[Neto’s Review] Middle-Earth: Shadow of Mordor

“One man to rule them all.”

Middle-Earth-Shadow-Of-Mordor-2014-Game

Nome official no Brasil: Terra-Média: Sombras de Mordor

Produtora: Monolith Productions

Publisher: Warner Bros. Interactive Entertainment

Plataformas: Playstation 4, Xbox One e PC (versões diferenciadas para Playstation 3 e Xbox 360)

Versão jogada para análise: PC

Depois de duas duvidosas edições de jogos focados no universo Tolkien, mais especificamente nas obras de O Senhor dos Anéis, lançadas para a geração passada (The Lord of the Rings: Conquest e The Lord of the Rings: War in the North), além do pouco comentado Aragorn’s Quest, logo no início da nova geração já somos agraciados com mais um jogo baseado na maior referência da literatura fantástica com Middle-Earth: Shadow of Mordor. Será esta uma obra dos Valar ou apenas uma artimanha do Senhor do Escuro?

O Guardião

O protagonista do jogo é um personagem que nunca teve vida nos escritos de J.R.R. Tolkien. Talion é um guardião, assim como Aragorn, imbuído de cuidar de Gondor contra uma possível volta de Sauron, o Senhor do Escuro.

Possuidor de uma história trágica de perda familiar e impossibilitado de morrer, Talion divide seu corpo com o espectro de um elfo. Para familiarizados no universo do inglês que adorava um cachimbo, não é muito difícil deduzir sua identidade logo de cara. No entanto, para evitar spoilers, deixarei isso de lado nesta análise.

Tanto Talion quanto o espectro querem vingança contra o Mão Negra de Sauron, uma espécie de comandante feiticeiro do exército do escuro. Ademais, o espectro quer recuperar sua própria memória, visto que não se lembra de nada de sua vida antes de se juntar ao corpo do guardião.

Juntos, eles travarão batalhas contra os exércitos gigantescos de Mordor e irão lutar lado a lado em um só corpo contra Uruks, Graugs e Caragors.

2014-10-16_00001

Seria bom se fosse o Tolkien escrevendo mesmo…

É muito complicado pegar um excelente universo como o de Tolkien e criar nele uma história que mistura eventos anteriores que realmente acontecem nos livros e fatos inventados para os acontecimentos no jogo.

Claramente o enredo sofre bastante com isso, pois se mostra bobo e sem muitas pretensões. Mesmo havendo o mistério dos motivos para o espectro estar ligado a Talion, o Nunca Morto, isso não é foi o suficiente para me manter apegado à história. Até gostei do guardião, mas achei que carecia de um pouco mais de personalidade… ele é como um Kratos com menos ódio e talvez raiva fosse justamente o que ele precisasse para ser marcante.

O espectro, entretanto, já é mais interessante, especialmente por ser criação própria de Tolkien e consegue mostrar um pouco mais dessa raiva enrustida de Talion.

Mas mesmo assim, a história do jogo é muito boba, é um negócio de vingança besta e os personagens rasos facilitam essa falta de atenção do jogador para com o enredo.

Torvin, o anão.

Torvin, o anão.

Bom, nunca achei o Tolkien um bom desenvolvedor de personagem. Poucas criações do escritor são complexas, a maioria é bastante branco no preto e preto no branco, sem muita área cinza. Tudo bem que eu acho que as motivações de Tolkien sempre foram criar línguas e fazer trabalhos de geografia em cima da Terra-Média e as histórias criadas eram meramente um pretexto para que isso ocorresse.

Sei que vou ser um pouco criticado pelo parágrafo acima, mas devo salientar que tentei por anos a fio ler Tolkien e finalmente esse ano consegui gostar do escritor e finalizei A Sociedade do Anel, e estou louco para ler As Duas Torres e O Retorno do Rei e também partir para O Hobbit e O Silmarillion. Apesar de ser grande fã das adaptações cinematográficas desde sempre, e de sempre ter admirado o intelecto avantajado do escritor, demorei a me acostumar com sua escrita arrastada e cheia de descrições.

E esse jogo aí, é meio Batman? Ou é meio Assassin’s Creed?

Ouvi e me fiz essa pergunta bastante antes de jogar Shadow of Mordor e devo dizer que ele é ambos. Talvez por ter sido publicado pela Warner Bros, fica clara a influência da série Batman Arkham no combate e em vários momentos da movimentação, bem como o upgrade de skills.

