[Tomio’s DLC Review] Harley Quinn’s Revenge

1Nome: Batman Arkham City
DLC: Harley Quinn’s Revenge
Produtora: Rocksteady
Gênero: Ação
Plataforma(s): Playstation 3, Xbox 360, PC, Wii-U

Harley Quinn’s Revenge é basicamente um epílogo para um dos melhores jogos de 2011, Batman Arkham City, contando os acontecimentos na infame cidade logo após o término da campanha principal com o Batman.

Aqui o foco do jogo é com o Robin, que precisa investigar o desaparecimento do Batman, que por sua vez, se comportava de maneira estranha momentos antes de seu sumiço.

O conteúdo é dividido em três “grandes” etapas: O prólogo com o Robin, um flashback com o Batman e o desfecho com o Robin novamente. O jogo se mantém basicamente intacto em mecânicas para o homem morcego, e a mesma coisa dos pacotes de desafios para o menino prodígio. É interessante jogar com o Robin e ver as sutis diferenças de gadgets e estilo de luta em relação ao cavaleiro das trevas, como um escudo que protege contra armas de fogo e mini-explosivos além do famoso gel.

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O pacote apresenta apenas um balcão inédito, explorável apenas com o Robin, e reaproveitamento de um pedaço de Arkham city com Batman. Cada uma das três partes do DLC, se jogadas com cautela, observando ao redor (os inimigos, cenários e a Harley estão com um visual mais dark e diferente do que foi visto na campanha principal) e indo atrás dos (óbvios) troféus, não duram mais do que meia hora cada, totalizando 90 (noventa) minutos de jogatina. Não há desafio nas lutas, não há uma boa variedade de coisas para fazer e a única boss battle é um desafio de predador normal. Dez dólares nunca foram tão em vão.

Em questão de enredo o DLC novamente falha, pois apesar de ser uma continuação antagonizada por Harley Quinn, não acrescenta absolutamente nada no universo. É como se o jogador estivesse assistindo um episódio auto-suficiente de um seriado americano.

O único real extra são balões espalhados pelo bloco disponível de Arkham City e dentro do balcão onde Robin se encontra, mas eles são espalhados de forma aleatória, sem o auxílio de navegadores como os troféus do Riddler e sem propósito algum para coletá-los. No final, isso não passa de um prolongamento artificial e frustrado da duração do jogo.

Custo/benefício: Péssimo

Harley Quinn’s Revenge custa o preço de um jogo leve por download, mas não apresenta 1/10 do que esses jogos costumam oferecer. Um claro e desnecessário caça-níquel que deveria estar incluso gratuitamente no pacote de desafios do Robin, assim como foi no pacotão da Catwoman. Uma tremenda bola fora vinda de uma empresa tão competente como a Rocksteady.

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[Tomio’s Review] E.X. Troopers

Nome: E.X. Troopers
Produtora: Capcom
Gênero: Ação
Plataforma(s): Playstation 3, Nintendo 3DS
Versão analisada: Playstation 3, japonesa

Tropa de eli…especial.

E.X. Troopers é um spin-off da série Lost Planet da Capcom, com um novo formato de gameplay e estilo gráfico/artístico diferenciado, lançado para Playstation 3 e Nintendo 3DS.

Bonito, mas…

E.X. Troopers, diferente da série principal com seus gráficos realistas, possui um visual bem diferenciado, apresentando um cel shaded com traços de anime e narrativa apresentada como se fosse uma história em quadrinhos. Tecnicamente, o jogo é bem competente em texturas e movimentação de personagens, monstros e bases, mas perde a força quando os cenários de batalhas entram em cena, todos muito simples e pobres em quantidade de coisas, sendo apenas uma das provas de que o título foi feito primeiro para o portátil da Nintendo, e não o contrário. A iluminação também é um tanto estranha – se é que é possível chamar aquilo de iluminação. Basicamente, o jogo simula luz com bordas brancas em personagens e monstros, o que acaba não dando muito certo por fazer os detalhes dos modelos serem perdidos.

A parte sonora fica apenas no aceitável nos efeitos, mas bem agradável nas músicas – cerca de 80 músicas eletrônicas estão presentes no jogo, algumas até mesmo com vocal ao estilo Hatsune Miku (leia a respeito AQUI). A única bola fora são as músicas escolhidas para as bases (as HUB Worlds), que se tornam repetitivas rapidamente.

