[Neto’s Review] Donkey Kong Country Tropical Freeze

“Poder primata”

dkctf1

Produtora: Retro Studios

Publisher: Nintendo

Plataforma: Wii U

Donkey Kong Country Tropical Freeze é o mais novo jogo da clássica franquia da Nintendo onde os macacos mais descolados do mundo dos videogames estrelam, e é o primeiro jogo deles na oitava geração, para o Wii U.

Antes mesmo do lançamento do jogo algumas dúvidas podiam ser ouvidas (e lidas) por aí: vídeos e imagens que mostravam poucas inovações e havia um cheiro muito grande do chamado rehash, ou seja, apenas um arranjo do jogo anterior, de Wii: Donkey Kong Country Returns. Será que as dúvidas se tornaram verdade ou será que o jogo é realmente mais do que isso?

Gorilla Glacier

O jogo começa com uma cena em computação gráfica mostrando um exército gigantesco de pinguins vikings chegando à paradisíaca e agora pacífica Donkey Kong Island. Com um sopro de um enorme berrante, um vento gelado é conjurado do nada e congela toda a ilha, lançando Donkey, Diddy, Dixie e Cranky para os ares, para lugares longínquos, bem em meio a uma festa!

E… bem, é isso o enredo de Donkey Kong Country Tropical Freeze. Em todo o resto do jogo não temos muitas conversas nem nada de evolução na história, exceto que os macacos percorrem diversas ilhotas, recheadas de fases, até chegarem de volta à Donkey Kong Island (que é o lugar onde se passam os eventos de Donkey Kong Country Returns).

Bom, não dá para esperar muita coisa nesse sentido mesmo. Mas dá para falarmos de outra coisa muito importante em um jogo como esse: os novos inimigos.

donkey-kong-tropical-freeze

Beowulf da selva

Tropical Freeze traz novos inimigos, de um tipo totalmente diferente dos jogos anteriores: terríveis vikings. No anterior tínhamos os Tikis, uma espécie de tribo indígena que fazia rituais terríveis e possuíam pacíficos seres da ilha. Muito criticismo foi gerado pelos inimigos sem muito carisma no jogo anterior, e isso foi solucionado dessa vez.

Os vikings de Tropical Freeze são fantásticos e conseguem facilmente rivalizar os saudosos Kremlings (os crocodilos da trilogia clássica de Super Nintendo). A Retro acertou em cheio em colocar novos e interessantes inimigos, em sua maioria pinguins, armados ou não, e corujas, todos bastante carismáticos.,

DK

Os quatro macacos

Pela primeira vez na série podemos jogar com mais de dois personagens em um Donkey Kong. Tropical Freeze traz, além de Donkey Kong, Diddy, Dixie e Cranky Kong.

No single player, eles funcionam como power ups que podem mudar toda a forma de encarar uma fase. Veja bem, em toda fase você será plenamente capaz de pegar todas as letras K-O-N-G somente com Donkey, o principal, e também terminar tudo, mas ter algum dos três montado nas costas pode deixar as coisas bem mais fáceis.

Diddy vem com a mesma habilidade do jogo anterior: um jet pack que faz o pulo ficar mais longo. Dixie, por outro lado, vem com seu balançar do rabo-de-cavalo de seu cabelo, fazendo o pulo ficar mais alto e facilitando o controle da queda. Cranky possui uma bengala que faz os pulos ficarem mais elásticos e também deixa a queda imune a espinhos no chão, além de ser o único capaz de causar dano em inimigos que usam capacetes.

pu

Cada um deles também possui um poder especial. Ao apertar R + L, Diddy faz todos os inimigos virarem balões de vida, enquanto Dixie faz eles se tornarem corações amarelos (que aumentam a quantidade de corações em até oito) e Cranky faz todo mundo virar moedas (o que é meio desnecessário, visto que ficar com 999 moedas é fácil, vai ser difícil ter escassez disso).

Portanto, há macaco para todos os gostos, e cada um vai ter seu favorito. Poucas vezes o jogador poderá pegar somente um macaco, normalmente apenas nas primeiras fases essa limitação é colocada, mais para apresentar um macaco diferente.

Mas eu devo dizer que a minha favorita foi a Dixie. Ela deixa tudo mais fácil, fica tranquilo de alcançar tudo mais fácil, a não ser em determinadas partes, onde o Cranky foi o necessário. O pobre Diddy Kong quase não apareceu durante minha aventura pelas ilhas.

