[Tomio’s Review] 3D Dot Game Heroes

Nome: 3D Dot Game Heroes
Produtora: Silicon Studio
Gênero: Aventura
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

Almas passadas

3D Dot Game Heroes é um jogo criado pela Silicon Studio em parceria com a criadora de Demon’s Souls, From Software, para Playstation 3.

8 bits HD

3D Dot Game Heroes é um adventure que homenageia a indústria gamística em geral de fora bem humorada. A começar pelos gráficos, que trazem “sprites poligonais”, ou seja, modelos 3D quadriculados, como se o jogador estivesse diante daqueles jogos 8 bits em uma TV enorme. Junto a isso, há também os controles isentos de diagonais, fazendo com que o personagem tenha aqueles movimentos “quadriculados” de antigamente.

Assim como a estrutura, 3D Dot Game Heroes também homenageia jogos específicos, com grande destaque ao famoso Legend of Zelda. Na verdade, esse jogo pode ser considerado muito mais como plágio, ou sátira, pois os elementos de Zelda nesse jogo são massivos, e podem desagradar um pouco fãs do Elfo de roupas verdes. Já outros games aparecem em forma “3D-sprite” nas telas de loadings ou discretamente dentro do jogo.

A parte técnica do jogo faz sua parte muito bem, como bons efeitos de luz, água e texturas convincentes, e alguns detalhes interessantes como os inimigos explodirem em vários “pixels cúbicos” ao serem derrotados. A trilha sonora, novamente, lembra muito Zelda, e isso de certa forma ajuda bastante pra entrar no clima do jogo.

Descobridor dos sete sábios

A história do jogo é bem simples e clichê, mas isso pouco importa. Isso nunca importou em Zelda, importou? Apesar disso, ela é uma ótima desculpa para vasculhar as dungeons e tentar desvendar os vários segredos no mundo do game. Em 3D Dot Game Heroes, o jogador deve conduzir o personagem em busca de 6 sábios com a ajuda de uma fada para combater o sétimo sábio malvado. Difícil mesmo é contar quantos jogos um gamer é capaz de lembrar com esse enredo original.

A minha é longa, grossa, reluzente e solta fogos

3D Dot Game Heroes, como já dito anteriormente, é um adventure que traz muito de Zelda em seu conteúdo. Sendo assim, o jogador estará diante de um grande mapa a ser explorado, com cidades para fazer side quests, compras e ter conversas hilárias com as pessoas, calabouços cheios de mistérios e terríveis inimigos que devem ser derrotados.

Antes de começar a jornada, o jogador é livre para editar seu herói cubo por cubo, ou escolher um pré-definido. Após definir a aparência, deve-se escolher uma das quatro classes: guerreiro, guerreiro mágico, aventureiro ou princesa/principe, cada um com características físicas/mágicas distintas.

O herói tem a disposição uma série de equipamentos para avançar em sua jornada, como o bumerangue, para acertar botões distantes e atordoar inimigos, a bomba para explodir rachaduras, arco e flecha, magias de ataque/suporte e uma…enciclopédia. Equipado com uma poderosa enciclopédia de capa dura e relevo, o herói deve dar livradas na cabeça dos monstros várias vezes para que eles sejam registrados no bestiário, e isso inclui chefões, que inclusive devem levar mais livradas que o comum. Felizmente o jogo é amigável para quem quer completar o bestiário, pois as batalhas contra chefões podem ser repetidas quando quiser.

Além do arsenal que faz o cinto do batman parecer brinquedo de criança, o herói tem a disposição poções e tendas para recuperação de HP e MP, escudo para projéteis e ataques simples, e espadas. Várias espadas. O personagem só ataca para frente, como uma perfurada, portanto, para dar slashs, é preciso girar o direcional de movimentação. Dependendo da eficiência da espada, o personagem pode dar um ataque giratório. Além dos golpes convencionais, há também um sistema de dash que faz o personagem correr em linha reta e espetar o que estiver em sua frente.

