[Tomio’s Review] Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dusk Sky

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Nome: Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dusk Sky
Produtora: Gust
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

Escatologia2

Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dusk Sky (Eschatology) é o décimo quinto título da franquia Atelier, e o quinto jogo da série para Playstation 3, lançado em 2013 no Japão.

Abaixando o volume3

Eschatology possui loadings muito rápidos, estabilidade de FPS, ausência de bugs e boas animações de luta, destacando-se de seus antecessores. Alguns problemas, no entanto, continuam a assombrar o título da Gust, como os pop-ins, problemas de colisão, falta de sincronia labial e movimentação estranha em alguns momentos, principalmente quando os personagens estão (supostamente) correndo. Apesar desses contras, o jogador não terá problemas para continuar a jogatina.

A parte artística é, novamente, um dos maiores destaques do título, com paisagens bem variadas e deslumbrantes, e personagens que mais parecem artworks ambulantes, de tão detalhados e fiéis que são. O jogo também apresenta apenas uma, porém belíssima cena animada, cobrindo o clímax da aventura dos protagonistas.

Já a parte sonora é bem inconstante e abaixo da qualidade esperada, apresentando as clássicas e belas melodias a base de violão e flauta, algumas com um toque de Jazz e Blues que ficaram bem repetitivas e algumas cantadas, porém sem muita inspiração. Mas o que mais decepciona nesse aspecto certamente são os temas de batalhas, possuindo apenas uma ou duas realmente boas, enquanto todo o resto do repertório é medíocre para baixo. A música que simboliza a decadência da Gust Sound Team é certamente o tema final, com a clássica técnica de ter uma letra que conta uma história, mas badalada com uma melodia horrível e irritante.


“Fulcrum”, um dos poucos bons temas de batalha do jogo.

Cadê o botão de skip?4

Eschatology carrega a mesma proposta de seu antecessor, Atelier Ayesha: uma cena de abertura mais abstrata, temática mais obscura e um mundo mais sombrio e desolador. Isso pode ser notado inclusive pelo nome, onde um simples trocadilho com o título em japonês leva para a palavra “eschatology”, uma teologia sobre o fim do mundo. O jogo, no entanto, é um pouco diferente de continuações das sagas anteriores, por carregar uma certa dependência dos acontecimentos do título passado, ao invés de simples citações e referências.

O título apresenta dessa vez dois protagonistas, Escha e Logix “Logy”, tal como aconteceu em Mana Khemia 2. Cada um dos personagens possui suas próprias linhas de diálogos e alguns eventos distintos, mas as diferenças são tão pequenas que pode-se dizer que não chega a valer a pena mais de uma jogatina só pelo enredo.

Assim como seu antecessor, o jogo possui problemas de profundidade. Apresenta uma história que tenta se mostrar densa, mas falha miseravelmente pela simplicidade e falta de informações. O elenco possui algumas figuras bem carismáticas, mas peca nos mais importantes: o casal de protagonistas – Seus backgrounds são tão rasos que praticamente todo o resto dos personagens possuem mais relevância, dando uma enorme sensação de “é só isso?!” para o jogador.

O que ajuda a piorar a situação é o amadorismo técnico nas cutscenes: Os takes de câmera, a falta de expressão nos personagens, a já citada falta de sincronia labial e outras incoerências, como por exemplo três personagens estarem conversando mas parecer que ninguém olha para ninguém, fazem com que a já desinteressante história se torne ainda mais irrelevante para o jogador. Pode-se dizer que o único ponto que se salva, mas de maneira isolada, é o bom trabalho de dublagem dos japoneses.

Os bruxeiros?5

Eschatology possui a já conhecida deadline de alguns anos antes de terminar o jogo, independentemente do nível de progressão, mas abandona um pouco toda a liberdade dada por Atelier Ayesha e Atelier Meruru para voltar a ter um sistema mais linear como Atelier Rorona e outros clássicos da série; A cada 4 meses, o jogador precisa cumprir uma tarefa específica para prosseguir na história, que pode ser matar monstros, entregar itens ou explorar locais. Esse limite de tempo acaba exigindo um senso maior de administração de recursos e eventos, proporcionando, além de um bom desafio, maior aproveitamento do potencial do jogo.

