[Neto’s Review] The Legend of Zelda: A Link Between Worlds

“Welcome back, Mr. Hero!”

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Produtora: Nintendo EAD

Publisher: Nintendo

Plataforma: Nintendo 3DS

The Legend of Zelda: A Link Between Worlds é o mais novo título de uma das séries mais importantes dos videogames de todos os tempos. O jogo prometia ser um retorno às origens da série, sendo altamente influenciado por A Link to the Past, um dos Zeldas mais queridos pelos fãs mais antigos da franquia. O jogo havia sido lançado para Super Nintendo, um videogame já ultrapassado hoje em dia. Será que, então, a nostalgia seria o suficiente para fazer deste novo jogo um bom Zelda no 3DS?

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[Neto’s Review] Broken Sword 5: The Serpent’s Curse

“Nothing was what it seemed. On a trail of corruption and greed, we had stumbled on a murderous conspiracy.”

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Produtora: Revolution Software

Publisher: Revolution Software

Plataformas: PC, PS Vita, iOS, Android

Versão jogada para análise: PC

Broken Sword 5: The Serpent’s Curse é (obviamente – ou nem tanto) o quinto jogo da série Broken Sword, um dos maiores expoentes do gênero adventure point and click. O projeto foi animado pelo KickStarter e saiu de forma episódica para PC: o primeiro veio agora, em dezembro, enquanto a segunda parte é aguardada para o início de 2014. O PS Vita e os sistemas Android e iOS receberão o jogo em algum momento do ano que vem.

A série quase sempre girou em torno de conspirações envolvendo os cavaleiros templários, porém The Serpent’s Curse traz outro grupo e outras conspirações.

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[Especial] Jogador Criança

E chegou a tão esperada data do dia da crianças! Sempre assim, no dia 12, todos nós esperando ganhar os presentes dos pais, dos avós…

Quem dera eu ainda estar nessa época! Ser criança é ser feliz, essa é a realidade da coisa. É ter como maior preocupação saber como vai conseguir derrotar aquele chefão difícil naquele jogo desafiador (porque tirar 10 na escola é fácil, depois disso).

Eu criança!

Este será um post especial. Cada autor do Jogador Pensante fez um texto com suas memórias de criança, tentando lembrar do(a) pequeno(a) jogador(a) que existia dentro de si, das pequenas mãos que apertavam controles não-tanto ergonômicos, dos olhos deslumbrados ao jogar o jogo favorito…

E quanto às minhas memórias, confiram o especial do Super Nintendo, aquelas são as minhas memórias mais impactantes de quando criança jogando videogame!

Com vocês, o especial de Dia da Crianças do Jogador Pensante!

Messias

Olá caros leitores! Independentemente dos dizeres introdutórios proferidos por nosso ilustre EDITOR CHEFE, Bonome Neto, Aquele que Manda, gostaria de desejar a todos um feliz Dia das Crianças. Para brindá-los então, venho eu contribuir com minha parte, e dizer como era jogar vídeo game há cerca de 20 anos ATRÁS (dane-se o preonásmo, mano).

Henrique e sua irmã.

Quando eu tinha meros 5 anos, por certo era agraciado com muito menos juízo do que o pouco que hoje tenho. Ora, talvez seja por isso, mas o fato é que eu me divertia muito jogando qualquer coisa, como, por exemplo, a primeira vez em que joguei um game no FLIPERAMA, naquelas máquinas de árcade, no Rio Preto Shopping Center, um jogo que não me lembro qual, mas que deveria ser algo parecido com os joguinhos de Atari 2600, que foi o primeiro vídeo game caseiro que joguei, em 1989, quando o Zé Maria, escrevente do Fórum de Monte Aprazível, emprestou o vídeo game a meu pai, o João Carlos, oficial de justiça na mesma instituição, depois de ele comentar que eu, um muleque de 6 anos de idade, ficava vidrado em jogos.

Não me lembro bem dos primeiros games que joguei no Fliperama do shopping, mas me lembro bem do Atari que ficou em casa durante uma semana inteira. Eu não via a hora de sair da Escolinha da Tia Cláudia pra chegar em casa e jogar River Raid, o jogo que mais gostava. E depois de morrer milhares de vezes, passava a jogar Enduro, que não tinha fim. Come-come, cujo nome eu desconhecia ser Pac-Man, Donkey Kong (que eu não sabia que tinha este título), Pitfall!, Space Invaders, e outros que não me lembro o nome (e que não encontrei na internet, como, por exemplo, um jogo de um menino aparentemente sonâmbulo, que tinha que pular pontes quebradas e telhados, até chegar à sua cama e dormir).

O que eu sentia nessa época é difícil de descrever, mas eu me lembro que era uma sensação boa, que talvez eu jamais volte a sentir. Como havia dito, não por ter sido muito bom, mas por ter sido algo novo, visto que eu tinha de 5 pra 6 anos de idade, e vivia em uma época em que o ano durava uma década, pois era algo que não terminava nunca, algo totalmente diferente de hoje, por exemplo, em que algo que aparente distante ocorreu semana passada. Na época em que tudo era novidade para mim, eu me divertia com muito mais facilidade. E é isso, esta é minha contribuição. Espero que tenha gostado. Obrigado por ler! 😀

Fran

Minha primeira lembrança de jogos foi jogando Sonic com meu pai há muitos anos atrás. Sempre recebi muito incentivo em relação aos jogos por parte do meu pai, que também sempre gostou muito. Comprava jogos para PC, sempre tínhamos vários jogos de tabuleiro em casa e até muitas vezes ele mesmo montava uns jogos básicos com madeira, sempre me incentivando a jogar e curtir cada vez mais essa área.

Acabei, aos 9-10 anos de idade, na época do Playstation e Nintendo 64 (tive os dois ao mesmo tempo), não sabendo administrar meu tempo com jogos, então eu passava dias inteiros jogando e não fazia mais nada além disso, e foi aí que fui repreendido e perdi meu contato direto com os jogos por vários anos. Nesse tempo, tudo que eu conseguia jogar era Counter Strike e alguns MMO RPGs na internet com um computador razoável para a época, e nada de videogames.

Após muito tempo, quando eu soube do lançamento do The Legend of Zelda: Twilight Princess, me decidi e resolvi comprar um console da geração atual. Tendo em vista que meu último contato direto com consoles, nessa época, tinha sido com o Nintendo 64 passando horas e horas no Ocarina of Time, eu decidi que eu TINHA que ter um console novo.

