[Neto’s Review] The Cave

“Don’t let my sultry and mysterious voice startle you. For hundreds… nay, thousands… nay, nay, nay tens of thousands of years people have come to me in search of what they desire most.”

The-Cave-Logo

Platão?

The Cave conta a história de sete pessoas que entram em uma caverna em busca do que eles mais querem na vida. O jogo, por ser somente via download (PSN, Xbox Live Arcade, Steam e Nintendo eShop), apresenta uma complexidade geral menor do que lançamentos em disco. Sei que sim, há jogos em disco muito mais simples e também jogos por download que são até mesmo melhores do que muitos badalados por aí, mas, via de regra, jogos dessa forma tendem a ser mais simples.

Enfim, divagações à parte, a própria Caverna é um personagem. E vai além: é uma caverna falante, como ela mesma se apresenta. Com uma voz masculina forte, digna de narrador. E é para isso que ela serve: ser o narrador da aventura das almas desafortunadas e atormentadas que por lá forem, em busca do que eles mais desejam na vida. Ao todo, são sete pessoas.

No entanto, somente grupos de três podem entrar na misteriosa caverna. A história de cada um deles não é muito clara de início e vai-se revelando, tanto com a narração da caverna quanto com a coleta de estampas que exibem desenhos mostrando os acontecimentos da vida de cada personagem, culminando no que eles mais desejam.

Mas, não, The Cave não tem lá muito a ver com o Mito da Caverna de Platão. No entanto, o jogo tem um caráter extremamente moralista. Além da Caverna em si se mostrar como um desafio de resistência e perseverança, ela mostra ao jogador o outro lado da moeda de querer conquistar algo: será que isso não te fará passar por cima de absolutamente tudo e todos?

Os três porquinhos

A Caverna permite que somente grupos de três acessem seu interior. Portanto, o jogador logo de início, sem muitos menus nem nada, deverá escolher seus personagens. Cada personagem tem uma habilidade diferente.

O jogo é baseado em puzzles e é dividido em várias áreas. Dependendo do time, essas áreas vão mudando, pois cada personagem tem uma área específica, que utilizará sua habilidade com maior necessidade. As outras áreas do jogo são puzzles gerais que utilizarão o trabalho em equipe.

The-Cave-review-1

Há alguns problemas nesse trabalho em equipe. Na maioria das vezes, o jogador terá de alternar entre os três personagens e levar cada um deles a uma área em comum. Isso cansa e é bem chato, por isso o ideal é o co-op. Mas, bem, como eu joguei sozinho (forever alone), isso de ficar trocando de personagem só para fazê-los ir até um local em comum é muito, muito chato mesmo. Posso até estar exagerando, mas é mais porque seria muito simples resolver esse problema: um botão (ou uma combinação de botões, um menu, SEI LÁ) que fariam todos os personagens pipocarem no mesmo lugar… sinceramente, não faz sentido ficar levando cada personagem ao mesmo local.

Nos puzzles mais gerais, as habilidades de cada personagem não são lá muito utilizadas. Por isso, a graça de se jogar com alguns personagens diferentes é para ver quais as áreas e puzzles de cada um. Assim, as habilidades podem garantir algumas vantagens e alguns passos pulados, mas são bem específicos, e há personagens cujas habilidades são totalmente inúteis nas áreas em comum (como a Aventureira com sua corda-gancho que não serve para nada fora de sua área própria).

Os puzzles em si são muito bem bolados e a dificuldade vai aumentando conforme as fases vão surgindo. São baseados na manipulação de itens encontrados pelo cenário e também com a interação do ambiente. Grande parte vai requerir o trabalho em conjunto dos três, como por exemplo um puxando uma alavanca enquanto o outro se prepara para empurrar uma pedra em um carrinho, que está sendo empurrado pelo terceiro (exemplo aleatório, que provavelmente nem existe no jogo).

Não se preocupe. Não há batalhas em The Cave.

Não se preocupe. Não há batalhas em The Cave. 