A curiosidade não acaba por aí. Quando o personagem está em sua plena forma, ou seja, 100% do HP, sua espada fica comprida, grossa e brilha. Obviamente nesse estado ela é bem mais poderosa. Visitando ferreiros, elas podem se tornar ainda mais imponentes, chegando a ocupar quase toda a tela, soltar bolas de fogo e outras propriedades interessantes, como petrificar os oponentes. Como cada uma possui características únicas, e é possível “resetar” os upgrades de cada uma, ir atrás de novas espadas pode se tornar um ótimo extra.

Para aventureiros de curta e longa data

3D Dot Game Heroes dura em média 15 horas para ser completado com o mínimo de extras feitos, ou seja, apenas seguindo a história e não se enrolando muito nas dungeons.

Para quem gosta de muitas horas de diversão, o jogo é um prato cheio, pois tem muito conteúdo diferenciado. O jogador pode tirar fotos da sua aventura e guardar no HD do PS3, editar personagens e fazer upload dos saves para outras pessoas, caçar espadas, HP e MP extras, explorar locais extras, tentar completar o bestiário, fazer todas as side quests, procurar por curiosidades e outras coisas escondidas pelo mundo.

O jogador pode também perder horas e horas em alguns dos minigames que o jogo oferece, com destaque a uma cópia de Cristal Defenders/Pixel Junk Monsters, que possui tantas fases que pode ser considerado como um jogo a parte. É possível também começar um modo em que o jogador usa um personagem vindo de outro jogo, com características completamente diferentes das classes de heróis disponíveis.

Além disso, o jogo em si possui uma dificuldade acima da média, fazendo com que o jogador avance com certa cautela para não ser massacrado logo de início, coisa que acontece com pessoas que se iludem com o começo razoavelmente fácil mais o fato do tamanho da espada impor respeito.

Cópia bem feita?

3D Dot Game Heroes é definitivamente um jogo que deve ser jogado, seja por saudosistas, fãs de Zelda e adventures em geral, pois possui um trabalho artístico interessante, parte técnica competente, muito conteúdo e muito humor.

Nota: 9,5

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[Especial Melhores de 2010] 3D Dot Game Heroes

Nome: 3D Dot Game Heroes

Produtora: Silicon Studio e From Software

Distribuidora: From Software (Japão), Atlus (EUA), Southpeak (Europa)

Gênero: Aventura

Plataforma(s): Playstation 3

Lançamento: 5 de novembro (Japão), 11 de maio (EUA), 14 de maio (Europa)

Número de jogadores: 1 (um)

Classificação: CERO A (livre), ESRB E10+, PEGI 7+

Os Pixels mais carismáticos do mundo

LEGO, Nintendinho/Master System, Zelda…quem não teve, ou conheceu pelo menos um desses em sua infância? Independente da sua resposta, você precisa conhecer o fantástico mundo proposto por 3D Dot Game Heroes, produzido pela Silicon Studio com auxílio da From Software, produtora de um dos jogos mais cults e respeitados da geração: Demon’s Souls (Playstation 3). Preparado para relembrar os velhos tempos através do que temos de melhor em tecnologia?

A produção

Anunciado no meio do ano de 2009 pela From Software, 3D Dot Game Heroes causava imensa curiosidade a todos que checavam as primeiras telas liberadas, mostrando amontoados de blocos enormes formando cenários e personagens, mas nada muito explicativo. Foi só após o lauch trailer que as pessoas puderam conferir do que o jogo realmente se tratava: um adventure estilo Legend of Zelda (Nintendo).

Silicon Studios, a produtora, tinha como principal objetivo terminar o motor gráfico utilizado pelo jogo, o estilo retro-8 bits 3D. Por esse motivo, e por também ser novata no ramo de jogos, procurou auxílio de From Software, sua publisher no Japão. No final das contas, pode-se dizer que 3D Dot Game Heroes é um jogo feito pela From, até porque a Silicon Studio tem ex-funcionários da produtora de Demon’s Souls em seu escritório.