O pequeno Fran

É claro que pesquisei bastante e vi que o Wii não era do meu gosto, só me atraía o novo Zelda. Pra jogar, eu ia em uma Lan House na minha rua que tinha um Xbox 360, um PS3 e um Wii. Joguei o Twilight Princess até zerar, indo lá todos os dias, até que vi pessoas jogando Gears of War, e depois disso pesquisei os jogos que tinham pra Xbox 360 e decidi que eu precisava de um. Não era mais uma questão de querer ou não, era de necessidade.

Foi aí que passei a acompanhar todos os atuais lançamentos, e consegui jogar os grandes exclusivos de PS3 no console de amigos próximos. Hoje minha vida se baseia em jogos. Faço faculdade disso, escrevo sobre isso, estudo, faço pesquisas e me dedico quase que inteiramente aos jogos. E é assim que quero continuar daqui pra frente, sempre me incluindo mais nessa área para me tornar um profissional bem sucedido, usando todos esses conhecimentos e experiências adquiridas nas jogatinas.

Espero que dê certo. Espero que esse incentivo que recebi do meu pai tinha servido pra alguma coisa. Agora tenho um rumo e uma direção a seguir.

Obrigado a todos por lerem, e espero que todos os pais que estão lendo isso, no dia das crianças, incentivem seus filhos a jogarem cada vez mais (com sabedoria), e que eles encontrem o que realmente querem fazer da vida, sem repreensões e com a mente aberta.

Feliz dia das crianças!

Rodrigo

A nostalgia de escrever um artigo desses é muito grande, por isso o uso muitas “gírias” que usei naquela epoca. Boa leitura!

– Du! Pega o caderninho de “paçuordi” (Password – nomenclatura em ingles, para senha, usado muito na decada de 90 para o jogador salvar o seu progresso) logo aê!

Ah! Decada de 90, linda e nostalgica, responsável por grandes revoluções tecnológicas. Nosso  Brasil tetracampeão do mundo no futebol e meu Timão pela primeira vez campeão do Brasileiro, e infelizmente a década da morte do maior idolo do esporte brasileiro: o tricampeão mundial Ayrton Senna (meu maior idolo esportivo). Mas disso tudo eu quase não lembro, era muito novo no meio dos anos 90 (estava com 8-9 anos), o que lembro mesmo regressando no passado são deles : Os video games de 16 bits.

Eu sou o terceiro filho de uma familia com 4 irmãos,  nessa epoca meus irmãos mais velhos (que já estavam na adolescência), já entendiam muito de video games e piravam nas mais novas edições da Ação Games com informações quentinhas e “fresquinnhas” que vinham de fora. Eu? Bem, eu não entendia muita coisa, mas jogar?  Isso sim, eu jogava (e muito)! Principalmente os malditos Metal Warriors e Sky Blazer no Super Nintendo.

Como eu era um pequeno pimpolho, baixinho e gordinho, não tinha ainda o meu video game (depois ganhei um Mega Drive 3 com o Sonic 2), jogava sempre no Snes do meu irmão mais velho, o Du lá do começo. Ele jogava de tudo e era fera, principalmente em Road Rash, Demon´s Crest e Rock Roll Rancing.

Mas o Du nunca conseguia passar de duas fases em dois jogos: os já citados Metal Warriors e Sky Blazer. Bem, então eu decidi “virar” (fechar, zerar, terminar, finalizar…) os dois jogos em questão.

– Rodrigo, pára! Você nunca vai conseguir terminar o Sky Blazer. Nem o Dani (o outro irmão) e eu conseguimos, imagina você! – Eita irmão presunçoso esse meu, não?

Nessa epoca, já existiam muitos jogos incriveis que marcaram eternamente incriveis histórias nas nossas mentes, como: Chrono Trigger, Donkey Kong Country, Super Mario World, Super Metroid, Megaman X, Castlevania, The Legend of Zelda: A Link to the Past, entre outros… Mas com eles eu não tive problemas, o bicho papão eram os dois citados.

Metal Warriors é um jogo muito divertido da Konami. Um Side Scrolling no futuro, em que controlamos um soldado que pode “montar” em qualquer robo disponivel no meio do caminho. Parece facil neh? O problema era a fase que você só jogava com o “hominho”, uma pirâmide enorme, onde você tinha que subir os níveis sem nenhum robô para ajudar, só o minusculo personagem na tela. Era dificil demais, pois o nosso pequeno heroi era muito frágil e qualquer tirinho já o explodia na tela (ah, anos 90, como eu gostava dessas explosões).

Metal Warriors

O legal do Metal Warriors é que é cooperativo, e um dia estava jogando com o Dani, e lá estava a bendita pirâmide novamente. Esse era o dia! Deu tudo certo, nossas vidas estavam completas, e bastava ter cautela, e foi assim: subindo lentamente e sempre regressando quando a tela ficava entupida de inimigos (truques da época dos 16 bits). Demorou pra caramba para subir tudo, mas conseguimos e a emoção foi enorme. Depois de subir, vimos que já estava no final do jogo. A experiencia de vitoria nessa epoca era muito mais gratificante, não sei se é pelo simples fato da idade, ou se os jogos eram mais desafiadores, só sei que eu venci aquela piramide.

Tá faltando um, neh? Não, eu não esqueci dele; o melhor fica para o final. Sky Blazer, ou melhor o jogo do “Tu, tu, taa …” – o protagonista do jogo só tinha essa fala, e eu me referia ao jogo sempre assim. Era demais, um Side Scrolling da melhor qualidade, viciante e divertido, para os que não conhecem pensem: uma mistura de Megaman + ActRaiser. Desenvolvido e publicado pela Sony (sim, caros leitores, isso mesmo), o jogo tinha um ótimo desafio, você melhorava o seu personagem ao decorrer das várias fases que eram separadas em um mapa  onde o jogador direcionava o personagem para o proximo desafio. Ao som de uma mistura de música árabe com batidas eletronicas, eis que vem a grande fase. Meu irmão não conseguia passar por nada uma torre do jogo, que também deveria ir subindo gradualmente (ele devia ter problemas com estagios que vão para cima), essa torre tinha um deasafio enorme, pois além do lado de fora, tinha o interior também, tudo rechedo de inimigos terrestres e voadores, alem de plataformas que se moviam.

