[Fran’s Review] Dead Space 3

“We must all be made whole.”


A série Dead Space surpreendeu com o primeiro título da série em 2008. A maior parte do público gamer não botava fé no jogo, talvez por terem se decepcionado com o que tinham se tornado os survival horrors que todos conheciam, como Silent Hill e Resident Evil, que acabaram perdendo sua essência com o tempo. Já o Dead Space conseguiu se mostrar muito interessante no que se diz survival horror. Com munição escassa, tensão o tempo todo, sustos e medo. Muito medo.

Dead Space 3 veio agora com uma responsabilidade muito grande em dar um desfecho perfeito para a série, visto que os dois jogos anteriores foram muito bons.

Logo de início, é apresentada uma introdução aos acontecimentos anteriores, para situar melhor o jogador. Essa introdução possui uma explicação até melhor do que a apresentada nos jogos anteriores, mostrando tudo que aconteceu desde que a humanidade encontrou os Markers pela primeira vez.

De início é mostrado o planeta Tau Volantis, com acontecimentos ocorridos 200 anos antes do primeiro jogo da série. Lá vemos o progresso da humanidade em relação aos Markers, descobrindo o que eles realmente são, de onde vieram, qual seu propósito e, finalmente, como destruir a base de todos os Markers.

O jogo é dividido em 19 capítulos, sendo que a transição de um capítulo para o outro é quase inperceptível, assim como era no jogo anterior da série.

Parte da explicação do que aconteceu no planeta é visto em audio logs, text logs e artefatos que são encontrados ao longo do jogo.

Isaac vai para o planeta Tau Volantis quase que forçado, pois sabe que é o único que conseguiria destruir a base dos Markers, visto todo seu histórico com esse artefato alienígena.

Os inimigos do Isaac não são mais apenas Necromorphs, mas também humanos que acham que os Markers são o destino da humanidade, e que temos que passar pela destruição e extinção para um novo começo. O trabalho de Isaac é acabar com essa loucura e salvar a humanidade de uma vez por todas.

Alguns elementos novos foram adicionados à mecânica do jogo.  Ele acabou perdendo, de início, um pouco do seu clima de survival horror que conhecíamos.

É possível agora construir armas a seu critério. Ao longo do jogo são encontradas partes de armas, que quando acessadas pelo bench, podem ser combinadas, formando armas únicas do jogador. Isso é trabalhoso, e leva tempo para entender como funciona, o que acaba tirando um pouco do foco do jogo, para algo que pode nem ser tão produtivo assim. De qualquer forma, ainda podem ser encontradas “receitas” de armas, que com as partes ou recursos certos, é possível montar uma arma pré-definida.

Também podem ser encontrados recursos para evoluir sua armadura e construir armas. Porém, muitos desses upgrades e contruções exigem muitos recursos, e pra isso podemos usar um “scavenger bot”, que na realidade é um robô que se for soltado em um lugar específico (fica apitando quando está próximo a recursos), ele coleta tais recursos e te entrega em sua bench na próxima vez que encontrar uma. Tais itens não ocupam espaço no inventário, o que torna muito mais fácil de manter seus equipamentos atualizados.

Grande parte da escassez de munição dos jogos anteriores, que deixava o jogo mais tenso e desesperador, acabou se perdendo neste jogo. Ao invés de munição específica para cada arma, o que seria realmente meio difícil de fazer pelo fato de o jogador poder fazer suas próprias armas, a munição encontrada é genérica. Serve para todas as armas. E pra facilitar, o jogador pode usar recursos pra construir munições e “med packs”, que recuperam sua vida.

Aquele desespero de ter que correr e tentar não morrer, pra ter finalmente um alívio ao encontrar um ponto para salvar seu jogo, acabou. Agora seu progresso é salvo na base de um “autosave”. Após terminar o jogo pela primeira vez, é possível iniciar um novo jogo no modo clássico, com a mira, movimentação, e save clássicos. Pena que isso não foi apresentado logo de cara, pois nem todo mundo vai jogar o jogo outra vez só pra ser como antes.