2405033-trailer_dktropicalfreeze_cranky_20131218

Coral Capers

Acredito que a maior novidade de Tropical Freeze fique por conta das fases aquáticas (e também híbridas, ou seja, onde é possível nadar e também caminhar pelo chão – não submerso), que sempre foram um dos destaques da trilogia original, e não marcaram presença no jogo de Wii.

A Retro adotou um sistema de natação parecido com o de Rayman Origins, onde a movimentação é livre para qualquer direção que se queira nadar. Donkey Kong pode também executar um giro em parafuso na água para atacar inimigos marinhos, fazendo o peixe-espada Engarde, da trilogia clássica, se tornar obsoleto (e ele não aparece em Tropical Freeze).

Diddy, Dixie e Cranky também possuem diferenças na água. Diddy ativa uma turbina em seu jet pack que dá um impulso ao nado de Donkey, Dixie gira seu cabelo como uma hélice, dando velocidade e força, e Cranky brande sua bengala, acertando inimigos.

Donkey-Kong-Country-Tropical-Freeze-скриншот-6

As fases aquáticas são bastante desafiadores e exigem muita perícia do jogador, visto que a jogabilidade fica ligeiramente mais pesada e qualquer encostão em qualquer coisa já faz os macacos perderem um coração (Donkey sozinho possui dois, e o macaco às suas costas, mais dois).

Platform Perils

Mais uma vez Donkey Kong vem à tona para mostrar como se fazer um jogo excelente de plataforma sidescroller, isso é, de progressão lateral. A palavra chave do jogo é precisão, e o jogador deve dominar absolutamente todos os quesitos do jogo para conseguir ir até o final.

Cada fase consegue apresentar um novo tipo de desafio, novas características, inimigos de comportamento diferenciado e muitos outros. É nesse ponto que vemos que Tropical Freeze passa muito longe do rehash que muita gente falava antes do lançamento: tem tanta coisa nova que pensar nisso é impossível.

Tropical Freeze é aquele jogo que consegue te deixar na fina linha do estresse e da diversão, especialmente nas fases finais (o jogo não se mostra realmente como desafiador até a metade do segundo mundo, mais ou menos).

donkey-kong-tropical-freeze-02

Tropical Freeze é dividido em mundos e cada um deles possui duas fases secretas, acessadas por saídas escondidas em determinadas fases e também a fase templo, a temida fase K, que vem com o legado de serem as mais difíceis, desde o jogo do Wii. E são exatamente estas que vão ser o maior estouro (de balões de vida), deixando as mãos do jogador suadas e fazendo a frustração vir cada vez mais para a cabeça. Porém, é aquela frustração que te faz tentar de novo. Sabe aquele momento em que você fala “é a última tentativa, se não conseguir vou desligar” e aí você repete isso umas quarenta vezes seguidas, até passar, sem desligar o console? Pois é, as fases K e também algumas das fases comuns de Tropical Freeze vão fazer isso com o jogador.

O level design é um primor e o desafio é sempre crescente e harmônico. Tropical Freeze jamais será desleal com o jogador, mesmo apresentando um nível de desafio muito alto.

Ah, e depois de fechar 100% do jogo, abre o modo hard, ainda mais punitivo, sem checkpoints e com somente um coração. Ah, e não há nenhum barril-macaco para pegar um amigo neste modo, fazendo Tropical Freeze se tornar um dos jogos mais punitivos dos últimos tempos.

Claro que no meio de toda essa dificuldade há a possibilidade de comprar itens na loja de Funky Kong (no hard mode, para variar, não há essa loja), como por exemplo mais vidas, bebida da invencibilidade temporária, um coração extra para entrar na fase, entre outros, que vêm a facilitar a(s) vida(s) do jogador, em meio a tanta plataforma estreita, buracos, espinhos, inimigos ardilosos, plataformas flutuantes…

donkey-kong-country-tropical-freeze-1392394031944_1920x1080

Temos a volta também das clássicas fases de carrinho e também do foguete. Estas não têm tantas novidades, a não ser que agora, em determinados pontos, algumas fases mudam de perspectiva, mudando para uma visão 3D, dando uma nova dinâmica ao desafio. Isso não me pareceu uma ideia muito boa, visto que é um pouco difícil de perceber essa profundidade algumas vezes… mas como são poucas partes assim, não há muitas dificuldades técnicas.

