[Epoch -The time machine] Vagrant Story

Nome: Vagrant Story
Gênero: Jrpg

Distribuidora: Square-soft Produtora: Square-soft
Plataforma(s): Playstation, Playstation 3 (PSN)

Versão analisada: Playstation one

Bem vindo a Léa Monde

O enredo de Vagrant story é uma de suas principais atrações, desenvolvido para intrigar o jogador no desenrolar da historia cheias de reviravoltas, sem duvidas um espetáculo a parte na obra de Yasumi Matsuno, criador e diretor do game, envolvendo uma complexa trama política em um ambiente medieval.

Valendia é uma terra que sofre anos com uma terrível guerra-civil, onde o coração de tudo está em Léa Monde,que foi uma das mais prosperas e maiores cidades de Valendia. Referencia entre as demais cidades, com seus muros impenetráveis, praticamente invencíveis contra inúmeras batalhas da época. Contudo após um terremoto há mais de 25 anos, está a passar pelos seus piores dias e levando tudo ao caos e desordem.

Asheley Riot, um agente de 20 anos pertencente a organização “valendia Kinghts of the peace” ou VKP, dentro da organização, Asheley é membro de uma divisão responsável por manter a ordem secretamente são denominados de “Riskbreaker”.
Convocado para ir até Léa monde, e investigar uma ligação entre um líder cultista Sydney Losstarot e um renomado membro do Parlamento Valendiano Duque Bardorba.

A trama de Vagrant story de um briga política apesar de complexa e estigante é somente um pano de fundo, para o real objetivo do game no decorrer da obra percebemos que tudo se desenvolve sobre o personagem, Asheley que se tornou agente, mas esqueceu totalmente seu passado. No inicio de sua missão protagonista encontra Sydney, um misterioso líder de um clã, Sydney tem poderes psíquicos e em seu encontro infortuno com o agente utiliza desses artifícios e faz com que o agente comece a lembrar de seu passado e o que realmente aconteceu com a sua família.

Vagrant Story era ambicioso, um produção cara para época, não utilizava CG´s recurso muito usado antigamente para melhorar e facilitar o desenvolvimento da historia,  invés disso utiliza o próprio motor gráfico para produzir as Cut-scene, as falas usam balões com textos, parecendo assim uma historia em quadrinhos. O game tentava unir o que tinha de melhor no universo gamer em um único jogo.

Resident vil, Metal gear solid, Zelda: ocarina of time e Final Fantasy eram absolutos, referencia para todas as novas propriedades criadas, qualquer gamer tinha alguma dessas series como sua favorita. E justamente ai que entra Vagrant story, a Square-soft queria um produto que agrada-se todos estes públicos. Missão nada fácil, e necessitava de alguém competente.

 Matsuno, tinha em suas mãos uns dos projetos mais caros e criativos, era altamente competente para desenvolver o projeto e eterniza-lo na mente dos jogadores, em seu currículo tinha Final Fantasy tatics um hit na era PSX. A cargo de criar o sonho da empresa em realidade, ele usou muito de seu sucesso anterior no coração de Vagrant story que se passa em um ambiente extremamente obscuro e apático, a intenção era manter os jogadores sempre atentos, o game não  tem há disponibilização dos jogadores lojas e nem vendedores. A principal fonte de força são as armas encontradas em baús ou dos inimigos e as customizações das mesmas, um show a parte no projeto, você passará horas e horas disponibilizando a Ashely a melhor arma possível com as possibilidades dentro do menu.

Vagrant Story, é um jogo raro e quase perfeito, com o foco na corrupção política.  Ashley se vê em um jogo de gato e rato, correndo atrás da verdade sobre sua missão e tentando ao menos descobrir o seu passado, mas mesmo tendo uma trama envolvente, o enredo de Vagrant Story não é seu único forte.  O sistema de batalha do game é detalhado e intuitivo, ao vê-lo a primeira impressão e de estar jogando Parasite eve ou similares. Mas em Vagrant Story o sistema é levado ao ápice trazendo inúmeras possibilidades de combos e estratégias ao jogador, deve levar tudo em conta no momento da batalha,a distancia dos inimigos, a arma que está utilizando ao desferir o golpe, tudo em fração de segundos, dependendo da precisão e pericia do jogador combos podem ser criados e maximar seus hit´s no ataque sobre os inimigos.

