles pegam tantas bananas nas fases, por que ir atrás das bananas roubadas pelo K. Rool? Devem ser bananas especiais, só pode), e que, ao completadas 100, é adicionada uma vida ao jogador. As fases são sempre lineares, recheadas de inimigos perigosíssimos (como esquilos), barris destruidores e até mesmo explosivos, ameaças temporais (às vezes temos fases chuvosas, fases com transição noite-dia), barris que lançam Donkey e Diddy, assegurando-lhes que não caiam em um precipício sem fim, e outros que levam ambos até áreas especiais, recheadas de tesouros (geralmente bananas e vidas).

Uma noite chuvosa em Donkey Kong Country

Mas nem só inimigos Donkey e Diddy encontram em sua jornada fantástica. Dentro das fases, existem animais encaixotados que são amigos da dupla. Temos um rinoceronte, um peixe-espada, um sapo e um avestruz. Cada um com sua habilidade especial, são excelentes adições ao jogador, ajudando-o a chegar mais facilmente ao seu objetivo. O rinoceronte dá uma chifrada mortal, o peixe espada deixa a mobilidade aquática mais suave e fica possível atacar os perigos das águas, o sapo pula mais alto e consegue matar as abelhas com seu salto e o avestruz (que usa tênis!) corre incrivelmente rápido e consegue voar por algum tempo. Existe até mesmo uma fase onde um periquito segurando uma lanterna ilumina o caminho para o jogador, visto que é uma fase muito escura. Simplesmente genial!

Donkey, Diddy e o peixe espada

Donkey Kong Country é dividido em mundos e, dentro dos mundos, existem as fases. E, entre as fases, existem pontos onde encontram-se NPCs: Cranky Kong, Funky Kong e Candy Kong. O primeiro é um macaco idoso e serve para dar uma geral no enredo do jogo e também dá inúmeras broncas na dupla, sempre acertando-os com sua bengala. Funky é o macaco descolado, que surfa no ar e possui um barril voador, que possibilita aos macacos irem para os outros mundos já abertos. Candy é o save point do jogo, que possibilita ao jogador salvar seu progresso, enquanto Donkey e Diddy recebem beijos soprados pela macaca.

O rabugento Cranky

Ao final de cada mundo, o jogador terá de enfrentar um chefe, que geralmente é uma versão gigantesca de algum inimigo. Cada qual tem sua estratégia de derrota, o que não os torna uma mera repetição, resumindo-se somente ao pular-na-cabeça. Há até um chefe em forma de lata de lixo que joga terríveis ameaças, obrigando Donkey e Diddy a se desesperarem e matá-los, para proteger sua própria vida. Em cada covil dos chefes, é possível ver uma parte do tesouro de Donkey e, quando derrotados, além de liberar o próximo mundo, os macacos recuperam uma parte do tesouro, bem como uma banana gigante com um rótulo “Nintendo” cai e os macacos comemoram e agradecem ao jogador.

O primeiro chefe de Donkey Kong Country

Donkey Kong Country foi certamente um sucesso e é um dos jogos mais memoráveis de todos os tempos. É um must play para qualquer jogador de qualquer idade. E através dos emuladores, é possível praticamente qualquer computador rodar o jogo, bem como quem possui um Wii pode comprá-lo (ou “comprá-lo”) para o Virtual Console e jogar com o classic controller (não tente jogar com o do Cube, por favor). E depois de tanto sucesso, estava na cara que a seqüência viria.

Donkey Kong Country 2: Diddy Kong’s Quest

“Try all you like, this game will never be as good as DKC, which was rubbish anyway!” – Cranky Kong

Capa do jogo

E foi em 1995, um ano depois de Donkey Kong Country, que a seqüência, chamada Donkey Kong Country 2: Diddy Kong’s Quest, foi lançada. Mordido com a derrota em seu próprio navio, o Rei K. Rool decidiu seqüestrar, em suas próprias palavras, “aquele imbecil pesado do Donkey Kong”. O jogo se inicia exatamente onde o antecessor parou: em Gangplank Galleon, o navio de K. Rool.

