[Tomio’s Review] The Last of Us

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Nome: The Last of Us
Produtora: Naughty Dog
Gênero: Ação, Aventura, Sobrevivência
Plataforma(s): Playstation 3
Analisado na linguagem: Inglesa

Os últimos de nós2

The Last of Us é o mais recente título da Naughty Dog para Playstation 3, produtora de Uncharted, também para Playstation 3, e da série Jak, para Playstation 2.

A beleza da destruição3

The Last of Us, assim como a série Uncharted, mostra todo o talento da Naughty Dog e o potencial do Playstation 3. Apesar de possuir texturas mais simples e ambientes menos coloridos devido a, respectivamente, o fator exploração maior e à ambientação, o jogo é um verdadeiro show visual, com toda sua parte artística sendo apresentada de forma magistral, com um cuidado aos detalhes que poucos jogos apresentam. Os detalhes na movimentação de personagens, objetos espalhados pelos cenários, referências ao mundo real e todos os diversos efeitos impecáveis (como iluminação e água) só contribuem para uma experiência fotorrealista. Sair de uma casa escura e ser ofuscado pela luz do sol, necessitando esperar alguns segundos para os olhos do personagem se acostumarem e a visão voltar ao normal, é apenas um dos momentos que poucos jogos trouxeram (e trarão) ao jogador.

Vale também destacar a violência explícita do jogo, se diferenciando muito dos últimos trabalhos da produtora. Pernas e braços voarem e cabeças explodirem é só uma porção do que o lado artístico do jogo tem a oferecer. O ar hostil que ronda o universo do título faz com que todas essas ações tenham, pelo menos, sentido. Por conta disso, dar um tiro de escopeta a queima-roupa nunca foi tão gratificante. O único aspecto que deixa a desejar são as poças de sangue formadas após matar os inimigos, que diferente dos rastros e espirros de sangue durante os confrontos, aparentam ser um “sangue.jpg” embaixo dos corpos.

As vezes, o jogo demora um pouco na tela de loading antes de começar uma partida, mas felizmente é nada que seja intolerável, até porque após essa tela, o jogo praticamente roda sem carregamentos (a versão aqui testada apresentou apenas um pequeno carregamente no meio da campanha). O framerate também não é muito estável, pois há momentos que ele cai levemente. Perceptível, mas nada que prejudique a jogatina (em momentos de ação e tensão intensa, por outro lado, nunca apresentou problemas do tipo).

Na parte sonora, o jogo traz uma boa trilha, que dá bastante ênfase para batucadas tribais e violão. Mas o destaque mesmo fica para os momentos sem nenhuma delas, ou seja, o completo silêncio. A ausência de músicas, somada ao impecável trabalho de som ambiente, faz com que a ambientação pós-apocalíptica fique ainda mais intensa.

A selva de pedra4

The Last of Us se passa em um mundo devastado por um fungo parasita, que literalmente consumiu quase toda a humanidade. O fungo em questão, Cordyceps, é na verdade um organismo que existe na vida real, mas que afeta somente insetos. Você pode conferir mais detalhes no Wikipedia americano  e/ou nesse vídeo do BBC (também em inglês):

No jogo, Joel e Ellie, os protagonistas, partem para uma jornada que pode significar uma esperança para o que sobrou da humanidade. Apesar do resumo (livre despoilers) fazer o jogo aparentar ser simples em termos de enredo, The Last of Us mostra todo seu potencial através da narrativa crua e direta, aliada a um elenco bem áspero. Os sentimentos dos personagens, as decisões tomadas, as relações entre eles, os acontecimentos…tudo isso nunca foi tão bem representado, tudo nunca ficou tão natural e identificável em um videogame. A experiência é tão intensa que o jogo sequer se esforça em passar algum tipo de drama, de tensão ou emoção, pois tudo isso é despertado diretamente dentro dos jogadores. Esses aspectos, somados às personalidades únicas de Joel e Ellie, ao impecável trabalho de dublagem e o combo prólogo- epílogo de perturbar qualquer pessoa, faz com que The Last of Us tenha, no mínimo, os postos de “Melhores protagonistas de videogame já criados” e “melhor narrativa em um videogame” garantidos.