Foi dificil e demorou muito, talvez um dos jogos que mais me desafiou, mas consegui! Eu tinha passado por toda a torre e chegado no topo dela, e o melhor com o meu irmão do lado. Ele ficou inconformado e intrigado, mas super contente que eu tinha conseguido o que ele tanto queria. A frase do começo desse post foi o que lembro desse dia,  pedi deseperadamente o caderninho que marcavamos todos os codigos e passwords para marcar o de Sky Blazer. Depois disso, o jogo não teve mais grandes desafios, nem o último chefe – uma pena. Mas The Great Tower ficou marcado em minha memória.

Sky Blazer e Metal Warriors foram só dois exemplos de muitas experiências que vivi nessa época tão especial, os meus “anos dourados”. Ter crescido jogando os consoles de 16 bits e depois viver a adolescência no Nintendo 64 e Playstation, acho que foi uma sorte muito grande de quem nasceu nos anos 80, como eu. Conseguimos ver a maior parte da evolução dos video games e entender como eles são incriveis e únicos. Hoje os video games estão cada dia mais tecnológicos e importantes para o mercado mundial e acho maravilhoso ver isso. Com certeza vou jogar todos os novos consoles até aonde minha vida permitir, mas é sempre bom voltar no tempo e lembrar da época em que eles eram mais simples e básicos, cuja única preocupação era divertir o jogador.

Nessa semana das crianças, volte no tempo, tente novamente ser aquele pirralho pentelho, e jogue uma dessas raridades que te fizeram tão bem. Se for novo e não teve a experiência, vá atras e se divirta, dê uma chance, tenho certeza que você vai se impressionar, de como era divertido encarnar herois pixelados na busca por princesas em castelos amaldiçoados, com vilões tão grandes que nem cabiam na tela!

Mara

Ao contrário de muitos, eu não tive um videogame quando criança. Nada traumático, só perdi vários lançamentos interessantes. Hoje escuto o pessoal discutir sobre certas velharias, e fico perdida sem saber bem do que se trata. A razão disso tudo era o senhor meu pai, que com toda sua rusticidade achava que videogames estragavam a televisão. Tive que me contentar com o meu primeiro PC aos seis anos. Nunca vou esquecer a configuração dele haha! Um 486 DX2!! Rodava os jogos do DOS. Ah sim, eu sou da época de jogos para DOS!

Com seis, sete anos, joguei muito Tomb Raider, Blood (um jogo estilo Doom que me assustada horrores!), Duke Nukem… Enfim, só coisa para criança! Eles vinham em CDs de banca (eram revistas com várias demonstrações, um jogo completo, detonados e dicas; na minha época não existia internet boa, e a gente precisava se atualizar por meio dessas revistas), e eu, com toda inocência infantil, imaginava que eram os jogos completos que vinham ali! Só que se tratavam de demonstrações! Sim, crianças se divertem com pouca coisa.

Tomb Raider

Claro, joguei os clássicos pra videogame, porque meus amigos tinham desde Master System até N64. Acabei conhecendo os famosos Street Fighter, Mortal Kombat, Sonic e os jogos do Mario. Mas foi só isso também, porque voltava pra casa e pro meu velho e bom computador.

Hoje gosto mais de jogar em videogame, mas até meus 17 anos fui adepta ao PC. Comprei muitas revistas de bancas e lembro até hoje desses jogos… Tomb Raider à Doom, passando por Thief, Quake, Unreal, The Sims, Gabriel Knight, Duke Nukem, Mafia, Deus Ex, Sim City, Silent Hill 2, etc. Clássicos pra qualquer amante das velharias pra PC.

Perdi muitos desses cds. Quebrados, riscados ou desaparecidos com amigos. Mas ainda guardo muitos comigo. É uma boa lembrança e me faz recordar como era boa aquela época, onde a minha maior preocupação era fazer lição de casa!

Félix

Era véspera do meu aniversário de seis anos quando eu assistia Cinema em Casa deitado na cama da minha mãe, naquela tarde de abril. Lembro perfeitamente dela me chamando aos gritos logo após chegar em casa de surpresa. Ela deveria estar no trabalho naquela hora, sempre chegava apenas quando começava a escurecer.

Curioso, eu corri até a sala e me deparei com uma caixa “gigante” nos braços dela. O embrulho azul, cheio de carrinhos que ferozmente foi rasgado assim que percebi que era meu presente de aniversário. Quando o papel por fim se reduziu a pedaços, o presente foi revelado. Um Super Nintendo!!! Mal pude conter a alegria. Faziam poucos meses que meus pais tinham se divorciado e acredito que aquele presente era uma tentativa de minha mãe de me animar um pouco.

O pequeno Félix

O mais engraçado é que quando comecei a jogar eu detestei. Não conseguia jogar, não sabia jogar. Tudo era muito novo pra mim. Meu primeiro game foi Super Mario world e a simples tarefa de pular em cima de um cogumelo era demasiadamente complicada para mim. Guardei o console chorando e dizendo que não queria mais aquele presente, que eu nunca iria aprender a jogar.

Minha irmã tirou o aparelho da caixa e logo começou a jogar. Fiquei encantado ao ver o jogo sendo jogado da forma correta e só de assistir aquele “espetáculo” na tela já me sentia satisfeito. Passou um tempo e cansei de ver, queria jogar!!! Sentei-me em frente à televisão com o objetivo de não parar enquanto não aprendesse a jogar da forma certa. Passaram algumas horas e lá estava eu, jogando tão bem quanto minha irmã mais velha, se não melhor.

Dois anos depois estava eu comprando meu Playstation para poder jogar o famoso Resident Evil. A sensação de abrir a caixa do “vídeo-game de CD” foi algo que jamais esquecerei e o começo da minha paixão por vídeo-games. Paixão que vou levar para o túmulo!

Tomio

Ser criança é esquecer os deveres, a vergonha, o medo. É abrir os braços e agarrar fortemente os frutos da imaginação. Não há nenhuma outra época em nossas vidas onde viajamos mais do que na nossa juventude – nela, vamos para outras cidades, países, continentes, mundos e até dimensôes, sem gastar um tostão ou lidar com a burocracia chamada sociedade. Nossa mente nos levava para viver as mais diversas experiências, as mais incríveis aventuras. E no final é exatamente isso que importa: a alegria de brincar, a grata sensação de ter o mundo ao seu dispor, protagonizar as mais inacreditáveis jornadas.