Logo no início o jogador já percebe que o mapa foi mudado: não mais na “pacata” ilha de Donkey Kong Country, Diddy Kong’s Quest passa em Crocodile Isle, o lar dos crocodilos onde reina K. Rool. Uma ilha extremamente perigosa, como se pode ver desde o início: tem um vulcão, um navio naufragado e, no topo de tudo, há a torre de K. Rool, de onde ele assiste tudo, rindo das inúmeras vezes que o jogador morrerá se não tiver os dedos rápidos e bons reflexos. E a Crocodile Isle é tão estranha que, apesar de todos os perigos, mostra que os crocodilos também se divertem, pois existe um parque de diversões (onde mais ameaças aparecem para deter o avanço dos símios).

Crocodile Isle

Por mais difícil que pareça a empreitada, Diddy Kong não estará sozinho! Dixie Kong, sua namorada, o ajudará na busca pelo seu tio seqüestrado. Aliás, é impressionante como Donkey conseguiu ser capturado depois de ter se mostrado tão badass motherfucker no jogo onde ele é a estrela. Mas, enfim, divagações a parte, Dixie é uma excelente adição à série, pois ela possui um cabelo longo, e, pulando e segurando-se Y (que saudade do controle do Snes), ela executa um movimento de helicóptero, o que a permite planar por um tempo. É como o avestruz do primeiro jogo, só que com menor alcance. O cabelo de Dixie também serve como arma, visto que ela dá uma “cabelada” mortal. É o seu ataque, como o de Diddy é uma estrela.

Diddy e Dixie

A premissa segue basicamente a mesma do primeiro jogo, sendo as fases lineares, cheias de bananas, vidas, inimigos, barris e toda a bagunça generalizada. Há adições que deixam as coisas mais interessantes, como as moedas DK, moedas bônus e moedas normais, de ouro. As moedas normais são as mais vitais, pois agora tudo em Crocodile Isle é cobrado. Até mesmo a velhinha professora, Wrinkly Kong, cobra para salvar o jogo, além de dar dicas importantes sobre bônus e itens escondidos, dentre outras coisas.

É possível em DKC2 levar o companheiro nas costas

Há duas formas de se zerar Donkey Kong Country 2: uma é seguindo-se o caminho normal, linear, o que possibilita chegar no helicóptero de K. Rool. A outra é coletando as moedas de bônus e usando-as para entrar no Lost World, o mundo secreto de Donkey Kong Country 2, sendo sua entrada guardada por Klubba, um terrível crocodilo que segura um tacape monumental. A única maneira de acessá-lo é pagar a ele 75 moedas de bônus (Kremcoins). O jogador também tem a opção de enfrentá-lo. Claro, quem não pensou nisso? Diddy e Dixie podem tudo, a força do amor derrota todas as dificuldades. Ledo engano. A força do amor símio pode derrotar qualquer coisa, menos Klubba, que, quando enfrentado, bate com seu tacape cheio de espinhos nos dois, fazendo-os voar de volta para o mapa do mundo onde foi acessada a área que dá acesso ao Lost World.

O jogo continua possuindo animais que ajudam na busca de Donkey Kong. Alguns voltam do primeiro jogo, como o rinoceronte e o peixe-espada e existem novos ajudantes, como o papagaio e a cobra. Agora, além de somente montar nos bichos, algumas fases possuem barris que fazem os protagonistas virarem os animais. É uma adição interessante, principalmente quando pensada no papagaio cuspidor de pedra, pois o peso dos símios atrapalha demais.

As fases se tornaram extremamente variadas

O trabalho musical continua sensacional e por muitos é considerado o melhor dos três Donkey Kong Country para Snes. A música Bramble Scramble é considerada por muita gente a melhor música de videogames de todos os tempos, trazendo uma melodia que chega até mesmo a ser etérea e relaxante.

(A excepcional Bramble Scramble)

Com um level design soberbo e maravilhoso, cheio de possibilidades e com mudanças, com fases que têm seu curso vertical ao invés de horizontal, uma trilha memorável e um gameplay incrivelmente mais rápido do que o primeiro Donkey Kong Country, Diddy Kong’s Quest é outro marco, não só no Snes, mas também na história dos videogames. A fórmula estava dando extremamente certo para a Nintendo e a Rare e os jogadores estavam ansiosos pela seqüência!

