[Especial] Tomb Raider (Parte 2)

Um curto adeus

Um curto adeus.

Core Design e a sua difícil tarefa de manter Lara Croft um sucesso

No artigo anterior conhecemos o início revolucionário da exploradora Lara Croft, suas aventuras anuais que acompanharam os jogadores de 1996 até 1999, até que, esgotados, os criadores decidem matar a personagem.

Entretanto, parecia difícil para Eidos aceitar a morte da heroína mais rentável da história e, por esse motivo, conhecemos mais dois jogos da série no ano de 2000. A expansão de Tomb Raider III, conhecida como Lost Artifact, sem grandes novidades para trazer (não para mim, que o jogou loucamente em seu lançamento e o achou fantástico em todos os quesitos) e, finalmente, em novembro de 2000, chega às lojas Tomb Raider Chronicles, o quinto título para a série.

A jovem Lara enfrentando (com um livro) um demônio milenar em Tomb Raider Chronicles

A jovem Lara enfrentando (com um livro) um demônio milenar em Tomb Raider Chronicles.

O jogo começa com o funeral de Lara Croft, dada como morta, mas ainda desaparecida pelas areias do Egito. Seguimos três amigos da exploradora: Winston, seu fiel mordomo, Padre Dunstan e Charles Kane. Todos contam uma aventura passada da heroína, seja pelas ruas de Roma, um submarino russo, uma ilha assombrada na Irlanda (onde controlamos a jovem Lara de dezesseis anos) e, finalmente, em um prédio empresarial de alta tecnologia em Nova York.

O jogo não apresentava nenhuma mudança significativa e foi duramente criticado, sendo sua única vantagem conter um disco de edição e criação de fases, seguindo o modelo de Last Revelation, e que ainda é utilizado para animar fãs nostálgicos com novos e até criativos jogos.

Lara enfrentando Darth Maul em um dos jogos criados pelos fãs

Lara enfrentando Darth Maul em um dos jogos criados pelos fãs.

Era necessária uma transformação na série que não conhecia mudanças na engine desde seu início. Mas não havia nada para se preocupar, diziam seus criadores. Chronicles foi feito apenas para segurar a euforia do jogador, enquanto eles trabalhavam no que foi conhecido como Tomb Raider Next Generation, aguardada com nervosismo pelos fãs. Seria finalmente a hora que a série conheceria a nova geração?

Em Tomb Raider Chronicles conhecemos o projeto Next Gen em forma de bônus para o jogador

Em Tomb Raider Chronicles conhecemos o projeto Next Gen em forma de bônus para o jogador.

Enquanto esperávamos um novo e revolucionário jogo, Lara Croft continuava dando o ar de sua graça. Em 2001 conhecemos Tomb Raider e Tomb Raider: Curse of the Sword para Game Boy Color e em 2002, Tomb Raider: The Profecy para Game Boy Advance.

Cena de Tomb Raider: Curse of the Sword

Cena de Tomb Raider: Curse of the Sword.

Lara chega aos cinemas

Uma Lara Croft real já existia para os fãs e marmanjos. Eram as modelos, estratégias de marketing da Eidos para promover a série, que em todo lançamento desfilavam em cosplays de Lady Croft. Muitas modelos fizeram o papel da exploradora (até mesmo Rhona Mitra, que mais tarde acabou por se infiltrar em Hollywood, tornando-se atriz de filmes como Underworld), entretanto, foi só com o filme de 2001 que a Lara “real” tomou outro significado.

Todas as modelos que representaram oficialmente Lara Croft

Todas as modelos que representaram oficialmente Lara Croft.

Angelina Jolie deu vida à exploradora que foi sucesso de bilheteria (e não de crítica), apesar do consenso geral que Jolie foi uma ótima escolha para interpretar a personagem. Além da atriz, estão no elenco: Daniel Craig (atual James Bond), Ian Glen (Jorah Mormont da série Game of Thrones da HBO) e o pai de Jolie, Jon Voight.

Com o sucesso do primeiro título, era mais que óbvio que a Paramount encomendasse mais um título, que chegou ao cinema em 2003. A Origem da Vida, apesar de críticas melhores, foi um fracasso de bilheteria. A culpa, segundo a Paramount, foi causada pelo fraco desempenho do mais novo jogo da série: Angel of Darkness, renegado pelos fãs e críticos.

Pôster de divulgação do primeiro filme

Pôster de divulgação do primeiro filme.

Angel of Darkness. Lara renasce, mas sem grande estilo

2003 definitivamente não foi um bom ano para Lady Croft. Core Design vinha trabalhando em seu novo título, o primeiro para Playstation 2, desde 2000, esperando trazer algo revolucionário, mais desafiador e adulto.