Como já citado anteriormente, o jogo possui dois protagonistas para o jogador escolher antes de começar o jogo: Enquanto Escha é a única que pode usar a alquimia tradicional (produção de itens), somente Logy consegue forjar equipamentos e armas, além de poder realizar a alquimia reversa (extrair a matéria prima de um item). O jogo seria bem interessante se ele não fizesse o jogador ter os dois na mesma party do começo ao fim, fazendo com que, no final, essas habilidades únicas não façam a menor diferença e esse sistema de escolher um dos dois protagonistas não tenha o menor sentido.

Basicamente, o jogador precisa explorar os arredores da cidade principal, em um world map parecido com Super Mario Bros. 3 e seus pontinhos. Cada ponto acessado, por sua vez, abre outro mini mapa com vários outros pontos, e esses finalmente levam para dungeons ou terrenos. O sistema, comparado aos seus antecessores, é muito melhor balanceado em questão de tempo, pois o jogador só vai gastar dias úteis para chegar nos mini mapas e por cada ação dentro dos terrenos/dungeons, ao invés de toda e qualquer ação significar tempo perdido. O título apresenta também uma boa quantidade e variedade de locais, mas infelizmente persiste no velho problema da série em design simplorio de mais, com corredores e pedaços de terra minúsculos que não dão a sensação necessária de exploração; Coerente se for considerar o foco do jogo (obter ingredientes através de pontos de coleta e caçando monstros), mas decepcionante se for considerar um JRPG de forma geral.

Como os outros jogos da série, o jogador deve estar sempre procurando por eventos dentro da cidade ou no world map, seja para interagir com personagens, seja para conhecer mais sobre o universo do jogo, ou detalhes do enredo. Nos anteriores, era preciso vasculhar cada canto por conta própria, e por ser uma série onde o calendário anda, não fazer isso constantemente poderia resultar em perder cenas e acontecimentos para sempre, tornando toda a atividade repetitiva, monótona e frustrante para quem buscava uma partida perfeita. Felizmente, em Eschatology isso foi corrigido com um simples indicador de eventos, mostrando o local exato e até mesmo quem está envolvido nele, cortando toda a pseudo-exploração desnecessária e deixando o jogo infinitamente mais dinâmico.

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O principal sistema da série, o de alquimia, está melhor do que nunca em Eschatology. A regra básica de misturar ingredientes primários e/ou outros itens para formar desde itens de cura e ataque a itens-chave para eventos continua, mas facilitado de uma maneira que até mesmo quem nunca jogou um Atelier pode dominar as mecânicas em pouquíssimo tempo e extrair todo o seu potencial, ao mesmo tempo em que tudo está tão bem aprofundado e completo que o jogador tem o completo domínio do que quer criar. Tudo influencia no item a ser forjado: tipo de ingrediente, propriedades e até mesmo a ordem de mistura – uma bomba de gelo, por exemplo, pode ter um poder destrutivo muito maior e alguns efeitos secundários pelo simples ato de trocar a ordem da receita. O sistema é viciante e faz o jogador gastar horas a fio buscando maneiras de criar os itens em suas melhores condições.

O sistema de batalhas do jogo é outro ponto a ser destacado: Eschatology mistura as arenas 3D dos antecessores para PS3 com o ágil sistema de Atelier Iris/Mana Khemia, resultando em uma party com 3 membros + 3 reservas e confrontos alucinantes repletos de ações imediatas de suporte, defesa, substituições e combos devastadores com simples uso de uma barra especial que é preenchida por qualquer ação durante as lutas. Por conta do enorme leque de opções de ação que o jogador possui para todas as situações, isso acaba fazendo com que ele seja cauteloso quanto ao uso desses recursos, para não esgotar a barra especial quando a party precisar, por exemplo, de suporte defensivo antes de um chefão soltar um golpe poderoso.

Outra boa mudança em relação à série é o inventário. Em Eschatology, os itens consumíveis (itens de cura/suporte e bombas ofensivas) não ocupam espaço e são agora nada menos do que itens equipáveis, onde há um limite de quantidade e uso, renovados a cada retorno à cidade. Isso faz com que o jogador tenha muito mais espaço para coletar ingredientes durante uma única exploração, ao mesmo tempo em que precisa usar bem mais a cabeça para forjar e levar os itens certos para as ocasiões certas.

Em geral, a dificuldade do jogo é média-alta, exigindo do jogador bom uso dos recursos disponíveis e estar sempre buscando forjar bons itens e equipamentos. O que peca é somente o bestiário, que além de reciclado do jogo anterior, não foi ampliado de forma significativa, tendo vários monstros que se diferem apenas pela cor, sem nem precisar de outras estratégias.