Mas ser criança não é tão fácil quanto aparenta ser. E por conta disso, foram criadas diversas ferramentas que ajudam a conjurar essa magia. Contos de alguém embarcados na melodia de uma música, o pedaço da vida de alguém interessante através dos filmes, os registros detalhados de um local ainda não desvendado nas páginas de um livro… e o principal deles, o que dá a ligação mais íntima entre você e seu espírito: os videogames.

Meu primeiro videogame tive aos oito anos de idade. É incrível como uma caixa conectada a uma TV era capaz de me levar aos mais variados locais.

Ora era um ouriço azul de sapatos vermelhos, coletando argolas douradas e pedras preciosas para salvar meus amigos da floresta de um cientista malvado.  Então a tecnologia não é uma coisa completamente positiva? Por que esses animais sofrem tanto? “Tenho que salvá-los”, pensei. E assim o fiz.

Ora estava em um campo de batalha. Meus companheiros usavam um uniforme azul. Um deles era perito em jogar bombas de dinamites, outro segurava um lança-chamas, e ao lado dele, um rapaz com uma sub-metralhadora trazia o caos. Mas tive que tomar cuidado, tive que guiá-los, posicioná-los de forma correta para não morrerem para o inimigo. Tive que usar a cabeça para não perder mais companheiros, pois quem morreu naquela guerra, não voltou mais.

Nunca bom em futebol, mas dei uma chance, outro dia. Conseguia correr o campo todo, driblar o time adversário inteiro, e até mesmo marcar gols! Era incrível, pois chutando da ponta da grande área, o aumento no número do placar era praticamente inevitável. Jogar ao lado de grandes nomes como Dunga e Roberto Carlos foi inesquecível.

Lutar contra o crime também foi um dos meus trabalhos no passado. Com a ajuda de meus amigos, fomos para as ruas combater os mais perigosos bandidos e fazer justiça com as próprias mãos. Com o estalar dos dedos, conseguia até mesmo evocar uma viatura da polícia! Isso que era poder, não?

Aventuras, experiências, sensações… os videogames são os amplificadores perfeitos para os sonhos das crianças. Hoje em dia muita coisa mudou, incluindo os próprios consoles, mas a essência dessas caixinhas de surpresa continua a mesma, cabendo apenas ao jogador saber aproveitar. Já jogou seu videogame hoje? Já voltou a se sentir criança hoje? Não se engane, ser criança não é ser infantil, tampouco uma vergonha. É um privilégio… um dever dos adultos, pois uma alma jovem carrega mais motivos pra ser feliz.

E por que não ser criança da forma mais deliciosa possível? PRESS START!

[Especial Super Nintendo] O super videogame

 É Nintendo, ou NADA!

Ah, o Super Nintendo! O segundo videogame de mesa da Nintendo, lançado na América do Norte a 13 de agosto de 1991, quase um ano depois de ter sido posto à venda no Japão… o console certamente traz a mim várias memórias e boas lembranças. Quantas não foram as tardes que passei jogando algum jogo que hoje eu consideraria extremamente bobo e indigno da  minha atenção? Qual não foi a minha estranheza ao acordar de madrugada uma certa noite e encontrar minha  mãe jogando The Legend of Zelda: A Link to the Past, e ainda por cima passando de uma parte que eu não sabia o que fazer? E as partidas nos hacks de International Superstar Soccer, os famosos Ronaldinho Campeonato Brasileiro (Campeonato Brasileño, segundo o saudoso narrador fanho do jogo)? Ah, quanta saudade.

Esse post não será como os meus comuns, onde procuro não colocar minha voz sobre a narração do artigo… este será muito mais emocional. Tudo porque o Super Nintendo foi o primeiro videogame que eu tive na minha vida. E ele obviamente tem um lugar guardado no meu coração desde então. Eu digo e repito para quem quiser ouvir a qualquer hora e a qualquer dia: jamais farão um videogame tão competente em me divertir por horas e horas a fio como o Super Nintendo.

Não, não sou eu!

Mas um pouco de profissionalismo e levantamento de dados sobre o console não vão fazer mal. O Super Nintendo é também chamado por outra sigla, muito conhecida (principalmente pela galera que adora  procurar um emulador ou uma rom no Google): SNES. Mas pouca gente sabe o significado. Lembram-se do irmão mais velho dele, o chamado Nintendinho? Ele também era chamado por uma sigla: NES. NES significa Nintendo Entertainment System. SNES nada mais é que Super Nintendo Entertainment System, portanto. Como o nome é muito grande é muito mais fácil para todos dizer somente Super Nintendo ou ainda SNES (Ésse-Nés).

O Super Nintendo foi um console da era dos 16 bits e não tinha muita concorrência, a não ser do famigerado (e não menos competente) Mega Drive (ou Genesis [eita geração que gostava de ter vários nomes pro mesmo console!]). Mas o que significa isso de 16 bits? Significa muito mais memória para vídeo, resolução maior, mais números de cores possíveis de ser processadas e muito mais. Tudo graças à frequência de clock da GPU de 16bits que o Super Nintendo possuía. Outra coisa 16 bits do SNES era o barramento da CPU, bastante superior à geração passada.

A CPU do SNES.

O Super Nintendo possuía treze canais de áudio e o chip era projetado pela Sony (ah, sim, pois é, a Nintendo era muito parceira da Sony, até um pequeno escorregão entre as duas que veremos mais à frente, que originou nada mais, nada menos do que o Playstation) com som estéreo digital! Algo que trazia um som muito mais cristalino e agradável. Diga-se de passagem, as trilhas sonoras e trabalhos de sonoplastia no Super Nintendo estavam eras à frente do Megadrive.

Todo mundo sabe que a mídia do Super Nintendo eram as chamadas fitas. Muitos eram os pedidos das crianças da época para o Papai Noel trazer uma fita para seu amado videogame. Mas o nome fita é o popular, o certo mesmo é falar cartucho, e o do SNES possuía uma capacidade normal de 4MB+.

Um cartucho do Super Nintendo.

Mas a Nintendo não pretendia ficar somente nos cartuchos. Com a Sega investindo pesadamente em add-ons de hardware para seu Megadrive (como o Sega 32X e o Sega CD), seria injusto o Super Nintendo ficar para trás. Então negociações foram feitas entre a Nintendo e a Sony e ia sair um periférico com um nome muito conhecido por todos nós: Play Station. Ele nunca viu a luz do dia, pois as negociações não deram certo e a Sony preferiu lançar seu próprio videogame baseado na tecnologia de CDs. Isso já é outra história, que você pode ler em outro artigo.