E o trabalho final ficou bem satisfatório, desde a movimentação propositalmente robótica e visual 3D aos moldes da terceira geração de videogames com bons efeitos de iluminação, tudo mesclado ao belo trabalho sonoro MIDI-orquestradas e MIDI-HD dos compositores da Silicon Studio.

Alguns trabalhos:

O jogo

3D Dot Game Heroes têm muitas propostas em apenas um único produto, mas certamente uma brilhará mais forte: O jogo é uma grande homenagem à série Legend of Zelda, da Nintendo. Design de dungeons e do mapa principal, o estilo de visão, a forma de progredir e recursos de jogo, tudo em 3D Dot Game Heroes faz o jogador ter um dejà vu caso ele tenha jogado um certo jogo de um certo Elfo de roupas verdes. Muitas pessoas consideram o jogo um plágio descarado, o que de certa forma pode ser verdade, mas logo isso é esquecido tamanho o carisma, elegância e características particulares e fortes que o jogo da Silicon Studio carrega. Afinal, não é todo jogo que o jogador bate com uma enciclopédia nos inimigos para registrá-los no bestiário, ou cria seu próprio personagem, literalmente, ponto por ponto.

Uma das maiores apostas de 3D Dot Game Heroes certamente é humor. Há desde sátiras e referências a outros jogos, a piadas propositalmente retardadas e bizarras sobre a própria história (aventura simples e clichê) e a indústria gamística em geral, como, por exemplo, uma sala reservada especialmente para tirar sarro do clima sombrio de Demon’s Souls, ou o fato da espada do personagem ser enorme e poderosa quando seu life está cheio.

Não só de roupas e maquiagens vive o jogo. 3D Dot Game Heroes traz também muito conteúdo para jogador nenhum botar defeito, com uma jornada razoavelmente grande e muitos extras interessantes, além de bastante desafiador, enganando muitas pessoas pela aparência e fazendo até mesmo os jogadores mais experientes avançarem com certa cautela. O gameplay também é fluido e funcional, resgatando a sensação dos velhos jogos dos anos 80~90 e mesclando com o dinamismo e recursos da tecnologia atual.

Publicidade e aceitação

3D Dot Game Heroes é conhecido pelo “jogo retro”, “jogo homenagem”, “imitação de Zelda”. E isso de certa forma não está errado. As primeiras imagens de publicidade do jogo apresentavam as telas de loading, onde apareciam bonecos estilizados com o motor do jogo imitando outros clássicos da indústria, como Super Mario, Street Fighter e Final Fantasy.

O jogo teve uma média de nota 7,7 pela mídia especializada, e 8,4 por jogadores, onde o principal motivo pelas notas não subirem se dá pelo jogo “não inovar”. Aí fica a pergunta: o que é inovar, em pleno 2010? Será que um jogo de gameplay sólido e variado, e com a ousadia de brincar com imagens e recursos de outros jogos para criar seu próprio universo não pode ser considerado algo único? Essas e outras perguntas, apenas os 275 mil jogadores do mundo todo que adquiriram sua cópia, e os que terão o jogo daqui pra frente, saberão das respostas.

Cult

3D Dot Game Heroes é aquele tipo de jogo que chegou discreto em 2009~2010 e parte sem fazer muito barulho, mas que marca para sempre a vida de quem o experimentou, um clássico instantâneo não apenas para jogadores antigos ou fãs de Zelda e adventures, e sim para qualquer amante de videogames em geral.

Fontes e links:

www.kotaku.com

www.wikipedia.org

www.metacritic.com

www.vgchartz.com

www.3ddotgameheroes.com

www.siliconstudio.co.jp

[Consciência Gamer] Games: Um futuro promissor ou perdido?