O jogo apresenta as já conhecidas quests genéricas, mas agora possuem um propósito diferente: Se nos jogos anteriores, realizar os pedidos (entregar um item ou matar certo inimigo) concediam dinheiro ou fama, agora eles resultam em…guloseimas. Esses itens, por sua vez, servem para contratar os serviços de Homúnculus, que podem ser de extrema ajuda ao longo da jogatina, podendo duplicar itens ou buscar ingredientes específicos de algum terreno no lugar do jogador. Uma interessante fusão de dois sistemas já presentes na trilogia Arland, deixando-as mais bem balanceadas em utilidade/acessibilidade.

Tudo por dinheiro7

Eschatology dura entre 20 a 60 horas, dependendo do que o jogador faz: Se empenhar em apenas terminar o título, ou ver todos os eventos e terminar o jogo com os dois protagonistas para liberar todos os diferentes finais disponíveis.

Um dos sistemas secundários do jogo é o salário obtido todos os meses pelos personagens, onde tudo influencia na quantia obtida, desde o número de batalhas realizadas ao número de itens forjados. Não apenas o salário, como o dinheiro em si é um recurso importante para a jogatina, pois além da óbvia utilização para compra de itens, ele serve para adquirir melhorias nos personagens e no gameplay em geral, como aumento do limite de level dos personagens e habilidades novas de alquimia, por exemplo.

Além da tarefa principal para prosseguir na aventura, o jogador conta também com diversas tarefas secundárias, tão variadas quanto a principal, como utilizar certo item em uma batalha, forjar certo equipamento ou resolver problemas na cidade. Além de expandir o gameplay, o sistema compensa bem o jogador que busca fazer tudo, dando bônus de stats permanentes para batalhas, novas receitas e, principalmente, uma boa quantidade de dinheiro extra.

Durante a exploração de terrenos, o jogador pode também acionar alguns eventos interessantes, que podem modificar as matérias primas obtidas no local, encontrar itens com propriedades raras e até mesmo enfrentar inimigos muito mais poderosos que os comuns. Esse último em especial, além de ser um ótimo desafio e derrubar itens raros, proporcionam batalhas mais diferenciadas, como o inimigo ter recuperação de HP todo turno ou a party estar sempre com stats down durante a luta toda.

O jogo conta também com os clássicos chefões e DLCs gratuitos de dungeons extras. Infelizmente, nenhum deles proporciona uma batalha épica e verdadeiramente difícil. Isso acaba ficando ainda mais evidentes se comparados aos chefões secretos dos títulos ateriores.

Melhorou, mas…8

Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dusk Sky é um jogo que evoluiu a série Atelier como um todo, mas que não consegue brilhar como deveria: O título insiste em dar importância a uma história descartável, com protagonistas apagados e que não dão razão para estarem separados em duas jogatinas, além de uma trilha sonora que não faz jus ao excelente currículo da Gust Sound Team atual. Porém, quem fechar os olhos para esses (e outros) problemas, poderá encontrar o Atelier mais dinâmico da série, com o melhor sistema de batalhas, melhor sistema de alquimia e progressão um pouco mais linear, mas muito mais fluida que a de seus antecessores. Obrigatório para os fãs da franquia.

Nota: 8 (Quase lá)

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7 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Atelier Escha & Logy: Alchemists of the Dusk Sky

    • Obrigado por ler, Leandro!

      Realmente, nesse aspecto o 360 ficou devendo muito. Além de não ter muitos do gênero, o console em si freou em lançamentos, ao contrário do PS3 que não para de lançar coisas.

    • E aí Samu!

      Cara, oficialmente, pelo que eu saiba, não tem nenhum em português, mas os mais antigos devem ter versões fanlated. Hoje em dia com o mercado brasileiro em alta pode até ter chances dos mais recentes saírem por aqui, mas esses títulos de nicho como Atelier é bom não botar muita fé…mais fácil e rápido aprender inglês mesmo.

  1. Pingback: Review: Atelier Shallie: Alchemists of the Dusk Sea | Player 2

  2. Esse jogo está por menos de 50 reais na PSN durante esta semana. Gosto de RPG’s e tinha ficado curioso com esse. Depois de sua análise, creio que vou comprar. Detalhe: nunca joguei nada de Atelier, apesar de gostar do gênero. Abraços

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