E.X. Mongos

E.X. Troopers ocorre no mesmo universo de Lost Planet. Isso significa que o jogador vai encontrar várias características da franquia, como os robôs VS, a organização NEVEC e os monstros com material primário de energia térmica.

A história, ao contrário da série principal, é bem simples (para não dizer pobre), sem reviravoltas ou temas muito complexos, narrativa objetiva e com muitos clichês, como personagens fazendo poses, nomes de golpes, superpoderes e robôs falantes, deixando claramente o apelo ao público infantil.

Os personagens acompanham o tema, e de uma maneira não muito feliz. O elenco é uma verdadeira representação do que tem de mais genérico no mercado de animes e jogos infantis, como o rivalzinho convencido, o inteligente medroso, a princesinha inocente e o protagonista burro e forte. Alguns deles conseguem irritar bastante repetindo manias linguísticas como “não”, “bom, bom” e “tipo assim” a todo instante. O destaque negativo disso vai para o protagonista, que não se contenta apenas a uma ou duas palavras, mas repete uma frase praticamente jogo inteiro: “primeira estrela do universo!”, fora algumas onomatopéias que ele fala em momentos importunos, deixando tudo ainda mais sem sentido.

É triste ver um produto infantil desses como se criança = pessoa retardada, pois há vários exemplos de excelentes títulos infantis, que não apenas atingem o alvo com maestria, como também agradam outros públicos, como Ni no Kuni e Digimon World Re-Digitize. Ao menos a Capcom não tentou jogar perfume nas fezes e deixou as coisas bem rápidas e básicas para dar mais espaço pra o gameplay, que no final das contas, é o que importa num jogo.

Tudo teleguiado, mas com falhas

E.X. Troopers é um jogo de ação em terceira pessoa com uma pegada mais arcade, gênero mais conhecido como Run-and-gun (ou uma versão pedestre de Shoot’em ups). Ou seja: o jogador vai passar por fases (missões) lineares e enfrentando hordas de inimigos, geralmente concluindo a missão alcançando um ponto do mapa ou derrotando um chefão. Apesar da simplicidade, o jogo consegue dar uma boa variada no gameplay, tendo algumas missões onde o principal objetivo é não levar muito dano, outras onde é preciso coletar materiais, outras onde é preciso proteger bases e até mesmo batalhas utilizando um VS de última geração, resultando em uma experiência bastante agradável mesmo durando mais do que muitos shooters de hoje em dia.

Entre uma missão e outra, o jogador é levado para uma das bases da NEVEC, que funcionam como as HUB Worlds do jogo. O jogador pode fazer várias coisas nelas, como se alimentar para ganhar status temporários (ataques mais poderosos, mais HP, etc), melhorar armas com os materiais derrubados pelos inimigos e interagir com NPCs para sidequests e missões paralelas.

A ação ocorre como um jogo de tiro em terceira pessoa com aspectos já conhecidos de Lost Planet, ou seja: É preciso atirar nos pontos fracos (partes amarelas) para derrotar os monstros. O título possui um acervo bem amplo de ações, como tiros de diferentes tipos de armas, golpes físicos com direito a esquiva, defesa e contra-ataque, jetpacks para locomoções rápidas e até golpes especiais de área quando uma barra fica cheia. Os controles são bem mapeados e as respostas dos comandos são excelentes, mas há um “pequeno” problema: a mira completamente automática. Ao apertar ou segurar um botão, a mira trava no inimigo (ou um dos pontos fracos no caso de monstros gigantes) e o controle de câmera pára de funcionar, pois o analógico direito passa a funcionar como troca de alvo. Há vários problemas nessa decisão de design:

-A mira, mesmo travada, muda de alvo repentinamente algumas vezes, deixando o jogador na mão;
-A completa falta de mira manual algumas vezes deixa o que seria uma batalha simples em algo demorado e com dificuldade artificial, pois só é possível cuidar de um inimigo por vez (os tiros saem praticamente teleguiados);
-Tirando partes específicas citadas acima, o jogo fica fácil de mais por conta desse sistema.

Tudo isso, no 3DS, é completamente justificável pela falta de analógico para mira, mas em um console de mesa fica no mínimo lamentável o nível de relaxo da produtora na hora de portar o título, jogando fora a oportunidade de apresentar uma jogabilidade a nível do excelente conteúdo do jogo por um detalhe tão bobo.

