[Tomio’s Review] Bioshock Infinite

titulo

Nome: Bioshock Infinite
Produtora: Irrational Games
Gênero: Ação/Aventura
Plataforma(s): Playstation 3, PC, Xbox 360
Versão analisada: Playstation 3

Infinito1

Bioshock Infinite é o terceiro título da premiada série da Irrational Games, Bioshock, para os consoles da sétima geração. Mas, ao contrário de seu antecessor, este não prolonga os acontecimentos de Rapture, pois é apresentado ao jogador ambiente e personagens inéditos. Por conta disso, o jogador não precisa ter jogado os outros títulos para aproveitar esse, mas certamente vai gostar muito de um easter egg que Ken Levine deixou para os fãs, contribuindo, inclusive, para a criação de ainda mais discussões e teorias a respeito dos mistérios de Columbia, a cidade flutuante que é palco do jogo.

Columbia, aqui estou
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Bioshock Infinite abandona seu estilo Dieselpunk da utopia submersa para mostrar ao jogador as maravilhas do Steampunk em uma cidade chamada Columbia, há dezenas de anos antes de Rapture e milhares de pés acima da superfície terrestre. Abandona o ambiente, mas não abandona a ambientação, o ponto forte da série – Columbia é, definitivamente, uma cidade viva. Isso pode ser notado pelo comportamento das pessoas que ali moram, os inimigos, os NPCs, os detalhes dos cenários, todas as paisagens diferentes e transportes que podem ser vistos além das nuvens, e, principalmente, pela apresentação artística de tudo isso. É muito fácil se encantar com diversos pontos da cidade, seja pela sua paleta de cores, seja pelos diversos monumentos espalhados pelos locais ou até mesmo pelos eventos ocorridos, resultando em um lugar com muitos momentos memoráveis.

Outra coisa que ajuda muito na imersão do jogo é a parte sonora: as conversas entre NPCs, os sons omitidos, e, principalmente, a trilha sonora. O jogo não traz apenas grandes composições orquestradas e grandes clássicos da antiguidade, como também faz com que tudo faça parte daquele universo da forma mais natural possível, como canções que tocam nas rádios de algumas salas, personagens e inimigos que cantam em eventos específicos, músicas que tocam nas caixas de som de salões e até mesmo o silêncio, tudo encaixado no momento mais propício possível.

“God Only Knows” pelo “Quarteto mais alegre de Columbia”

Do ponto de vista técnico, o jogo consegue ser bem competente, com boa movimentação, modelagem caricata, expressões faciais convincentes, inteligência artificial desafiadora, isento de loadings além da inicial e de transição de tela e muitos efeitos visuais como sombras e explosões. O título também apresenta, infelizmente, alguns bugs, como inimigos que páram de atacar repentinamente (ou simplesmente não atacam desde o início) e alguns engasgos de 1 ou 2 segundos de carregamento de jogo em um momento específico da campanha. O lado bom é que, mesmo com esses pequenos problemas, a experiência final não é prejudicada em nada.

“Você é real?”3

Em Bioshock Infinite, o protagonista Booker Dewitt precisa buscar uma garota e quitar sua dívida. Apesar desse início simplório, o jogo se diferencia bastante de seus antecessores, sendo o primeiro a apresentar um enredo com narrativa muito mais ativa e um protagonista que fala. Geralmente, jogos onde o protagonista é mudo, costuma apresentar um personagem mais carismático, que se identifica melhor com o jogador em comparação aos falantes, mas Infinite felizmente não fica atrás nesses aspectos. Booker é bem expressivo e facilmente conquista seu espaço, seja por resmungar seus problemas como qualquer outro ser humano ou pelo seu rico background. Mas não é apenas o Booker que merece destaque, e sim grande parte do elenco, contendo muitos personagens únicos, com holofotes especiais para Elizabeth, a companheira do protagonista – o jeito dela falar com Booker, de ver o mundo e as coisas, de encarar seus medos e até mesmo de curtir a vida faz dela uma das, se não a mais bem feita e adorável personagem feminina dos videogames.

