[Tomio’s Review] Soul Sacrifice

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Nome: Soul Sacrifice
Produtora: Japan Studio
Gênero: Ação
Plataforma(s): Playstation Vita
Versão analisada: Japonesa

Sacrificando almas2

Soul Sacrifice é o mais novo título do pai de Megaman, Keiji Inafune, para o Playstation Vita.

Salvando ouvidos3

Soul Sacrifice, a primeira vista, lembra alguns jogos com sua arte obscura e melancólica, como NieR, da Cavia, e Demon’s Souls, da From Software. Assim como suas inspirações (ou não), o título é muito bem trabalhado nesse quesito, com design de personagens, monstros e cenários bem ambientados, com destaque para os chefões, todos imponentes e grotescos.

Na parte técnica, o jogo não é nenhum primor gráfico, mas faz bem a sua parte com um bom sombreamento, ausência de bugs, alguns bons efeitos de iluminação e ausência de carregamentos durante as partidas. Já a parte sonora é um show a parte – Composta por Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger, Chrono Cross, Xenogears e Xenosaga), as belíssimas melodias fazem com que a história fique ainda mais emocionante e as batalhas ainda mais épicas.

Salvando o mundo4

Em Soul Sacrifice, o jogador é um prisioneiro que, com a ajuda de um livro falante chamado Livrum (lembrando NieR novamente), vai desvendar os mistérios por trás do grande vilão: o mago Merlin (sim, o nome dele é Merlin, e é um mago).

O enredo certamente é um dos pontos fortes do título. A começar pelo estilo de narrativa, onde o próprio Livrum é a interface de jogo, a história, hub world (local que interliga várias fases/estágios/mundos) e personagem. Com um “quê” de Valkyria Chronicles, o jogador pode configurar seu personagem, entrar em uma missão, conversar com o próprio Livrum, ler (e ouvir) a história contada pelo autor do livro e até mesmo acessar uma parte com função de enciclopédia para saber mais das localidades, mecânicas e inimigos do jogo, tudo através do bizarro companheiro de prisão. É destacável a opcional(e manjada) função touch para folhear o Livrum, que apesar de não ser nenhuma novidade, ajuda muito na imersão.

Todos os poucos personagens do jogo são muito bem produzidos, com todo um background, motivações convincentes e reações bem humanas quanto aos acontecimentos. A história, tal como a ambientação, é bem obscura, triste e depressiva, com boas reviravoltas e muitas jogadas psicológicas que fazem o jogador pensar sobre o que deve ser feito ou não. O melhor do título é que parte disso pode ser aproveitada pelo jogador dentro do gameplay, escolhendo se quer sacrificar ou salvar as pessoas que cruzam seu caminho, modificando levemente o andamento da história em algumas partes e até a mudanças drásticas, como finais diferentes.

A já citada parte da “enciclopédia” de Livrum é outro ponto positivo, já que ela carrega uma série de informações interessantes sobre diversas coisas do universo do jogo. O destaque fica para todas as informações de inimigos, pois até mesmo os monstros possuem sua história e sua razão de estarem daquela forma. A escolha de deixar toda essa informação opcional foi um grande acerto, pois um jogo de ação pura como Soul Sacrifice precisa de dinamismo.

Sacrificando repetidamente5

Soul Sacrifice é, basicamente: Ler o Livrum até abrir uma nova missão, entrar em arenas repletas de inimigos e batalhar.

Os controles são fáceis e sem nenhum problema de resposta, tendo um botão de esquiva, um de trava de mira e outros para diversas ações, essas que são configuradas com as chamadas Oferendas, que são pedras, plantas ou pedaços de animais que, como diz o nome, servem de oferendas para evocar armas ou itens de cura. Destaque para a grande variedade de Oferendas, que suprem todas as situações e estilos de jogo, indo desde projéteis e canhões de rocha a paredes de pedra e “dopings” para movimentações mais ágeis. O jogo ainda oferece os sistemas de alquimia, que consiste em misturar duas oferendas para formar uma terceira, e a de fortalecimento, misturando duas iguais para formar uma versão mais eficiente dela.

Equipando Oferendas, o jogador já está pronto para encarar as missões. As arenas, em geral, possuem não apenas inimigos, como também vários pontos de interação, como a possibilidade de criar armas com objetos espalhados pelos locais, recarregar a quantidade de uso de oferendas sugando energia de monumentos e corpos, campos concentrados com mana que alteram os atributos do personagem que estiver dentro deles e até NPCs, como Trents que dão frutos com efeitos aleatórios e Mandrágoras que explodem ao serem estimuladas com magias. Destaque para algumas arenas que possuem características únicas, como um arquipélago flutuante onde é preciso pular em correntes de ar para mudar de ilha, por exemplo. Infelizmente, características como essa foram sub-aproveitadas, estando presente em pouquíssimas das arenas existentes.