Outra coisa que incomoda um tanto é a inteligência artificial dos aliados. Em geral, os NPCs são insignificantes, pois não atacam direito e quase não acertam os inimigos. Mas o real problema se mostra em momentos onde é preciso que eles façam algo útil, como em missões onde é preciso proteger alguém ou algum ponto do mapa. Não há gerenciamento de tropas, nem configuração de ações, nem comandos para dar ordens, nem nada. Apenas o jogador acompanhado de uma ou duas mulas em momentos críticos. Felizmente, momentos como esses são ligeiros e não são numerosos.

Treinamento virtual

E.X. Troopers dura cerca de 15 horas na campanha principal, enquanto buscar o troféu de platina (que significa também fazer absolutamente tudo do jogo) leva um pouco mais de 30 horas.

O jogo possui um sistema online, onde o jogador pode se encontrar com dois amigos, desconhecidos pela internet ou até mesmo dois NPCs, e realizar diversas missões paralelas, contando inclusive com objetivos extras que dificultam a jogatina de quem quiser concluí-los, mas recompensam com moedas, que por sua vez são usadas para comprar extras como roupas alternativas e músicas. Após o término da campanha principal, é possível também participar de uma espécie de new game plus, onde todas as missões principais contam com objetivos extras. Há também um modo competitivo, mas esse infelizmente é muito limitado, tendo apenas dois modos para seis pessoas: Uma espécie de capture the flag e um team deathmatch.

Dentro das bases, o jogador pode também interagir com alguns NPCs e realizar diversas sidequests, como encontrar itens específicos, ir juntos ao campo de treinamento (missão paralela) ou bancar o mensageiro. Essas quests, além de simples e divertidas, são úteis de várias maneiras, pois com elas é possível liberar mais roupas extras disponíveis, ampliar a lista de recrutas para as missões paralelas e ganhar itens para melhorar as armas para estágios mais avançados.

Estrela número 1!

E.X. Troopers é um jogo bem simples e descompromissado, ótimo para sentar, jogar e relaxar…no Nintendo 3DS, pois o título, em um console de mesa, simplesmente não se justifica.

Nota: 7

Uma palavra: Relaxante

Clique AQUI para entender as notas do Jogador Pensante.

[Tomio’s Review] Lollipop Chainsaw

Nome: Lollipop Chainsaw
Produtora: Grasshopper Manufactore
Gênero: Hack’ n’ Slash
Plataforma(s): Playstation 3, Xbox 360
Versão analisada: Playstation 3

Pirulitos

Lollipop Chainsaw é o mais novo trabalho de Suda 51, criador de No More Heroes, para plataformas HD. O jogo recebeu uma versão exclusiva no Japão chamada “Premium Edition”, onde o jogador tem a opção de tirar a censura de violência, deixando o título como a versão ocidental, assim como escolher entre os idiomas japonês ou inglês. A versão standard do país se limita a ter censura e apenas o idioma local.

Serra-elétrica

Lollipop Chainsaw possui um polimento técnico razoável para a geração atual, com objetos de cenário destrutíveis, inimigos que vão perdendo partes do corpo, número considerável de coisas na tela sem slow-down e quesitos gráficos que não são dos melhores, mas são facilmente aceitáveis.

Já a trilha sonora é um dos grandes destaques do título, com um repertório licenciado de músicas desde os anos 60 até os dias atuais.


Os defeitos do jogo ficam por conta dos menus, que não são muito dinâmicos, e por alguns bugs que travam o jogador no local, necessitando executar pulos e golpes para a personagem “se soltar” e finalmente voltar a se mover. Uma opção de mapeamento manual de controles também faz bastante falta, já que a disposição de comandos é um tanto desconfortável e inusual para jogos do gênero.

Líder de torcida

Lollipop Chainsaw possui uma temática mais adulta no que se diz a respeito de piadas e violência, que tomam um balanço perfeito com uma líder de torcida e a cabeça de seu namorado matando zumbis com uma serra-elétrica. O elenco único e bizarro, somado ao ótimo trabalho de dublagem, só ajuda a deixar o enredo ainda mais agradável.