A customização é rica e inovadora para a época, você tem um leque de inúmeras armas e cristais para fundir e forjar uma nova arma mais forte ou  mais rápida. O jogador poderá escolher desde lutar com os próprios punhos até utilizar armas como bestas, espadas, machados, entre muitos outros, cada um com seu determinado poder de alcance e de dano.

Vagrant Story tem cenários fechados e segue ao estilo de Metal gear solid, aonde cada sala existe um determinado numero de inimigos e segredos, a idéia de ser um mix de inúmeros games se aplica ao cenário também, sempre escuro e tenso, a idéia era transmitir a tensão de residente vil com as surpresas de Metal gear solid.

Os cenários medievais caíram de forma esplendorosa ao estilo de arte do game, com desenhos mais globais o game tentava se distanciar de um produto oriental e ser algo mais comum entre todas as culturas. Os puzzles do game na maioria das vezes com caixas para se empurrar davam uma longevidade a produção, sempre que aparecia um certamente algum item secredo ou nova arma estaria disponível no cenário.

Nos gráficos, a Squaresoft usou e abusou do hardware do PSX fazendo com que o game fique acima de tudo o que tinha de melhor para o pequeno console da Sony. Usando de cores opacas, e com uma câmera que auxilia a magnitude da beleza de Léa Monde, Vagrant Story sem duvidas tem os melhores polígonos já construídos na era 32 bits, muito claro devido a época de seu lançamento em 2000 estavamos iniciando a geração 128 bits, mas Vagrant Story mostrava que ainda sim poderíamos ficar impressionados com um games desenvolvido para a geração dos cd´s.

Tudo estava aqui, o game tem gráficos de ponta, sistema de customização único, personagens carismáticos,som um show a parte, as musicas caiam perfeitamente no clima dos cenários e davam o clima épico necessário, calabouços bem construídos, um ótimo enredo e atmosfera incrível. Mas mesmo tendo um projeto caro e ambicioso desses, com inúmeras notas perfeitas ao longo do planeta e criticas favoráveis. O que deu de errado que Vagrant Story não alcançou nem um milhão de copias vendidas no mundo todo.

O ano de lançamento do game de Asheley foi marcado por muitas novidades com o sucessor de seu console, mas talvez esse não foi o único erro de Vagrant Story, o game pecava por não levar em conta jogadores novatos com pouca experiência em adventures ou Jrpg´s, a customização pode ter afugentado muitos jogadores por parecer complexa demais, o sistema de batalha exige conhecimento com games com danos por pontos e armas necessárias para o momento, e isso era pouco explicado no mesmo, sendo com que alguns jogadores desistisse logo nas primeiras horas. E os próprios cenários um de seus pontos mais altos também pode ter sido um erro, Vagrant story passa a maioria do tempo em ruínas e cavernas, sem uma variação necessária para novos jogadores, o game apostou nos fãs da empresa que eram aficionados por qualquer projeto desenvolvido.

Um game que marcou época, está nas lista de as maiores produções de todos os tempos, com um belo 40/40 na famitsu, e notas altíssimas em outras revistas especializadas, Vagrant story vai te levar a descobrir o que aconteceu de fato a família de Asheley Riot, fará com que você duvide da verdade, te obrigará a ter mais atenção ao mínimos detalhes no cenário, será uma experiência fabulosa, única e para sempre eternizada na memoria daqueles que um dia ousaram encarar os poderes pisiquicos de Sidney em valendia.

Nota: 9,5/10

Abertura original do game

Principais personagens da trama


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[Epoch – The Time Machine] Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars

Who do you think you are? Bruce Lee?

Capa do jogo

Ahh, Super Mario… o velho bigodudo saltador da Nintendo que já se aventurou tanto. Já jogou tênis, golfe, já andou por tabuleiros e participou de minigames, já entrou em competições de luta… mas talvez nada foi tão diferente e inesperado quanto Super Mario RPG: Legend of Seven Stars.

A parceria da Nintendo com a Square (atual Square-Enix) resultou em um dos RPGs mais divertidos e bem humorados do Super Nintendo. Foi, aliás, uma das portas de entrada para o mundo dos RPGs para mim, juntamente com Chrono Trigger.