O enredo do jogo é outro ponto a ser destacado, pois é repleto de detalhes e reviravoltas imprevisíveis, daquelas que fazem os jogadores pensarem e discutirem a respeito durante dias. O tema retratado é, novamente, de aspecto religioso e político, mas de uma forma muito mais impactante dessa vez, já que se trata da forma com que as pessoas ficam alienadas e dependentes de um ser superior, e como os líderes se aproveitam de tal situação para criar um governo totalitário, utilizando de técnicas como manipulação de informação e lavagem cerebral. Tudo isso, aliados a algumas decisões morais que podem ser escolhidas pelo jogador, diversas frases de impacto ditas por personagens e/ou escritas em alguns lugares específicos e uma sequência de eventos finais de tirar o fôlego e anestesiar a mente de qualquer pessoa, fazem de Bioshock Infinite um jogo perfeito…pelo menos no que se diz respeito a “história” e à imersão exercida sobre ela.

“Apenas uma outra arca para outro tempo”
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Bioshock Infinite traz novamente o abundante fator exploração da série – além das missões principais e seus caminhos, o jogador pode optar por avançar mais calmamente e analisar cada canto do cenário, em busca de itens de cura, munição, armas, poções que aumentam atributos e dinheiro, este último, a peça fundamental para a melhoria dos equipamentos de Booker. Um ponto interessante é que absolutamente tudo pode ser vasculhado, desde caixas de madeira e maletas a até mesmo latas de lixo. Há também momentos onde fuçar tudo que pára nos olhos não é uma boa idéia, como pegar dinheiro de uma pessoa na frente dela, pois isso pode resultar em hostilizar todos (ou grande parte) dos NPCs que estão por perto. O destaque desse quesito, novamente, fica para o level design de alto nível, deixando o jogador perdido no mapa diversas vezes.

A ação em primeira pessoa também não foi deixada de lado, muito pelo contrário. Os momentos de tiroteio e tensão do jogo estão bem intensos, com hordas de inimigos de diversos tipos em diversas situações de jogo. Para aumentar ainda mais a adrenalina, foi implementado um sistema de trilhos aéreos, geralmente ao redor dos mapas, para Booker se pendurar e ficar correndo com o seu gancho aéreo (que também serve de arma para o combate corpo-a-corpo) ao melhor estilo “autorama”, dando mais dinamismo no transporte durante os combates, além de mais possibilidades de estratégias. O já citado gancho aéreo pode também ser usado como arma, sendo útil para dar investidas aéreas e violentas finalizações, como arrancar a cabeça dos inimigos, por exemplo.

Outra interessante adição na hora do combate é o sistema de fendas, pequenos portais que, literalmente, evocam coisas de outra dimensão para a realidade atual de Booker. É possível, por exemplo, evocar uma caixa de munições, um muro para servir de cobertura e até mesmo robôs que irão lutar ao lado do protagonista até serem destruídos. Por ser possível abrir apenas uma fenda por vez, o jogo não perde no fator desafio, mas aumenta drasticamente o fator estratégico.

Um dos grandes destaques do título é a presença de Elizabeth na jogabilidade. Ao contrário da maioria dos outros jogos que possuem aliados controlados por inteligência artificial, Bioshock Infinite não sofre da necessidade do jogador bancar a babá. Resumidamente, pode-se dizer que Elizabeth é uma mistura de Elika, de Prince of Persia 2008, e Trip, de Enslaved, ou seja, personagens que só estão ali para ajudar. Booker não explorou uma área direito? Ela explora, e indica itens que podem ser úteis para a jornada. A carteira tá fina? Elizabeth, vez ou outra, acha uns trocados no chão. Está no meio da ação e necessita de um item específico? Elizabeth aproveita que está longe da linha de fogo para procurar suprimentos para você. A cereja do bolo vai para sua peculiar habilidade de abrir cadeados com grampos e arames, que o protagonista encontra espalhados pelo cenário. Cada cadeado necessita de um número específico de arames, e abrí-los pode vir a ser de extrema utilidade ao jogador, por abrir desde cofres com muito dinheiro, a moeda universal do jogo, até áreas opcionais inteiras repletas de coisas para serem exploradas.