Além disso, o jogo é também um pacote cheio de sátiras e críticas a vários elementos da sociedade. Alguns deles: Tradicional família americana, adolescentes, gêneros musicais, seus artistas e seus fãs, e clichês de videogames. Até mesmo a própria temática, a de apocalipse zumbi, não fica de fora da brincadeira, fazendo do título uma garantia de boas risadas.

Rock’ n’ Roll

Lollipop Chainsaw é um hack’ n’ Slash com elementos arcade. Como resultado, o jogador tem um título com os tradicionais combos e variedades de ataques como em Devil May Cry, somados a pontos, progressão contínua e linear, e a separação de áreas por fases, como em um beat’em up arcade.

Não é só por ser linear que o jogo é necessariamente ruim – Lollipop Chainsaw traz uma grande variedade de situações e desafios durante as fases, não deixando nunca o ritmo cair. As fases também são repletas de coletáveis, e periodicamente apresenta uma loja. Essa loja serve para o jogador comprar diversas coisas para Juliet, a protagonista. O conteúdo da mesma vai desde extras como artworks, mais músicas e roupas opcionais pra heroína, até a mais combos e melhorias no status, dependendo apenas de zombie coins, moedas que são derrubadas por alguns inimigos e objetos do cenário.

Um dos diferenciais do jogo fica por conta do Sparkle Hunting, ação que ocorre quando Juliet mata três ou mais zumbis ao mesmo tempo, concedendo moedas extras dependendo do inimigo e do número deles. O recurso acaba não só ajudando o jogador a obter mais moedas e pontos, como também é um incentivo a mais para jogar mais estrategicamente, ou ao menos com mais cautela.

Outro destaque fica por conta dos chefões, extremamente criativos e hilários. Juliet vai encarar inimigos perigosos no final de cada fase, cada um representando um gênero musical diferente, e, em alguns casos, até mesmo satirizando um artista. A jogabilidade também acompanha toda essa loucura e traz formas diferenciadas de se derrotar cada um deles.

O jogo também apresenta o Nick Ticket, um recurso bem interessante e útil para a progressão do jogo. Com ele, Juliet literalmente usa a cabeça de seu namorado Nick para realizar diferentes atividades temporárias, todas elas resultando em atordoamento instantâneo dos inimigos da tela. Infelizmente, esse recurso é um pouco prejudicado pelo já citado inusual e desconfortável mapeamento do controle, já que ele é ativado basicamente pressionando o analógico esquerdo, resultando em inúmeros usos acidentais, desperdiçando o item em si e prejudicando combos, no pior dos casos.

Outro defeito da jogabilidade fica por conta de Lollipop Chainsaw ser um jogo que possui até mesmo arma de fogo e dash para pequenas maratonas, mas não possui um comando defensivo apropriado. O jogo oferece apenas o botão de pulo, que funciona como esquiva em inimigos bem próximos, mas de nada adianta em ataques vindos de longe, por exemplo.

Para finalizar, o jogo não é um bom exemplo de desafio. Mesmo em dificuldades altas, Lollipop Chainsaw é bem amigável para o jogador, fazendo com que o título não seja o ideal para quem procura um jogo que castiga severamente o jogador pelos seus erros.

Zumbis

Lollipop Chainsaw dura cerca de 6 horas para ser terminado pela primeira vez. Apesar de curto e linear, o jogo possui alguns bons extras, como inimigos especiais e itens coletáveis que aparecem pelas fazes dependendo de fatores como o número de vezes jogados e o nível de dificuldade.

O jogo também possui um modo online com modalidades distintas como time attack, score attack e medal attack, para os jogadores registrarem seus récordes e competirem com o mundo todo.

Outro extra fica por conta dos sobreviventes. Durante as fases, Juliet encontra outros estudantes sofrendo ataques zumbis, Se resgatados, o jogador recebe recompensas, e se deixá-los morrer, viram inimigos nesse instante. É um opcional interessante que põe em prática as habilidades do jogador, mas é outro ponto não muito bem aplicado no jogo, pois o mesmo não oferece nenhum tipo de indicador de resgatados fora das fases – um pesadelo para quem deixou um sobrevivente morrer e não lembra em qual parte da fase isso aconteceu.