O jogo se inicia com o seqüestro da princesa Peach em uma CG. Mas será o Benedito?! Até num jogo de RPG a fórmula é a mesma? Bowser aparece dentro de sua nave que mais parece uma laranja descascada e leva a princesa embora assim, enquanto o Mario só ouve o pedido de socorro e logo vai atrás. E desta vez a surpresa: o encontro com Bowser é muito rápido, o castelo do vilão fica logo ao lado e a batalha ocorre sem maiores complicações para o encanador bigodudo.

Mas eis que, quando tudo parecia estar dando certo, algo inesperado acontece. Descendo dos céus e cravando sobre o castelo de Bowser, uma enorme espada falante, com boca e tudo, chamada Exor, faz com que os três (Mario, Peach e Bowser) saiam voando e cada um vá parar em um lugar. E é aí que realmente começa Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars.

Juntamente com a queda da espada, sete estrelas também caíram do céu, que compõem um mundo chamado Star Road. Este não é, primeiramente, o objetivo declarado do jogo, juntar as estrelas. Primeiramente Mario deve fazer o que é o melhor em fazer: resgatar a princesa, onde quer que ela esteja.

A partir daí que se torna importante saber jogar um RPG, coisa que o jogo ensina com maestria. Conversas com NPCs são cruciais para saber qual caminho tomar, ouvir dicas ou simplesmente ganhar algo por fazer alguma tarefa pedida pelo mesmo.

Conforme o jogo avança, Mario vai conhecendo novos personagens, alguns nunca vistos em jogo algum. Um deles é Mallow, um estranho ser que, primeiramente, se diz neto de Frogfucius, uma espécie de sapo guru do jogo. Tudo bem que Mallow se parece com qualquer coisa, menos com um sapo (a começar pela falta de verde em sua cor, coisa que Frogfucius tem de sobra). Mallow é chorão de início, mas posteriormente vai se tornando mais corajoso e determinado.

Outro personagem importante é Geno, um boneco que ganhou vida enquanto Mario passava uma noite em um hotel de uma cidade. Ele é um dos personagens mais fortes do jogo, com magias e ataques poderosos. O mago é, na verdade, um ser de outro mundo, mais especificamente enviado para a Terra para recuperar as sete estrelas e recompor a harmonia em Star Road.

E como tempos sombrios exigem decisões desesperadas, até mesmo Bowser deixa de lado suas desavenças com Mario e se junta ao jogador, na esperança de recuperar seu castelo e também tentar reaver a princesa, que era sua por legítimo seqüestro até pouco tempo atrás. A princesa Peach também se junta à turma logo que é encontrada.

Bowser lado a lado com Mario? Okay...

O sistema de batalha do jogo é baseado em turnos. Cada um tem sua hora de atacar, mas há um fator importante: saber o timing correto para fazer um ataque duplo ou para defender de alguma agressão. Magias de ataque e cura, uso de itens na hora certa e afins também são cruciais para o sucesso no jogo.

Super Mario RPG é um jogo bastante grande para um jogo figurando o Mario, e possui uma duração boa para um RPG, mas é até bastante linear e sem muitas side quests, mas com fator alto de exploração para pegar novos itens, coletar moedas e afins.

E como não poderia deixar de ser, a marca registrada do bigodudo está presente: saltos. É difícil ver um jogo de RPG em turno com saltos durante a exploração, mas Super Mario RPG possui um sistema platformer também, que é um pouco falho devido à perspectiva pseudo-3D do jogo (aliás, os gráficos são lindos para o Super Nintendo), possuindo momentos até mesmo frustrantes, mas nada que tire o brilho.

Mario pula até em RPG.

Outra coisa que chama a atenção no jogo é a quantidade enorme de personagens da série que foram colocados. Inimigos clássicos da série como Koopa Troopas, Bomb-Ombs, Boos, Piranha Plants, Goombas e afins são encontrados por toda parte durante o jogo, que possui uma variedade enorme de inimigos, muitos requerendo táticas diferentes para serem derrotados. Há inimigos, por exemplo, que são imunes a ataques normais e só podem ser atacados com magias e, caso o jogador venha a estar sem Flower Points (a Mana do jogo), este pode esquecer e tratar de fugir.

Saber quando, quem e como atacar é importantíssimo.

O jogo conta com vários bosses e minibosses, cada um com estratégias e ataques diferentes. Não são difíceis em espécie alguma, mas alguns são trabalhosos e requerem atenção e até mesmo paciência. Enfrentar Yaridovich pela primeira vez, por exemplo, levou muito tempo para que eu pudesse derrotá-lo e quase me fez desistir do jogo. Mas o carisma, o fator de diversão, o sentimento de progressão e o humor do jogo faz com que a desistência não seja uma opção.