Desde os primórdios do videogame com Pong e cia, a indústria dos games tem crescido de forma considerável, ainda mais se levarmos em conta os últimos anos. O tempo passa, e além da tecnologia, os jogadores também amadurecem, querendo mais do que rebater bolinhas e encaixar quadrados, movendo assim, outros setores do entretenimento em questão, como, por exemplo, o dos gráficos, do som e da literatura que envolvem os jogos, criando assim novos gêneros e formas de interagir com o produto. Mas até onde isso pode chegar sem comprometer a essência de um videogame, e até onde o jogador precisa de perfumarias em seus tão amados jogos?

Pong

A atual geração é bastante conhecida por oferecer gráficos embasbacantes e efeitos visuais de cair o queixo. Seria um aspecto puramente positivo para todos nós, se as prioridades estivessem sob total controle. Caso contrário, teremos produtos como Final Fantasy XIII (PS3/360), com cenas em computação gráfica belíssimas e cenários lindos, mas que fazem parte do jogo mais linear e com menor interação da franquia. E o caso não para apenas em gráficos, como podemos ver em Enslaved (Review 1 2) (PS3/360), jogo com excelente atmosfera e clima de aventura, mas que resulta para o jogador comandos extremamente automatizados e sem graça na maior parte do tempo.

Final Fantasy XIII (PS3, 360)

Qual seria então a solução? Ignorar todo o avanço tecnológico? Não necessariamente, mas sim, ser um consumidor mais exigente, ao mesmo tempo que é mais liberal. Afinal, nem todas as produtoras esqueceram a receita de um bom jogo, apenas estão fazendo o que a maioria do público atual quer para sobreviver. Difícil entender? Pegue então jogos que você nunca jogaria por ter umas texturas ruins, efeitos simples ou cores estranhas, e jogue pela essência de um jogo, não por aspectos técnicos. Jogos como Nier, (PS3/360), 3D Dot Game Heroes (PS3) e Resonance of Fate (PS3/360) podem não ser o que fanáticos por visuais procuram, mas apresentam muito do principal elemento de um jogo esquecido por essas pessoas: Diversão.

3D Dot Game Heroes (PS3)

É claro, não podemos ultrapassar os limites da tolerância e sustentar empresas sem talento e/ou relaxadas, que empurram goela abaixo jogos como Disgaea 3 (PS3), Sonic 4: Episode 1 (Multi) e o recém-lançado Need for Speed Hot Pursuit versão Wii, que sequer se dão ao trabalho de usar recursos atuais para uma utilização mínima do console em questão. Vale lembrar também que é muito fácil confundir esses jogos com jogos de baixo orçamento, mais conhecidos como Underground. Por consequência disso, várias pequenas produtoras fecham as portas por serem ignoradas de todos os lados, mesmo apresentando um produto interessante e diferente.

Disgaea 3 (PS3)

Não seria, no final das contas, uma questão de opinião? – você deve estar se perguntando. Em partes. Podemos sim nos calar diante de pessoas que detestam jogos esportivos ou de corrida, mas sempre teremos uma palavra a dizer para pessoas que deixam de experimentar obras grandiosas, porque o som não é surround, o tom das árvores não é convincente, porque a água não molha o suficiente, ou até mesmo porque o protagonista tem franja ou é uma bola cor-de-rosa.

Kirby Epic Yarn (Wii)

No final, cabe a você, gamer, a decidir o futuro da indústria. Afinal, as produtoras não existem sem consumidores. Seja “macho e maduro”, e terá um futuro com uma variedade pífia de jogos. Seja consumidor de tecnologia, e terá jogos a cada dia menos interativos. Seja compulsivo, e sustente empresas cada vez menos criativas e dedicadas. Ou seja um verdadeiro amante dos jogos, que ainda se lembra da inicial e verdadeira razão de sentarmos na frente da tevê com o controle na mão – passar horas a fio entretido, soltar um suspiro, abrir aquele sorriso e pensar:

Puxa, como é divertido jogar videogame!”