O pequeno estúdio precisava criar Angel of Darkness, responsável pelo renascimento da tão amada heroína, e o trabalho não era nada fácil. Adaptar uma série para a nova geração era difícil e logo a Core percebeu que não poderia entregar o trabalho a tempo. A falta de funcionários e a pressa da Eidos apenas complicava o trabalho dos desenvolvedores, que foram obrigados a cortar partes da história. Foi então que tudo desabou…

O novo filme da série seria lançado em poucos meses e uma pressão conjunta da Eidos com a Paramount fez com que o jogo fosse lançado na mesma época do título como estratégia de venda. Contudo, o jogo estava incompleto e repleto de bugs assustadores, e o tão sonhado e ambicioso retorno de Lara Croft para a nova geração foi um desastre.

Dupla que não vingou

Dupla que não vingou.

A história parecia promissora e adulta. Em um tom sombrio retomamos os acontecimentos de Tomb Raider 4 e 5. Seguimos Lara, acusada do assassinato de seu mentor, Von Croy (sim, ele mesmo), por Paris e Praga, reunindo provas de sua inocência, ao mesmo tempo que descobre um complô místico para dar vida a uma antiga raça dita como superior e há tempos extinta. Lara passa por ambientes urbanos, sendo auxiliada por Kurtis Trent, o primeiro personagem jogável da série além da exploradora. O problema, no entanto, estava na jogabilidade. Se o objetivo eram puzzles complexos e exploração total, o que o jogador encontrou foram fases mal acabadas, controles travados e uma Lara que mal subia uma mísera escada. A ação era trágica. Controlar a personagem enquanto o jogador tentava atirar ou iniciar um combate físico se mostrou um trabalho irritante; e a quantidade de bugs e furos na história fizeram de Angel of Darkness a maior decepção da história da Core Design.

Vai com fé Lara, seu chute vai chegar ao alvo...

Vai com fé Lara, seu chute vai chegar ao alvo…

Core sai de cena e Crystal Dynamics toma as rédeas da franquia

O desânimo foi tamanho que o diretor da empresa pediu as contas, desacreditado do futuro da série. A Eidos, então, retira a franquia milionária das mãos da Core, sua criadora, e a entrega para a americana Crystal Dynamics, conhecida pela série Legacy of Kain. Para ajuda-los, Toby Gard, criador da heroína, foi chamado como consultor. Dessa vez, a Eidos ressuscitaria a amada heroína.

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Lara retorna.

Tomb Raider Legend chega em 2006 para todas as plataformas possíveis e transforma a aventureira. Uma nova biografia foi dada para Lara Croft, e de exploradora milionária, transforma-se em arqueóloga. Não existiam mais pais odiados e Lara agora procurava sua mãe desaparecida. Um toque sentimental em uma série que nunca foi conhecida por isso. Muitos viram como desnecessário, mas o jogo acabou se tornando um sucesso onde os últimos da série haviam falhado.

A história gira em torno do passado de Lara Croft, que procura respostas onde seu falecido pai não encontrara. Em busca da mitológica Excalibur, a recém-arqueóloga acaba por encontrar uma antiga amiga, que jurava estar morta, e até mesmo descobre maiores informações sobre o misterioso desaparecimento da mãe. Lara possui agora apoio logístico em todas as fases vindo de Zip (voltando de Tomb Raider Chronicles) e o historiador Alister Fletcher.

TR LEGEND lara

Cena de Legend.

Toda a jogabilidade do jogo passou por mudanças, implantando maior ação (o que não foi visto com bons olhos para os antigos fãs) em uma engine atualizada para a geração. Lara Croft também passou por mudanças físicas. Seu corpo era mais proporcional e realista, e parecia mais fácil de se controlar (principalmente se compararmos com o desastre de Angel of Darkness). As críticas foram positivas e animaram a Eidos a incentivar o retorno de uma nova Lara Croft.

Lara e seu amor pelos animais.

Lara e seu amor pelos animais.

Remake de um clássico

Logo após o sucesso de Legend, um vídeo mostrando cenas do primeiro Tomb Raider refeitas para atender a geração atual surgiu na internet. Fãs ficaram desesperados, deduzindo que um novo jogo, remake do clássico, sairia naquele ano de 2006, marcando o décimo aniversário da franquia. O problema surgiu ao notarem que o vídeo era feito pela antiga dona da marca, Core Design, que não só deixara de ser responsável pela série, como acabara de ser vendida. Se a Core não poderia trabalhar com o projeto, o que aconteceria com ele?

Visitamos os emblemáticos locais do primeiro jogo

Visitamos os emblemáticos locais do primeiro jogo.

A resposta veio logo em seguida quando Eidos e Crystal anunciaram Tomb Raider Anniversary, remake do clássico adaptado para a atualidade, com os gráficos de Legend melhorados e jogabilidade mais fluída. Em 2007 ele chega as lojas, mantendo a história do original, mas com algumas licenças poéticas para adaptar a história do primeiro jogo à série atual da Crystal, com todo seu drama familiar. Anniversary recebeu boas críticas, abrindo espaço para um novo Tomb Raider, responsável por encerrar a trilogia iniciada em Legend.

Comparação entre TR1 e TR Annivesary

Comparação entre TR1 e TR Annivesary.