Ao término de cada missão, um ranking de desempenho é estabelecido e, de acordo com ele, recompensas são adquiridas, sendo elas mais Oferendas e Runas. Essas últimas podem ser equipadas no personagem para causar os mais diversos efeitos, como aumento de dano, aumento de defesa ou aumento de eficiência em certa categoria de Oferenda, por exemplo. Uma boa forma de incentivar o replay.

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A ação, sendo o principal fator e mecânica do jogo, cumpre muito bem o seu papel, com batalhas difíceis e inimigos com estratégias variadas, precisando prestar atenção em padrões de ataque e quais elementos/Oferendas são eficientes para cada um, pois morrer em Soul Sacrifice é muito fácil. Um elemento interessante do gameplay, inclusive, é quando o jogador perde todo o HP, pois mesmo nesse estado ele pode influenciar na luta indiretamente, dando buffs em aliados, debuffs em inimigos e até mesmo se sacrificar para causar um dano massivo aos monstros. O destaque fica para as lutas contra chefões, em geral monstros gigantescos com vários pontos fracos que, ao serem atacados, causam diversos efeitos nos alvos, como atordoamento e até perda de membros do corpo, fazendo com que eles parem de usar certos ataques. Ao derrotar os inimigos, eles não somem, pois ficam no chão, agonizando. Cabe ao jogador decidir se quer salvá-los (aumentando o nível de defesa do corpo e recuperando energia) ou sacrificá-los (aumentando o nível de ataque e recarregando a quantidade de uso das oferendas). Os chefões, ao serem derrotados, voltam à forma humana, e as escolhas neles pesam mais, pois além da quantidade de experiência ser bem maior, deixá-los vivos ou não pode modificar um pouco a história e definir o número de aliados disponíveis nas side-quests. O jogador conta também com poderosas Runas chamadas Magias Proibidas, onde o personagem sacrifica partes do corpo para desferir ataques poderosos, como a Salamandra, um ataque de fogo que custa toda a pele do protagonista. Como consequência, vai precisar passar, no mínimo, o resto da missão em “carne viva”, o que significa que a defesa cairá pela metade. Outra Runa sacrifica parte do cérebro em troca da criação de um campo eletromagnético  que danifica tudo que tocar nele, e tem como efeito colateral, a incapacidade de reconhecer quais Oferendas estão equipadas no personagem no moment0 (os desenhos são substituídos por pontos de interrogação).  Tudo isso aumenta ainda mais as possibilidades estratégicas e de customização, já que o jogador precisa pensar bem em qual Runa equipar, e em qual ocasião usar.

Muitas vezes, o jogador vai estar acompanhado de outros personagens controlados por inteligência artificial, sejam eles presentes desde o começo, ou salvando-os no início das missões da morte certa. Em geral, fazem um bom papel distraindo inimigos e até matando alguns, mas muitas vezes são falhos pela simples falta da opção de configuração de comportamento, contando apenas com um assovio que os fazem voltar para perto do protagonista por um tempo. Por conta disso, não é raro ver um personagem suicida indo em direção ao chefão que está carregando um ataque devastador, ou usando Oferendas de área que derrubam todos que estão no local (incluindo os aliados) toda hora. Fora isso, eles também possuem energia e morrem ao tomar muito dano, cabendo ao jogador servir de babá e revivê-los para não morrerem virando comida dos monstros do cenário, pois o próprio jogador pode morrer e ser revivido por um deles da mesma forma, evitando assim um game over instantâneo. Os jogadores menos pacientes têm a interessante opção de sacrificar os aliados mortos, forçando-os a usar uma Magia Proibida antes de desaparecerem da Arena. Infelizmente, há vários poréns nessa escolha, como a impossibilidade de prosseguir na história fazendo isso com personagens-chave (vai ser preciso jogar a missão novamente), e a necessidade de revivê-los após a missão com Lágrimas de Livrum, uma espécie de dinheiro que serve para “reparar coisas irreparáveis” e pode ser coletado periodicamente conversando com o dito cujo.

Apesar de todas as boas características, o jogo peca (e muito) em um fator: repetitividade.

