[Mara’s Review] Tomb Raider

Nome: Tomb Raider

Produtora: Crystal Dymanics

Distribuidora: Square Enix

Gênero: aventura/TPS

Plataforma(s): PC, Ps3 e Xbox 360

Versão analisada: PS3

tomb raider cover

Quando Lara Croft surgiu no universo dos games, ainda em 1996, havia poucas mulheres vagando por esse mundo tão masculino. Havia Peach, a princesa indefesa pronta para ser raptada pelo cruel vilão, mas a frágil garota não era a personagem principal da franquia Super Mario. Os jogadores antigos poderão se lembrar de Samus, de Metroid. Todo o tempo escondida em uma armadura cibernética, sendo só no final do jogo possível reconhecer a mulher por trás da máscara robótica. Mas foi Lara Croft a responsável em trazer uma personagem feminina, independente e nada frágil como protagonista. Muita coisa aconteceu desde 1996, e o nome Lara Croft e Tomb Raider perderam sua força.

Depois de tantos deslizes, a empresa Crystal Dynamics e Square Enix decidiram resgatar a heroína perdida. Entre tantos Call of Duty, Far Cry, Uncharted e Assassin’s Creed, uma personagem feminina voltou a ocupar o papel de destaque. Mas o leitor deve estar se perguntando: esse retorno foi digno para Lara Croft?

Só uma análise para dizer…

TR screen 1

E nasce uma sobrevivente

Reboot é um termo bastante usado na atualidade. Seja na indústria dos jogos eletrônicos, como no mundo do cinema. Séries antigas renascem com uma nova roupagem pronta para agradar o público atual, mudam características de personagens para torna-los mais reais e assim por diante. Nem sempre a palavra vem acompanhada de uma torcida animada, e com Tomb Raider não foi muito diferente.

Como fã antiga da série (conheci o jogo em 1996), sempre olhei com pessimismo qualquer chance de transformar a personagem que tanto adorava. Depois de jogos que não conseguiram se destacar e sobreviver por muito tempo, Crystal Dynamics trouxe Tomb Raider, o reboot da série.

Esqueça tudo que você conhecia sobre Lady Croft. A protagonista do novo Tomb Raider é uma recém formada arqueóloga, receosa e sem qualquer tipo de experiência no mundo adulto. Seguimos a personagem no navio Endurance, em uma viagem para um reality show de arqueologia que busca a civilização perdida de Yamatai, entre ilhas japonesas.

O Endurance, no entanto, acaba sendo vítima de uma forte tempestade e é destruído pelo mar. Sua equipe fica dividida na ilha e, a partir desse momento, seguimos Lara Croft em busca da sua sobrevivência, enquanto procura pelos demais membros do navio naufragado.

Lara Croft durante o naufrágio do Endurance.

Lara Croft durante o naufrágio do Endurance.

A ilha Yamatai é habitada por um estranho culto, a Irmandade Solarii, que por motivos que não serão entregues nessa análise, passam a perseguir Lara Croft e a equipe do Endurance.

O enredo do jogo é simples e se Lara Croft foi construída com todo cuidado, o mesmo não pode ser dito dos demais personagens secundários. A equipe do navio conta com diversos tipos, mas são poucos que realmente cativam o jogador imediatamente. Conrad Roth, mentor de Lara, é um desses raros casos. A figura paterna que a jovem nunca teve, serve de incentivo quando Lara pensa em desistir por diversos momentos. Além de Roth, o que faz Lara seguir em frente é a busca desesperada pela melhor amiga, Samantha Nishimura, raptada pelos estranhos habitantes da ilha.  Sam, no entanto, não tem metade do carisma de Roth e, em diversos momentos, o jogador acabará se irritando com a fraca personagem.

Sam Nishimura em um dos diversos momentos em que é pega pelos inimigos do jogo.

Sam Nishimura em um dos diversos momentos em que é pega pelos inimigos do jogo.

Por sorte, o enredo não diminui o interesse pelo jogo. Assim que tomamos controle da personagem, somos responsáveis pelo seu amadurecimento emocional e físico, agonizando a cada instante em que procura pela equipe desaparecida.

