[Tomio’s Review] Dragon’s Crown

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Nome: Dragon’s Crown
Gênero: Beat’em up, RPG
Produtora: Vanillaware
Plataforma(s): Playstation 3, Playstation Vita
Versão analisada: Playstation 3, japonesa

Coroa do Dragão2

Dragon’s Crown (DC) é o mais recente título da Vanillaware, produtora de clássicos como Odin Sphere (Playstation 2) e Muramasa (Nintendo Wii, Playstation Vita), para Playstation 3 e Playstation Vita.

Galeria ambulante3

Assim como todos os outros trabalhos da produtora, DC é um jogo em perspectiva bidimensional que chama a atenção do jogador logo de cara pela sua belíssima apresentação artística: os personagens, cenários e inimigos mais parecem uma concept art em movimento do que um jogo propriamente dito. O aspecto que mais ajuda a deixar as coisas ainda mais impressionantes é a suavidade da movimentação, à atenção dada a cada frame, a cada sprite.

Tecnicamente, DC é um jogo muito bem acabado, com tudo em alta definição, framerate estável, livre de loadings chatos e com bons efeitos visuais.

Outro ponto forte do jogo é a trilha sonora: uma imponente OST orquestrada com uma pegada mais “oldschool” faz com que o jogador se sinta realmente dentro de uma grande e fantástica aventura.

Os mistérios do reino4

DC é mais um daqueles jogos que não dá muita atenção ao enredo, usando-o apenas de pano de fundo para o que realmente iteressa: o gameplay. Apesar de bem simples, a história apresentada é bem interessante de se acompanhar.

O mais interessante de tudo é que a história é contada por um narrador, lembrando um mestre de RPG de mesa, ou mesmo um simples contador de histórias. Por conta disso, nenhum personagem dialoga diretamente. Para iniciar a aventura, o jogador conta com seis personagens distintos, que apesar de suas motivações para estarem na aventura serem diversas, em nada afeta no desenrolar da trama; Ruim para quem esperava por algo mais aprofundado, ótimo para quem quer saber sobre tudo do jogo sem precisar encarar várias jogatinas e/ou informações fragmentadas.

Só mais uma ficha!5

DC é uma mistura de Beat’em up, gênero em baixa hoje em dia, com alguns elementos de RPG. Apesar de já existirem jogos como Dungeon & Dragons e King of Dragons, o trabalho da Vanillaware é muito mais aprofundado e bem sucedido quando o assunto é a mistura dos dois gêneros. São seis personagens para o jogador escolher: Guerreiro, Mago, Feiticeira, Elfa, Anão e Amazona. O nível de distinção de jogabilidade entre cada um deles é tão gritante que o jogador é praticamente obrigado a se dedicar apenas a um e permanecer com ele por um período para só então dizer com propriedade que sabe jogar com algum deles. Um ponto que deixa isso ainda mais evidente é a árvore de evolução dos personagens: ganhando níveis ou concluindo sidequests, o jogado tem acesso a limitados pontos de habilidades, que podem moldar uma mesma classe em vários estilos de jogo diferentes. É bem gratificante ver que cada ponto investido em alguma característica realmente faz a diferença e deixa o personagem gradativamente mais poderoso e com um leque de ações cada vez maior.

Por exemplo: o personagem utilizado para essa análise foi o Anão, classe forte e resistente, com skills especializadas em golpes especiais e arremessos. Um mesmo Anão pode ainda ser especializado em ataques aéreos e utilização de explosivos, um mais equilibrado com um pouco de tudo, ou qualquer outra combinação diferente. Mais tarde, foi testado o gameplay com cada um dos outros personagens, e os resultados foram catastróficos, pois não importa quanto tempo foi dedicado ao Anão; A experiência adquirida pouco adiantou para a complexibilidade dos tempos de conjuração de magias do Mago ou para administrar a quantia limitada de flechas da Elfa, citando apenas duas das outras classes.

Outro destaque vai para o balanceamento do jogo, já que há personagens mais voltados para coop enquanto outros conseguem aguentar mais o tranco sozinhos, mas todos têm seus altos e baixos, sem ter nenhum em destaque ou defasado.