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E os aspectos RPG? Será que foram mantidos? A resposta é sim. Dar headshots muitas vezes não significa matar um inimigo instantaneamente, por exemplo. Se nos antecessores haviam Plasmids e Tonics, em Bioshock Infinite foram introduzidos os Vigors e peças de roupas. O primeiro, uma espécie de magia acionada com uma certa quantidade de sais (o “MP” desse jogo), pode ajudar e muito na hora dos combates, principalmente em momentos de aperto, por apresentar um leque de poderes bem variados, indo desde um raio que eletrocuta tudo ao redor até a uma espécie de telecinese que faz os oponentes flutuarem por alguns segundos. O jogo dá, inclusive, a divertida e útil possibilidade de combinar dois Vigors diferentes para obter diversos e poderosos resultados. O vestuário, não menos útil e importante, vai funcionar basicamente como equipamentos que dão habilidades diversas, como aumento de dano de armas de fogo, invencibilidade temporária dentro de certos critérios e até mesmo recuperar parte do HP perdido ao matar um inimigo.

Certamente, as maiores reclamações dos fãs em relação aos seus antecessores eram a baixa dificuldade dos jogos e o desbalanceamento de recursos. Tudo isso, felizmente, foi corrigido em Bioshock Infinite. O jogo só permite agora a posse de duas armas por vez e ficar sem munição se torna quase uma rotina, mas apresenta um arsenal bem grande e variado, tendo todas elas seus pontos fortes, fracos, momentos e inimigos certos para serem usados. Os Vigors e roupas, sozinhos ou combinados, podem causar estragos em uma certa área, mas ser uma total perda de sais e slots de equipamento em outra. O dinheiro, sendo a moeda única do jogo, também ajuda no balanceamento, pois só com ele é possível comprar suprimentos como itens de cura e munição, melhorias para os vigors e armas disponíveis e até mesmo reviver com metade do HP e sais por uma quantia que varia de acordo com a dificuldade do jogo, sendo assim, necessário pensar bem antes de fazer algum investimento. O sistema de saves a qualquer momento foi cortado para um automático, obrigando os jogadores a jogarem bem mais cautelosamente se não quiserem voltar um bom pedaço ou perder dinheiro por morrer. Reviver, inclusive, faz com que parte do HP dos inimigos também seja recuperado, fazendo com que os jogadores mais descuidados entrem em uma batalha sem fim contra oponentes mais poderosos (ou pelo menos até os bolsos ficarem vazios). Mas o maior destaque, e provavelmente o que deu mais impacto, foi ao fato do jogo ter eliminado o sistema de acumular kits de medicamentos, obrigando o jogador a encarar o título apenas com uma única barra de HP, basicamente. Mudança drástica, mas que foi devidamente balanceada, com a inclusão de uma barra de escudo regenerativa e a ajuda aleatória de Elizabeth.

O jogo, por se passar em um ambiente novo, obviamente traz inimigos novos. Os oponentes de Booker vão desde pessoas equipadas com pedaços de pau e armas comuns a outros seres bizarros, como um robô patriota com uma gatling gun e um gigante ágil feito um macaquinho, esses similares ou até mesmo superiores aos temidos Big Daddies e Big Sisters dos outros Bioshocks, garantindo um ótimo desafio em vários momentos do título.

Junte-se à Vox!6

A duração de Bioshock Infinite varia desde a dificuldade escolhida até ao estilo de jogo. Apesar disso, uma partida no nível mais difícil e com um bom tempo gasto em exploração pode levar de 15 a 20 horas, dependendo da habilidade do jogador.