Pelo Isaac ter inimigos humanos além de Necromorphs, agora ele agaixa, pressionando o analógico direito, e entra em “cover”, o que são elementos de um jogo de tiro. Junto com isso, apertando o botão de correr duas vezes, ele se joga para determinado lado, desviando de seus inimigos. Não que essa não tenha sido uma boa adição para melhorar a ação do jogo, mas perdeu parte do elemento survival horror.

O modo cooperativo também veio ao Dead Space. Muitos acharam estranho, falando que não combina com o estilo do jogo. De fato, tendo alguém ao seu lado faz a tensão e o medo serem muito menores. Mesmo assim, foi uma adaptação muito bem feita. A campanha é a mesma, só que muda o meio que os acontecimentos ocorrem, mudando cinematics e conversas. Até hoje, foi a melhor adaptação de um modo cooperativo, em cima de um modo single player, já visto.

Além do fluxo normal do jogo, ele possui também algumas missões secundárias, que são liberadas de acordo com os audio e text logs que o jogador encontra, tornando o jogo muito mais longo e interessante. Algumas dessas missões só podem ser acessadas pelo modo cooperativo.

Alguns trechos são podem ser acessados se o jogador conseguir completar um puzzle. Eles são até que bem variados e sua dificuldade vai aumentando ao longo do jogo.

Os inimigos são praticamente os mesmos, com adição e um ou outro apenas, mas foram adições significativas, e feitas na hora certa.

Significativas boss battles estão de volta, com monstros gigantes e coisas assustadoras.

Os gráficos estão ainda muito bonitos, bem modelados e com texturas muito bem trabalhadas, no que se diz o ambiente, não mudando muito desde o Dead Space 2.

Como dessa vez a atmosfera é em locais frios, com gelo e neve, tentaram aplicar a mudança disso à armadura dos personagens. Ou seja, quando o jogador sai de um local fechado e vai para a neve, sua armadura vai, gradualmente, ficando com salpicos de neve, até que fica quase inteira coberta por ela.

As armaduras são todas feitas para a vivência em locais gelados, sendo que algumas possuem peles para esquentar, e coisas do gênero. O ambiente em local aberto está sempre ventando, que faz as peles se moverem também. A falha foi deixá-las se movendo até em lugares fechados.

Quando mostrada a neve no rosto do personagem principal, vemos que não foi aplicada de forma muito convincente, parecendo um tanto quanto artificial. A idéia de fazer o jogo na neve, com monstros saindo de baixo dela, é muito interessante, mas é um risco muito grande a se correr por conta dos detalhes.

Em locais muito escuros, a única luz costumava ser a lenterna das armas do jogador. Agora, seu visor emite feixes de luz que dão uma orientação bem básica ao jogador, se movendo de acordo com o movimento da cabeça do personagem, ao contrário da lanterna que se move de acordo com a câmera, em Silent Hill: Downpour.

Na maioria dos locais que o jogador visita, há sinais de pessoas que passaram por alí e deixaram escrituras nas paredes, ou saíram às pressas por ver que teria de lutar por sua vida.

Grande parte da atmosfera de terror do jogo é transmitido pelo som ambiente. Em todo lugar que o jogador se encontra, mesmo que não tenha nenhum inimigo por perto, é possível ouvir sons de algo se movento, objetos sendo derrubados e outros sons que deixam qualquer um arrepiado.

A trilha sonora também está excelente. Muitas músicas foram compostas especialmente para esse jogo, e outras são de grupos musicais já existentes, e são todas utilizadas em momentos perfeitos no jogo.

A dublagem do jogo também está muito bem feita, assim como no jogo anterior. Agora com mais personagens, mais tipos de emoções transmitidas, com dubladores excelentes.

Com um grande peso nas costas, Dead Space 3 não deixou a desejar, mas teve uma caída de nível em relação ao jogo anterior. Mesmo assim, não deixa de ser um grande jogo, com uma ótima atmosfera, e cumpre sua proposta quase que inteiramente.

Com seu modo cooperativo, pode acabar sendo um atrativo pra quem tem medo de jogos desse estilo, possivelmente fazendo-os gostar da série.

NOTA GERAL: 9,0

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11 pensamentos sobre “[Fran’s Review] Dead Space 3

  1. Eu não sei por qual motivo injustificável ainda não joguei Dead Space. Sei que estou perdendo uma trilogia ótima e bem melhor do que muitas franquias de terror por aí. Preciso dar um jeito nisso com urgência.

