[Félix’s Review] Beyond: Two Souls

Categoria: Adventure

 Produtora: Quantic Dream

Distribuidora: Sony

  Plataformas: PS3

Chegou a hora de conhecer a  extraordinária vida de Jodie Holmes

Chegou a hora de conhecer a extraordinária vida de Jodie Holmes

Quantic Dream tem em seu histórico a produção de jogos que sempre dividem a opinião do público e de crítica. Seus títulos dirigidos  David Cage, levam o espirito cinematográfico que já é bem comum na industria atual de games, as últimas consequências. Em 2005, foi lançado Indigo Prophecy (PS2,XBOX e PC), jogo que contava a jornada de Lucas Kane , um homem comum que passa a ser o principal suspeito de uma série de assassinatos em Nova York. Em sua jornada para limpar seu nome e compreender o que estava acontecendo ele embarca em uma missão repleta de eventos paranormais para salvar o mundo.

Em 2010, já no Playstation 3, o estúdio lançou Heavy Rain, disparado um dos maiores sucessos do console e a produção mais bem sucedida da Quantic Dream. Aqui o paranormal foi deixado de lado e passamos a acompanhar o mistério por trás do Origami Killer, controlando diversos personagens na busca da solução desse mistério. Por fim, em 2013 foi a vez de Beyond: Two Souls finalmente ser lançado. O game conta com atores de peso como Ellen Page e Willem Dafoe na jornada que lida com temas como a dor da perda e vida após a morte.

Para começar a falar de Beyond: Two Souls é preciso deixar claro que o título não se trata de um game convencional, e com toda certeza é fácil achar motivos para não gostar dele se quiser procura-los. Esse fato não é novidade alguma para Quantic Dream que já é uma produtora acostumada com a divisão de opiniões assim como a Rockstar esta acostumada com polêmicas quando lança um novo  Grand Theft Auto.

Para quem já jogou algum título do estúdio e gostou, Beyond: Two Souls é um jogo que muito possivelmente irá agradar. Para o público que não se agradou dos títulos passados da produtora, é bom não esperar que Beyond seja diferente, porque ele não será. Basicamente o jogo foi feito para o público que já seque Quantic Dream e já aprecia seus jogos. Nunca jogou nenhum título dela? Talvez Beyond não seja a melhor escolha pra começar.

Ellen Page da vida a Jodie Holmes

Ellen Page da vida a Jodie Holmes

Beyond: Two Souls apresenta a protagonista Jodie Holmes, uma garota que desde que nasceu convive com a presença de uma entidade invisível que esta sempre ao seu redor.  Jodie chama a entidade de  Aiden e juntos possuem uma relação de amizade e cooperação, mesmo que ela não saiba explicar as origens desse ser. O jogador assume o controle tanto de Jodie, onde o jogo decorre com visão em terceira pessoa, como também de Aiden. Nesse caso o jogo passa para visão em primeira pessoa e podemos controlar Aiden livremente pelo cenário, flutuando para cima e para baixo, atravessando paredes e movendo objetos.

O foco do jogo é sua história, sua narrativa intensa e cheia de sentimentalismo. A atmosfera do jogo munda constantemente e varia de forma muito interessante.  Enquanto em Heavy Rain a melancolia estava presente quase que em todo jogo, em Beyond, ela dá uma trégua de vez em quando e permite que o jogador tenha momentos mais descontraídos e as vezes até cômicos. É interessante como Aiden, um ser sem aparência, sem matéria, que não fala, e nunca é visto pelo jogador, consegue se expressar em toda aventura. Aiden pode ser assustador, desprezível, encantador ou até mesmo engraçado nos diversos contextos da história. Prepare-se para se emocionar e dar risadas de um trecho do jogo para o outro.

A história é narrada de uma forma também muito interessante. O diretor não segue uma linha de começo, meio e fim e sim oferece os eventos embaralhados. Por exemplo, começamos a história em uma sequencia que ocorre na segunda metade da vida de Jodie, com ela adulta em uma delegacia após ser encontrada vagando na floresta sozinha. O jogador não compreende o que aconteceu, como ela chegou ali e nada do que acontece em seguida. Logo após a misteriosa introdução já voltamos no tempo e estamos controlando a Jodie ainda criança, fazendo testes em um laboratório.

Para evita confusão na ordem dos eventos, no menu do título e nas telas de loading entre um trecho e outro do jogo existe a timeline de Beyond. Lá existe um risco andulante que conforme o jogador avança nos trechos do jogo vai sendo preenchido em ordem, desde a infância até a  vida adulta de Jodie.  Essa timeline além de explicar a ordem dos eventos também serve como seleção de fases. Ali o jogador pode repetir qualquer uma das fases já jogadas como desejar. Essa forma embaralhada de contar os eventos serve também para guardas importantes revelações do jogo. Quando estamos na reta final e observamos a timeline completa, tudo passa a fazer sentido e eventos da infância de Jodie explicam situações da vida adulta da personagem.