Soul Sacrifice têm basicamente três tipos de missões: Matar todos os inimigos, matar o chefão da arena ou coletar X itens espalhados pelo terreno, sendo que esse último só existe nas sidequests. Para piorar, os cenários vão se repetindo cada vez mais. Para um jogo de exploração zero, fica difícil aceitar a reutilização desenfreada das mesmas arenas de novo e de novo, isso mesmo na campanha principal, que é curta se comparada às centenas de missões que as sidequests possuem. Como se isso já não bastasse, o bestiário do jogo também é muito pobre. São, sem exageros, apenas quatro inimigos comuns presentes no jogo inteiro, aumentando esse número com mudanças de cores, padrões de ataque, detalhes nos corpos e quando eles se alimentam de cadáveres espalhados pelo cenário, tornando-os maiores e mais poderosos.  Já os chefões se encontram em número bem maior: são 32 ao todo. O problema é que pelo menos metade desse número é de variação de cor/detalhes do corpo/padrões de ataque, e a grande maioria dos realmente novos se encontram apenas nas missões opcionais. Isso significa que, durante a campanha principal, o jogador vai se ver matando os mesmos chefões 4, 5, 6 vezes.

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A duração de Soul Sacrifice é, basicamente, uma icógnita. Isso acontece porque o jogo não impõe quando que o jogo deve ser finalizado. Claro, existe todo um modo história sólido, com narrativa e progressão, mas o fato é que há a possibilidade de chamar Merlin para o duelo final a qualquer momento do jogo depois da introdução, bastando apenas, talvez, as Oferendas certas e a habilidade necessária do jogador. Derrotar o grande mago antes de ver todos os eventos da campanha principal, inclusive, leva o jogador a um final exclusivo. Certamente uma das sacadas mais legais do jogo.

O jogo conta com centenas de sidequests, divididas a grosso modo em duas categorias: as genéricas e os eventos com outros personagens.

Nos genéricos, o jogador passa por várias missões sem ter necessariamente uma história. O mais interessante é que, vez ou outra, salvar ou sacrificar humanos de quests específicas levam a missões distintas, que por sua vez, trazem chefões diferentes. O destaque desse modo é que ele possui monstros que não aparecem na campanha principal, incentivando assim o aproveitamento desse extra.

Nos eventos com outros personagens, o jogador vai acompanhar o protagonista interagindo com outras pessoas. Apesar de serem opcionais, as missões contidas nesses eventos são tão difíceis, e os personagens e suas histórias são tão bem produzidos quanto os da história principal, garantindo mais bons momentos de jogatina.

O jogo ainda conta com um multiplayer local ou online para até quatro jogadores e uma série de funções, como o uso do aplicativo Near (uma espécie de Street Pass do 3DS) para compartilhar Oferendas e receber novas quests, usar o sistema de realidade aumentada para coletar Lágrimas de Livrum e até mesmo postar coisas sobre o jogo em redes sociais como o Facebook e Twitter.

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Soul Sacrifice é uma mistura de NieR, Demon’s Souls e Monster Hunter que deu muito certo. Possui alguns pontos negativos, como a inteligência artificial aliada não ser configurável e a grande repetição de inimigos e cenários, mas seus positivos felizmente se sobressaem. Um jogo com uma OST invejável, gameplay fluido e toneladas de fatores para o replay que não pode faltar no Playstation Vita de nenhum gamer.

Nota: 9 (Viciante)

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11 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Soul Sacrifice

  1. só 3 inimigos comuns? =O

    na demo eu enfrentei o ratão, o gato, e o passarinho. São só esses? =X
    enredo e ost parecem impecaveis msm, sistema de batalha tb ta muito bom. Pegarei assim q eu tiver um tempinho.

  2. Tomio descreveu Soul Sacrifice com maestria típica. O jogo é exata e rigorosamente o que foi descrito. Só faltou dizer (e se foi dito não notei) que mesmo morto você continua no jogo, como Ghost, não podendo batalhar diretamente, mas usando a touch pra melhorar o ataque dos vivos ou diminuindo a defesa dos inimigos.

    Review perfeito, assim como SS. A repetição é um problema, sim, mas pra quem não se incomoda com ela em MH e jogos semelhantes, temos um jogo, no mínimo, 4,9/5.0. Compra certa e pra lá de recomendada.

    • Valeu pelo elogio, Arkano! E obrigado pela informação pós-morte, eu lembro de ter feito isso uma vez mas nem lembrei na hora que escrevi. Vou ver se arrumo depois =)

      Aqui infelizmente vou precisar jogar tudo de novo…o Vita resolveu não reconhecer o memory card e corrompeu meu save D=

  3. Pingback: [Tomio's Review] Tears to Tiara 2 | Jogador Pensante

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