[Tomio’s Review] Dark Souls 2

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Nome: Dark Souls 2
Produtora: From Software
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Playstation 3, Xbox 360, PC
Versão analisada: Playstation 3, americana

Era uma vez, uma vida social…02

Dark Souls 2 é o mais novo título da série “Souls” (Demon’s Souls e Dark Souls, na sequência) e um dos jogos mais aguardados de 2014, lançado para Playstation 3, Xbox 360 e PC (este no próximo mês).

Deliciosamente perturbador03

DS2 é um título que mostra todo seu potencial visual através de aspectos artísticos, apresentando monstros perturbadores e memoráveis, além de cenários bem numerosos e variados, indo desde locais rústicos e civilizados a ambientes bizarros e surreais, um verdadeiro mergulho de cabeça a um mundo paralelo. Diferente de seu antecessor, onde o jogo apostava no impacto individual de cada área (quem vai conseguir esquecer Anor Londo?), DS2 aposta na experiência geral da aventura, integrando o visual como parte do gameplay. O resultado final não poderia ser melhor, pois cada nova área visitada pode se tornar facilmente um novo tormento (no bom sentido) para a vida do jogador.

É interessante notar também que, enquanto Dark Souls 1 lembrava bastante de Demon’s Souls nas boss battles, DS2 lembra bastante do antecessor nas localidades, apesar de serem completamente diferentes uns dos outros.

O jogo possui ainda ótima iluminação e efeitos visuais, física competente e ausência de loadings ingame. Os cadáveres “de borracha” dos antecessores foram deixados de lado, pois ou somem imediatamente, ou ficam intocáveis (não que eram um problema, mas de certa forma era algo deveras bizarro). Infelizmente, o jogo não consegue ser perfeito no quesito “aspectos técnicos”, já que nem todas as suas texturas são boas, NPCs não movem a boca pra falar, e o jogo sofre leves quedas de framerate – Problemas que não chegam a prejudicar, mas existem.

No quesito sonoro, a From fez mais um ótimo trabalho, tendo músicas orquestradas de alta qualidade em grande quantidade. Por ser um jogo que preza o silêncio para ajudar o jogador a se concentrar na aventura, cada melodia é tocada no momento certo, tornando cada situação única e marcante. O jogo ser silencioso, no entanto, não significa que ele seja mudo, já que o título possui um som ambiente igualmente bem executado, desde o cantar dos bichos em ambientes orgânicos a passos e grunidos de monstros próximos.

A volta dos que não foram04

DS2 conta a história do próprio jogador, um morto-vivo que busca a cura para sua maldição no reino de Drangleic, uma terra distante do mesmo universo do primeiro jogo.

Logo de cara, o jogador pode customizar a aparência de seu personagem, desde sexo e nome ao cor dos olhos e cabelo, um sistema de fácil manuseio, mas bem completo.

O título conta com a mesma narrativa de sempre; ausência de cenas, diálogos sutis com NPCs, backgrounds oferecidos via descrições de itens e o jogador criando sua própria narrativa, pois ele possui toda a liberdade para explorar o que quiser na hora que quiser, assim como fazer o que bem entender com qualquer personagem que encontrar pelo caminho.

A idéia é simples e execução é impecável: o jogador não vai simplesmente ouvir, ver ou sentir a aventura, mas sim viver ela pessoalmente, pois as mecânicas de jogo permitem que seja possível interligar o gameplay com a ambientação, criando uma imersão que quase nenhum outro jogo que não seja da série é capaz.

Preparado para morrer (de novo)?05

DS2 é basicamente um action RPG onde o jogador deve explorar um imenso mundo. Os comando são simples e completos, possuindo o básico do gênero (level, ataques físicos, à distância, magias, defesa, esquiva, pulo, corrida) a outros mais avançados típicos da franquia, como atacar pelas costas, quebrar a defesa ou cancelar um ataque do inimigo, por exemplo.

Os elementos mais importantes da série continuam, e são eles: peso, stamina e cautela. – Dependendo do peso do equipamento, um personagem acaba ficando mais lento e rolando mais devagar, o que pode ser fatal contra inimigos que necessitam ser esquivados com frequência; A stamina influencia diretamente na frequência de esquiva e poder de defesa com escudos, ambos indispensáveis para sobreviver durante os combates; E cautela, pois qualquer coisa no jogo pode matar o jogador com um ou dois golpes, desde um imenso chefão a um simples soldadinho logo no início do jogo.