Jodie Holmes na misteriosa introdução de Beyond: Two Souls

Jodie na misteriosa introdução de Beyond: Two Souls

A jogabilidade de Beyond: Two Souls funciona de duas formas. Quando assumimos Jodie e quando assumimos Aiden. É bom deixar bem claro, que Jodie e Aiden cooperam e não que Jodie controle Aiden. Em momentos x do jogo Jodie consegue impor sua vontade sobre a da entidade, mas não é algo fácil para ela e a deixa realmente desgastada. A relação de ambos funciona com Jodie pedindo a Aiden que faça algo e a entidade fazendo ou não. Quando estamos jogando com Jodie exploramos os cenários, conversamos com personagens e por diversas vezes lutamos. As lutas de Beyond: Two Souls trocam as QTEs de Heavy  Rain para uma evolução da mecânica de Indigo prophecy onde realizamos Ações com movimentos no analógico.

Quando estamos em uma sequência de combate,fuga, etc, precisamos observar o movimento da ação de Jodie de forma atenta. Quando o jogo ficar em slow motion é preciso avaliar que movimento Jodie esta fazendo e reproduzir ele com o analógico. Por exemplo, Jodie esta dando um soco para direita, precisamos mover o analógico na mesma direção ou ela irá errar o golpe. As coisas se complicam mais ao decorrer do jogo mas nada muito complexo. O sistema de combate  é bem simples e intuitivo.

No controle de Aiden, o jogador pode se mover livremente pelo cenário, atravessar objetos, pessoas, paredes e observar tudo que ocorre ao redor. Aqui é possível desde mover objetos, abrir portas pra Jodie, empurrar coisas como também,possuir inimigos e assumir o controle sobre eles. Essa é uma das habilidades mais divertidas de Aiden. Além disso é possível  reviver lembranças de pessoas e até mesmo se comunicar com elas usando Jodie em conjunto. Em diversos momentos será necessário usar as habilidades tanto de Jodie como de Aiden  para poder sobreviver. Ainda mais, que Aiden não é a única entidade do jogo, e as outras não são tão amigáveis. Pelo contrário, desejam eliminar Jodie, e apenas Aiden pode combate-las.

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Jodie em ação

Podemos dizer que Jodie Holmes possui uma vida muito emocionante. Diversas jornadas são percorridas pela personagem em todo o jogo. Jodie ao longo da sua vida trabalha de agente secreta do FBI, atua em operações militares, se torna fugitiva número um, faz parte de uma guerra espiritual travada no deserto, se torna moradora de rua e outras várias desventuras. Isso aliado a narrativa fragmentada do jogo permite uma excelente variedade ao título. Nunca nos sentimos presos a mesmice e o jogo consegue prender a atenção de quem joga no momento que pressiona para começar o jogo pela primeira vez. Todos os extraordinários eventos são muito bem amarrados e fundamentados garantindo um excelente final ao jogo, ou melhor, finais. Já que como de costume da produtora a trama tem diversos desfechos.

Um problema em Beyond: Two Souls são as escolhas feitar pelo jogador. Elas poucas vezes afetam de verdade o rumo dos eventos e acabam estando ali apenas para dar a impressão de controle sobre a história ao jogador. Porém nas poucas vezes que a escolha realmente afeta eventos, podemos desfrutar de grandes e divertidas sequências no jogo. Outro ponto negativo consiste no fato de não existir game-over. Bem, Heavy Rain já não possui também, porém nele haviam múltiplos protagonistas que poderiam morrer se o jogador não fizesse as escolhas certas e completasse as QTEs. Em Beyond, quando erramos algum comando em uma luta por exemplo, Jodie sofre danos, é feriada mas apenas isso. Assumimos o controle de Aiden que trata de salvar Jodie se o jogador não consegue. Na reta final isso muda, e a punição é mais severa, porém até lá é possível sentir-se desanimado com a baixa dificuldade.

Willem Dafoe surpreende em Beyond: Two Souls

Willem Dafoe surpreende em Beyond: Two Souls

Beyond: Two Souls é um dos títulos mais bonitos e impressionantes visualmente do Playstation 3. O trabalho de captura de movimento facial e corporal realizado para o jogo permitiu um excelente resultado. As expressões faciais do elenco aliado a um excelente trabalho de modelagem e texturas acabam por trazer ao console da sony um dos títulos mais realistas visualmente já vistos. Além dos diversos efeitos de texturas, reflexos e iluminação dos cenários. A trilha sonora composta por ninguém menos que Hans Zimmer e Lorne Balfe é simplesmente incrível. A dublagem de todo elenco é tão natural que por vezes esquecemos que se trata de apenas polígonos na tela.

Por fim, Beyond: Two Souls é mais um grande título para o Playstation 3. Com uma história muito interessante, repleta de excelentes personagens vividos por um grande elenco, um dos melhores gráficos vistos na atual geração, jogabilidade variada e divertida e uma trilha sonora marcante, o título escorrega apenas por apresentar poucas decisoes reais ao jogador e ser fácil de mais. Na somatória, as qualidades superam os problemas e Beyond se torna uma excelente opção para fãs de adventure e boas histórias.

Nota: 9/10

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