Vivendo um inferno

Lara é uma jovem inexperiente e o jogo introduz muito bem essa característica da renovada personagem. Desde o início, o ambiente conspira contra Lara e nós sentimos isso na pele. Ela é testada e se vê mais distante da receosa estudante que conhecemos no começo do jogo.

“Você consegue, Lara. Afinal de contas, é uma Croft.”

“Você consegue, Lara. Afinal de contas, é uma Croft.”

Um detalhe que chama a atenção do jogador é a violência e seriedade do jogo. Não espere piadinhas para descontrair o clima pesado da aventura. Você realmente sofrerá com Lara Croft. Se os jogos anteriores da série recebiam uma censura baixa, própria para públicos adolescentes, esse recebeu logo de cara um selo “mature”, deixando claro que seus desenvolvedores realmente pensavam em mudanças drásticas na série.

Os ambientes são sujos, repletos de sangue, cadáveres e destruição. E para aumentar o realismo, Lara não termina o jogo limpa e arrumada. Ela se suja, tem sua roupa rasgada, se machuca e fica com o corpo repleto de cicatrizes.

lara croft real

E é nesse ambiente inóspito (favelas, florestas, templos milenares) que a exploradora aprenderá a viver. Aprende até rápido demais, como o jogador logo perceberá. O realismo prezado pelos desenvolvedores não é seguido completamente, e claro, estamos falando de um jogo e todo realismo tem seu fim. Lara sofre tamanha provação, que fica difícil imaginar alguém que sobreviva a tudo aquilo. E se no começo ela mal sabe utilizar uma arma, depois de uma hora de exploração, Lara se transforma em uma assassina para sobreviver, sem tempo para lamentações (bem diferente do dramalhão que transformaram a história em Tomb Raider Legend e Underworld). Os fãs poderão notar uma semelhança com a personagem antiga, principalmente em seu tom maldoso em determinados momentos do jogo.

Apesar do reboot, tudo leva a crer que Lara Croft se transformará na personagem solitária e fria que tanto conhecemos.

Apesar do reboot, tudo leva a crer que Lara Croft se transformará na personagem solitária e fria que tanto conhecemos.

Lara, criadora de armas poderosas

Se a Lara do passado era conhecida pelas suas pistolas duplas de munição infinita, o novo Tomb Raider transforma as famosas armas em um poderoso arco, capaz de matar inimigos de forma furtiva. Outras armas são encontradas durante o jogo, mas confesso que como amante de stealth, me divertia muito mais matando na calada todos ao meu redor.

Uma novidade no jogo foi o sistema de exploração que desbloqueia XP e pontos para melhoria de equipamentos e habilidades de Lara (pontos para combate, sobrevivência e caça). Com o tempo e paciência, o jogo recompensa aquele que explorou todo o ambiente. Seus equipamentos melhoram consideravelmente e o jogador ganha novos materiais que deixam tudo mais interessante. Um arco capaz de lançar cordas e criar uma tirolesa, armas com maior alcance e poder de fogo, um machado de escalada que pode servir como arma em combates stealth. Esses exemplos são apenas algumas das opções que Tomb Raider dá ao jogador.

Lara usa um de seus equipamentos para criar uma ótima adição ao jogo: a tirolesa.

Lara usa um de seus equipamentos para criar uma ótima adição ao jogo: a tirolesa.

E já que falamos das armas, o que dizer do combate de Tomb Raider?

Não gosto de comparações, mas fica impossível não se lembrar de Uncharted ao citarmos o nome Tomb Raider. Sem iniciar longas discussões sobre qual é melhor, quem copiou o que e outros detalhes polêmicos para fãs, posso afirmar que o novo Tomb Raider utiliza o sistema de combate de Uncharted e toda sua mecânica de forma melhorada. Lara Croft tem os movimentos de Drake, ela pula e corre como ele, mas com uma leveza bem maior que a do personagem de Uncharted.

O combate é fluido e fácil ao se pegar o jeito. Pela primeira vez, Crystal Dynamics acertou na ação de Tomb Raider, o que torna o jogo ainda mais atraente. A dificuldade, no entanto, deixa a desejar. Terminei o jogo no modo difícil, mas não encontrei tantos problemas assim.  Até mesmo com o arco (a minha arma favorita do jogo) as finalizações se tornavam fáceis. No final, Lara se torna tão imbatível, que muitas vezes o jogador finalizará um combate disparando pouquíssimo.