O universo do jogo é outro ponto em destaque. The Last of Us é, certamente, um dos jogos que melhor representa o tema “pós-apocalipse”. O orgânico predominante, o instinto individualista do ser humano, o perigo desconhecido, as dificuldades de se viver em um mundo onde a tecnologia foi praticamente perdida; tudo é representado da forma mais natural possível, contribuindo diretamente para a imersão.

Brincando de escoteiro5

The Last of Us é basicamente um jogo de ação e aventura em terceira pessoa nos moldes de um game de sobrevivência, ou seja, é preciso explorar bem áreas, coletar itens e usá-los nos momentos certos.

A exploração do jogo é muito bem aplicada e bem intensa. Joel e Ellie são jogados em um mundo semi deserto, com ruas, campos, prédios e casas (quase sempre) abandonados, podendo conter diversas coisas, como materiais para criação de itens e munição, por exemplo. Apesar de não ser open world, o título é bem generoso, com terrenos enormes e design complexo, muitas áreas opcionais e até secretas, fazendo com que a atividade se torne bastante prazerosa. Vale tudo para vasculhar todas as localidades do game: nadar, criar plataformas, mover escadas, abrir portas e até mesmo dar uma mãozinha pra Ellie subir em locais mais altos. O único ponto fraco dessa parte do jogo, é que nem sempre há um indicador de onde é preciso ir para prosseguir. Isso quer dizer que, pensando inversamente, se o jogador está explorando uma área e sem querer aciona a progressão da história, corre o risco de não poder mais voltar para o local anterior. Felizmente, isso ocorre poucas vezes, pois geralmente o jogo coloca indicadores em forma de personagens NPCs indo na frente, locais onde visívelmente não é possível retornar depois ou até mesmo dicas dadas diretamente pelo sistema.

Outro sistema-chave para a sobrevivência é o crafting, ou a criação de itens. Coletando materiais pelo cenário, Joel consegue criar os mais diversos itens, desde uma útil bomba de gás que limita a visão dos inimigos até um precioso kit de primeiros socorros, necessário para recuperar energia. O sistema é simplificado e fácil de ser dominado logo de primeira, mas nem por isso a vida dos personagens é fácil, pois cada um desses materiais são raros. Por conta disso, o jogo se torna um interessante teste de perspicácia, bom senso e administração de recursos, de ter em mãos o necessário na hora certa e querer sempre racionalizar suprimentos o máximo que puder.

Não se pode esquecer dos vários confrontos com diversos inimigos. O jogo disponibiliza uma gama de inimigos, divididos basicamente em dois grupos: os humanos e os infectados. Os humanos possuem as usuais armas brancas, de fogo e esquemas táticos, enquanto os infectados são mais agressivos e mortais se entrarem diretamente em contato com o jogador. Além da óbvia necessidade de estratégias diferenciadas para cada um, o jogo sempre coloca o jogador em terrenos e situações diferenciados, fazendo com que os confrontos nunca sejam repetitivos.

Um ponto em destaque é o realismo das batalhas. Para começar, a mira de Joel fica sempre trêmula, o que dificulta o tiroteio. Recuperar energia é outra dificuldade, tendo em vista que o personagem precisa literalmente se enfaixar para se livrar do perigo, o que necessita de tempo e de um bom esconderijo se estiver no meio do caos. Joel pode também pegar inimigos e utilizá-los de escudo humano, e é interessante observar a reação de seus companheiros, que variam desde exitar dar um tiro até a descartar o (ex) colega e descarregar o pente mesmo assim.

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A ação furtiva se faz presente também nesse jogo, e é bem intensa e completa. Em The Last of Us, vários fatores podem contribuir para um stealth bem sucedido ou não: luz, som, forma de matar, trajetória percorrida, etc. É possível, por exemplo, pegar garrafas ou tijolos espalhados pelos cenários e arremessá-los do outro lado de uma sala, para atrair a atenção dos inimigos e conseguir passar despercebido. Se o jogador preferir, pode simplesmente pegar suas armas e matar todos os inimigos presentes.