Outros periféricos, no entanto, deram certo: o Super NES Mouse (utilizado principalmente para ser um artista em Mario Paint), a Super Scope (espécie de metralhadora sem fio com sensor), o Super Game Boy (possibilitava jogar cartuchos de Game Boy no SNES) e o Satellaview (que nunca viu a luz do Sol fora do Japão, que era um modem para conectar à internet). Mas tudo isso cheira a mera perfumaria perto do nome Play Station, que se juntou para virar somente Playstation e ser um dos maiores concorrentes de produtos Nintendo.

Super NES Mouse

O controle do Super Nintendo foi revolucionário por incluir algo que nunca havia sido visto em controles antes: botões L e R, os chamados “botões de ombro”. Isso possibilitava uma ótima ergonomia e dava mais opções para os desenvolvedores fazerem seus jogos com mais combinações de botões possíveis. O controle tinha, a grosso modo, o formato de um osso, quatro botões principais (A, B, X e Y), start, select, os botões de ombro L e R e o direcional em formato de cruz… esse controle seria a base para todos os outros seguintes da Sony e da Microsoft. Só a Nintendo mesmo que inventou com seus controles estranhos do Nintendo 64 e Gamecube (sem falar no Wii).

O controle.

O videogame teve três versões diferentes: uma americana, uma européia/japonesa e o segundo modelo, apelidado de SNES “Baby”. Eu sempre tive a versão americana, se bobear nunca nem encostei em uma japonesa/européia ou essa versão Baby.

A versão americana, a mais comum do Super Nintendo em terras brasileiras.

Ganhei meu Super Nintendo em 1994. Eu tinha 4 anos e a minha vida nunca mais seria a mesma. Era um garoto (que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones – não) comum, que vivia assistindo desenhos na Cultura e ia à escola todos os dias para ter aula com alguma tia que hoje infelizmente não me recordo o nome… minhas experiências com videogames não eram lá muito fortes… por algum tempo tive um Atari (não me pergunte qual versão) com alguns cartuchos em casa, emprestado de algum parente ou amigo do meu pai. De nada disso me lembro direito, mas de uma coisa me lembro…

Era um dia como outro qualquer, meu irmão era pequeno, nascido há pouco tempo. Morávamos em um prédio sem elevadores e era hora do almoço. Meu pai vinha chegando em casa com um embrulho em papel pardo. Eu não sabia o que era, e nem esperava… até que abri. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não veio com Super Mario World nem nada, era somente a caixa com o videogame, lacrada. Meu pai comprou juntamente as fitas Mickey Mania e Nigel Mansell’s World Championship, obviamente para satisfazer sua curiosidade em jogar algum jogo de corrida que não Enduro em um videogame.

Mickey Mania

Fiquei eufórico e queria ligar aquele videogame a qualquer momento, mas havia um empecilho: a fonte quadrada (e gigantesca) de energia do SNES não entrava em uma tomada comum em minha casa sem o auxílio de uma tomada T. E não havia nenhuma em casa no momento. Que desespero, era o fim do mundo.

Mas não, logo alguém comprou a tomada T, no mesmo dia, e então eu pude jogar. Confesso que não gostei de Mickey Mania de primeira, aquilo do camundongo de calças ficar batendo no relógio sem parar antes de cada fase me enchia a paciência. E crianças não são conhecidas por sua paciência. Só mais tarde, bem mais tarde, fui voltar a jogar o tal jogo Mickey Mania e percebi como ele era simplesmente GENIAL, trazendo desenhos clássicos do camundongo mais famoso do mundo à interatividade que só o videogame pode proporcionar. Nuances que só conseguimos perceber conforme a idade vem e mais cultura é adquirida.

Outra coisa que me lembro com muita saudade dessa época eram as locadoras. Era muito fácil adquirir jogos piratas na época, mas não tanto quanto após o surgimento do Playstation e suas mídias digitais. Então alugar jogos era algo comum para absolutamente todo mundo (claro que os mais abastados conseguiam comprar o jogo quando quisesse, que era bem caro, diga-se de passagem). Não tive mais do que dez cartuchos de Super Nintendo durante a minha vida. Os mais memoráveis certamente são Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double Trouble, Yoshi’s Island e o inesquecível, épico, maravilhoso, imersivo, encantador e desafiante The Legend of Zelda: A Link to the Past.

A arte de Yoshi’s Island é de tirar o fôlego.

Em todo final de semana eu ganhava algumas moedas de uma das minhas avós. Coisa pouca, 2, 3 reais. Mas com isso eu conseguia alugar pelo menos um jogo por semana (hoje em dia se eu quiser alugar um jogo é melhor eu vender um rim antes, pelo menos aqui em Ribeirão Preto o preço é absurdo). E um dia juntei R$ 50,00 em um cofre dos 101 Dálmatas e fui até a locadora comprar Zelda,  que eu tanto gostava e alugava.

Outro jogo que eu não me cansava de alugar era Chrono Trigger. É provavelmente o jogo de RPG que eu mais gosto. Incontáveis foram as vezes que aluguei e joguei. Sem entender inglês nem nada, conseguia ir passando na raça, sem nem saber nada do que estava acontecendo. Mas o Super Nintendo tinha muito disso: ele te conquistava de qualquer forma, sua linguagem era universal.

Chrono Trigger

Eu tive também um cartucho que era 7 in 1. O Super Nintendo tinha muitos cartuchos piratas desse estilo. O meu contava com um menuzinho e eu podia escolher o jogo que eu quisesse, mas um amigo meu tinha que dar reset para “pular” para o próximo jogo. Bem estranho, mas funcionava e fazia nossa alegria. O meu super cartucho de sete jogos tinha jogos clássicos como International Superstar Soccer, Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time (jogo ÉPICO das Tartarugas Ninja, jogar em modo cooperativo era melhor ainda), um jogo de nave similar a Space Invaders, Puzzle Bubble (o famoso Bust-a-Move, que eu fazia questão de odiar, porque quando minha mãe pegava para jogar isso, eu podia esquecer o videogame por várias horas), Aladdin (que devo ter zerado mais de setenta vezes).