A jogabilidade como um todo é ótima. Lara escala com desenvoltura em ambientes perigosos, usando um fantástico machado de escalada para ajuda-la. A mecânica é tão realista que o jogador fica aflito por Lara em suas subidas perigosas (destaque aqui para a imersiva cena da torre de rádio).

A imersiva cena da torre de rádio.

A imersiva cena da torre de rádio.

Auxiliando a jogabilidade é inserido o uso de QTEs (quick time events). Confesso que nunca fui fã dessa arma poderosa para aumentar o senso cinematográfico em jogos (um dos motivos seria a falta de coordenação, pois confesso que o efeito é bem atraente). Em Tomb Raider não seria diferente. Elas aparecem em momentos críticos, onde o jogador precisa acertar certos botões para vencer. No jogo, entretanto, elas são fáceis de decorar e acabam sendo úteis para finalizar combates de forma mais rápida.

Um Tomb Raider digno do passado da série

O jogo, apesar do combate bem utilizado, não se prende apenas a ele. Aliás, Tomb Raider resgata com maestria toda a exploração que tornou a série famosa. Yamatai é uma ilha extensa e repleta de segredos. Para auxiliar nessa exploração, o jogo nos oferece acampamentos, que servem tanto como locais para salvar seu avanço, como também para dar upgrade em equipamentos (com materiais encontrados por Lara) e melhorar suas habilidades (seja em combate, caça ou sobrevivência).

Além das características citadas, o acampamento serve para iniciar viagens rápidas entre os diversos pontos da ilha.

Além das características citadas, o acampamento serve para iniciar viagens rápidas entre os diversos pontos da ilha.

Os segredos de Yamatai estão escondidos em todos os locais. Para aprender mais os motivos de tantos misteriosos naufrágios, Lara pode encontrar diários centenários e peças de outros sobreviventes que viveram terror parecido ao da exploradora. Eles estão espalhados pela ilha, principalmente em tumbas opcionais, outra novidade em Tomb Raider, que podem ser descobertas pelo jogador curioso. Lembram os Tomb Raider do passado, e são lá que uma curiosa Lara encontrará artefatos milenares. São também nas tumbas que o jogador verá os puzzles do jogo. Uma lembrança fantástica para aqueles que perdiam horas nos antigos jogos da série.

Tomb Raider pode ser um jogo cinematográfico, preso em sua narrativa, mas é capaz de mostrar ao jogador muito mais que a história do naufrágio do Endurance. Ao terminamos a aventura, podemos vasculhar o mapa em busca de tesouros e tumbas, e sem a história para nos prender, o jogo toma outro sentido, sendo prazeroso o tempo em que caminhamos por Yamatai.  Uma qualidade de jogos open world, aqui aproveitado ao seu máximo.

Uma das novidades do jogo é o uso de fogo, extremamente útil para resolver puzzles e encontrar tesouros perdidos na ilha.

Uma das novidades do jogo é o uso de fogo, extremamente útil para resolver puzzles e encontrar tesouros perdidos na ilha.

Novidades nada vantajosas

Nem tudo são flores no novo Tomb Raider, onde algumas novidades que pareciam ideias fantásticas acabaram por se tornar desnecessárias no jogo.

O instinto de sobrevivência é um desses casos. Lara Croft pode utilizar esse sistema para encontrar dicas ao seu redor em uma visão diferenciada, que marca pontos interessantes e até mesmo tesouros perdidos (algo visto em Dishonored e Batman Arkham City). Parece ótimo, mas não é. Recomendo que use apenas o necessário, pois torna o jogo muito mais fácil que o normal e destrói seu fator exploração.

O revelador instinto de sobrevivência.

O revelador instinto de sobrevivência.

E como citamos a habilidade da caça, vale aqui mais uma critica: a ideia de caçarmos para sobreviver em um ambiente inóspito parecia fantástica nos trailers iniciais, mas na realidade não passa de um detalhe inútil no jogo. A caça perde importância com o passar do tempo e no final nem lembramos mais de matarmos algum animal para sobreviver. Talvez a ideia perdeu sua força com tantos militantes do Peta a criticar morte de animais em jogos.

