[Neto’s Review] Thief

“Hello darkness, my old friend
I’ve come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence”
(Simon & Garfunkel – The Sound of Silence, 1964)

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Produtora: Eidos Montreal

Publisher: Square-Enix

Plataformas: Playstation 3, Xbox 360, Xbox One, Playstation 4, PC

Versão jogada para análise: PC

Thief é o ressurgimento de uma das franquias mais famosas e com status cult que os jogadores de PC já conheceram. O único jogo lançado para consoles além do PC da franquia era Deadly Shadows, de 2004, que também saiu para Xbox.

E logo no início de uma nova geração, a Eidos Montreal resolve fazer um novo jogo da franquia, intitulado somente Thief, sem lugar na cronologia da série e a Square Enix fica a cargo de publicar. E dessa vez o jogo foi lançado para absolutamente todos os consoles na ativa (excetuando-se, é claro, o Wii U, como de praxe), tornando-se um título cross-gen.

Será que o reboot da franquia, depois de dez anos do último jogo, é uma boa ideia?

Dê um passo para as sombras e confira na nossa análise!

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[Mara’s Review] The Brigmore Witches

Nome: The Brigmore Witches

Produtora: Arkane Studios

Distribuidora: Bethesda

Gênero: ação/stealth

Plataforma(s): PC, Ps3 e Xbox 360 (via download)

Versão analisada: Ps3

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Daud e a bruxa Depois do final abrupto de The Knife of Dunwall, retornamos aqui para analisarmos a segunda parte da história do nosso querido e atormentado assassino Daud. The Brigmore Witches, lançado em agosto, retoma a busca desesperada de Daud por Delilah, que antes era apenas um nome, mas agora possui um rosto e história. Clique para ler a análise completa!

[Consciência Gamer] A fina linha entre videogame e cinema

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Essa semana saiu um artigo muito legal na Eurogamer chamado Systems vs. Stories (Sistemas vs. Histórias). O artigo, muito elucidador em diversos aspectos, trata basicamente da ambiguidade dos jogos atuais, que misturam técnicas de cinema com técnicas próprias dos videogames. As primeiras vêm de encontro primariamente com a história do jogo (stories) e as segundas com as mecânicas (systems).

Bom, não pretendo aqui fazer uma tradução do artigo da Eurogamer. Mas sim falar sobre uma pergunta que ficou na minha cabeça após lê-lo: onde estão os videogames?

Clique e continue lendo o artigo!

[Mara’s Review] The Knife of Dunwall

Nome: The Knife of Dunwall

Produtora: Arkane Studios

Distribuidora: Bethesda

Gênero: Ação/stealth

Plataforma(s): PC, Ps3 e Xbox 360 (via download)

Versão analisada: PS3

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Um assassino atormentado

The Knife of Dunwall, a última expansão de Dishonored, nos traz a chance de jogarmos com o misterioso e frio Daud. Como muitos que jogaram sabem, esse é um nome que inspira respeito e tensão. Daud é um assassino e líder do grupo The Whalers, responsável pelo assassinato da imperatriz Jessamine Kaldwin.

Clique aqui e leia a análise completa!

[Mara’s Review] Dishonored

Nome: Dishonored

Produtora: Arkane Studios

Distribuidora: Bethesda

Gênero: Ação/stealth

Plataforma(s): PC, Ps3 e Xbox 360

Versão analisada: PS3

Liberdade. Essa é uma das palavras que pode descrever bem o lançamento do mês: Dishonored, um jogo de ação/stealth em primeira pessoa desenvolvido pela Arkane Studios e publicado pela Besthesda, mais conhecida por nos trazer o mundo de Elder Scrolls e Fallout 3.

Em busca de vingança

O jogo segue a história de Corvo Attano, guarda costa (ou como o jogo o chama: Lord Protector) da imperatriz Jessamine Kaldwin, injustamente condenado pelo assassínio da mulher. Com a ajuda de um grupo conspirador, o protagonista inicia sua busca pela vingança e possível salvação da caótica e sitiada Dunwall, assolada por uma praga de ratos que é responsável por transformar humanos em seres agressivos (weepers), que atacam humanos saudáveis para propagar a doença.