Sim, DS2 é difícil, sadicamente difícil, com ameaças e/ou situações tão absurdas que algumas vezes chegam a ser injustas, exigindo do jogador não apenas atenção e reflexos, como também muita paciência. Apesar disso, o jogo ainda consegue ser extremamente prazeroso, pois a dificuldade, mesmo sendo alta, não é quebrada ou impossível, fazendo com que um pequeno avanço depois de um grande tormento se torne uma grande conquista pessoal. Achar uma bonfire (ponto de checkpoint e fast travel) depois de uma área perigosíssima, matar um boss dificílimo ou obter um item valioso = satisfação psicológica sem igual.

Outro destaque é a intensidade da punição que o jogo dá aos jogadores desatentos: tá difícil? Vai ficar ainda mais. Por exemplo, itens raros fazem o protagonista voltar à forma humana, e com isso recebe menos invasões e tem seu HP completo. Ao morrer, volta ao modo hollow (undead) e gradativamente vai perdendo seu HP até finalmente ficar só com a metade dele, deixando a vida do jogador ainda mais complicado. Para piorar as coisas, em Drangleic tudo é limitado, desde itens a venda a respawn de inimigos, sistema feito para evitar farming (aumentar níveis mais do que o necessário), incentivar explorar outras áreas e, principalmente, incentivar o jogador a encarar mais de um ciclo (NG+, NG++, etc). O único ponto que pode ser negativo é esse limite de respawn de inimigos, pois isso pode significar também que um caminho para um chefão difícil, depois de várias tentativas, se tornará muito mais fácil por se tornar deserto, por exemplo.

O mais interessante é que o jogo dá liberdade para o próprio jogador aumentar (ainda mais) a dificuldade do jogo a qualquer momento, usando itens ou entrando em Covenants (“clãs”) que deixam os inimigos mais poderosos. O jogo, dessa forma, agrada desde os que gostam de sofrer aos masoquistas mais hardcores.

O jogador é novamente largado no meio de um terreno gigante para começar a exploração. Diferente do anterior, onde havia liberdade para subir ou descer o ponto de partida para desvendar outras áreas, em DS2 o jogador pode escolher para onde ir em um campo de direção de praticamente 360 graus. O balanceamento geral de dificuldade é muito bem aplicado, fazendo com que todas as áreas sejam igualmente difíceis, dando uma sensação ainda maior de liberdade de escolha. Na verdade, a noção de liberdade do jogo é tão alta que o jogador logo se pega sem saber o que falta explorar e o que já foi visitado, fazendo com que a vontade de continuar vasculhando tudo nunca acabe.

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A liberdade não se encontra apenas na forma de explorar o jogo, como também em como interagir com ele. O jogador pode, por exemplo, assassinar um NPC consideravelmente importante e pegar seu equipamento, ou matar um mercante e prejudicar sua própria fonte de recursos. As consequências do que pode acontecer dependendo da forma de tratar outros personagens ou até monstros pode variar bastante, tornando cada jornada única baseada nas decisões de quem joga.

O com certeza, o level design é um dos maiores destaques do título, um fenomenal trabalho de labirintos recheados de múltiplos caminhos, armadilhas, portas secretas e tesouros escondidos; “ficar perdido facilmente” ainda não é o termo adequado para descrevê-lo de forma absoluta, pois vai muito além disso – é provável que o jogador voltará para um mesmo local inúmeras vezes se quiser explorar tudo, e mesmo assim vai encontrar muita coisa a cada visita.

Algumas vezes, o jogador vai encontrar pelo caminho alguns enigmas a serem resolvidos, seja interagindo com interruptores, com NPCs, com inimigos ou até com partes do cenário, gerando diversos resultados que podem influenciar na jornada. A variação deles é bem grande, tendo alguns simpes, alguns geniais e alguns tão sutis que necessitam de dicas de outros jogadores para serem resolvidos. Mais um ótimo fator que estimula tanto a exploração e o raciocínio lógico quanto a interação com outros jogadores

O jogo, como já dito várias vezes, é imenso. DS2 dá facilmente mais de duas vezes o tamanho de seu antecessor, mas nem por isso teve alguma localidade sem muita importância ou conteúdo apenas para “encher linguiça”, muito pelo contrário: o título tem motivos de sobra para ser explorado até o último centímetro do começo ao fim. Por conta dessa imensidão, existem muitas bonfires espalhadas pelos locais (todas elas com função de fast travel), que inclusivem substituem os antigos atalhos mais bem elaborados dos jogos anteriores. Decisões de design que podem desagradar alguns, mas que se mostram necessários para um jogo desse porte.

O principal novo sistema de DS2 é o de tochas. Com elas, o jogador pode iluminar locais escuros e, consequentemente, ver plataformas, itens e inimigos de uma forma muito melhor, facilitando a progressão. Ótima adição que só contribui para deixar a exploração ainda mais imersiva.