Morrer aqui é muito fácil, e o jogo não perdoa mesmo assim, fazendo o jogador voltar checkpoints um tanto distantes uns dos outros diversas vezes. Por conta disso, Joel possui um arsenal considerável a sua disposição…mas a munição, nem tanto. Os inimigos possuem uma chance aleatória de derrubar balas, mas é um fator bastante instável, pois as vezes derrubam muita munição, as vezes derrubam de uma arma que já está carregada, ou simplesmente derrubam nada. No final, o melhor a ser feito é a racionalização mesmo. O jogador conta também com o útil Modo Ouvinte, onde o personagem consegue localizar a posição exata dos inimigos através do som que eles emitem, e o combate corpo-a-corpo, que pode ser utilizado não apenas com as mãos, como também com objetos e armas brancas, ótimas pedidas para uma matança silenciosa.

O jogador também pode melhorar diversos aspectos de seu arsenal e até mesmo do próprio Joel, coletando sucatas e remédios, respectivamente. Com isso, a vida do jogador pode ser facilitada consideravelmente, aumentando, por exemplo, a eficiência das armas, a instabilidade da mira e o tamanho do life do Joel.

Agora, a inteligência artificial…apesar de ser bem agressiva e vez ou outra funcional, não é das mais “inteligentes”, botando a cabeça pra fora do cover do mesmo ponto várias vezes, partindo pra cima do jogador com uma arma de fogo como se estivesse segurando um taco de baseball, entre outras situações que chegam a ser engraçadas. A IA aliada, por outro lado, possui menos defeitos – pudera, essa foi programada para, normalmente, ser ignorada pelos inimigos, uma decisão de design não muito “bonita” para não atrapalhar o jogador. Isso significa que um infectado, que se guia pelo som, nunca vai atacar um NPC que está apenas correndo do lado dele, por exemplo. Mesmo assim, os companheiros fazem suas “artes” de vez em quando, como atacar um inimigo no meio de uma estratégia furtiva e forçar um confronto direto. Nessas horas sim, os NPCs ficam vulneráveis e o jogador pode precisar bancar a babá, mas felizmente essas situações são bem raras, além do fato de ser mais fácil eles salvarem o jogador do que o inverso.

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Jogado no hard e com exploração considerável, o jogo dura cerca de 20 horas. Após isso, ele ainda disponibiliza um new game plus, começando o jogo de novo com todos os upgrades e coletáveis do jogo anterior.

O jogo conta também, durante a exploração, com diversos elementos opcionais, como bilhetes que contam o cotidiano de várias pessoas (alguns inclusive contendo informações valiosas sobre as causas da catástrofe), medalhas de pessoas muito bem escondidas pelo cenário, salas trancadas que necessitam de itens especiais para abrir e cofres que necessitam de senhas, esses dois últimos, sempre um paraíso de suprimentos.

The Last of Us conta também com um multiplayer versus robusto e balanceado, onde o jogador deve ingressar em uma das duas facções presentes (as mesmas  facções do modo campanha) e participar de modalidades que vão além dos tradicionais mata-mata; aqui, o jogador vai confrontar outros jogadores como se estivesse vivendo o dia-a-dia de um habitante do mundo pós-apocalíptico, buscando por suprimentos ou sobreviventes enquanto luta para não morrer. Certamente, uma interessante forma de inovar o modo online.

Enquanto estiver vivo8

The Last of Us é um jogo que precisa passar pelas mãos de todos os donos de um Playstation 3. Um título completíssimo em conteúdo, onde cada elemento é apresentado de forma excepcional – seja em gameplay, seja em história. Sem dúvidas, um dos melhores games de 2013.

Nota: 9,5 (Intenso)

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7 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] The Last of Us

  1. ótimo review, observou bem as qualidades e os defeitos que eu observaria, não acrescento nem subtraio nada.

    e a nota 9,5 seria a mesma que eu daria ate o momento em que estou (usina hidreletrica)

  2. Excelente review. Detalhada, com certeza me deixaria com vontade de jogar o game.
    Felizmente, já o tive em mãos, foi uma experiência curta mas muito gratificante, todo possuidor de PS3 deve adentrar nessa história.
    Concordo com a nota dada! :))

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