Lara não deve ter gostado de matar animais para viver...

Lara não deve ter gostado de matar animais para viver…

Um ambiente realista

Ponto para os desenvolvedores, que conseguiram criar um ambiente tão rico em detalhes e bem feito que Yamatai até parece real. Os ótimos gráficos de Tomb Raider criam locais fabulosos, e as animações de Lara transmitem todo seu sofrimento ao jogador. Lara se suja e sua com tamanho realismo, que nos sentimos imundos ao jogar. E aqueles que possuem um PC potente têm um diferencial em Tomb Raider: Lara pode ficar com lama endurecida no corpo criando um efeito realista e com um cabelo de dar inveja a qualquer propaganda da L’oréal.

Lama + cabelos L’Oréal.

Lama + cabelos L’Oréal.

Jason Graves e o som de Tomb Raider

Como compositor da trilha da nova aventura de Lara Croft foi escolhido Jason Graves, criador das músicas da trilogia Dead Space. O resultado foi fantástico. A trilha auxilia na criação do clima de tensão do jogo. De tons tristes e sutis, até percussões tribais, todas as músicas são responsáveis em criar o ar aventureiro de Tomb Raider.

As dublagens são competentes, com destaque para o dublador de Conrad Roth, que dá um tom energético para sua figura paterna.

Camilla Luddington é a nova voz Lara Croft e dá um ar jovem para a inexperiente exploradora. Se no começo tudo parece ótimo, devo admitir que a voz da atriz deixou de me agradar com o tempo, principalmente pela dramaticidade exagerada que deu a personagem nas cutscenes. Mas nem tudo estava perdido e é durante o jogo que a personagem solta algumas das melhores frases de efeito. Não são raros os momentos que uma irritada Lara ao avistar o inimigo o confronta e o manda para o inferno enquanto descarrega toda sua raiva.

“Ela é só uma garota!” “Uma garota que está chutando nossas bundas!”

“Ela é só uma garota!”
“Essa garota está chutando nossas bundas!”

Multiplayer?

O verdadeiro erro do jogo reside em seu multiplayer que deve ser esquecido. Repleto de bugs, efeitos feios e combates travados, o multiplayer não trouxe muita novidade e passará despercebido pelos jogadores. Inútil é uma boa palavra para descrevê-lo e é uma pena que os criadores depositaram tantos troféus no sistema online, transformando a ideia de platinar Tomb Raider (PS3) um trabalho mais irritante que satisfatório. 

Conclusão

Tomb Raider consegue conduzir sua história com ótimo uso de ação, exploração e stealth; e a boa jogabilidade ajuda ainda mais nessa condução. O jogo conseguiu um feito ambicioso, ao conquistar fãs novos e agradar os antigos com uma personagem moderna e madura.

Lara Croft voltou e mostrou que veio conquistar um mundo repleto de heróis masculinos. Afinal de contas, dezessete anos de história é pouco para a personagem.

tr arco

Nota: 9,0

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10 pensamentos sobre “[Mara’s Review] Tomb Raider

  1. Ótimo review,concordo plenamente com ele,só fico na duvida se critico ou não o survival instinct,já que a “noobada” de forma geral usa ele o tempo inteiro,fora que os cenários são tão imensos,que as vezes fica dificil sacar pra onde tem que ir…eu optei por não usá-lo e axo que poderia ser desativável,já que há momentos onde seu uso ativa automaticamente,o que me irritou um pouco.

    • é, os jogos de hoje pecam na dificuldade (a grande maioria pelo menos). Então o survival instinct deve ser beeeem usado pelo pessoal. O certo seria desativá-lo pra ajudar com o clima de exploração.
      Valeu por comentar, Ramon =D

  2. Estou com muita vontade de jogar esse game, e a reação positiva dos fãs antigos da série tem me deixado animado. Nunca fui muito fã da série, mas acho que o encontro da personagem antiga com essa roupagem nova pode fazer com que eu me torne fã. Ótimo review, parabéns!

    • Nossa, ainda não vi um fã antigo reclamando do jogo. Ficou muito bom, modéstia parte. Agradou novos e antigos!
      Acho que vc vai curtir, Fabricio! A exploração + ação ficaram fantásticas! *-*

      Obrigada por ler! =D

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