Aladdin

Lembro-me de vários jogos que eu vivia jogando várias vezes sem enjoar, coisa que hoje dificilmente acontece: Pitfall: The Mayan Adventure (muito mais badass que qualquer filme do Indiana Jones), Super Mario World, Yoshi’s Island, Super Mario Allstars e suas versões turbinadas dos Mario Bros. de NES… ah, a era de ouro dos adventures e platformers, de jogos com fases que dava vontade de jogar várias e várias vezes.

Super Mario World. Meu “Super Mario” favorito.

Mas há um jogo que ainda jogo todos os anos. E vou até o fim: Donkey Kong Country. O primeiro mesmo. Todo mundo prefere o segundo, dizem que o level design é  mais soberbo, que a música é melhor, que a velocidade do jogo é mais equilibrada e perfeita… mas o que é a perfeição perto da nostalgia de se jogar com o macaco engravatado mais legal de todos os tempos?

Os gráficos e a arte de Donkey Kong Country são respeitáveis até mesmo hoje em dia, em épocas de fotorrealismo.

E é com muita tristeza que eu digo que vendi meu Super Nintendo há vários anos, ainda na era do Playstation 2. Hoje me arrependo amargamente, pois eu possuía fitas originais excelentes, como já falei anteriormente… burrice, simplesmente. E não, jogar no emulador não é igual.

E ficou tanto jogo de fora do que falei… Street Fighter II e suas muitas versões, Mortal Kombat, Final Fight, Uniracers, Star Fox, Final Fantasy III, Secret of Mana, Breath of Fire, Super Metroid… a lista de jogos mais do que excelentes para Super Nintendo é quase infinita.

Super Metroid

Lembrar do Super Nintendo é lembrar de uma época onde as coisas eram muito mais simples para mim. Só tinha a preocupação de conseguir vencer o próximo chefe de Sunset Riders ou conseguir fazer o puzzle de Goof Troop… o segundo console da Nintendo estará para sempre no meu coração, jamais esquecerei e jogarei para sempre (espero, pelo menos) seus jogos clássicos, pelo menos Donkey Kong Country.

[Epoch – The Time Machine] The Legend of Zelda (do NES ao Game Cube)

“The flow of time is always cruel… its speed seems different for each person, but no one can change it… A thing that does not change with time is a memory of younger days…”

“Olha, esse é o tal de Zelda, então?” Essa frase é provavelmente a que mais se ouve quando se está jogando algum jogo da série The Legend of Zelda e, então, sorrateiramente, passa aquele seu priminho ou a sua mãe que não manja nada de videogame e pergunta se o sujeito vestido de verde e empunhando uma espada é o Zelda. Ora, quanta heresia!

The Legend of Zelda se sustenta basicamente em alguns pilares: a princesa em perigo do reino de Hyrule, chamada de Zelda (“não, mãe, a Zelda é a princesa”); uma força sobrenatural que rege o equilíbrio do mundo e dá poderes sobre-humanos para quem a adquire, chamada de Triforce; e um garoto com túnica e gorros verdes, empunhando uma espada e um escudo, cujo nome é Link (“o menino de verde é o Link, mãe!”). O que se pretende neste artigo é realizar um apanhado geral do universo da série Zelda, porém somente serão abordados os jogos lançados para console de mesa, visto que este que vos escreve é extremamente defasado no que tange a portáteis, e nem do Four Swords Adventures e nem do Twilight Princess (este último porque foi desenvolvido também para Wii, portanto não é cabível em um artigo retrô).

The Legend of Zelda

“It’s dangerous to go alone! Take this!”

Capa do jogo

O primeiro jogo da série foi lançado para o Nintendinho em 1986 no Japão (1987 foi o debute em terras do tio Sam). A premissa era muito diferenciada do que geralmente se via nos jogos da época, pois apresentava um enredo mais complexo e uma jogabilidade diferenciada. Sem nem dar pista alguma ao jogador, o herói sem nome, que oficialmente é chamado de Link, surge na tela, no meio do nada. Velhos tempos onde enredo era desprezado e não havia um tutorial sequer in game e tudo que se podia aprender, desde as técnicas até bestiário se encontrava no manual do jogo.

A confusão era (e ainda é) natural. O jogo não se mostrava em um âmbito sidescroller como seria um padrão da época, mas sim uma câmera que mostrava uma visão de cima, sendo a movimentação se assemelhando a um 3D, pois Link pode ir para qualquer lado. Ah, e Link não pula com um toque em botão algum. O jogador, naturalmente, entra no lugar mais próximo que há: uma caverna.

Obrigado!

Lá um velho estranho lhe diz que é perigoso ir sozinho (ir aonde?) e lhe oferece uma espada de madeira. Quanto poder! Quanta bravura! Sim, The Legend of Zelda é sobre coragem. Não somente a coragem de Link sendo posta a prova para salvar a princesa Zelda, mas também com a coragem do jogador, desnorteado várias vezes, sem saber direito para onde seguir. Não é um jogo simples e muitos desistem da empreitada. Claro que, além da espada, o jogador também contará com um arsenal enorme, como arco e flecha, dentre outros que o ajudarão na missão.

Obviamente, The Legend of Zelda teve sua importância brutal. Nascia ali o gênero do adventure, nascia o mundo aberto, nascia uma série lendária. Nascia até mesmo a música tema de todos os jogos da série, sempre sendo remixada.

(Legendary)


Zelda II: The Adventure of Link

“I am Error.”

Capa do jogo

A seqüência para o sucesso enorme de The Legend of Zelda veio em 1987 no Japão (Europa e EUA receberam o jogo em 1988), com The Adventure of Link. Qual não foi a surpresa quando se inicia o jogo e percebemos um Link de lado, narigudo. Sim, a maior mudança na série até hoje. Maior do que a mudança do 2D para o 3D… Zelda virava um sidescroller.

Bom, isto não é inteiramente verdade. O jogo era praticamente inteiro um sidescroller, claro, mas há partes onde mostra-se o mapa em âmbito maior, com uma visão de cima (muito semelhante à do primeiro jogo, exceto que neste caso você anda no mapa do jogo literalmente, e não em um cenário). Muita gente torceu o nariz para esta mudança, pois agora Link visita cidades, entra nas casas e conversa com muita gente. E existe muita informação inútil e até sem noção, como a casa onde um camarada diz, em letras garrafais: Eu sou erro. Talvez seja o que muita gente pense sobre o jogo: que é um erro, que não é Zelda, é outra coisa. Mas isto é muito subjetivo e Zelda II tem sim suas qualidades, introduzindo um sistema de pontos de experiência.

Prazer, eu sou o acerto.

