[Epoch – The Time Machine] Super Metroid

“The last Metroid is in captivity. The galaxy is at peace…”

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Produtora: Nintendo R&D1

Publicadora: Nintendo

Plataforma original: Super Nintendo

Ano de lançamento: 1994 (Há 21 anos)

Disponível via Virtual Console: Wii e Wii U

Versão jogada: Wii U

Então, chega uma hora na vida de um jogador que ele se pergunta: por que eu nunca joguei esse jogo que todo mundo tanto fala? Esse momento chegou até mim com Super Metroid.

Sou uma verdadeira vergonha para a franquia Metroid. Uma das mais importantes dos jogos, só joguei o (considerado) mais fraco (e também o mais detestado) Metroid: Other M, para o Nintendo Wii, que prometia ser um retorno aos moldes mais 2D da série, sendo Super Metroid seu pináculo.

Surgida em 1986, no NES, essa foi a franquia que mais impactou os jogadores quanto ao personagem controlado. Embaixo de uma armadura toda futurística, que mais parecia um robô, estava uma mulher, Samus Aran, que se tornaria um ícone para as mulheres nos videogames.

Super Metroid é a terceira instalação do jogo, 8 anos após o original. E a pergunta é: tudo o que dizem sobre o jogo continua valendo para 2015? Ou será tudo um exagero causado pelo véu do saudosismo de uma época (da vida dos jogadores, e não dos consoles em si) que não volta mais?

A galáxia está em paz

Em uma época onde história quase não importava para os jogos, mas que já deveriam, apesar de tudo, fazer um sentido para o jogador, Super Metroid traz em sua introdução cenas dos jogos anteriores, especialmente de Metroid II: Return of Samus (1991, Game Boy), jogo onde, aliás, lá vem spoiler (mas o jogo é tão antigo que se você não o jogou até agora, bem, ou já sabe ou talvez nunca viria a saber, e também Super Metroid já te conta tudo isso), Samus deve matar todos os Metroids, criaturas alienígenas que são capazes de sugar a energia vital de qualquer ser vivo, matando-o. No entanto, no que ia colocar o último Metroid na lista de alienígenas extintos, um recém-nascido Metroid, este eclode de seu ovo e reconhece Samus como sua mãe. Ela, incapaz de matá-lo, o entrega para pesquisas em uma estação espacial. E isso é tudo o que é necessário saber, além de que no primeiro jogo Samus já tinha ido ao Planeta Zebes e destruído este covil dos Space Pirates, bem como matado sua líder, Mother Brain.

Logo no início de Super Metroid notamos que esse não é um jogo comum da Nintendo. Samus chega na estação espacial onde o pequeno Metroid estava sendo estudado e a destruição e a morte chegaram ao local mais rápido do que ela. Tudo quebrado, cientistas mortos… é, bem longe do padrão colorido e feliz de um Super Mario World ou de um Donkey Kong Country.

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Samus, Ridley e o Metroid.

Por fim, Samus encontra o frasco com o Metroid, mas, ao tentar pegá-lo, surge Ridley, um alienígena parecido com um dragão, de alta patente dos Space Pirates, que pega o tal frasco e, após uma batalha curta, foge, quebrando a quarta parede (ou seja, ele vem em direção à tela do jogo) e iniciando uma sequência de fuga com um contador de tempo, barulho de sirene, música tensa, muitas plataformas para pular… após fugir e ir atrás de Ridley (que foi embora voando pelo espaço sideral, isso mesmo), Samus volta para Zebes, só para descobrir que os Space Pirates voltaram das profundezas.

E é aí que começa o jogo em si.

Prepare-se para se perder

Super Metroid não é simples. Ele é de uma época onde tutoriais eram quase inexistentes. Considere-se sortudo pela Nintendo ter colocado um mapa à sua disposição para consulta in-game.

Me perdi várias vezes. Super Metroid não mostra seus caminhos somente através de portas. Ele também possui uma progressão baseada nos implementos que Samus obtém durante sua jornada, sendo a mais famosa a Morphing Ball, que a possibilita se tornar, literalmente, uma bola (duh) e passar por locais estreitos. Mas também temos dois tipos de mísseis, um raio para se enganchar, botas que a fazem quebrar a velocidade do som, e outros. Além dos movimentos que ela tem e você nem sabe até aparece alguém fazendo pela fase, como o Wall Jumping, que se provou ser um verdadeiro desafio para os meus já envelhecidos dedos.