O protagonista mascarado, Corvo Attano

O enredo simples ganha destaque pela forma como é apresentado ao jogador. A cidade onde a história é passada, Dunwall, possui um conceito diferenciado, sendo possível notar a influência do mundo industrial do século XIX, com uma atmosfera tecnológica única. A todo instante notamos o contraste entre o poder tecnológico da cidade, vindo da pesca de baleias para extrair seu valioso óleo, e a desigualdade e caos causados após o surto da estranha praga. O jogador deve se preparar para um jogo intimista e até mesmo triste: encontramos cadáveres, casas destruídas, ratos e vítimas da praga vagando pelas ruas. Não há felicidade na destruída Dunwall e até mesmo o conceito de certos inimigos (como a guarda Overseer) é sombrio e sem vida.

Guarda Overseer

Uma cidade para ser explorada

Dunwall foi criada com cuidado pelos desenvolvedores. A cada exploração encontramos livros, bilhetes e diários sobre o passado repleto de esplendor da cidade, ou até informações interessantes sobre a praga e personagens. É através desse cuidado especial que temos total imersão na história de Corvo Attano, personagem mudo, mas com personalidade moldada pelas escolhas do jogador, pois a liberdade nos acompanhará pelo jogo todo.

Em cada missão passada para Corvo Attano, podemos agir conforme nossa vontade e são inúmeras as possibilidades de terminá-la. Toda a exploração de Dunwall é livre e o jogo em nenhum momento nos brinda com um mapa de ajuda, cabendo ao jogador escolher que caminho fazer: se seguirá pelas sombras, sem despertar a atenção da incansável guarda à nossa caça, silenciando de forma não letal seus inimigos, ou se matará qualquer um que se colocar no seu caminho.  E não se engane; nossas escolhas repercutem na história e Corvo sofrerá as consequências de cada ato realizado durante o jogo.

Vista de Dunwall

É através dessa caótica cidade de Dunwall que encontraremos também missões paralelas, onde podemos ajudar (ou não) personagens desesperados por ajuda. Cada um deles com interesses próprios, cabendo ao jogador, novamente, escolher que caminho tomar.

Os personagens, aliás, que seguem a figura de Corvo Attano ao longo do jogo representam outro ponto positivo. Cada um deles, sejam os membros do grupo conspirador ou seus alvos, possui uma personalidade própria, e são bem construídos durante o jogo através de diários falados e textos encontrados pelo jogador.

Contatos sobrenaturais

Outro ponto interessante no jogo é o uso da magia. Em um mundo industrial, o jogador se surpreenderá ao perceber que há também elementos sobrenaturais e religiosos, negados por muitos no jogo – em um eterno combate entre magia e ciência. Através da figura do misterioso Outsider, entidade sobrenatural e espécie de deus pagão, Corvo Attano recebe poderes especiais, dados especialmente para aqueles que merecem o contato com o estranho Outsider. O contato é feito através de runas espalhadas ao longo do jogo, sendo que quanto mais runas são encontradas, mais poderes especiais podemos escolher para nosso personagem, por exemplo o Blink (teletransporte), Dark Vision (podemos ver inimigos através de paredes, como a visão especial do Batman), e Devouring Swarm (conjuramos ratos para atacar ou devorar mortos), que se usadas nos momentos certos ajudam mais o jogador do que qualquer arma de fogo.

Podemos encontrar por Dunwall outro elemento mágico: as bones charms, acessórios coletáveis capazes de melhorar certas habilidades de Corvo durante o jogo, como correr com maior velocidade, ter sua barra de vida aumentada ou então coletar mais munição de mortos.

Corvo Attano com a Dark Vision equipada

Cabe lembrar ao jogador que os elementos mágicos e upgrades disponíveis através de bones charms e runas são variados e devem ser escolhidos conforme o estilo do jogador. Se o jogador, por exemplo, escolhe uma jogabilidade furtiva, deve utilizar os poderes e upgrades que beneficiam esse estilo.