Momentos engraçados e totalmente "random" aparecem a toda hora!

Fãs do Super Mario certamente devem dar uma chance a esta experiência do bigodudo mais famoso dos videogames . Super Mario RPG é um jogo que envelheceu bem e pode ser jogado com total prazer ainda hoje. Quem não jogou, recomendo fortemente que jogue. Eu mesmo vivo rejogando e toda vez me divirto e caio na gargalhada diversas vezes. As referências a outros jogos da Nintendo (encontrar o Link dormindo em um hotel é impagável) ou a cultura popular estão presentes em abundância. Vale a pena jogar até mesmo quem não é fã de RPGs por turnos.

A turma, em uma artwork feita por um fã.

[Epoch – The Time Machine] Parasite Eve

O que aconteceria se as mitocôndrias, que hoje fazem parte do sistema celular de todos seres vivos, se “rebelassem”? Parasite Eve, JRPG da Squaresoft lançado em 1998 pra Playstation, mostra uma das hipóteses.

Parasite Eve é um jogo único. Ao menos em sua época, pois tudo no título é diferente dos já conhecidos chocobos ou personagens cabeçudos: uma ambientação obscura, arte e narrativa mais madura, personagens mais sérios e uma trilha sonora digna de filmes de suspense/terror. Apesar de diferente, o jogo não deixa de ter a qualidade de um produto da Square, contando com belas CGs e um trabalho 3D decente, além de uma jogabilidade bastante agradável.

Uma das músicas:

O jogo conta a história de Aya Brea, uma jovem e novata policial que acaba se envolvendo em um misterioso caso de mutações, combustões e mitocôndrias. É difícil lembrar de Parasite Eve e não lembrar de filmes de terror e suspense, comparações dadas graças a atmosfera densa e obscura causada pela narrativa, das conversas envolvendo teses científicas dos personagens, e da forma com que cada peça se encaixa ao decorrer da trama. Apesar de aparentemente ser fenomenal, o jogo peca pelo morno elenco, tendo poucos personagens realmente memoráveis como a própria Aya e seu parceiro Daniel. Vale lembrar também que o jogo não é apenas baseado e com referências, como é também continuação de um livro (posteriormente adaptado para filme) japonês de mesmo nome.

Filme:

Parasite Eve é um jogo mais focado em enredo e batalha, dividido em capítulos e com pouca exploração – são poucas as localidades extras ou coisas escondidas, o que pode soar ruim para amantes de opcionais, mas ótimo para quem gosta de um jogo mais rápido, de uma história interessante, um sistema de batalhas mais livre que os convencionais e muito desafio. Dificuldade certamente é um dos atrativos do título, já que o jogo pode dar bastante dor de cabeça para quem não tiver muita paciência com seus sistemas. O sistema de batalhas ocorre em forma de encontros aleatórios, levando o jogador para uma arena livre para se movimentar, mas ainda em turnos ativos. No lugar de espadas, Aya se aproveita de um boa variedade de armas de fogo, todas elas com prós e contras para cada situação ou monstrengo que a policial encontrar pelo caminho. Além disso, o jogo oferece um sistema de forja, fazendo com que particularidades de duas armas se juntem para formar uma mais poderosa. Mas nem tudo é mamata, pois o jogo limita o numero de itens que Aya pode carregar. O jogo oferece também um sistema básico de magias que a protagonista pode usar graças à Parasite Energy, habilidade celular única de Aya.

Apesar de poucos extras, não quer dizer que eles não existam, tampouco sejam ignoráveis. Parasite Eve possui um fator replay considerável, seja pelos pontos de upgrades ganhos após terminar o jogo para o new game+ (Ex game), seja pela dungeon extra de 77 andares ainda mais desafiadora que a rota da trama, seja para criar a arma perfeita fazendo infinitas combinações.

Parasite eve, para a sua época, foi apenas “mais um” diante das dezenas de títulos de excelente qualidade lançados pela Squaresoft, mas suas particularidades fazem do título merecedor de destaque: desafio, clima noir e maturidade, elementos raros em 98. E que atire a primeira pedra quem não aprendeu alguma coisa, não se interessou por aulas de organelas celulares e nem melhorou as notas de biologia após jogar o título.