Como é bom encontrar uma estátua Chozo!

Como é bom encontrar uma estátua Chozo!

Funciona mais ou menos assim: devo encontrar o Ridley com o Metroid. Onde ele está? Não sei. Abre essa porta, pega um implemento, volta para abrir outro lugar que não dava para abrir, continua, “aqui não dá pra passar porque a Samus fica pesada na água”, volta, se perde, vai duzentas vezes pelas salas, até que descobre um pedaço do chão que pode ser quebrado com uma bomba… e por aí vai, tudo isso com fases recheadas de inimigos e plataformas, além de vários chefes.

É perigoso ir sozinha… dane-se!

Apesar de The Legend of Zelda ser uma jornada solitária, Link sempre encontra pessoas para conversar. O mais próximo disso que encontrei em Super Metroid foi um cadáver sendo comido por insetos, sozinho encostado em uma parede. E sabe o que Samus acha disso? Nada. Isso nem a afeta.

Samus é um personagem poderoso. Armado de uma arma de plasma, bem parecida com a de Mega Man (mas com um estilo que emana muito mais poder), Samus vai ficando cada vez mais forte conforme o jogo passa. Além de adquirir novos poderes de armas (que podem ser combinados pelo menu) e implementos para sua armadura, em locais escondidos (ou não) estarão esperando por ela tanques de energia, que aumentam sua vida. E também a torna mais fácil.

O combate do jogo não é difícil, a não ser em determinados chefes (em especial o Phantoon). Mas também não é um passeio, muitos inimigos estão posicionados mais como um desafio para o platforming do que o combate em si. Alguns inimigos só morrem com tiros de gelo ou com mísseis, mas vários podem ser ignorados e em poucos momentos devemos obrigatoriamente matar algum para que a porta fique disponível para abertura.

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Os maiores desafios mesmo estão nos chefes, que combinam o platforming com trocas rápidas do arsenal de Samus, grande parte em uma área minúscula para o combate, deixando muito difícil escapar dos ataques. Uma pena que a troca de itens seja bastante lenta, somente através do botão select, o que pode punir o jogador (hoje em dia temos rodas de escolha de itens, o que facilitaria isso, mas é algo que na época nem era pensado). O importante para uma boa jornada é: quanto mais mísseis, melhor. Quanto mais energia, melhor. A não ser que você seja um speedrunner… aí você vai querer ter somente o essencial para finalizar (procurem vídeos de Speed Run desse jogo… é algo fora do normal).

Ser poderoso é maravilhoso

Apesar do combate ser fácil no jogo, quanto mais upgrades temos, mais queremos ter. O mapa de Super Metroid te convida a desvendá-lo todo, e aí jaz o maior desafio: fazer 100% no menor tempo possível. O contador do meu jogo deu quase 7 horas, e não cheguei nem perto de 100%.

Há duas coisas, no entanto, que fazem esse poder todo de Samus ser incrível: o Wall Jump e o Screw Attack. O primeiro consiste em conseguir fazer a personagem pular de uma parede para a próxima sucessivamente, através de comandos ritmados. O segundo, é um pulo infinito que destroi o que estiver pela frente, também realizado ritmadamente.

E depois que você pega o jeito das duas coisas… você quer fazê-las infinitamente, até onde isso é completemente desnecessário e até mesmo inútil (bom, especialmente aí eu queria fazer, para mostrar que eu sabia, que eu era poderoso também). Esse tipo de sensação boa, de fluidez, é muito importante para um jogo de videogame. Sabe quando você fica vários minutos sem errar uma nota de Guitar Hero? Ou quando o seu contador de combo não para de subir e você quer que mais e mais inimigos venham em Batman Arkham? São sensações parecidas, mas em Metroid há algo a mais, porque tudo é extremamente milimétrico e com tempo extremamente preciso para ser realizado. Pela dificuldade de se aprender a fazer um Wall Jump é que, quando você consegue dominar a mecânica, você simplesmente não quer para de fazê-lo. Idem para o Screw Attack, mas esse é mais fácil de se realizar, mas não menos sensacional de ser dominado.