Ação x Stealth

Dishonored é um jogo que pode ser jogado de duas formas: furtivamente, matando apenas o alvo necessário ou até mesmo procurando maneiras não letais para silenciá-lo ou como um matador sem controle, dando fim a todos os inimigos ao seu redor. Ambas as maneiras possuem uma jogabilidade fluida e sem mistério. O combate é fácil e com um sistema de ataque e contra-ataque bem elaborado, e o jogador só encontrará mais dificuldades caso opte pelo caminho planejado e silencioso, que requer paciência como de costume em jogos stealth.

O jogo, entretanto, tem o enredo transformado caso o jogador opte pela violência desmedida. Logo no começo somos apresentados pelo sistema de “low chaos” e “high chaos”, onde sofremos pontos negativos ao longo da história se seguirmos o caminho do caos. A diferença mais significativa, por exemplo, é a quantidade de ratos que vagam pela cidade (e atacam o jogador caso estejam em grupos) que aumenta consideravelmente se o jogador escolher o caminho da ação ao invés do stealth planejado.

Contudo, o jogador notará certos problemas na IA dos NPCs presentes no jogo. Situações onde guardas param na sua frente, olham em sua direção e seguem o caminho como se nada tivesse ocorrido não são comuns, mas existem durante a aventura.

O jogador utiliza como armas uma espada na mão direita e na mão esquerda podemos optar pelos poderes mágicos citados acima e abastecidos por mana ou armas de fogo, como pistolas e bestas com dardos normais, incendiários ou soníferos. Ainda acredito que o grande objetivo de Dishonored seja o combate furtivo, mas cabe ao jogador escolher a forma como jogar.

Além dos coletáveis mágicos, podemos também encontrar blueprints (planos escritos que contêm ideias para novos equipamentos e tecnologias próprias do mundo de Dunwall) e moedas espalhadas que se repassadas para um dos personagens do jogo, podem render upgrades valiosos, munições e outros itens interessantes.

Todas as missões de Dishonored são diferentes entre si, e a variedade de formas em que podemos terminar cada um de nossos objetivos apenas aumenta ainda mais a liberdade do jogo. Podemos nos aliar com personagens secundários para alcançarmos nossos objetivos de forma furtiva, terminar a missão sem a ajuda de ninguém e com um banho de sangue, nos infiltrar em bailes de gala ou atacarmos nossos alvos no interior de uma fortificada sede religiosa. Dishonored é um jogo focado na liberdade do jogador.

O bizarro Baile de Máscaras

Pela jogabilidade também podemos notar a influência de jogos como Deus Ex (que não é uma mera coincidência, visto que um dos diretores criativos, Harvey Smith, trabalhou no desenvolvimento de Deus Ex) e a série stealth Thief, mais conhecida pelos jogadores de PC.

Cena do jogo Thief

Sons intimistas

Os efeitos sonoros presentes no jogo são outro ponto positivo. A dublagem bem feita é acompanhada por uma trilha sonora que segue a proposta do jogo: intimista e sombria. Entretanto, assim como outros títulos com abordagem furtiva, o jogo preserva o silêncio em grande parte, sendo o som ambiente o único presente (passos e conversas entre guardas que servem para avisar o jogador de perigos próximos).

Trilha por Daniel Licht

Gráficos

Podemos perceber o cuidado artístico na criação de Dishonored, com uma direção de arte competente, capaz de criar um jogo que mais parece uma pintura à óleo. O jogo pode possuir belos efeitos de luz e sombra, criando a ambientação perfeita de um mundo industrial em destruição, contudo faltam detalhes. Não espere animações faciais realistas, e fica fácil perceber o problema de proporção entre as partes do corpo de personagens, mas os problemas gráficos não tiram a beleza e qualidade de Dishonored.

Proporções distorcidas dos personagens

Conclusão

O título pede para ser jogado novamente. Seja para coletar artefatos, assistir um diferente final do jogo ou para modificar alguma ação feita da primeira vez, o jogador sabe que verá ali uma nova experiência.

Dishonored é o exemplo de um jogo extraordinário, feito com cuidado para prender a atenção do jogador até o ultimo instante, com jogabilidade elaborada e uma liberdade de escolhas que apenas enriquecem a experiência do jogador.

Tallboy atacando grupo de humanos em uma Dunwall sitiada

Nota final: 9,0