O parque de diversões de Crocodile Isle: perigo para os símios é diversão!

Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double Trouble

“It’s time to teach K. Rool a lesson he’ll never forget!”

Capa do jogo

E seqüência veio, em 1996. Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double Trouble! é a instalação final da franquia Country do jogo de macacos mais famoso dos videogames. Mais uma vez K. Rool seqüestrou Donkey Kong e resolveu levar junto Diddy, mas não se sabe isso de início da aventura. Na verdade, Donkey e Diddy estavam tranqüilos, curtindo um milkshake de banana quando caíram no sono. Era a oportunidade perfeita para mais um seqüestro maquiavélico do rei dos crocodilos, que os levou para seu castelo (pois é, aquela fortaleza de Crocodile Isle não era sua morada oficial) em Northern Kremisphere. Dixie então decide ir até lá (que golpe de sorte, acertou de primeira o paradeiro de seu namorado e seu tio) procurá-los. Ao visitar Funky Kong, que agora é um exímio construtor de barcos, ele sugere que ela leve Kiddy Kong, seu primo, na empreitada.

Kiddy e Dixie em um dos barcos do jogo

Parece que esses macacos não tinham muito juízo na cabeça, pois Kiddy ainda é um bebê, e tão imaturo que leva uma chupeta consigo. Mas nada disso faz com que Diddy desista de levá-lo e eles vão, juntos, em busca dos dois macacos. Dixie continua com as mesmas habilidades de antes e Kiddy é como se fosse o Donkey do primeiro jogo da série Country, visto que ele dá cambalhotas e é pesado.

O mapa de Northern Kremisphere é certamente o mais inspirado dos três jogos. É o único mapa aberto aberto da série, no overworld (continuam havendo os mundos e as fases). Os moradores de Northern Kremisphere geralmente são ursos e o sistema de trocas ainda é bastante utilizado por eles. O que acarreta que existam itens no jogo, que são coletados conforme estas trocas ou derrotando-se os chefes. Os itens também são importantes para que Funky consiga construir novos barcos (são três ao todo), o que possibilita aos símios o avanço para novas áreas de Northern Kremisphere, já que as áreas do lugar são separadas ou por pedras ou por cachoeiras.

Northern Kremisphere

Existe um pouco de não-linearidade para se completar o jogo, mas será necessário passar por todas as fases padrão, mesmo assim. A diferença é que há momentos em que há mais de um mundo aberto a ser visitado, podendo-se escolher qual será feito primeiro. Os cenários são fabulosos, existem cachoeiras belíssimas nas fases, recifes de corais em fases aquáticas, neve e até mesmo indústrias perigosíssimas. É um mundo bastante variado o de Donkey Kong Country 3, assim como os dois anteriores. Mas talvez este seja o jogo menos inspirado da série em relação ao level design, o que faz ele ser o jogo menos preferido da série por parte de grande parte dos jogadores. Isto não tira o brilho do jogo, de forma alguma, pois ainda assim é um dos jogos mais divertidos já criados, com uma dificuldade que vai se elevando conforme o jogador avança (mas ainda assim é mais fácil do que o anterior e mais difícil do que o primeiro). O diferencial fica principalmente por conta dos chefes, nos minigames que existem em cada mundo e na genialidade de se obter as moedas DK, bem como nos novos animais que existem para serem montados pelos macacos, como o elefante que atira água pela tromba.

Um dos chefes de Donkey Kong Country 3, bem como o elefante ajudante do jogo

Pegar as moedas DK agora exigem estratégia

Isto sem falar nos minigames para se obter os Banana Birds, necessários para se fazer o final mais do que secreto, já que o final secreto é quando se completa o mundo perdido chamado Krematoa, um vulcão que surge depois que se realiza uma certa manha em uma área cheia de pedras. Para completar o Krematoa, deve-se proceder conforme o jogo anterior, devendo-se pegar todas as moedas de bônus e entregando-as a um urso especialista em demolição, que usa seus explosivos para destruir as pedras que impedem a passagem dos macacos.