O enredo agora é mais bem explicado, iniciando-se o jogo com Link no castelo da princesa Zelda e ela está em um eterno sono, visto que um feitiço foi jogado nela após a derrota de Ganon, o inimigo final do primeiro jogo (e ameaça principal na arrasadora maioria dos outros jogos da série).

The Legend of Zelda: A Link to the Past

“Help me…

Please help me…

I am a prisoner in the dungeon of the castle.

My name is Zelda.”

Capa do jogo

Quatro anos depois do controverso Adventure of Link, a Nintendo volta com o nada menos do que fenomenal A Link to the Past, desenvolvido para o Super Nintendo. O jogo voltou à perspectiva consagrada no primeiro jogo, tendo uma visão de cima. Clássico, do jeito que Zelda tem que ser. A franquia Zelda iniciava a sua consagração ao nível simplesmente épico, com um enredo matador para a época.

A volta ao estilo clássico

A maior revolução do jogo foi a possibilidade de haver duas dimensões do mesmo mundo, onde o jogador alterna entre o Light World e o Dark World. A transição funciona perfeitamente, tendo o jogador muitas vezes que acessar uma dimensão para aparecer no lugar certo na outra. A jogabilidade é extremamente fluída e o jogo apresenta-se enorme para os padrões da época e há tanta coisa pra se fazer! Hyrule é tão grande! Há tantos dungeons! Tantos segredos e até mesmo side quests! A série havia sido levada a outro nível, a um patamar de grande jogo, de clássico.

O Dark World

A trilha sonora continua de matar, com músicas que casam com o nível de arte maravilhoso que é esta terceira instalação da franquia. E agora também os jogadores não ficam tão perdidos, visto que foi adicionado um mapa no jogo, que mostra onde está o próximo objetivo do jogador, bem como os habitantes de Hyrule, especialmente de Kakariko Village, costumam dar dicas excelentes a Link.

E é aí que a cronologia de Zelda começa a entrar em pauta. Claramente, a Link to the Past, desde o seu nome, que não é uma tradução direta do japonês original (o original seria mais ou menos Triforce of Gods), já é uma alusão que o jogo se passa no passado de Hyrule, antes dos acontecimentos do primeiro jogo. Portanto, tem-se no Super Nintendo uma preqüela para a série. Estranho, porém aceitável. Isso tudo seria muito mais aceitável se a seqüência do jogo, Link’s Awakening, para o Game Boy, não soasse como um sonho do herói, confundindo todas as cabeças dos jogadores. Aliás, deve-se lembrar que então começa a se perceber que a série não é de somente um Link e uma só Zelda: cada jogo, desde que não seja uma seqüência direta do anterior, apresenta um herói e uma princesa de eras diferentes.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time

Time passes, people move…. Like a rivers flow, it never ends… A childish mind will turn to noble ambition… Young love will become deep affection… The clear water’s surface reflects growth… Now listen to the Serenade of Water to reflect upon yourself….

Capa do jogo

O Nintendo 64 trouxe o advento do 3D. Tudo agora precisava ser 3D. Mario 64 era 3D. Nada mais justo do que um The Legend of Zelda em 3D. E, sim, foi exatamente isto que aconteceu. Ainda bem!

Em 1998 foi lançado Ocarina of Time, o primeiro jogo da série totalmente em 3D. E que jogo! Considerado por uma arrasadora maioria de gamers como o melhor jogo de todos os tempos e, conseqüentemente, o melhor do Nintendo 64 e o melhor da série, Ocarina of Time é provavelmente o jogo com o qual a maioria dos amantes da série iniciou sua jogatina na série (eu comecei em A Link to the Past). O jogo é uma verdadeira aula de como se fazer uma transição do 2D para o 3D. Mas isso a Nintendo é mestre e já havia mostrado isso com Super Mario 64.

O 3D trouxe inúmeras possibilidades

Além do 3D, dos gráficos soberbos que proporcionam uma imersão incrível (para a época, claro), o que mais chama a atenção no jogo é o seu enredo. O jogo aplicou duas eras: agora temos o Link criança e o Link adulto. O item que dá título ao jogo – a Ocarina do Tempo – permite que o jogador memorize canções que fazem uma série de efeitos no jogo, sendo o mais importante este de ir e voltar no tempo.

A Ocarina do Tempo

Ganondorf (o Ganon em sua forma mais modesta) está de volta, mais uma vez, causando estragos por Hyrule, usando-se do poder da Triforce do Poder. É um verdadeiro chefão do mal. Desta vez é possível assistir de camarote estas reviravoltas, visto que Ganondorf, um gerudo, é bastante próximo da corte quando Link é criança e o jogo mostra isto. Quando, porém, Link tem acesso ao interior do Templo do Tempo e toca na Master Sword (outro elemento importantíssimo da série: é a espada que tem o poder de repelir o mal), tudo muda: Link se torna adulto, é eleito o Herói do Tempo e encontra-se com Rauru, o Sábio da Luz, que o explica a situação de Hyrule.

A perda da inocência de Link

E a situação não é nada bonita: temos uma Hyrule basicamente amaldiçoada, com ReDeads (espécie de zumbi do jogo) ameaçando a tudo e a todos em plena Castle Town. Link deve, então,  buscar em seis templos uma forma de acordar os outros sábios, de forma que, com a ajuda deles, Ganon possa ser derrotado de uma vez por todas. O jogador terá a constante ajuda de Sheik, uma pessoa misteriosa que, por alguma razão está ajudando Link na jornada, com informações importantes, bem como ensinando melodias para a Ocarina.

Sheik tocando harpa e Link, a Ocarina

Mais uma vez, o jogo mexe com a cabeça do jogador no que tange à cronologia da série. Ocarina of Time é, oficialmente, o início de tudo, segundo o próprio Miyamoto, criador da série. Beleza, é antes de A Link to the Past, e isto basta! Mas temos agora duas linhas, dois fins de jogo: um primeiro final com uma Hyrule que foi devastada por Ganon (Link adulto) e um outro final com Hyrule antes do vilão subir ao poder (Link criança). Isto gera inúmeras discussões em fóruns até hoje, visto que a Nintendo nunca se pronuncia em relação a uma cronologia (na verdade parece que eles nem se importam com isto). Tem gente que acredita que não há esta bifurcação, que há uma cronologia única, tem gente que pensa que cada jogo futuro pertence a cronologias diferentes, e tem gente que acha que não há cronologia alguma! Mas isto não seria problema ainda no próximo jogo da série para consoles de mesa.