Talion luta como o Batman de espada e sem capa, mas com o auxílio do espectro. É o melee moderno, com ataques, contra-ataques e desvios. Até mesmo a manha para ir bem no jogo que empreguei era a mesma da série Arkham: ataque atordoante e muita porrada, para aumentar a contagem de combo e fazer uma finalização mais rápida nos inimigos.

2014-10-01_00001Já o lado Assassin’s Creed do jogo fica um pouco caracterizado pela atividade furtiva, pois Talion pode usar moitas para se esconder, fazer algum barulho para atrair um inimigo até uma armadilha e elimina-lo furtivamente.

Além da mescla de ambos, com grandes estruturas para serem escaladas, onde tanto Batman quanto os personagens de Assassin’s Creed fazem. A subida é automatizada (fator Batman), porém sem o uso do gancho (fator Assassin’s Creed).

No fim das contas, o jogo tem a sua identidade, apesar de emprestar muita coisa das duas séries citadas acima. E essa identidade veremos a seguir.

O exército de Mordor

Se existe um motivo para se jogar Shadow of Mordor, além do próprio universo de Tolkien, este é a presença de exércitos com estrutura militar de Uruks. Para quem não sabe, os Uruks são aqueles Orcs de Mordor, bem nojentos mesmo.

Estas criaturas estão divididas em vários exércitos pelo mapa aberto e, além de estarem caçando o Guardião, estão sempre entrando em disputas internas pelo poder ou fazendo provas de coragem contra enormes feras.

O interessante é a hierarquização que o jogo faz disso. Morra para um Uruk comum e este se tornará um capitão, que irá subindo nos rankings se você não o matar, até liderar enormes exércitos. Mate os capitães, comandantes, chefes e afins e receba excelentes recompensas para upgrade da espada, do arco espectral e da adaga.

O carismático Ratbag e dois soldados rasos.

O carismático Ratbag e dois soldados rasos.

Acredite: esse fator por si só merece que você jogue a desventura de Talion. Não basta atacar os chefes ao deus-dará (ao menos não no início do jogo, pois a hostilidade é enorme em Mordor e você é fraco), mas deve-se conhecer suas fraquezas e fortalezas únicas. Monte um Caragor e vá enfrentar um chefe que tem medo desta criatura e ele fugirá de medo, possibilitando um abate rápido. No entanto, faça o mesmo contra um comandante que seja matador de feras e que tenha ódio de Caragors e veja sua vida ficar complicada.

Mordor está lotada de Uruks que podem passar informações quando perguntados “gentilmente” pelo espectro após serem espancados e retalhados e isso será vital para ir destronando os grandes da terra do Senhor do Escuro.

Ah, e lá pelo fim do jogo ganhamos uma excelente skill: dominar Uruks e formar nosso próprio exército e tramar traições. Infelizmente isso vem só no fim do jogo mesmo, quando já estava meio de saco cheio.

Problemas no combate

Apesar de ter uma luta mais fluída do que de Batman, Shadow of Mordor falha em vários aspectos.

O primeiro deles, e talvez o mais grave, é que quantidade nem sempre é proporcional à qualidade. Chovem Uruks de todos os lados para enfrentar o guardião em vários casos e muitas vezes isso é prejudicial. Não é simplesmente aumentar a dificuldade, mas vários Uruks atacando sem parar é muito poluente para o visual. No fim das contas, morremos simplesmente por não conseguir mirar em um único inimigo ou por ser atacado sabe-se lá por onde, pelo tanto de Uruks em volta, não tendo a menor chance de defesa. Comparativamente, Batman também mandava muitos inimigos contra o Homem Morcego, mas havia um equilíbrio maior, eles não se amontoavam, ficavam mais separados uns dos outros, além de serem muito melhor definidos, com roupas bem diferentes, até mesmo nas cores, enquanto em Shadow of Mordor temos Uruks que são praticamente todos da mesma cor e usam as mesmas roupas, aumentando a poluição em tela.

Outro problema grave é justamente a variedade de inimigos. Basicamente só temos três tipos de inimigos: os comuns, os de escudo e os arqueiros/lanceiros (além dos Caragors e dos Graugs, as feras que às vezes aparecem para atrapalhar o combate, ou até mesmo ajudar). Um pouco mais de variedade seria bem-vindo em um provável jogo da série.