A navegação de DC é feita basicamente em uma cidade – nela, o jogador pode trocar seu personagem, comprar itens e trocar equipamentos, aceitar novas sidequests, escolher alguma fase e/ou prosseguir na história. Até aí nada especial, já que o que importa mesmo é na hora da ação durante as fases; Nelas, o bom design é evidente, com inúmeras passagens opcionais, armadilhas e inimigos bem posicionados (esses últimos, apesar de não serem estratégicos, são bastante agressivos). O jogo possui tudo que um bom beat’em up clássico tem, como variedade de situações, armas temporárias espalhadas pelas salas, itens que recuperam energia, montarias e sistema de pontuação, com direito a ganhar vidas extras dependendo da quantia. Exploração também não falta, já que os estágios também guardam vários tesouros escondidos, onde o jogador precisa procurar guiando um cursor pela tela, runas mágicas nas paredes que causam vários efeitos diferentes dependendo da combinação certa (como dinheiro extra, vida extra ou um ataque especial de área) e vários baús que guardam equipamentos diversos, onde o nível de raridade (e consequentemente de utilidade) depende de vários fatores, como sua localização, por exemplo.

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O jogo é basicamente dividido em duas partes: de início, conta com nove fases, inimigos fixos e dificuldade baixa, mas é a partir daí que DC realmente começa, liberando o modo online, uma nova rota para cada estágio, dificuldade muito maior, inimigos aleatórios na maioria das salas e a possibilidade de jogar as fases de modo aleatório e/ou seguidas umas das outras, como se fosse os antigos beat’em ups de arcades. Tudo isso ajuda a deixar cada jogatina com um ar diferenciado e eleva o fator replay a níveis inimagináveis, pois é muito fácil viciar no jogo e buscar prolongar cada vez mais sua jornada por bônus cada vez melhores, pois quanto mais tempo o jogador fica sem voltar para a cidade, maiores as chances de bons tesouros e maior a experiência adquirida.

Quando o jogador encara sessões com várias fases seguidas, ele possui a opção de trocar sets prontos de equipamentos, recurso muito útil para poder adequar o personagem a cada fase, além de evitar que os equipamentos se quebrem pelo desgaste e comprometa o desempenho. Há também alguns minigames de preparar comida, garantindo bônus como HP extra, mais pontos ou até mesmo aumento temporário de stats para as próximas fases.

A cada final de fase, o jogador precisa encarar uma luta contra um chefão. Todos eles são bem diferenciados e desafiadores, indo desde um (aparentemente) inofensivo coelhinho branco a um gigantesco dragão vermelho. O mais interessante deles é que a metade oferece a opção de não enfrentá-los, seja fugindo desde o começo ou esperando um tempo para que a fuga aconteça automaticamente. Lógico, isso traz diversas consequências negativas, mas não deixa de ser uma boa opção para quem ainda está muito fraco, mas não quer perder todo o progresso tentando derrotar um inimigo quase impossível.

O único ponto negativo do jogo fica para a inteligência artificial dos NPCs que acompanham o jogador. Adquirir os personagens em si é bem diferenciado e divertido, já que é preciso coletar esqueletos pelas fases (no contexto, são aventureiros que morreram no meio do caminho) e revivê-los através da igreja na cidade, podendo encontrar vez ou outra até mesmo NPCs baseados em outros jogadores do modo online que morreram. O problema é que eles possuem o dom de cair em todas as armadilhas e tomar todos os golpes esquiváveis dos chefões em toda e qualquer fase que eles participam. Outro ponto ruim deles é o fato de não possuirem mais de um set de equipamentos (exceto os oriundos de players), e nem dão opção de customização, fazendo com que longas jornadas com eles sejam inviáveis devido ao desgaste de seus equipamentos.

Destruindo vidas sociais7

DC tem um tempo de duração que varia muito dependendo do jogador: terminar com apenas um personagem pode durar entre 20 a 25 horas fazendo todas as sidequests. Após o término, vai abrindo ainda mais níveis de dificuldade, que aumentam o limite de níveis do personagem, e consequentemente, o número de skills que podem ser adquiridas. Dominar completamente uma classe, portanto, pode demorar muito mais do que possa aparentar.