The Legend of Zelda: Majora’s Mask

The right thing… what is it? I wonder, if you do the right thing, does it really make everyone happy?

Capa do jogo

Em 2000, foi lançado o segundo jogo Zelda do Nintendo 64: Majora’s Mask. É uma seqüência direta de Ocarina of Time, mas é muito, muito mais estranho do que o anterior. Há um clima etéreo difícil de se explicar. É algo surreal, algo que fugia ao caráter épico da série.

O melhor exemplo é o jogo não se basear na princesa Zelda e nem na triforce. O jogo inicia com Link em um bosque, cavalgando sua égua Epona. É, então, surpreendido por um estranho ser denominado Skull Kid, vestindo a máscara que dá nome ao jogo: Majora. Link é, então, roubado e humilhado. A máscara possui poderes sobrenaturais e, com isso, Skull Kid transforma Link em um Deku, um ser deplorável e fraco. Sem cavalo e sem moral alguma, o jogador vê-se sem outra alternativa sem seguir em frente. Claro que Tatl, uma das fadas de Skull Kid, que foi deixada para trás, ajuda nisso, pois obriga Link a procurar seu dono e seu irmão, Tael.

Skull Kid com a Máscara Majora

A maior inovação do jogo foi a introdução de várias formas diferentes para Link: agora, além da forma humana, Link também se transforma, através de máscaras, em Deku, Zora (o povo das águas) e Goron (o povo das montanhas). Além disso, o jogo apresenta um contador de tempo, tendo o jogador que realizar tudo em três dias (conforme as horas do mundo do jogo, claro). Salvar Termina, o mundo onde se passa o jogo, neste curto espaço de tempo parece uma tarefa hercúlea, quiçá impossível.

Deku Link

Link, porém, possui ainda sua Ocarina do Tempo, o que o ajudará nas diversas situações do jogo, bem como o ajudará a fazer o tempo correr mais devagar e voltar ao primeiro dia, caso necessário (e será). E isto deverá ser feito, pois Skull Kid subiu na Torre mais alta da cidade e está executando um feitiço maligno, através da Majora’s Mask, para que a lua mais horrenda de todos os tempos atinja a Terra e espalhe uma onda de calor gigantesca, causando o apocalipse.

A lua de Majora’s Mask

O jogo apresenta inúmeras side quests e várias máscaras que devem ser usadas de acordo com as situações. A grande maioria dos personagens encontrados no jogo são idênticos aos de Ocarina of Time, o que faz aumentar o grau de estranheza do jogo. É como um grande deja-vu, como se aqueles personagens já tivessem tido outras vidas, outras funções. Termina funciona como uma realidade alternativa para Hyrule e apresenta-se um pouco mais avançada, com adventos mais tecnológicos.

A quest principal do jogo ainda baseia-se em dungeons. O jogo apresenta quatro e o jogador deve derrotar todos os chefes de cada um deles, para obter a ajuda dos quatro gigantes que estão presos em cada templo, visto que eles ajudarão na empreitada de derrotar a poderosa e maligna Majora’s Mask, o derradeiro inimigo de Link no Nintendo 64.

Arte sobre Majora’s Mask

The Legend of Zelda: The Wind Waker

“The wind… it is… blowing…

Capa do jogo

2002 no Japão, 2003 no resto do mundo: Wind Waker é lançado. Sob olhares desconfiados. Sob vaias e protestos. Tudo isto por causa da arte. Ah, como os olhos enganam!

Apresentando uma tecnologia Cel Shaded, ou seja, um estilo mais cartoon, Wind Waker foi visto como um Zelda de criança, indigno de ter o nome de uma série tão épica e que mexia tanto com a cabeça dos jogadores. A proposta, conforme as palavras de Miyamoto, era justamente esta: procurar fazer a série se expandir a todas as idades. Mas isto não faz com que Wind Waker seja um jogo ruim.

A arte de Wind Waker faz brilhar os olhos

Muito pelo contrário. O jogo é maravilhoso e a arte não poderia ter sido melhor escolhida. Muitos que falaram mal acabaram queimando a língua e tiveram de admitir a genialidade do jogo, que apresenta o Link mais carismático de todos. O jogo se passa muitos anos depois dos eventos de Ocarina of Time, e nos apresenta uma Hyrule inundada com várias ilhas e arquipélagos. A aventura começa não por causa de um ato heróico para salvar a nação, mas sim para salvar a irmã de Link, que foi seqüestrada e encontra-se em uma fortaleza. Depois disto, o jogo vai se revelando, com a princesa Zelda mais oculta de todos os tempos e Ganondorf sendo um mago extremamente maligno e poderoso.

A movimentação pelo gigantesco mapa de Hyrule foi trocada: não há mais Epona, mas sim um barco falante, chamado de King of Red Lions. Nada mais justo, a égua de Ocarina of Time e Majora’s Mask não iria gostar muito de atravessar um mapa enorme a nado. E agora, ao invés de ocarina, Link possui um instrumento de maestro, chamado Wind Waker e usa-o para mudar as direções dos ventos ou produzir efeitos necessários durante a jogatina. Devido a isto, este Link não é o Herói do Tempo, mas sim o Herói dos Ventos (não é um trocadilho imbecil, é o jogo mesmo que apresenta isto).

Link navegando o King of Red Lions

A trilha sonora de Wind Waker nada mais é do que linda, principalmente a música de Dragon Roost Island. Um trabalho soberbo, pena que a Nintendo ainda continuava usando midi, e não uma orquestra competente, na série (e ainda continua, pelo menos até Twilight Princess, o jogo seguinte da série).

(Música da Dragon Roost Island)

Link e Zelda, à altura de Wind Waker, em um vitral

Goste ou não, The Legend of Zelda é uma das séries mais importantes de todos os tempos dos videogames e um dos carros-chefe da Nintendo. É a perfeita junção de épico com diversão, com momentos de ação, de pensar (como em diversos puzzles) e até mesmo algumas frustrações devido a dificuldades estúpidas (ah, Templo da Água de Ocarina of Time!). Mas a série nunca foi padrão de dificuldade, mas sim de jornada, de aventura, de coragem. Vista-se de verde, empunhe sua espada, prepare seu escudo e obtenha sua parte da Triforce da Coragem e ajude Link a salvar Hyrule quantas vezes forem necessárias.

A Master Sword