[Neto’s Review] Broken Sword 5: The Serpent’s Curse

“Nothing was what it seemed. On a trail of corruption and greed, we had stumbled on a murderous conspiracy.”

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Produtora: Revolution Software

Publisher: Revolution Software

Plataformas: PC, PS Vita, iOS, Android

Versão jogada para análise: PC

Broken Sword 5: The Serpent’s Curse é (obviamente – ou nem tanto) o quinto jogo da série Broken Sword, um dos maiores expoentes do gênero adventure point and click. O projeto foi animado pelo KickStarter e saiu de forma episódica para PC: o primeiro veio agora, em dezembro, enquanto a segunda parte é aguardada para o início de 2014. O PS Vita e os sistemas Android e iOS receberão o jogo em algum momento do ano que vem.

A série quase sempre girou em torno de conspirações envolvendo os cavaleiros templários, porém The Serpent’s Curse traz outro grupo e outras conspirações.

George Stobbart, um dos protagonista da série, ao passar dos anos.

George Stobbart, um dos protagonista da série, ao passar dos anos.

A maldição

The Serpent’s Curse gira em torno de uma distinta obra de arte chamada La Maledicció, pintada por um desconhecido chamado El Serp. A tela é ficcional, porém cheia de alusões a um grupo chamado Gnósticos, uma espécie de seita religiosa.

O jogo começa com uma cena mostrando a tela sendo roubada pela primeira vez, no início do século XX, na Espanha. Logo chegamos ao presente, com os conhecidos George Stobbart e Nico Collard, protagonistas da série, em uma exibição de arte onde La Maledicció se encontra pendurada na parede.

Como sempre, os dois atraem para si próprios destinos terríveis e mais uma vez a tela é roubada e o dono da galeria é morto. Stobbart, sendo o responsável pelo seguro da exposição, se sente impelido a fazer sua própria investigação, junto com a jornalista Nico Collard, longe dos olhos e das mãos da polícia.

Nico e George

Nico e George

O jogo é grandemente movido por seu enredo. Em jogos point and click não temos uma complexidade tão grande de mecânicas e grande parte deles somos atraídos pelas suas histórias e também por artes de cair o queixo. Quem não se lembra de Full Throttle, por exemplo? Ou Monkey Island? Apesar de terem características que os separam, sabemos que o enredo é possivelmente o maior motivador.

Broken Sword 5: The Serpent’s Curse não foge disso e nos apresenta a personagens fascinantes a todo o momento. O destaque fica pelo detetive Navet, uma espécie de Clouseau (aquele da Pantera Cor-de-rosa), todo atrapalhado mas que acha que é o maior especialista criminal de todos os tempos.

Os diálogos do jogo são o ponto alto, indo de informações intrigantes ao mais bobo comentário, que sempre rende boas risadas. Broken Sword felizmente traz uma boa mistura de mistério e humor, nos deixando sempre querendo descobrir mais a respeito do suspense da trama e também ávidos por ouvir tudo o que os personagens têm a dizer, seja a respeito de um pedaço importante de uma obra de arte ou de uma barata presa em uma caixa de fósforos (essa me rendeu risadas em todas as situações).

O inspetor Navet e seu "faro muito apurado para resolver crimes" (sqn).

O inspetor Navet e seu “faro muito apurado para resolver crimes” (sqn).

A serpente

The Serpent’s Curse segue à risca o manual mais tradicional de adventures point and click. O jogo não se vale em momento algum de outro comando que não seja mover o mouse e clicar. Ao mover o cursor pelo cenário, podemos interagir com objetos predeterminados em momentos distintos, com basicamente três ações: olhar (o cursor vira um olho), interagir (engrenagens), pegar (mão), sair/entrar (mão apontando) e examinar (lupa).

Olhando, podemos ouvir os pensamentos de Stobbart ou Collard acerca do objeto em questão. Normalmente essa ação não significa grandes avanços, ela por si só quase nunca vai ajudar. A maioria dos objetos que não fazem muito sentido para a trama só possuem esse tipo de interação, nos dando informações sobre alguém ou alguma situação.

Ao interagir com objetos, podemos modificar o andamento das coisas e fazer com que eventos diferentes ocorram, chamando a atenção de alguém ou ativando algum puzzle. Também é o ícone que indica a interação de algo que temos nas bolsas infinitamente gigantes de Nico e George.