A trilha sonora mais uma vez apresenta-se inspirada e um tanto diferenciada, com ritmos puxados para algo mais parecido com um jazz, com sons de baixo, trompetes e afins. Simplesmente maravilhoso, casando muito bem com o clima do jogo, que é ligeiramente mais estratégico do que Diddy Kong’s Quest e, portanto, tem um ritmo mais lento.

(Mill Fever, música do jogo)

Lembrar da trilogia Donkey Kong Country é um exercício muito prazeroso, que traz nostalgia e saudade de uma época em que a Rare produzia jogos supremos para a Nintendo, o que continuou no Nintendo 64, com Banjo Kazooie e Conker’s Bad Fur Day. Donkey Kong fez sua aparição em 3D no console de 64 bits da Nintendo, em Donkey Kong 64, buscando algo nos moldes de Banjo e Super Mario 64. A transição não chegou nem aos pés da trilogia suprema do Super Nintendo, infelizmente, mas ainda assim é um bom jogo.

A trupe de macacos fez história no Super Nintendo, reinventou o gênero de plataforma e fez jogadores de todas as idades se divertir. Trilhas sonoras inesquecíveis, fases desafiadoras e paisagens belíssimas: a série Donkey Kong Country é quase unânime em relação à sua genialidade. Ah, se todo jogo fosse divertido como Donkey Kong Country!

[Epoch – The Time Machine] Chrono Trigger

If history is to change, let it change. If the world is to be destroyed, so be it. If my fate is to die, I must simply laugh.

Capa do jogo

Chrono Trigger é um jogo de RPG lançado no Japão no ano de 1995 para o Super Nintendo. Em 1999 o jogo foi lançado para o Playstation com várias melhorias, inclusive algumas CGs. Este escrito não vai se ater ao lançamento de 1999 e sim ao de 1995, para o saudoso Super Nintendo, aquele videogame da Nintendo da época em que íamos à locadora e alugávamos as maiores porcarias existentes e, mesmo assim, jogávamos até o fim e até nos divertíamos. Era uma época de jogos simples, geralmente de plataforma, quando o objetivo do jogador era geralmente pular em cima da cabeça dos inimigos, escapar de armadilhas, pular alguns buracos, como Super Mario Bros. bem nos ensinou na época do Nintendinho, o irmão mais velho da família Nintendo de consoles de mesa.

Em meio a todos estes jogos bobos que eu vivia alugando, como Aero The AcroBat, Joe & Mac, dentre outros que muito me divertiam na época (provavelmente hoje continuam me divertindo, mas vendi meu Snes e jogar no emulador não é a mesma coisa), encontrei um jogo com uma capa curiosa. Era um monstro enorme sendo atacado por uma loira, um sapo e um garoto de cabelos espetados e vermelhos. Eu não sabia falar inglês na época, não olhava a parte de trás das capas dos jogos (a não ser para ver as fotos do jogo – ler mesmo, que nada) e nem sabia as diferenças de PLATFORMER, RPG, ACTION, dentre outros. Para mim só existiam três tipos de jogos: Luta, Corrida e todo o resto, que eram simplesmente jogos. Bom, então eu decidi alugar o jogo, que tinha uma cena muito legal na capa, afinal, quão legal é uma menina jogando um raio de energia direto para a espada de um garoto prestes a atacar um monstro gigantesco? Eu te digo quão legal é: é CHRONOTRIGGERMENTE legal!

Para início de conversa, quando liguei o videogame já pulei rapidinho a introdução (como eu era herege, hoje eu não pulo uma introdução de jogo algum se for a primeira vez que jogo), e me vi em uma tela perguntando se eu queria jogar ACTION ou WAIT. Oras, quem é que quer esperar (isso eu sabia o que significava)? Logo apertei o botão no Action sem nem saber o que significava (mas action soava bem mais legal do que wait, é claro). Então eu deveria por um nome no garoto de cabelos espetados. Na época eu nem reparei que o garoto era a cara do Goku e que a garota que a mãe do Crono perguntava pra ele o nome era a cara da Bulma. Ambos são personagens da série Dragon Ball, criado por Akira Toriyama. Ah, mas claro, foi o Toriyama quem criou os personagens!