Na mesma Caverna, no mesmo banco

Um dos pontos mais altos do jogo é o seu humor. Sério, The Cave é extremamente bem humorado. Especialmente os monólogos da própria Caverna, que dão um show à parte, e não é difícil dar risada das frases de efeito (cômico) do narrador de pedra.

Os NPCs também não ficam atrás, e as situações em que os encontramos são sempre cômicas, ou passam a ser devido aos problemas que a turma leva a eles, buscando o que eles mais almejam.

Os personagens principais, no entanto, não emitem palavra alguma. Somente olham de esguelha para o jogador e coisas do tipo. No entanto, acho que isso está no charme de The Cave.

Arte cavernosa

O visual do jogo é bastante cartunesco e realça o estilo cômico do jogo. Afinal, em uma caverna é possível encontra um zoológico, um castelo e uma ilha em coisa de poucos quilômetros de distância… somente nos videogames mesmo.

cave_main

A modelagem dos personagens – tanto principais quanto NPCs – também é bastante bem feita, com essa arte toda redonda, sem muitas linhas retas. E o jogo é bem colorido, contrastando com a natureza escura que uma caverna comum teria. Mas estamos falando da Caverna, com C maiúsculo, um ser que é vivo e que faz piadas.

Insetos na Caverna

O jogo não é um primor de desempenho, no entanto. Há algumas falhas terríveis, como alguns slow downs e até mesmo engasgos durante a jogatina (joguei no Xbox 360, pode ser que seja até mesmo um problema isolado).

Outro problema que tive, por duas vezes, foi o caso do personagem entrando dentro da textura e ficando literalmente preso ali, sem ter possibilidade de sair, nem apertando todos os botões ou algo do tipo. Felizmente existe a forma de fazer o personagem suicidar (na verdade é sumir e reaparecer próximo, pois não há morte na Caverna – imagine o número de processos que isso iria dar?) e voltar ao local. Porém, meu problema foi mais além: eu queria voltar a um local e um dos personagens sempre travava no mesmo lugar, e calhava ser a ponta de uma plataforma, que eu só conseguia acessar pulando. Tentei de tudo, reiniciei o jogo e isso sempre acontecia. A minha sorte é que eu estava retornando a um lugar, o que não era necessário, portanto segui em frente.

Silêncio

Sinceramente, eu não me lembro de nenhuma música do jogo. Ou não teve mesmo ou, se teve, foi tão sutil que eu nem reparei. Penso que em alguns momentos seria legal ter uma música tocando, algo triunfal, por exemplo. Porém, no jogo impera o silêncio.

Silêncio este que só é interrompido pelas vozes da Caverna e dos NPCs. E a dublagem é muito boa, outro ponto alto do jogo, que ajuda muito no caráter cômico. O dublador da Caverna é muito habilidoso e as piadinhas (a maioria sem graça) dela não teria a mesma graça sem uma dublagem de calibre.

Uma Caverna iluminada

The Cave é um jogo muito bom. E tem um bom replay, por dar a oportunidade de cada personagem ter sua própria área exclusiva. Isso, no entanto, pode ser um empecilho, pois há a necessidade de se refazer os mesmos puzzles das áreas em comum. E todos sabemos que fazer um puzzle que já sabemos não é lá muito desafiante, e talvez nem mesmo divertido.

Apesar disso e dos bugs, a jornada será satisfatória e descobrir o funcionamento dos puzzles é muito gratificante, o que fará o jogador vidrado até o final do jogo, querendo saber como funcionará a próxima área, queimando alguns neurônios.

Ademais, o jogo é extremamente bem humorado, tem um conteúdo muito engraçado e tem um senso de moral gigantesco. Isso é uma boa surpresa, pois é daqueles jogos que você não dá nada nesse sentido, mas que, ao final, te deixa pensando sobre.

Os nossos heróis /PedroBial.

Os nossos heróis /PedroBial. 

O melhor: o bom humor do jogo como um todo

O pior: a falta de um botão para juntar os três personagens 

Nota: 7,5 (Risadas, puzzles e um trio muito louco)

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2 pensamentos sobre “[Neto’s Review] The Cave

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