Cabeças

Lollipop Chainsaw é um jogo muito engraçado e com muitas boas idéias, que infelizmente não foram muito bem aplicadas. Um jogo que pode ser curtido se o jogador fechar os olhos para alguns pequenos bugs e algumas decisões erradas de design. Se Suda 51 ficar de olho nas críticas e defeitos, o sucessor do jogo, seja sequência direta ou espiritual, fará muito barulho.

Nota: 7,5

[Tomio’s Review] Dark Souls

Nome: Dark Souls
Produtora: From Software
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Playstation 3, Xbox 360
Versão analisada: Playstation 3

Alma negra

Dark Souls é o sucessor de Demon’s Souls, o exclusivo do console HD da Sony que foi sucesso absoluto de crítica. Diferente do anterior, o jogo é agora multiplataforma, dando a oportunidade para os donos de Xbox 360 terem a mesma experiência.

Alma do jogo

Dark Souls adota uma proposta sombria e quase que completamente dedicado a gameplay “bruto”, ou seja, sem firulas, sem automatizações, sem muitas cutscenes. Em troca, o jogador é jogado dentro de um fantástico universo, onde tudo conspira contra quem joga, desde inimigos a level design. Claro, no melhor sentido possível das palavras.

O jogo tecnicamente é bem decente, apresentando um trabalho quase ausente de serrilhados e com bom uso de iluminação, além de uma excelente sensação de peso/velocidade do personagem, dependendo dos equipamentos e/ou situações encontradas. Mas como todo trabalho humano, o jogo não está livre de defeitos, apresentando algumas péssimas texturas, fisica “borracha sem peso” esquisitíssima em cadáveres, quedas bruscas de framerate em algumas partes e inúmeros problemas de colisão – apesar desse último provavelmente ser proposital para não afetar o andamento do jogo (em especial a dificuldade dos chefes, que têm muitos golpes que atravessam paredes, por exemplo).

Artísticamente, não há muito o que comentar em Dark Souls, pois é simplesmente um dos trabalhos mais impressionantes dos últimos anos. Os detalhes das localidades, o design de equips e inimigos, a imensa variedade e contraste que o mundo do jogo apresenta, tudo trabalha em perfeita harmonia, contribuindo para criar uma ambientação sem igual que faz o jogador não só se envolver, mas se sentir dentro do jogo.

A trilha sonora do jogo também é outro destaque, todas orquestradas e com coral. O jogo basicamente se desenrola apenas com um excelente e detalhado som ambiente (o que é o ideal para o jogador poder se concentrar ao seu redor), mas são em certas localidades e em batalhas contra chefões que as belas, melancólicas e/ou desesperadoras melodias tocam para aumentar ainda mais a tensão e a adrenalina.

Traçando sua história

Dark Souls é um tanto diferente dos demais jogos da atualidade, dando atenção mínima em narrativa cinemática e apostando todas as fichas em background e ambientação. O resultado não poderia ser melhor, pois eis que é apresentado um jogo de puro gameplay, onde o jogador se sente dentro daquela armadura, enfrentando aqueles monstros, passando por aqueles perigos, se perdendo na imensidão do mundo e sentindo um alívio sem igual em fogueiras (os checkpoints do jogo). Jogadores que gostam de sentir emoções com histórias certamente não ficarão na mão, mas terão uma grande diferença – terão sensações diretamente ligadas ao aperto de botões.

Fogo, espada e o desconhecido

Dark Souls literalmente joga o jogador dentro de um enorme mundo para ser explorado livremente, na ordem que quiser e da forma que quiser, dependendo apenas de algumas chaves, de equipamentos e magias eficientes e, é claro, muita cautela, atenção e habilidade de quem joga.

Assim como seu antecessor, Dark Souls não perdoa no quesito dificuldade, pois é ausente de mamatas como muitos checkpoints, além do personagem morrer por qualquer descuido. O jogo castiga severamente quem joga de “qualquer jeito”, pois até o mais básico inimigo pode aniquilar o pobre protagonista com poucos golpes bem investidos. Os inimigos inclusive possuem uma inteligência artificial bem decente para o gênero, pois, além de extremamente agressivos, não agem padronizados, se guiam por som, e alguns inclusive montam armadilhas e estratégias. Sendo assim. é preciso estudar e dominar as mecânicas de jogo, as dezenas de localidades e as centenas de inimigos se quiser prosseguir.

