[Epoch – The Time Machine] Max Payne

“Down below, New York City glittered like diamonds on black velvet.”

 Maxpaynebox

Produtora: Remedy Entertainment

Publisher: Gathering of Developers (PC), MacSoft (MAC), Rockstar Games (PS2, Xbox)

Plataformas: PC, MAC, Playstation 2, Xbox (versão diferenciada para Game Boy Advance; posteriormente versões para Android e iOS)

Versão jogada para análise: PC

Ano de lançamento: 2001

                Eu me lembro de Max Payne em 2001. Mas nunca cheguei a completa-lo na época. A coisa que mais me lembro era que a febre do filme Matrix ainda estava muito em alta nessa época, e Matrix Reloaded ainda nem havia sido lançado. Todo mundo só falava nesse filme, mesmo ele sendo de 1999. Com coreografias incríveis de todo o elenco em cenas de luta e um conteúdo filosófico muito bem implantado em um filme de ação, certamente uma das coisas que mais nos lembramos de toda a franquia cinematográfica é aquela câmera lenta, aqueles tiros exibindo o rastro… o famoso bullet time.

Bullet time em Matrix.

Bullet time em Matrix.

Apesar de o conceito já haver sido levado para os videogames antes, em um cenário paródia do próprio filme no jogo Conker’s Bad Fur Day, para Nintendo 64, lançado poucos meses antes de Max Payne, com as câmeras lentas e os rastros nas balas. Mas foi com Max Payne que o conceito realmente se fixou nos jogos e o maior legado do jogo é certamente este. Talvez alguém mais desinteressado ou distraído vá ouvir falar de Max Payne daqui anos e falar “ah, aquele jogo que você atira em câmera lenta?”.

Max Payne é um detetive, como a própria capa do jogo logo diz, um homem com nada a perder, e é melhor você não cruzar o caminho dele. Em uma luta pessoal contra o tráfico e contra as pessoas que o causaram sofrimento. Tudo isso em uma noite fria de Nova York (e a cidade e sua vida noturna de crime e corrupção é um palco perfeito, havendo um misto de mistério e glamour em tudo isso, bastante noir).

A odisseia de Max Payne, um verdadeiro exército de um homem só, contra centenas (ou talvez até milhares) de homens fortemente armados, é permeada pela filosofia pessimista de Max Payne. É incrível ver como um jogo onde as cutscenes são basicamente em forma de quadrinhos pode ser tão cinematográfico, justamente durante as partes jogáveis, com toda a coreografia de Max Payne mergulhando em vários ângulos.

Nova York: uma verdadeira entidade em Max Payne.

Nova York: uma verdadeira entidade em Max Payne.

Na época, o jogo era impressionante, um shooter sólido, longo e com um bom desafio. Diferentemente de hoje em dia, a função de cover não existia, portanto o jogador tinha que se posicionar corretamente atrás de paredes, pilares e afins para não ser alvejado. Outra diferença que hoje é difícil de se encontrar é o arsenal infinito: Max pode carregar várias armas ao mesmo tempo, ao invés de somente uma ou duas pistolas e uma arma mais pesada, como AK-47. Outra característica marcante é o dual wield, ou seja, a capacidade de levar duas metralhadoras ou pistolas nas mãos para o tiroteio, o que dá um poder de fogo muito grande, além de aumentar a velocidade dos tiros.

Hoje, Max Payne não é um jogo difícil. A movimentação dos inimigos é bem scriptada, aparecem sempre na mesma hora e nos mesmos locais, portanto é simples criar uma estratégia, já que suas posições não mudam. Mas mesmo assim, toda a jornada bizarra de Max é longa e tem desafios, especialmente pela necessidade de se manter sempre em estoque analgésicos, que servem para curar os ferimentos do detetive, coisa que hoje está em falta, e já nos desacostumamos um pouco, pelo fato da maioria dos shooters terem regeneração automática de vida. Outro ponto que pode ser um problema é a falta de salvamento automático, havendo a necessidade de fazer isso manualmente, o que também pode ser uma vantagem para o jogador, que não precisa esperar checkpoints específicos para salvar sua progressão.

Coreografias ajudam na cinematografia do jogo.

Coreografias ajudam na cinematografia do jogo.

Os gráficos do jogo são impressionantes para a época, apesar das faces serem muito estranhas (Max sempre tem um sorriso torto, bizarro, no rosto), mas os detalhes das construções e outros efeitos, como faíscas, são muito bem feitos. Ainda hoje dá para se dizer que Max Payne é um jogo bonito, ainda mais no PC com tudo no máximo (o que provavelmente qualquer PC de hoje em dia aguente, portanto, não há muitos motivos para não se jogar Max Payne hoje, se você não o fez na época de lançamento).

Comecei jogando Max Payne achando-o bem datado, graficamente e também na parte do gameplay. Mas conforme fui jogando, percebi que eu estava errado, o jogo é plenamente funcional hoje e, depois de algum tempo jogando, a beleza transparece, com uma boa trilha sonora, com destaque para o tema principal, que toca no menu do jogo. Joguei pelo Steam, que não tem a dublagem oficial em português, coisa que poucos jogos podiam se gabar de ter na época, e que é uma boa recordação para os nostálgicos. Mas a dublagem em inglês é muito boa, cheia de personalidade e sotaques.

Nova York, em Max Payne, é mais do que uma cidade, é mais um personagem da trama. Sensual e perigosa, a noite de NYC está sempre presente nos discursos filosóficos de Payne, que a eleva a um status de quase um deus, corrompido e distorcido pelos criminosos e policiais corruptos.

Interessante do começo ao fim, Max Payne é um incrível passeio pelo submundo nova-iorquino, com Max como nosso guia pessimista, sempre com vontade de abraçar sua própria morte para se livrar de seus demônios internos, porém implacável para destruir a vida de todos os que o causaram o maior dos sofrimentos.

Max Payne e seu sorriso contorcido.

Max Payne e seu sorriso contorcido.

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