    Enfim, ótima review. Vou aproveitar que dei uma animada e jogar. Mas vem cá, é aconselhável pegar a trilogia desde o começo, né? Se pegar pelo 3 vou ficar perdidinha, certo? hahaha

    • Se pegar pelo Dead Space 3 vai ficar completamente perdida!
      Recomendo ir do início, até porque o primeiro jogo tem muitos mais terror do que os outros 2!

      • sei la axo muito estranho matar humanos em Dead Space 3,e a munição abundante me irritou um pouco tbm,eu gostava daquela coisa de vc ter 6 tiros na pistola,um monte de necromorphs atrás de vc e vc correndo com o life no danger HAUAHU era desesperador…

      • Ramon, concordo em tudo isso, cara… O terror dos outros jogos era exatamente a munição ser escassa e ter que correr desesperado dos inimigos, muitas vezes tendo que socar eles pra sair vivo e usar stasis pra parar eles e conseguir abrir uma porta e fugir.. Esse lance de ter só ammo clip pra todas as armas foi uma adaptação pra fazerem o craft de armas, mas confesso que achei o craft completamente inutil. Fiz uma vez porque, se não me engano, dava achievement. Mas fora isso usei as duas mesmas armas, Evangelizer, que veio na edição limitada, e a clássica plasma cutter.
        Confesso também que senti falta dos power nodes, que dava upgrade em tudo de uma forma muito mais interessante!

  2. O jogo é bem inferior aos seus antecessores, perdão. Os inimigos sofrem de uma diarréia contínua de ítens, principalmente medpacks. No decorrer do jogo no modo impossible chegou ao ponto de eu estar lá pelo final praticamente só correndo e sem me preocupar, pois tinha guardado pelo menos uns 50 ou mais meds de todos tamanhos no safe. Queria estar exagerando, mas não estou. Clima de survivor horror baixou pra zero.

    O level design também ficou mega preguiçoso, algo que você nota rapidinho nos cenários repetitivos de Tau Volantis e nas missões opcionais.

  3. Pois é… Acho que o jogo merece um 8.0 no máximo. Isso porque sou fã da série.
    É realmente uma pena o game ter se perdido dessa forma. No ínicio da campanha eu até achei que o game séria um daqueles super-jogos mas as questões já comentadas acima me fizeram enjoar e até abandonar o jogo antes de seu fim. Vou finalizá-lo mas não agora.

    Se é verdade a notícia de que DS4 foi cancelado devido à péssima recepção de seu último título, só nos resta torcer para que em breve uma nova franquia seja criada.

    • O Dead Space 3 tem uma proposta diferente, e eu analisei o jogo em cima dessa proposta. Sim, elementos de survival horror foram perdidos, falei muito disso na análise, mas pelo que eu vi quando joguei, a proposta do jogo era de certa forma essa. Focar em algo mais relacionado a ação misturado com survival do que só survival como era no primeiro jogo da série. Isso não foi uma surpresa, já que o Dead Space 2 foi uma transição direta pra isso.
      Eu acho que é um jogo que vale a pena ser terminado sim. Joguei o tempo todo com um fone bem alto, e luz apagada pra sentir a emoção do jogo, que é passada mais pelo áudio do que por qualquer coisa.
      Em muitos momentos fiquei muito tenso, mesmo com milhões de medpacks pra usar, porque muitas vezes tinha tanto inimigo que eu não conseguia nem ver minha rig pra saber se eu tava morrendo ou não, tinha que usar os medpacks nas cegas, mesmo tendo muitos.

      E também achei precipitado dar uma nota ao jogo antes de terminar. Tenho certeza que sua avaliação vai mudar quando terminar o jogo!
      Outra coisa é que eu não vejo motivo pra ter uma continuação do jogo… se tiver, eu só vejo como uma comparação com a série Resident Evil..

      • Exato. E espero que mude, pois era um dos games mais esperados por mim em 2013. A nota 8.0 é justamente baseada até onde joguei, porém pode mudar sim.

        Mesmo assim seu review está ótimo. Parabéns!

      • Muito obrigado! Que bom que gostou!
        É meio raro, mas gosto dos feedbacks, sendo eles positivos ou negativos!

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