Apesar da dificuldade, o jogo “parabeniza” muito bem o jogador pelos seus feitos, seja com a aquisição de bons equipamentos e itens explorando os locais, seja com a aquisição de magias mais poderosas após juntar souls (a moeda universal do jogo, tanto para compras como para subir de nível), seja pelo prazer sem igual de matar aquele chefão após dezenas de tentativas.

O mais interessante dos chefões do jogo é que eles são, de alguma forma, referências aos chefões de Demon’s Souls. Citando apenas nomes velhos pra não dar spoilers, é possível encontrar, por exemplo, um “Maneater 2.0”, ou um “Flamelurker 15.0”. É claro, lembram apenas em essência, pois as estratégias e aparências obviamente são diferentes.

O jogo não apresenta nenhum tipo de mapa. No lugar disso, o jogador deve por si só olhar a paisagem ao seu redor e ver onde quer, ou onde é preciso ir, pois praticamente tudo que é visível, é alcançável de alguma forma. Outro grande destaque fica por conta do world design, pois possui mapas genialmente bem elaborados, com caminhos alternativos, secretos e atalhos que se expandem e se iterligam, fazendo com que os escassos checkpoints sejam, no final, mais do que suficientes para a aventura.

O sistema de combate, se tratando de action RPG, é bem completo, com combos baseado em stamina, magias, defesa, esquiva, contra ataque e ataques à distância, além de ser mas mais puxado para o lado realista da coisa, pois o tamanho, tipo e peso das armas e equipamentos podem influenciar diretamente no desempenho do personagem, fazendo dele resistente, barulhento e pesado ou ágil o suficiente para passar despercebido e pegar inimigos de surpresa. O sistema de evolução também não deixa a desejar em questões de liberdade, pois cada level representa o aumento de um atributo específico, alguns deles inclusive necessários para certas magias ou armas. Cabe ao jogador adaptar seu personagem ao seu próprio estilo para ter o melhor desempenho possível e conseguir sobreviver perante os inúmeros perigos.

Infelizmente o jogo não é livre de alguns negativos. Insignificantes, mas existem. É possível notar alguns “scripts” nos inimigos, como animações de subir e descer escadas que os tornam invencíveis, alguns inimigos que por nada reagem enquanto o jogador não se aproxima o suficiente, ou até mesmo inimigos que deveriam ser randômicos aparecendo sempre no mesmo local, da mesma forma, por exemplo. São coisas um tanto estranhas para um jogo de mundo aberto e do calibre de Dark Souls, cuja atenção para coisas não-padronizadas e não-automáticas é enorme.

Amigos e inimigos

Em Dark Souls, o jogador nem sempre controla um personagem vivo. Basicamente, o protagonista é um morto-vivo, o que influencia em diversos recursos e mecânicas do jogo, em especial o modo online. Coletando itens chamados “Humanity”, o personagem pode finalmente voltar à vida. Enquanto vivo, o jogador pode invadir o mundo dos outros ou ser invadido em seu mundo por outros jogadores e NPCs, onde o único objetivo desse evento é batalhar até a morte. Como humano, também é possível chamar NPCs e outros jogadores mortos-vivos como fantasmas para ajudarem em localidades perigosas e chefões ainda não derrotados. O jogo também apresenta um sistema de Covenants, o que equivale ao sistema de guildas de alguns jogos e modalidades de multiplayer de outros, com cada seita tendo seus benefícios, atividades, regras e punições específicas.

O modo online também oferece um sistema de comunidade e comunicação, e é claro, através de gameplay. Conectado, o jogador pode escrever mensagens e deixá-las para outros jogadores verem durante a jornada. O mais interessante disso é que o jogador precisa tomar cuidado até nesse tipo de sistema, pois uma dica pode tanto ser útil, como uma cilada para prejudicar o jogador. Além de mensagens, é possível ver vultos de outros jogadores andando pelo mundo e ver seus últimos momentos antes de alguma morte, tocando em poças de sangue pelo chão. Esse último também pode servir como dica de que armadilhas, tocaias e inimigos fortes estão por perto.

Dark Souls tem, certamente, um dos sistemas online mais bem planejados e estruturados da atualidade, que faz o jogador ser amigo, ajudante, inimigo, “NPC” ou até tutor, dependendo apenas do tipo de interação com seu próprio mundo e/ou o mundo dos outros.