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O cursor em forma de lupa nos permite examinar mais de perto alguma coisa, como uma escrivaninha ou alguma parte específica do cenário. Ideal para coletar evidências e fazer um exame mais minucioso.

Para se avançar em Broken Sword, o jogador deve fazer uso somente de seu intelecto (ok, e um pouco de coordenação motora para levar o mouse até o local certo) e de um pouco de capacidade lógica. Juntar itens e fazê-los se tornar outros para utilizar em alguma ação é basicamente tudo o que o jogo vai exigir, além de olhos atentos ao cenário para realizar investigações.

Falar com os personagens também é peça chave para o andamento da história. Nesse caso, porém, não há aplicação alguma de inteligência. Deve-se simplesmente conversar até não haver mais opções e então a história prosseguirá. Talvez a série deveria ter evoluído um pouco nesse ponto, fazendo as conversas ficarem um pouco mais interativas e terem um peso maior. Do contrário, o ideal é ter paciência para continuar a conversa até o fim (ou bom humor, visto que as conversas sempre têm bastante tom de ironia, além de serem informativas – até mesmo com fatos sobre os locais reais, como Paris, a cidade principal do jogo).

A espada quebrada

Broken Sword traz um estilo artístico lindo em seus cenários. Feitos em 2D com desenhos à mão, é difícil não se encantar por cada cantinho e cada minúcia desenhada. O esmero é soberbo e é muito difícil esse não ser o destaque.

Ao contrário dos cenários, os personagens são em 3D e isso provoca, em alguns momentos, uma certa estranheza, porque dependendo do local a divergência entre o cenário e os modelos dos personagens é gritante, especialmente quando a visão do cenário é muito grande e os personagens aparecem bem menores na tela.

O trabalho artístico é um dos pontos altos da série.

O trabalho artístico é um dos pontos altos da série.

O trabalho de voz do jogo é muito bom, mas varia um pouco do notável ao passável. Mas certamente é um ponto alto. Talvez pelo baixo investimento do jogo, que dependeu de ajuda do Kickstarter, um trabalho melhor não pôde ser feito.

Quanto às músicas, não são memoráveis e na maioria das vezes ouvimos calmas melodias, quando não são o som ambiente.

Robert Langdon digital

Se você gosta de um suspense metido à policial só que misturado com conspirações místicas envolvendo obras de arte e sociedades secretas, eu não sei por que você ainda não conhece a série Broken Sword.

The Serpent’s Curse é um jogo extremamente nostálgico, carregado daquele clima de adventure dos anos 90. A Revolution Software sabia como agradar seus mais antigos fãs e não fez diferente da fórmula que consagrou a série.

Ideal para os pacientes e investigadores, The Serpent’s Curse sofre de alguns probleminhas, como o ritmo lento, diálogos com estranha demora entre as falas dos personagens e impossibilidade de pular animações (uma segunda jogada até o fim do jogo só é pensada por mim daqui um longo tempo), além do jogo priorizar muito mais os diálogos com os NPCs do que a resolução de puzzles (especialmente no início do jogo, pois a reta final nos coloca em situações muito mais investigativas e interativas com o cenário.

Mas esses problemas não foram capazes de ofuscar o jogo, que termina no seu clímax, deixando um gostinho de quero mais. Espero ansiosamente a segunda parte (que venha logo!). Talvez seja a nostalgia falando mais alto, mas Broken Sword 5: The Serpent’s Curse é um grande jogo, e uma grande entrada a uma das séries mais emblemáticas do gênero adventure.

Broken Sword, é bom ter você de volta!

Broken Sword, é bom ter você de volta!

O melhor: Broken Sword is back, bitches!

O pior: O jogo demora para engrenar na investigação, investindo demais em diálogos para solucionar mistérios.

Nota: 8,5/10,0

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2 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Broken Sword 5: The Serpent’s Curse

  1. Boa análise.

    É legal ver que ainda tem P&Cs mais clássicos igual esse sendo lançados…tava meio receoso da onda atual de “Adventure-QTE” pegar e substituir o bom e velho adventure. Pegarei pro Vita, se pá.

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