[Neto’s Review] Crysis 3

“Remember me.”

Poster de Crysis 3

Poster de Crysis 3

Maximum Drama

Crysis 3 é o quarto jogo (sim, porque além dos Crysis ‘Número’, temos Warhead) de uma das franquias mais tecnologicamente ambiciosas da geração. A franquia surgiu no PC e era tipicamente aquele jogo onde o seu amigo falava “cara, pra rodar esse jogo, seu computador precisa ser da NASA” (como ele conseguia as especificações do computador da agência espacial norte-americana, eu não sei).  A série sempre prezou por gráficos lindíssimos e às vezes chamados de fotorrealísticos, usando e abusando das tecnologias e fazendo o seu computador chorar para rodar.

Não seria diferente com a terceira instalação da franquia. Infelizmente, não pude experimentar o Maximum Graphics do jogo, pois meu computador, que eu achava potente, não é lá essas coisas para rodar o todo-poderoso Crysis 3. Então tive que ir com a versão do Playstation 3.

Então observe, caro leitor, que essa é a análise do port feito pela Crytek para os consoles (PS3 e Xbox 360). Não posso falar absolutamente nada sobre a versão dos computadores, que acredito ser superior, não somente no visual, mas também em desempenho e inteligência artificial.

Vamos passear na floresta… em Nova York

Uma das coisas que os fãs da série sentiam falta era da sensação de se estar no meio do mato, como foi no primeiro e segundo jogos da série (Crysis e Crysis: Warhead). A Crytek atendeu parcialmente esse pedido e transformou Nova York em uma grande floresta urbana. E nada de selva de concreto, mas sim muita vegetação para todo lado, consumindo e arruinando a cidade.

O jogo se passa mais de vinte anos após Crysis 2 e encarnamos a nanosuit de Prophet, um notório soldado, que conhecemos desde o primeiro jogo da série. Ele é o último soldado equipado com a poderosíssima armadura chamada de Nanosuit, capaz de ficar invisível, dar proteção contra perigos externos, impulsionar um pulo maior… enfim, é como se essa armadura fosse de outro planeta.

E é. O drama de Crysis 3 é todo centrado em uma ameaça alienígena. Prophet, por estar constantemente ligado aos Cephs (a raça alien que invade a Terra), tem visões de um futuro perturbador. Mas tudo isso é posto de lado quando aparece Psycho, um ex-companheiro de guerra de Prophet (e também o protagonista de Crysis: Warhead). Agora, mais velho, ele avisa sobre o perigo que a cidade corre, mas não por conta dos alienígenas, mas por conta de quem produziu a roupa: a indústria Cell.

Psycho

Psycho

Bom, o grosso do enredo é esse: as indústrias Cell comandam Nova York e estão sugando a energia de algum modo, transformando toda a cidade em uma grande floresta, enquanto Prophet acredita que há muito mais do que isso, por conta de suas visões.

O enredo de Crysis 3 é bem direto e simples. Afinal, é uma história militar e não se pode esperar grandes coisas disso para os videogames. Em meio a tudo isso, o jogo quer passar uma mensagem, primariamente de esperança na humanidade.

Em meio a um colapso mundial devido a forças alienígenas, Prophet e Psycho são humanos e estão sempre procurando defender o planeta. O pivô disso tudo é o protagonista, Prophet, que, devido à Nanosuit, é meio Ceph e meio humano, e vai sofrer com isso, sempre buscando manter sua racionalidade humana e jamais cedendo ao poder enorme dos aliens.

O jogo também vem dar lições de moral, e para isso escalaram Psycho para ser humilhado verbalmente várias vezes por Prophet. Antigo usuário de uma Nanosuit, o personagem se ressente por não ter mais esse poder e inveja Prophet, bem como demonstra fraquezas enormes. Nesse sentido, o protagonista do jogo tem que ser enérgico e pegar firme com ele.

No final de tudo mesmo, a outra mensagem que o jogo passa é a da amizade, evidenciada pela relação entre Laurence (Prophet) e Michael (Psycho). Sim, acho melhor aqui usar os nomes verdadeiros deles do que o “nome de guerra”, visto que o jogo evoca para esses nomes quando querem mostrar momentos humanitários entre os personagens.

Prophet

Prophet

Clichê por clichê, é normal os jogos de cunho militar demonstrarem esse tipo de mensagem, especialmente a patriótica. Com muita felicidade, Crysis não apela para um patriotismo norteamericano e nem sequer reconhecemos Nova York enquanto jogamos, tomanha a força da natureza que a reivindicou, e o clichê presente é mais o de dar uma lição de moral e, no final das contas, mostrar que todos nós somos somente humanos.

Maximum Suit

Crysis 3 é um jogo de tiro em primeira pessoa, como era de se esperar. A diferença do jogo para outros jogos de outras séries é, além da temática, a roupa especial que Prophet veste: a Nanosuit.