O jogo conta com algumas submissões, como encontrar códigos e decifrá-los e encontrar baús para chaves encontradas. Durante a recreação é possível também encontrar Voxphones, gravações de voz de diversos personagens que revelam muitas coisas sobre o universo do jogo, telescópios que possibilitam a apreciação da paisagem local, pequenos filmes que mostram o sistema de governo de Columbia e até mesmo divertidos easter eggs, trazendo músicas e cenários de diversas épocas diferentes. Terminar o jogo (ou usar o clássico Konami Code!) libera também uma dificuldade chamada “1999”, um convite para pessoas mais das antigas que estão acostumadas com jogos mais pauleiras, pois é exatamente isso que esse modo propõe: dificuldade extrema. Aos que, mesmo assim, não estão satisfeitos com todo o conteúdo do jogo, poderão esperar pelos futuros conteúdos por download, como é de costume da série. Os donos da versão Playstation 3 podem aproveitar e curtir também o primeiro jogo da série, Bioshock, por este vir gratuitamente no disco, bastando apenas ser instalado (12GB).

“Não nos desaponte”7

Bioshock Infinite, a grosso modo, é uma junção de todos os pontos positivos de seus antecessores, com ainda mais boas novidades. O resultado não poderia ser outro: Um jogo impecável (ou muito próximo disso), que justifica, por si só, todas as precoces indicações de melhor jogo do ano.

Nota: 10 (Perfeição)

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27 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Bioshock Infinite

  1. Comprei o meu ontem! Semana que vem estarei com ele, espero hehe! Mas eu já esperava essa nota 10! 😛

    Essa geração está excelente. Jogos como Red Dead Redemption e Bioshock Infinite fazem ela ser de alto nível. Isso sem contar outros jogos extremamente bem feitos.

  2. Excelente analise meu caro! Como Bio merece.

    Como sempre gosto de lembrar e foi dito pelo Cliff Bleszinski: Bioshock está acima de ser considerado um fps com toques de rpg, ele é o seu proprio genero!

  3. Nossa to ansioso pra jogar,já comprei o meu pra PS3,e fiquei feliz de saber que vem com Bioshock 1….Bioshock é uma aula de como se fazer um fps sem ser genérico jogos de “modern warfire” que tem aos milhares no mercado,ele tme uma história profunda,bem elaborada,personagens carismáticos e ambientação única……merece GOTY esse game…

    • Com certeza merece! E digo com toda a certeza, esse “pacote” com Bio 1 e Infinite é a melhor “oferta” que já lançaram. Pra ser melhor que isso, só se tivesse o 2 e as DLCs também, mas aí é abusar da amizade…=P

      • nossa terminei ontem e chocado com o nível de complexidade que existe nesse game,foda demais…..axo que esse ano o GOTY é do Bioshock mesmo,esses caras merecem pelo trabalho bem feito

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  6. Também estou achando o game simplesmente fantástico! Absurdo mesmo. No entanto, eu ressaltaria um defeito de IA que tenho enfrentado várias vezes. Tenho pego alguns soldados olhando pro nada de frente pra uma parede no meio do combate. Eu mato todo mundo e só sobra ele, ali parado. Você vai e executa ele de costas e pronto.
    As vezes entro em uma sala, vem um soldado correndo, entra na sala, dá 2 voltas e para de frente pra porta, de costas pra você novamente. bizarro!

    Já vi algumas outras pessoas que se depararam com o mesmo caso =(

    No mais, o jogo é magnifico, algumas texturas absurdamente, estupidamente horríveis não tiram totalmente o brilho dos bons gráficos que o jogo tem.

    Logo menos estará zerado =)

    • Eu também tive uns problemas de IA, mas não foram dessa forma. Comigo, de vez em quando simplesmente paravam de atirar…em outra ocasição, simplesmente corriam de um ladro pro outro sem atacar nem nada. XD

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