Nota: 9

Review de The 3rd Birthday

[Epoch – The Time Machine] Final Fantasy IX

Final Fantasy IX, lançado em 2000, foi o último jogo da franquia para o Playstation 1, assim como um dos últimos jogos lançados para o primeiro console da Sony.

A trupe

Final Fantasy IX pode ser facilmente resumido em uma palavra: equilíbrio. E ela pode ser interpretada de inúmeras maneiras. Acertando em cheio sua proposta, que é a de agradar todo o tipo de fã, o jogo conta com sistemas clássicos de outros jogos da franquia, mas recriados com o que existia de melhor em tecnologia e mecânicas de sua época, resultando em um verdadeiro clássico moderno. Gráficos, arte, cenas em computação gráfica…todos os detalhes visuais foram tratados com todo o cuidado para fechar a quinta geração de videogames com chave de ouro. Não apenas na parte visual, como a parte sonora também foi muito bem trabalhada e, de quebra, com o lema do jogo, resultando em muitas versões remixadas de faixas clássicas de outros Final Fantasies, além das óbvias inéditas, sendo a grande maioria delas variadas entre belas melodias tristes ou relaxantes. Para completar, o título carrega inúmeras referências aos episódios anteriores da série, tendo desde nomes de itens e locais a personagens e acontecimentos.

Tema do jogo:

Qual o sentido da vida? E da morte? O que é certo e o que é errado? O que é preciso saber, o que é preciso ser feito e o que não é? Filosofia é o termo certo quando o assunto é enredo em Final Fantasy IX. Não fugindo da proposta principal, o jogo conta com uma trama simples e volta com a importância dos cristais à tona, mas essas características não passam de um simples pano de fundo para o mais importante: narrativa e personagens. Final Fantasy IX resgata o story-telling mais adulto e dramático de Final Fantasy IV, apostando bastante nos personagens, que apesar dos aspectos infantis (com direito a visual semi-superdeformed) e história de fundo simples, esbanjam carisma e características únicas graças à personalidade bem trabalhada de cada um deles. Como resultado, foi criado um jogo com história fácil de entender, sem que isso signifique ser menos interessante. É difícil não gostar pelo menos de um personagem quando existe um elenco com figuras como Vivi, o jovem black mage que busca o sentido de sua existência, Garnet “Dagger”, a princesa aventureira e Zidade, o hábil gatuno e protagonista do jogo. Vale lembrar que alguns deles tiveram a aparência, e até um pouco de sua personalidade, baseados em personagens do clássico Mágico de Oz.

Vivi, Steiner, Garnet e Amarant?

Final Fantasy IX mantém o velho sistema de turnos ativos (active time battle), com algumas modificações. A começar pelo sistema de evolução, onde cada personagem tem uma profissão fixa, com habilidades adquiridas utilizando equipamentos específicos e acumulando experiência. Apesar de ser aparentemente limitado, o jogo consegue manter um balanço bastante satisfatório entre os personagens, cada um tendo seus altos e baixos, sendo difícil (ou até mesmo impossível) definir o melhor grupo a ser montado. Não só os personagens como o poder dos golpes em si também foi balanceado, exigindo mais estratégias antes das lutas, montando um grupo eficiente para cada situação, como na luta em si, pegando o tempo e a situação certa de usar os recursos disponíveis. Consequentemente, o jogo ficou um pouco mais difícil que outros capítulos da série, e infelizmente essa característica se mostra instável, tendo tanto situações dificílimas como pateticamente fáceis em algumas passagens. Para aumentar o leque de estratégias, foi adicionado o Trance, evolução dos limit breaks onde o persoangem não utiliza apenas um golpe, mas fica, como diz o nome, em “transe” por alguns turnos, ficando mais poderoso e com habilidades únicas desse momento.

O jogador pode explorar Gaia (nome dado ao mundo de Final Fantasy IX) de forma não muito diferente de outros jogos: Os personagens devem ser guiados em dungeons, cidades e no world map. Em meio a essa atividade, é possível encontrar inúmeras atividades opcionais, que variam desde jogar cartas a caçar sapos em pântanos. Final Fantasy IX certamente possui o acervo mais variado e, principalmente, agradável de side quests até então, tendo muitas delas integradas discretamente na aventura principal para que a jogatina se torne realmente única. Um dos destaques em termos de conteúdo opcional fica por conta da exploração com chocobos, que evoluem através de um sistema de busca de baús. Uma forma genial de aliar processo e recompensa, resultando em uma atividade verdadeiramente prazerosa. Não só de exploração, como a informação em Gaia também é um elemento a levar destaque, com inúmeras localidades, povos e raças distintas, proporcionando uma experiência nova a cada localidade descoberta e a cada nação analisada.