Além do modo online, o jogador possui muita coisa para fazer no jogo, como explorar o mundo por passagens secretas, locais e chefes opcionais, caçando materiais raros derrubados por inimigos para forjar equipamentos únicos e poderosos e até mesmo encontrar NPCs escondidos para ver eventos ou poder comprar equipamentos e magias. O jogo também incentiva bastante o replay, pois possui mais de um final, além do fato de alguns itens derrubados por inimigos/personagens únicos não caírem com 100% de chances.

O tempo de duração do jogo depende completamente do jogador. Um jogador que gosta de explorar tudo e tem facilidade com o jogo pode terminar Dark Souls na mesma velocidade de alguém que se concentra apenas em chefões e não se dá muito bem com isso, por exemplo. Apesar dos pesares, se tirado uma média de horas, fica por volta de 50 na primeira vez.

Alma perfeita

Dark Souls não é simplesmente o melhor lançamento do ano, ou do gênero. É uma das melhores experiências que um jogador de videogame pode ter, um inimigo mortal de vida social e noites de sono. Há sim seus defeitos, mas são tão insignificantes perante o resultado final jogável, que não ignorá-los significaria uma ofensa a qualquer gamer. Exagero? Talvez no dia em que aparecer um jogo melhor, que faça despertar no jogador, através de gameplay, diversos sentimentos e sensações de forma ainda mais brilhante. Talvez Dark Souls 2.

Nota: 10

[Fran’s Review] Deus Ex: Human Revolution

“It’s not the end of the world, but you can see it from here.”

Produtora: Eidos Montreal

Distribuidora:  Square Enix

Gênero: RPG

Plataforma: Xbox 360, Ps3 e PC

Versão Analisada: Xbox 360

Com grande responsabilidade, e sendo esperado pelos fãs desde o lançamento do último Deus Ex (2003), foi finalmente lançado o terceiro jogo da série. Além dos trailers mostrando sua jogabilidade antiga sendo renovada, já era de se esperar que tivesse uma trama tão épica quanto a do primeiro jogo, Deus Ex: The Conspiracy (2000).

Um futuro inesperado

Deus Ex: Human Revolution é um Action-RPG que possibilita vários meios de se avançar durante do jogo, possuindo missões principais e opcionais, que definem o desenrolar dos acontecimentos dependendo da forma que o jogador decidir avançar e como ele vai agir em seus próximos passos.

Seus acontecimentos ocorrem no ano de 2027, o que quer dizer que conta uma história anterior ao primeiro Deus Ex, que se passa em 2052.

Temos como cenário uma visão bem futurista. Mesmo sendo um ano não tão distante, é apresentado uma realidade bem avançada em termos tecnológicos, com naves e outros apetrechos futurísticos (assim como no jogo Mass Effect, que possui traços de influência dos Deus Ex anteriores). Parte do foco da indústria nessa época seriam as Augmentations.

Ao decorrer do jogo nos deparamos com jornais que contam os acontecimentos atuais no lugar que você está. Além disso encontramos e-books jogados pelos cantos, ou até em salas importantes, que contam grande parte do enredo por trás da trama, assim como os e-mails encontrados em estações, que podem ter uma ligação mais direta com os outros jogos.

O personagem principal, Adam Jensen, faz parte da equipe de segurança de uma empresa de biotecnologia, a Sarif Industries.

A empresa foi fundada por David Sarif, e tem como foco em projetar e construir augmentations para ajudar na evolução da humanidade e serem um diferencial.

Escritório de David Sarif.

Augmentations são complementos tecnológicos anexados ao corpo humano, caso haja necessidade de tal. Como por exemplo, nosso protagonista Adam Jensen passa a possuir braços mecânicos e óculos que saem do próprio rosto. Os mesmos servem para ajudar em sua percepção geral, até podendo possuir certas armas explosivas anexadas ao corpo mecânico.

O jogo possui um foco não só neste vasto enredo cheio de possibilidades e conspirações, mas também na vida de Adam Jensen, que é revelado em algumas missões secundárias.

Pode não ser um antecessor direto de Deus Ex: The Conspiracy, mas também deixou traços de que teria uma continuação com um espaço de mistérios em branco entre este e o primeiro jogo, algo que certamente deixou fãs e conhecedores da trama bem intrigados.