28lyhy2fvmec1parsbnle4v09

E também temos chefes que apresentam bastante dificuldade. Nos faz sair da zona de conforto e nos endireitar na cadeira para enfrenta-los, pois são bastante agressivos e apresentam vários golpes diferentes. É um chefe à moda antiga: decore seus movimentos pré-concebidos e terá sucesso. Falhe na percepção e tudo vai por água abaixo.

boss610

Stickerbush Symphony

Temos de volta, para a alegria da garotada, o todo bom David Wise na composição da trilha sonora. E que trilha! Simplesmente sensacional, com muita qualidade e variação mesmo. É a parte nostálgica do jogo, pois, além de termos novos arranjos para músicas antigas, temos também novas músicas que trazem o clima da trilogia original à tona. Nem tem muito o que falar sobre esse ponto, pois é algo extremamente supremo mesmo, é aquela trilha que você vai querer ouvir em casa, mesmo sem estar jogando Tropical Freeze.

Destaque para a variedade de músicas. E nos chefes as guitarras explodem, em um heavy metal digníssimo, cheio de solos!

Lindo

Agora para a parte artística do jogo. Tropical Freeze apresenta cenários lindos, riquíssimos em detalhes no fundo, e também nas plataformas. O jogo é bastante variado e a arte é bastante satisfatória.

Claro que fica aquela diferença clara do que é Donkey Kong hoje e do que foi no Super Nintendo. Os jogos de antigamente da série eram mais melancólicos e sua arte refletia muito isso; já hoje a Nintendo está com um direcionamento para infantilizar esse aspecto dos jogos, deixando as cores mais vivas e o jogo mais alegre, mais atraente aos olhos das crianças (mas elas que não se enganem com imagens bonitas, porque o jogo quer mesmo é te ver jogando o gamepad longe).

2454971-tf_3

Mesmo assim, especialmente devido aos pinguins vikings serem mais durões do que os tikis eram, o jogo apresenta uma maturidade visual um pouco maior, além de ser maravilhoso, um verdadeiro colírio para os olhos, com movimentação bastante fluída, fases sombreadas e as áreas submersas também fazem bonito, mostrando que o Wii U pode sim rivalizar com consoles da nova geração da Microsoft e da Sony, desde que com jogos artisticamente bem acabados (claro que em uma comparação técnica, especialmente em jogos que buscam o realismo, o console da Nintendo ficará para trás).

savannah

Quebrou o gelo

Tropical Freeze veio para justamente quebrar o gelo, tirar aquele frio na barriga que muita gente tinha em relação ao jogo. A Retro provou, mais uma vez, que entende de videogames e conseguiu criar um jogo extremamente sólido, digno dos jogos antigos da série. Returns já era sensacional, mas Tropical Freeze deu um passo a mais. Mesmo com a falta de coisas clássicas da série, como por exemplo os animais (mais uma vez só podemos montar em Rambi, o rinoceronte), estas são muito mais facilmente esquecidas, agora que temos três macacos diferentes para servir de power up.

Com uma trilha sonora sensacional, um visual de trazer lágrimas aos olhos e um desafio de socar a parede, Tropical Freeze é um jogo obrigatório para qualquer um que possua um Wii U, mas não pela escassez de jogos atual do console, e sim pela qualidade acima de qualquer suspeita que a Retro conseguiu entregar no jogo, trazendo muito conteúdo, multiplayer (que eu não joguei – e para falar a verdade nem gosto de modo multiplayer em jogos de plataforma 2D, pois penso que o ideal é passar o controle pro amigo/familiar toda vez que uma vida é perdida, e não a lambança de dois personagens ao mesmo tempo na tela), modo hard e muita longevidade, mesmo parecendo, à primeira vista, um jogo curto. O caminho até o 100% é árduo e pesado, e até o 200% (ou seja, terminar o modo hard) é mais difícil ainda.

Retro, obrigado por trazer os símios digitais mais legais do planeta de volta com tanto estilo e qualidade.

Donkey-Kong-Coutry-Tropical-Freeze-

Nota final: 10,0/10,0 (JOGUE!)

Anúncios

6 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Donkey Kong Country Tropical Freeze

  1. Pingback: [Neto’s Review] Ori and the Blind Forest | Jogador Pensante

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s