(Nunca pule esta intro)

Vamos agora para um pouco de informação sobre o time de produção de Chrono Trigger. Era um time tão bom, mas tão bom (acredite, era muito bom), que foi chamado de Dream Team.  Hironobu Sakaguchi (produtor da série Final Fantasy), Yuji Horii (diretor da série de jogos Dragon Quest), Akira Toriyama (criador de mangás famosos, como Dragon BallDr. Slump), o produtor Kazuhiko Aoki e Nobuo Uematsu (músico de Final Fantasy). Com um time deste calibre, não era possível sair algo ruim. E realmente, não saiu.

Lucca

Chrono Trigger foi o jogo que me pôs no mundo dos RPGs, eu não conhecia Final Fantasy nem nenhum destes jogos famosos na época. Talvez tenha começado pelo Chrono Trigger justamente por ter gostado da capa. Depois desta leve introdução à minha experiência com Chrono quando ainda era uma criança, vamos a uma revisão um pouco mais criteriosa do jogo.

Chrono Trigger começa com a mãe de Crono (ou Neto, Link, Zora, Zelda, Paulo, Jose, Ze, Bruxao, o nome que você quiser) acordando-o para ir ao Millenial Fair, uma feira em comemoração à virada do milênio (o presente do jogo se passa em 1000 AD). Sua amiga Lucca estará lá para apresentar uma de suas novas invenções (a garota é um gênio): um eletransportador. Crono acaba esbarrando na garota loira da capa, chamada Marle. Os dois caem e ela perde seu colar. Crono o encontra e devolve para ela, ao passo em que os dois começam a andar juntos pela feira. Como Crono é mudo e responde somente com movimentos de Sim e Não com a cabeça, quem propõe o passeio é ela. Enfim, logo depois os dois vão assistir à apresentação de Lucca, que funciona muito bem com o protagonista, porém quando Marle sobe na máquina, seu colar começa a brilhar e ela é jogada para um portal que a leva para uma época passada. Crono, é claro, vai atrás.

Marle é sugada para dentro do portal

A grosso modo, Chrono Trigger é sobre viagem no tempo. Certamente é um dos enredos mais bem trabalhados da história dos jogos, visto a pouca complexidade que a maioria dos jogos apresentavam em relação a este quesito. Chrono, conforme a aventura vai se desenrolando, vem a conhecer novos companheiros, cada um buscando uma conquista pessoal, porém no final o objetivo de todos é o mesmo: derrotar Lavos, a fera que está adormecida embaixo da Terra. Para tanto, Crono e seus amigos vão viajar por diversas eras, desde a pré-história até o futuro, onde nos é apresentado o que acontece se Lavos não for derrotado: um mundo completamente destruído após o apocalipse (chamado de Day of Lavos no jogo).

Lavos

A trama é muito bem apresentada durante o jogo, em cada época que o jogador visita, ele vê traços do que acontecerá em breve, desvendando, por exemplo, como Lavos chegou à Terra.  Ele chegou até mesmo a ser invocado por Magus, um dos personagens mais badass de todos os tempos. Magus é um personagem enigmático, de poucas palavras e bastante fechado. Chega a fazer parte da equipe de Crono e seu poder de magia é extremamente forte. É um personagem ambíguo, que faz o jogador ter raiva ou adoração por ele, visto que é um inimigo (pessoalmente do Frog) em primeira instância.

Magus

Caso o jogador derrote Lavos, o apocalipse não acontece e o jogador assiste a uma das várias seqüências finais do jogo, conforme foram seus atos durante o jogo. Chrono Trigger é certamente um exemplo de enredo a ser seguido, cheio de reviravoltas, viagens no tempo, dentre outros, tudo com uma trama extremamente bem amarrada, divertida e bem estruturada. É um dos enredos mais sólidos dos videogames.

Em relação à jogabilidade, é aí que entra o caso do Action e do Wait. Se o jogador quiser ir pelo Action, o jogo será mais voltado à ação nas batalhas, como o nome do modo já diz. Os inimigos, então, não esperarão pelas suas decisões durante o seu turno, o que torna as batalhas bem mais rápidas e exigem mais experiência do jogador em relação a RPG (pode-se ver, portanto, que eu comecei na dificuldade errada e falhei miseravelmente na primeira locação). Caso a escolha seja Wait, os inimigos vão esperar pelas suas decisões, o que torna o jogo ligeiramente mais fácil.