Um marco

Sim, Super Metroid é plenamente jogável, desafiador e misterioso até hoje, em pleno 2015. Poucas coisas nele soam velhas e datadas. Acredito que hoje seria um jogo minimamente diferente, talvez teríamos fast travel entre os save points (que são poucos e distantes, devem ser usados em abundância), uma maior facilidade de se trocar de armas e talvez uma jogabilidade um pouco mais redonda.

Mas a arte do jogo continua linda. Zebes é um planeta com fauna e flora muito ricas, cada área muito bem caracterizada. Aliás, graficamente é difícil um jogo dessa época que eu hoje ache feio. As artes eram muito bonitas, e a de Super Metroid não fica atrás.

Musical e sonoramente, é um jogo perfeito. Terminei o jogo já há alguns dias, e vira e mexe vem alguma composição à minha cabeça. Em algumas áreas intimista, em outras áreas mais agitada, a trilha combina espetacularmente com o jogo.

E agora o que mais me impressionou: a narrativa do jogo. Depois da introdução, o jogo não tem mais nenhum diálogo e, nos momentos finais do jogo, absolutamente tudo é épico. Na batalha final então, nem se fala, é lá que um dos melhores momentos dos jogos acontece. E tudo sem nenhuma palavra, sem nenhum diálogo. Esse jogo merece um prêmio de narrativa silenciosa, e é um exemplo para qualquer jogo. A batalha final é tão magistralmente orquestrada que é possível sentir o ódio de Samus pulsando a cada tiro em direção ao chefe.

Uma das cenas mais marcantes dos videogames.

Uma das cenas mais marcantes dos videogames.

Super Metroid é facilmente um dos melhores jogos do Super Nintendo e também já feitos. É só ver o legado que ele deixou para outros jogos, sejam Metroid ou não, além de ser um jogo que ainda é jogado à exaustão por speed runners, buscando melhorar cada vez mais seu tempo, cada hora fazendo um caminho diferente.

Desengavete seu velho Super Nintendo, compre no Wii, compre no Wii U, mas não faça como eu e fique muito tempo sem jogar essa maravilha. Por uma semana, vesti a armadura de Samus e mergulhei em Zebes. Faça isso você também.

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8 pensamentos sobre “[Epoch – The Time Machine] Super Metroid

  1. Parabéns pela analise. Esse foi o jogo da minha infância, já fechei ele com 100% em 2:05, depois de pelo menos umas 50 vezes que zerei. Realmente o final é épico. Na primeira vez que fechei o jogo, tinha uns 10 para 11 anos e chorei com a cena final da batalha. É bom ver pessoas mais novas jogando ele pela primeira vez, fechando o jogo com 7 horas e sem os 100% do jogo e ficar maravilhado com gráficos e músicas do game. Eu acredito já ter zerado esse jogo pelo menos umas 80 vezes… e sempre jogo ele uma vez por ano, para matar a saudade. Espero até hoje um metroid com o legado que esse deixou, o que infelizmente ainda não aconteceu.

    • Olá, Faria! Bom, não sou tão novo assim, tenho 25 anos kkkkk quando Super Metroid saiu eu tinha 4! 😛 Poderia ter jogado lá pelos meus 6, 7 anos, ainda tinha meu Super Nintendo a todo vapor (fui ter um Nintendo 64 só em 2000, com 10 anos)!

      Esse jogo é show de bola e memorável, e muito legal saber que ele é o seu “jogo anual”! O meu é Donkey Kong Country, todo ano zero 😛

      Um abraço!

  2. Pingback: [Consciência Gamer] Cinco anos escrevendo sobre videogame. | Jogador Pensante

  3. Super Metroid!

    Pra mim é SIM um dos 3 maiores jogos de todos os tempos.
    Foi A REVOLUÇÃO na sua época. Não existia nada parecido em termos de jogabilidade, gráficos e estratégia.