Augmented

Mesclando tiros com RPG, Human Revolution consegue também mesclar terceira e primeira pessoa de forma muito interessante (já visto também em Rainbow Six Vegas), pois deixa apenas o modo “cover” em terceira pessoa. Isso ajuda as possíveis formas de passar escondido e abordar seus inimigos sem ser visto.

Ao abordá-los, temos duas possíveis opções: o modo silencioso, que deixa seu inimigo  desacordado sem alertar os outros; e o modo sanguinário, que utiliza das augmentations para assassinar o inimigo de forma cruel e barulhenta.

Ao longo do jogo, dependendo de onde olhamos à procura de itens ou coisas do gênero, nos deparamos com certos objetos que são utilizados para dar evoluir certas funções de suas augmentatios (também podem ser comprados em clínicas da Limb). Entre essas evoluções temos: cair de qualquer altura e não morrer, sobreviver a qualquer carga de energia, se tornar mais forte (ajuda em certas oportunidades de se avançar, como quebrar uma parede ou carregar um objeto pesado), entre outras.

O jogador precisa criar sua própria estratégia de avanço, assim como estratégias importantíssimas nos chefões, que dependem de suas evoluções e escolhas que foram feitas em momentos anteriores. Todos os chefes exigem certa cautela e uma estratégia cuidadosamente pensada.

Em muitos momentos nos deparamos com oportunidades de hackear uma porta ou um computador, utilizando assim suas habilidades e evoluções pra conseguir obter sucesso sem ser pego.

Seu poder de persuasão também faz toda a diferença no decorrer dos acontecimentos. Em muitos momentos é possível fazer uma espécie de interrogatório, onde é necessário agir de forma correta para obter sucesso e conseguir convencer o outro personagem de que você está certo, tentando faze com que ele concorde com você ou pelo menos acredite em sua palavra. Nem sempre funciona. Pra isso é preciso medir o uso das palavras, ou os meios de se conseguir o que quer podem se tornar mais difíceis.

O jogador possui um inventário que comporta um número máximo de itens. O mesmo deve ser utilizado com sabedoria, sempre antes sabendo exatamente o que vai precisar para seu avançar. Os itens de mais importância e eficácia, como armas de grande porte, ocupam um espaço maior, mas tudo depende da estratégia do próprio jogador na maneira que decide organizar seus itens.

Icarus

Por ser um tema futurista, não foge do que o primeiro jogo já apresentava para temas principais de trilha sonora.

Durante o jogo, somos acompanhados de bons temas musicais, que são encaixados de forma interessante em partes importantes do jogo, como uma batalhe contra um chefe ou uma cena de grande importância.

É possível observar que a parte sonora é de muita importância, pois a mesma transmite grande parte da emoção do jogo quando tocada em momentos certos.

Ao seu redor sempre nos deparamos com rádios que contam todo o acontecimento geral, também explicando sobre os jogos anteriores sutilmente e ajudando a entender o universo em sua volta.

Futuro não tão distante

Pela sua dimensão os gráficos são mais do que aceitáveis em parte geral do jogo. Em partes importantes, é possível ver certo detalhamento e polimento no cenário em geral, que não é algo básico por ser um cenário aberto e com inúmeras possibilidades.

Apenas os personagens principais possuem um verdadeiro tratamento visual, talvez por escolherem dar essa prioridade no que será visto com mais calma e por mais tempo.

As cutscenes possuem um visual extremamente diferenciado do in-game, como jogos mais antigos faziam, ou como toda a série Final Fantasy sempre fez. Isso pode acabar sendo meio frustrante. Por ser uma diferença tão grande acaba decepcionando os jogadores por terem sempre esperado por algo mais.

O cenário todo acaba contando uma história. Em cada canto vemos escritas nas paredes que se referem a diferentes acontecimentos, com cartazes falando sobre os políticos, ou apresentadores de jornais apresentando notícias que estão diretamente ligadas com sua missão atual.

O criador do labirinto

Deus Ex: Human Revolution com certeza foi um prato mais do que cheio para os fãs. Também foi muito bem visto pelos novos admiradores da série, possuindo uma trama envolvedora, uma jogabilidade cativante e músicas de se admirar.

Dentro de seu gênero, é um jogo mais do que recomendado. Se não jogou ainda, vá agora!

NOTA GERAL: 9,0