As batalhas são baseadas em turnos, tendo cada personagem da equipe do jogador que aguardar uma barra de ação encher para poder executar o golpe. Cada personagem possui um tipo de arma diferente, por exemplo, enquanto Crono sempre empunha espadas samurai, Lucca prefere as armas de fogo, Marle o arco e flecha, etc.

Outro adendo importante são as magias: cada personagem possui um tipo de magia diferente, seguindo o exemplo das armas. Crono usa magias de Raio (Lightning), Marle usa da água (assim como Frog), Lucca do fogo. O engraçado nesta parte é o robô que não possui nenhum tipo de magia, pois é, ahn… um robô. Mas isto não impede que ele tenha técnicas, assim como todos. O mais legal das magias é o sistema de Dual Tech e Triple Tech, que são magias executadas em conjunto, que gastam bastante MP, porém faz um dano bem maior do que o comum. A exemplo da capa, aquilo que está sendo executado é um Dual Tech, mesmo que Marle jamais lance um raio para a espada de Crono durante o jogo todo. Ainda assim a capa é legal!

Sistema de batalha em Chrono Trigger

Conforme ocorrem as batalhas, a cada vitória a equipe inteira de Crono ganha pontos de experiência, o que permite a subida de nível. Talvez seja um ponto negativo não poder customizar aonde queremos que os pontos sejam distribuídos: o jogo os distribui automaticamente para o jogador. Eu acho melhor assim, não sou muito de customização, sinceramente.

A exploração do jogo é muito bem constituída e recompensadora. Os mapas das áreas de Chrono Trigger são muito bem feitos e permitem que o jogador ande livremente por todo o cenário, entrando em salas onde há tesouros escondidos (bem como armadilhas). O jogador deve realmente procurar vasculhar todos os cômodos de todas as áreas, pois pode estar esquecendo algum item que pode muito lhe ajudar, como, por exemplo, uma nova espada para Crono ou um acessório que melhora a magia de algum personagem. As lojas também são muito importantes e o jogador deve sempre manter um estoque cheio de poções e itens para a recuperação dos status e da magia.

Mapa de Guardia em 1000 AD

Como já foi dito, os cenários do jogo são criativos. Isto pode ser percebido por causa do excelente trabalho de arte realizado no jogo. Na época eu nem me prendia a gráficos (na verdade, eu nem prestava atenção nisso), mas hoje eu percebo como Chrono Trigger é belo para um jogo daquela época. Claro que ele não é Donkey Kong Country, porém a arte se faz presente e os gráficos são agradáveis e coloridos. A animação dos monstros é muito bem feita, bem como a dos personagens, que, quando atacam, atacam mesmo e não simplesmente se mexem para frente e para trás e, então o inimigo toma o dano sem o personagem sequer encostar nele. Quando Crono ataca, ele passa a espada pelo inimigo, de fora a fora.

O trabalho sonoro é marcante e as músicas ficam na cabeça por horas. O destaque vai para o tema principal do jogo, aquele que toca durante a intro que eu tanto pulei quando era criança. Hoje eu nunca pulo esta intro, do tanto que eu gosto dela.

(Corridors of Time, música do jogo)

Resumindo, Chrono Trigger é um jogo marcante e deve ser jogado por todos que querem entender o que é um bom RPG, bem estruturado e cheio de minúcias, com um enredo grandioso, uma jogabilidade viciante e uma trilha sonora excelente de se ouvir. Recomendado a todos!

Personagens de Chrono Trigger

Uma curiosidade: há um tempo atrás um grupo independente iniciou a produção de um projeto chamado CHRONO TRIGGER RESSURRECTION. Era uma espécie de remake do original, porém a Square impediu que o grupo continuasse produzindo, então o projeto foi cancelado.

Chrono Trigger Ressurrection

E eu não poderia ter escolhido jogo melhor para abrir a sessão EPOCH – THE TIME MACHINE, visto que Epoch é o nome do veículo capaz de atravessar as barreiras do tempo em Chrono Trigger. Viajar na Epoch é maravilhoso.

Epoch