    Me recordo que o item que mais demorei pra encontrar foi o Gancho (Grappling Beam)… quando achei, foi a maior festa! Comemorei demais! Eu jogava na casa de uma tia minha, e aos finais de semana, reuníamos maior galera que grudava o olho na tela da TV e assistia como se tivesse jogando junto comigo. Cada novo item encontrado era aquela comemoração, pois a inteligência aplicada nesse jogo era à frente do seu tempo, quem jogava sabia que encontrar novos itens permitiria conhecer novas passagens e encontrar mais novos itens.

    Tempos que não voltam mais, onde um único jogo era capaz de fazer eu nem dormir direito na noite anterior só pensando em “onde utilizar tal item” ou “como abrir tal porta” ou “como encontrar itens escondidos” ou “como destruir tal chefe” e muitas outras alternativas que na época só Super Metroid podia oferecer.

    E os últimos itens pra poder chegar nos 100%… Naquela época num tinha Youtube não! Só depois de alguns meses vc lia algum detonado em alguma revista de games. Nossa! Época boa!

    Aliás, tudo o que eu conseguia descobrir no SM só me deixava mais curioso pra continuar jogando mais e mais. Foi um jogo realmente espetacular. E tem gente (poucos por sinal) que nunca gostou porque tem preguiça de pensar, e esse jogo na época exigia lógica e inteligência. Pra seguir adiante em Super Metroid você obrigatoriamente teria que saber o que tava fazendo e utilizar o item certo pra coisa certa. Super Metroid definitivamente não era pra qualquer um.

    Até hoje jogo Super Metroid e recentemente apanhei jogando o Hack “Super Metroid Redesign”, que se encontra pra download em vários sites por aí. Baixei, gravei o ISO em CD (dentro do jogo SNES STATION) e joguei no Play 2 que ainda tenho guardado aqui e jogo de vez em quando.
    O Hack “Super Metroid Redesign” é simplesmente fantástico. O mapa de Zebes é gigantesco, umas 10 a 15 vezes maior. Tem muito mais itens escondidos, e portas e postes de cores diferentes pra vc abrir com mais tiros ou outra arma. Além de coisas diferentes como “Guardiões Chozo” escondidos, que vc se mata pra achar, e se não achar todos, vc não consegue entrar em Tourian. Eh muito bacana.
    O único contra de “Super Metroid Redesign” é que o jogo é DIFÍCIL DEMAIS e exige muitos dias (ou semanas) pra que vc consiga salvar pela primeira vez. Mesmo pra um cara que zerou Super Metroid com 100% em menos de 3 horas (meu caso), a versão Redesign é embaçada demais!
    Mas recomendo. Quem é fã de SM tem que jogar SM Redesign. Fica mais legal se vc tentar jogar sem apelar pro Youtube, mas eh como eu falei, eh muito difícil, eh quase certo que vc vai travar numa parte e vai ter que apelar pros vídeos.

    Bom, voltando ao clássico Super Metroid (ou Metroid 3) sem dúvida qualquer lista de maiores games de todos os tempos ele tem que estar no Top 10, senão a lista não tem credibilidade.

    (Só vim descobrir que Samus era mulher na época quando salvei em menos de 3 horas e 100%… hahahahhahahahahaha.. até nisso o jogo inovou, um final diferente dependendo do desempenho)

    Então, feliz de quem teve o prazer de se deliciar jogando Super Metroid na época, e podem se dizer privilegiados pois esse é um game que ficou no coração de quem jogou e zerou.

    PARABENS pela matéria, e desculpe se me extendi demais. É que minha paixão por esse game é infinita, vem desde o seu lançamento, quando tive a felicidade de conhecê-lo e jogá-lo.
    Fico muito feliz de saber que tem pessoas que estão conhecendo o jogo em pleno 2015, e se maravilhando. E mais feliz ainda por saber que existem pessoas como vc Neto, que sabe reconhecer uma obra de arte, independente da idade. Isso não é “estacionar no tempo” e sim “dar valor ao que realmente deve ser dado”. Pois realmente deve-se reverenciar uma obra-prima deste porte, SEMPRE. Uma música boa hoje vai deixar de ser boa daqui há 30 anos? NÃO. O mesmo se aplica aqui.

    Abraxx a todos.

    _X_

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