2014-09-30_00063E para finalizar os problemas, ao final do jogo estamos praticamente invencíveis. O jogo começa muito difícil e punitivo, várias batalhas são praticamente suicídio, enquanto no fim do jogo tudo é um passeio. Barra de vida alta, muitas flechas, foco (que deixa o jogo em câmera lenta quando se usa o arco) muito alto, ataques que acertam os Uruks em área… e eles simplesmente não se tornam mais fortes. Essa dificuldade do jogo de não colocar uma dificuldade que vai se adaptando ao seu personagem deixa o jogo bastante fácil, o que matou minha vontade de continuar destruindo os exércitos de Mordor, que é divertido enquanto é desafiador. Quando se torna um passeio, fica tedioso.

Ah, e a furtividade do jogo é muito quebrada. O level design das fortalezas e de qualquer lugar não é nem um pouco pensado nisso e os Uruks muitas vezes nos avistam somente quando estamos na frente deles, prontos para mata-los, mesmo vindo sem nenhuma proteção contra a visão deles de longe, somente agachados.

Venha visitar Mordor

O local mais querido de Sauron, com duas áreas separadas em cenários bem diferentes, é o palco para as aventuras de Talion. E tem muita coisa para se fazer, além de destruir os exércitos de Mordor.

Temos desafios de caça e de coleta (de ervas, que também servem para recuperar a vida), bem ao estilo Red Dead Redemption, que nos rendem pontos de experiência para aumentarmos a barra de saúde, o número de flechas que podemos carregar e outros. Há sinais de Ithildin, que vão completando um misterioso muro artístico do jogo, e que também dão esses pontos de experiência.

A fauna mais interativa de Mordor não é muito variada também. Temos os Caragors e os Graugs. Os primeiros são como enormes hienas raivosas que podem ser montadas e os últimos são uma espécie de troll. Nenhum deles tem seu potencial realmente utilizado no jogo, os Caragors um pouco mais, mas os Graugs não servem para nada. Se não chegar perto destes, só terá duas missões em que eles terão alguma interatividade. De resto, não têm lá muita utilidade.

Um graug.

Um graug.

Além disso, várias missões paralelas, desafios para formar as lendas das armas de Talion, como enfrentar legiões de Uruks e os eventos que mudam sempre conforme os interesses dos capitães dos exércitos ajudam Shadow of Mordor a ter uma boa variedade de missões.

Campanha fraca

A campanha do jogo, composta de 20 missões, é muito empobrecida perto do potencial apresentado pelo restante do jogo. A maioria se resume a seguir um personagem e fazer o que ele manda, como envenenar barris de bebida de Uruks para que briguem entre si sem que te descubram.

E elas vão repetindo esse padrão muito pelo jogo. Felizmente todo o resto é radiante e soa como novidade, especialmente os exércitos hierarquizados, que espero ver funcionando em vários jogos, sendo sempre melhorados, claro.

Sigam-me os bons.

Sigam-me os bons.

Dublagem e sonoplastia

Pela primeira vez joguei um jogo inteiro dublado em português sem me incomodar. Pelo contrário, me senti muito satisfeito. Nunca havia visto um cuidado tão bom com uma dublagem em algum jogo. Claramente feito por times de verdadeiros profissionais, o trabalho dos dubladores é primoroso (e obrigado para a pessoa que não deixou as vozes abafadas, como acontece em muito jogos dublados para o português). O destaque vai para as conversas dos Uruks, que falam tudo errado e estão sempre zombando uns dos outros, o que confere um fator de humor muito grande para o jogo.

Quanto ao trabalho de música, este é bastante competente, com grandiosas orquestrações que muitas vezes ditam o ritmo do jogo.

Cinza x Colorido

A primeira metade do jogo ocorre na Mordor como conhecemos nos filmes: aquele ambiente cinzento, hostil, cheio de lama, mais próximo de Barad-Dûr, a torre de Sauron.

2014-10-17_00003A outra se passa em um ambiente mais colorido, cheio de mato, árvores, uma área até mesmo meio puxada para O Condado.

E foi bom acontecer isso. Eu não esperava, achava que o jogo todo iria se passar na parte cinzenta, e estava com medo de enjoar da paisagem, pois todos os lugares pareciam os mesmos.

2014-10-17_00007Shadow of Mordor é um jogo muito bonito, especialmente por ser de mundo aberto, com pouquíssimos carregamentos. Mesmo assim, ainda está com o pé na geração passada, talvez pela decisão de ser lançado para o Playstation 3 e o Xbox 360 (só mês que vem, por sinal). Esse é um dos problemas de jogos de gerações cruzadas, eles nunca são completamente polidos para a nova geração, para que a antiga não sofra com uma versão muito piorada. Mas consigo entender a decisão de não abandonar uma base instalada gigantesca de Playstation 3 e Xbox 360, mesmo com as boas vendas que o Playstation 4 e o Xbox One estão tendo (este último menos).