Fim da trilogia

Tomb Raider Underworld, de 2008, jogo multiplataforma, retoma a história de Legend (unida ao passado de Anniversary) e traz uma Lara procurando respostas dos segredos de Lorde Richard Croft, seu pai, em relação ao desaparecimento da mãe. O jogo é passado em diversas localidades como Tailândia, México e Ártico, em florestas e ruínas que procuram manter a tradição dos jogos passados. Para a crítica, o jogo encerrou a trilogia Crystal Dynamics de forma satisfatória, mesmo com deslizes na jogabilidade e enredo. Entretanto, para os fãs faltava algo que a trilogia não conseguiu suprir. O clichê da biografia e a falta de verdadeiros desafios causou desconforto para muitos, que não se sentiram totalmente satisfeitos com os resultados atingidos pela nova série.

Lara Croft e o mitológico Martelo de Thor.

Lara Croft e o mitológico Martelo de Thor.

Square Enix e o futuro de Lady Croft

Em 2009, a empresa japonesa Square Enix compra a Eidos Interactive, e mesmo com toda a restruturação da empresa, Crystal Design continua sendo a desenvolvedora da série e em 2010 ela retorna com mais um jogo da aventureira: Lara Croft and the Guardian of Light, uma experiência tão diferente que os criadores acreditaram ser melhor que o nome “Tomb Raider” fosse retirado do título. A reinvenção foi feita para manter a série viva e traz um jogo em estilo plataforma 3D, com sistema co-op e uma história simples, porém repleta de puzzles e da exploração tão desejada pelos fãs.

The Guardian of the Light recebeu ótimas críticas e foi aclamado pelo desafio e espírito de aventura há muito tempo perdido pela série.

o sistema de co-op foi utilizado no ótimo título Guardian of Light.

O sistema de co-op foi utilizado no ótimo título Guardian of Light.

Em junho de 2012 foi finalmente anunciado um reboot da série com lançamento para dia 5 de março (hoje, meus caros). O jogo, intitulado apenas Tomb Raider será responsável em retomar o sucesso de Lara Croft, a transformando em uma personagem mais próxima da realidade.

Tomb Raider e seu reboot.

Tomb Raider e seu reboot.

Legado de Lara Croft

A personagem de Tomb Raider não satisfeita com o mundo digital e até mesmo com o cinema, chegou até mesmo a invadir o mundo dos quadrinhos. Sua estreia nas histórias em quadrinhos foi em 1997 e durou até 2004, tendo até um crossover com Witchblade.

Romances autorizados pela Eidos foram publicados em 2004, contando em seu primeiro livro como Lara Croft conseguiu escapar da morte em Last Revelation e tornar-se a sombria pessoa de Angel of Darkness.

Lara Croft transformada em quadrinho na arte de Andy Park.

Lara Croft transformada em quadrinho na arte de Andy Park.

A fama da personagem a transformou em ícone da cultura pop. A heroína sexy e independente, criticada por muitos como uma forma fantasiosa e estereotipada de representação feminina, foi responsável em aumentar a quantidade de mulheres como protagonistas de games, apesar de muitas não fugirem da imagem sexualizada (o debate sobre machismo na indústria dos games ficará para outro dia)…

Problemas com o físico avantajado da aventureira à parte, seu sucesso ultrapassou as fronteiras do videogame na década de 90, mas com títulos inferiores, sua fama perdeu espaço para outras figuras carismáticas da nova geração, como Nathan Drake da série de aventura/ação Uncharted. As mudanças feitas pela Crystal não conseguiram transformar Lara no ícone que era, mas foram responsáveis em manter seu nome vivo. Esperamos que o novo título consiga fazer jus ao nome de Lady Croft.

Cena do aguardado Tomb Raider, com estreia para dia 5 de março.

Cena do aguardado Tomb Raider, com estreia para dia 5 de março.

Conclusão

A série Tomb Raider pode ter perdido o seu grande atrativo com o passar do tempo e depois de tantas falhas, mas esperamos ansiosos pelo seu retorno impactante. Afinal de contas, Lara Croft não se tornou a personagem feminina mais famosa da história dos jogos, ultrapassando até a barreira do videogame, por ser apenas um rostinho bonito.

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5 pensamentos sobre “[Especial] Tomb Raider (Parte 2)

    • eu te falei que era uma retrospectiva imparcial hahahahah se fosse: mara’s retrospectiva, vixi, o underworld nunca seria perdoado huahuahua (bosta de jogo do caralho) 😛

  1. Bem lembrado sobre a Lara Croft atGoL…queria muito jogar ele, adoro seu estilo de jogo e ouvi falar muitissimo bem dele.

    E gosto bastante do Underworld. XD

    O Angel of Darkness eu lembro que joguei pouquinho e larguei, mas achava bem interessante alguns conceitos, tipo o de ganhar mais stamina de tanto correr/ficar pendurado, como num RPG.

    Enfim, ótimo texto. Muita coisa que nem tinha idéia de que existia (tipo o chronicles).

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