Explorando cada canto do mundo. Literalmente.

Apesar de não ser tão popular quanto seus antecessores VII e VIII, Final Fantasy IX deixou sua marca na história não apenas do console da Sony, como também na geração em que foi lançado, sendo uma prova imóvel do que a Squaresoft era capaz e do quanto ela evoluiu até então, sem, é claro, esquecer da alma da série e de seus milhares de fãs.

Nota: 9,9

Review de Final Fantasy XIII

[Epoch – The Time Machine] Einhänder

Thunder Force, Gradius, Metal Slug, Darius, R-Type…certamente o primeiro console da Sony, Playstation, teve uma line up com as melhores séries de Shoot’em Up e Run’n’Gun do mercado em sua época. Não apenas de franquias consolidadas, como novos títulos surgiram em meio ao mar da concorrência e garantiram seus espaços na fama e no prestígio. Um desses jogos se chama Einhänder, primeira e única aposta da Squaresoft no gênero que resultou simplesmente em um dos melhores jogos de tiro lateral de todos os tempos.

Einhänder impressiona pelo seu capricho no level design, agulações de câmera cinematográficas e em seus gráficos, que são bastante agradáveis de se ver até mesmo hoje em dia através de um PSP. A alta interatividade com o cenário, seja com as coisas à frente do jogador como detalhes no fundo das paisagens, faz com que cada jogatina se torne diferente dependendo da ação tomada por quem joga. Não só os cenários como os inimigos também levaram bastante atenção, tendo muitos deles com múltiplas partes destrutíveis e que podem mudar drasticamente as estratégias. A trilha sonora é composta por muita música eletrônica, que casam perfeitamente com os tiroteios e explosões.

Em Einhänder, o jogador pilota a nave de mesmo nome para entrar em uma guerra entre a Lua e a Terra em um futuro distante. Como um piloto lunar, o jogador deve obedecer ordens de sua base e diminuir o máximo de poder terrestre que puder enquanto estiver vivo. O jogo tem uma narrativa discreta, mostrada através de breves cuscenes em CGs entre algumas fases e através de reports depois de uma missão cumprida. Assim como o nome, o jogo em geral utiliza bastante alemão para nomear as coisas ou para as vozes inimigas.

O jogo é bem diferente dos shoot’em ups convencionais, pois não carrega um sistema de power up, mas sim um sistema que aposta mais em estratégias de combate com um arsenal variado, roubando as armas dos inimigos que variam desde básicas metralhadoras até a canhões laser, todas com altos e baixos que vão desde alcance a número de tiros. As armas, incluvise, podem possuir dois padrões de ataque, bastanto o jogador controlar a mão que a nave possui (que dá razão ao nome). Além das armas, Einhänder possui um sistema similar a série Darius, onde é possível variar a rota de jogo dependendo das ações do jogador. No caso do jogo da Square, a modificação de rota acontece dentro de uma mesma fase, fazendo com que cada replay seja realmente único.

Não apenas de ação desenfreada é composto Einhänder. O jogo carrega uma série de segredos a serem desvendados em cada fase, que podem variar entre quebrar objetos, obter uma arma escondida, destruir alguma coisa do cenário de fundo ou destruir inimigos específicos de forma específica. Muitos desses segredos dão ao jogador armas especiais, que em geral são muito mais poderosas que as armas comuns. Apesar do jogo claramente não ser do estilo hardcore, onde é preciso desviar de tiros milimetricamente, a dificuldade é baixa demais para um jogo do gênero, o que pode vir a ser um problema para os amantes de shooters, mas uma grata surpresa para iniciantes ou desprovidos de reflexos aguçados.

Einhänder é uma prova de que uma empresa especializada em um só gênero pode também criar grandes títulos em outras áreas. Uma pérola da Square, que infelizmente não foi continuada, mas que ainda assim faz a diversão de muita gente devido ao seu altíssimo fator replay.

Nota: 9,5