É legal também o trabalho focado nas execuções de Uruks realizadas por Talion. Ele ataca com muita ferocidade e vira e mexe os pobres servos do Senhor do Escuro têm suas cabeças cortadas fora, voando para longe.

Potencial desperdiçado

Eu gostei muito de Shadow of Mordor, mas só enquanto minha paciência aguentou. Fui até o fim e daquele jeito já meio correndo para acabar logo. Os combates começam a ficar muito fáceis lá pelos 70% de campanha concluída e, mesmo com a adição de marcar Uruks para lutar pelo nosso lado, acabei enjoando.

Mas é uma experiência que todos deveriam experimentar, nem que for só para ficar caçando os chefes dos exércitos e bolando suas armadilhas. Apesar da campanha fraca, o potencial do jogo é alto e, como provavelmente veremos uma sequência, ele deverá ser melhor desenvolvido futuramente.

Que a franquia tenha um bom horizonte pela frente.

Que a franquia tenha um bom horizonte pela frente.

O melhor: O alistamento militar dos Uruks.

O pior: Dificuldade que não acompanha a evolução de Talion.

Nota: 7,5/10,0 (Que os Valar abençoem mais a sequência)

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10 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Middle-Earth: Shadow of Mordor

  1. É, realmente a opinião é algo muito individual. Pra mim esse jogo é o Game of the Year até agora. Achei a história ótima, gráficos delirantes, combates do batman melhorados, enfim. Ainda não vi defeito no jogo.

    • Pois é, Paulo, opinião é realmente individual! Agradeço seu comentário e, acima de tudo, por ter sido bastante cordial e educado, algo raro na internet hoje em dia. Um abraço e bons jogos 😀

  2. Tudo beleza ai Neto?! 🙂
    Òtima analise brother!
    Tambem gostei bastante do Shadow, apesar de achar que a historia dele caiu naquele estilo genérico, o que deve ter sido de proposito mesmo, pra quem nunca leu ou assistiu nada do Tolkien não ficar perdido no jogo. E quem não conhece nada desse universo da Terra Media pode ate se dar melhor, ja que não vai se preocupar tanto a historia e vai ficar na ação pura, o que é uma das melhores partes do jogo, ainda mais pelo gameplay tão familiar pra quem ja curte AC, Batman e The Witcher 2.
    Voce descreveu bem os pontos fracos do jogo, que acho que pecou bastante nessa parte de não ter muita variedade de inimigos e a “inteligencia” deles ficou bem fraquinha, tanto que nem tem como jogar num stealth puro, o sistema nemesis é genial mas ficou bem limitado ai e o pior de tudo foi aquele final em QTE que foi o mesmo que um balde de gelo na cabeça de quem esperava um final épico… Tomara que as dlcs tragam novidades por ai em breve, já que os caminhos ficaram abertos pra novas possibilidades e quem sabe até uma nova sequência…
    Abraços! 🙂

    • Nossa, e olha que eu esqueci de comentar do final anticlimax total!!!! Muito ruim mesmo, o que é uma pena, algo mais grandioso seria mais legal. Incrível como a luta contra aquele comandante antes de irmos pra segunda parte do jogo se assemelha muito mais ao que seria uma boa luta final do que essa que colocaram de QTE e aquela anterior horrivel de brincar de esconde esconde (e que é a parte mais fácil de qualquer jogo em todos os tempos, nunca vi algo tão fácil e tonto).

      Enfim, obrigado pelos elogios! Espero uma boa sequência para esse jogo. Ele começa fenomenal, difícil, bruto, mas cai num marasmo bobo, com uma campanha principal bem fraca.

      Abraços!

  3. Gostei da review, achei a comparação que fez elemento por elemento a batman e AC, discordo da parte do mulão de orcs, pq sei la ne, uma hora ia acontecer de ficar 70 em volta, é real. mas realmente polui um pouco

  4. Meu jogo vai chegar amanhã. Estou doida pra jogar; ansiosa demais. Tinha lido algumas críticas e até entendo a sua análise hehehehe Vou rezar pra não enjoar assim, mas até agora me interessou bastante (pelo o que eu vi).
    Enfim, parabéns pela review!!!

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