O jogo possui também o velho sistema de melhoria de equipamentos, mas ao contrário dos antecessores, foi simplificado para dar destaque à forma de obter materiais, e não mais a pura necessidade de caçar vários deles. Além disso, o jogo foi balanceado para que tudo possa ser adquirido de maneira uniforme: difícil e/ou demorado, mas justo, diferente da necessidade de contar com a sorte como antes.

Para finalizar, os inimigos: a IA dos monstros é muito boa; além de detectarem sons de passos e armas/armaduras, sempre variam os padrões de ataque em tempo real e muitos deles podem dar dor de cabeça ao jogador por usar técnicas avançadas, como quebrar a defesa ou cancelar os ataques do jogador. Vale destacar o trabalho que a From teve com cada um dos inimigos, já que todos eles possuem movimentos únicos e até mesmo características especiais, como um deles que sempre dá um contra-ataque mortal quando o jogador tenta golpeá-lo pelas costas. Os chefões são outros que merecem uma citação, pois estão em dezenas no jogo, todos bem singulares e muitos memoráveis, seja pelo sofrimento causado para derrotá-los ou pela imagem imponente.

Politeismo07

É difícil dizer o tempo médio da duração de DS2, já que isso pode variar bruscamente de acordo com o jogador, do speedrunner ao completista. Apenas como indicativo: para essa análise, 57 horas foram gastas no jogo, sem guia, sem ter nenhum compromisso com exploração e sem noção de quantos chefões foram deixados para trás. – Em outras palavras, aproveitar ao máximo apenas uma rodada pode levar facilmente mais de 100 horas, isso sem contar com o New Game +, onde muita coisa nova e muito mais dificuldade são adicionadas para incentivar o jogador a viver uma nova aventura.

Outro grande destaque é, novamente, o online. O jogo segue os padrões da série, com jogadores interagindo com outros o tempo todo de várias maneiras possíveis, desde deixar e/ou ler mensagens que podem ajudar ou atrapalhar a vida alheia, a modo cooperativo e PvP (invasão do mundo alheio), tudo podendo acontecer em tempo real para intensificar a jogatina de todos. É interessante ressaltar que o modo versus não pode ser ignorado ou rejeitado pelo jogador invadido, obrigando-o a encarar o adversário como mais um grande inimigo se não quiser morrer e voltar tudo de novo.

Para melhorar ainda mais o online existem as Covenants, facções/religiões/clãs que o jogador pode escolher para ingressar e participar dos vários modos exclusivos de cada um. Em um, baseado em coop, faz com que o jogador seja automaticamente enviado para o mundo de alguém invadido para ajudá-lo a sobreviver; Outro, baseado em PvP, garante materiais raros para upgrade de armas a cada vitória. Por Drangleic ser um local onde tudo é raro e limitado, o multiplayer do jogo acaba ganhando um brilho extra por ser uma fonte de diversos recursos.

Vale lembrar também que o jogo foi organizado de forma a não acontecer injustiças entre jogadores/personagens iniciantes e experientes, como o PvP limitado a jogadores do mesmo ciclo (NG com NG, NG+ com NG+) e os próprios Covenants, que fecham um ciclo de ataque e defesa ao mundo alheio.

Louve o sol!08

Dark Souls 2 oferece um conteúdo que poucos, ou mesmo nenhum game, até hoje ofereceu: tenso, intenso e imenso. Um dos melhores jogos que um jogador de videogame pode encontrar na vida.

Nota: 10 ([Extremamente] viciante)

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13 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Dark Souls 2

  1. Eu sou Menino Cristovão, tenho 666 anos, sou true gamer. Essa noite eu vou platinar.

    Os três mandamentos do Rei da Platina são os seguintes:
    Você tem que ter os melhores troféus dos melhores estúdios, que são Tri Ace, Cavia, CD Projekt…

    Você tem que ter um troféu difícil, um troféu potente. Ultimate Battler é um mito né, o Ultimate Battler é um sonho de consumo de qualquer gamer em qualquer parte da internet. É um troféu que chama atenção, é um troféu que toda mulher gosta…

    Quando a pessoa ta jogando, ela é mais um. Agora, quando a pessoa ta platinando ela acaba ficando em evidência, porque a platina é uma questão de status… é uma questão que todo mundo quer. Aí o contador de horas já sabe né, ele pode variar de 200 horas que você gastar na platina, até o infinito, 400, 600, 1000…

  2. Tenho mais de 100 horas de game, e continuo sem a menor pressa…Tô gostando muito de Shrine of Amana, aquele lugar parece um sonho, literalmente. Jogão, sem dúvida.

  3. Pingback: [Neto’s Review] Bloodborne | Jogador Pensante

  4. Pingback: [Review] Salt & Sanctuary | Jogador Pensante

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