As sidequests são tarefas simples, mas variadas, como derrotar chefes sem a ajuda de NPCs, coletar itens, derrotar um certo número de um inimigo específico ou até mesmo resolver pequenos puzzles durante as fases. Essas quests, além de liberarem preciosos pontos de skills, abrem belíssimas artworks e pequenas lendas que acompanham cada ilustração, uma boa motivação extra para terminar todas e completar a galeria de arte.

O jogo possui também o já citado online, onde os jogadores conectados podem jogar em coop em partidas de outras pessoas, “caindo” no meio das fases como se fosse um legítimo fliperama ou organizando as partidas antecipadamente entre amigos. DC tem também a rara opção de ser jogado em coop offline, ótima para quem tem com quem jogar em casa. Vale lembrar que é no coop (off ou online) que o jogo mostra seu verdadeiro potencial, com o domínio sobre as mecânicas e personagens exigidas ao extremo para vencer desafios em níveis avançados, deixando as partidas ainda mais intensas.

Para quem ainda não ficou satisfeito com tudo que o jogo oferece, ainda há o Labyrinth of Chaos, uma dungeon de 99 andares (cada andar tem o tamanho de uma fase) e até mesmo um chefão exclusivo. Nele, tudo é aleatório, desde cenários e inimigos a itens e armadilhas. Para completar, chefões podem aparecer como inimigos comuns no meio dos estágios em andares mais avançados, tornando esse extra o desafio definitivo dos mais viciados e o opcional mais divertido que a própria main quest.

“Porradaria”8

Dragon’s Crown é a prova viva de que o gênero beat’em up ainda tem muito a oferecer. Facilmente um dos melhores jogos do gênero e um dos destaques de 2013.

Nota: 9,8 (Luxo)

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5 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Dragon’s Crown

  1. Muito boa análise Tomio. Uma pena que o jogo não oferece uma história intrigante para um consumidor como eu, ávido por novas tramas. Mas acredito que seria pedir demais para um jogo de gênero beat’em up. O que me impressiona de fato e o único ponto a ser levado em consideração por mim, é a artwork se encaixar perfeitamente ao contexto do jogo, criando uma orgasmo visual único.
    Se o jogo demora em torno de 20 a 25 horas de jogatina, incluindo as sidequests, quanto tempo demora se for terminar o jogo apenas fazendo a storyline? Ou é indispensável fazer as sidequests? Digo isso pois eu não tenho muito tempo para ficar me dedicando aos extras que um jogo oferece. Isso faz com que eu tenha que dar preferência apenas na história, como já havia dito antes.
    E fugindo um pouco do assunto do post, vocês irão fazer um apanhado geral do ano de 2013? Um top 10 dos melhores jogos do ano passado, os melhores momentos, notícias, indies, etc etc? Seria interessante ver quais seriam os top 10 de cada blogueiro daqui, incluindo o seu Tomio. Ou talvez uma enquete para a galera votar. Só dando uns pitacos.

    • Opa, tudo bom, Alkapile? Muito obrigado por ler a análise e pelo elogio!

      Olha, eu diria que apenas terminar o jogo não deixaria as coisas muito mais rápidas assim, já que as sidequests, como dito no texto, dão pontos de skills que deixam o jogo menos difícil. Fora que repetir as fases por elas (e parte da própria recompensa) também dão pontos de experiência para subír o nível do personagem. Sem tudo isso, você vai precisar gastar um bom tempo com grinding, o que no final das contas daria quase na mesma. Então aconselho você fazer as tais quests bonitinho, que além de evoluir mais adequadamente, vai poder curtir todos os mini-contos que cada artwork ganha possui. Tem umas historinhas bem legais nelas.

      Olha, sobre o apanhado geral de 2013, estamos tentando trabalhar nele, apesar de estar um pouco complicado no momento. Assim que tivermos material para artigos ou enquetes, liberamos aqui. Se você quiser posso listar pelo menos o meu top 10 aqui sem problemas =P.

      • Que bom. Espero que vocês possam concluir esse apanhado geral de 2013. Estarei esperando ansiosamente por ele. O mesmo vale para o rank dos melhores jogos que cada um dos blogueiros jogaram, isso se vocês forem fazer. Ademais, agradeço por ter respondido as minhas dúvidas. Passar bem.

  2. Pingback: [Consciência Gamer] Seios, feministas e a sociedade do “sim ou não” | Jogador Pensante

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