É tipo O terno de 2 bilhões de dólares alienígena. Com ela, o jogador pode se camuflar, ficando invisível aos inimigos, ativar proteção balística e de queda extra, pular mais alto, ter mais força para golpear inimigos e objetos, superforça… enfim, já deu para ver que ela transforma o jogador no Super-Homem, certo? (Errado, porque o Super-Homem voa.)

A Nanosuit é a salvação e a danação do jogo, ao mesmo tempo. Veja bem: apesar de ser um dos principais chamarizes do jogo, deixando-o invulgar, o jogo se baseia completamente na manutenção e gerenciamento dos recursos dela. E uma vez que o jogador pegar as manhas disso… ele é imparável. E isso ocorre precocemente, visto que usar a Nanosuit é muito intuitivo e aprender a usá-la é muito fácil.

Agora a Nanosuit possui módulos de hackeamento à distância, e isso será bastante utilizado. Além de marcar seus inimigos no radar, há de se prestar atenção em ameaças como minas terrestres, armas automatizadas e etc… aí, á distância, hackeia-se e pode-se torná-las aliadas, e as minas, desativadas. Isso é bem fácil, mas, caso seja necessário fazer na correria, pode ser um empecilho e adiciona até mesmo emoção para fazer corretamente.

Robin Hood invisível

Robin Hood invisível

Outra adição é a possibilidade de upgrade nos poderes da Nanosuit, agora com maiores possibilidades e montagem de set de habilidades. Seria interessante, se não fosse um tanto inócuo… sinceramente, não fez a menor diferença isso existir ou não, porque o jogo é muito fácil, a ponto de eu dar upgrade e desbloquear um poder mas nunca ativá-lo, porque as primeiras habilidades que comprei eram as melhores disponíveis. As habilidades são tipo “20% mais de tempo invisível, porém 10% a menos de velocidade” e coisas do tipo, ou seja, tem uma boa vantagem, mas vem com uma pequena desvantagem, que pode ser contrabalanceada utilizando outra habilidade do set.

Cupido

E para ajudar na sensação de super-poderoso, agora Prophet carrega um arco equipado com flechas. As principais são a de fibra de carbono, que matam instantaneamente o inimigo, mas há outros três tipos: explosivas (que funcionam como granadas), elétricas (espalham pela água) e outras que explodem em mil pedaços quando se chocam com o alvo, com poder devastador.

Além de matar instantaneamente, atirar com o arco não tira a invisibiliade da Nanosuit, como qualquer outra arma do jogo faz. E além disso, pode-se recolher as flechas dos alvos mortos (ou das paredes que receberam a flechada acidentalmente). Ou seja, o arco e flecha consegue ser a coisa mais apelona do jogo, muito mais do que a Nanosuit em si, não necessitando nem mesmo de um maior cuidado para utilizar sua munição, visto que, dessa forma, ela se torna quase infinita (o máximo de flechas de fibra de carbono é 9 – as outras flechas, cada uma com no máximo 3, não podem ser recolhidas, pois se desintegram na hora).

Tendo em mente tudo isso, não há lá tantos motivos para se utilizar uma arma de fogo comum. Apesar de eu adorar dar um tiro de shotgun na série Crysis, nesse eu quase não fiz isso, pois o arco e flecha é praticamente o god mode. Então, joga-se Crysis 3 sendo o que os produtores tanto forçaram durante o marketing do jogo: como um verdadeiro caçador, matando silenciosamente e escondido.

Acredite, é bem difícil encontrar uma imagem de Crysis 3 onde não mostre o arco.

Acredite, é bem difícil encontrar uma imagem de Crysis 3 onde não mostre o arco.

Tudo bem, nada impede o jogador de não usar o arco, mas, sinceramente, quem o faria? A facilidade do arco e flecha meio que dá o tesão da coisa, e não usá-lo é um tanto quanto bobagem, visto que é um dos maiores atrativos do jogo. E isso sem contar a inteligência artificial dos inimigos, que é quase uma burrice artificial: aliens e humanos que buscam cover mas deixam as costas totalmente expostas e muitas vezes eles fizeram fila para meu arco. Sério, teve uma passagem onde, em uma escada, desceram uns quatro inimigos, em fila, e cada um recebeu uma flecha de cortesia.

Ainda assim, é um jogo muito divertido e até mesmo variado. O level design do jogo permite que várias abordagens diferentes sejam tomadas. O jogo é linear, porém há vários caminhos que podem ser feitos e várias formas de se fazer a mesma coisa e tudo deverá ser pensado previamente. Não espere uma liberdade do primeiro Crysis, que era 100% mundo aberto, mas não espere lá muita diferença do que foi Crysis 2 nesse sentido.

Dessa vez, os aliens são mais poderosos do que os humanos e apresentam boa variedade. Há vários tipos diferentes e cada um deve ser encarado de forma diferente. Os melhores, sem dúvida, são os chamados stalkers, que são unidades Ceph que se movem muito rapidamente e atacam do nada. Lutar contra uma legião deles é bastante desafiador, pois nunca se sabe quando vão atacar ou quando vão surgir. Uma pena que não aparecem com maior frequência, pois adicionaria bastante desafio, coisa que Crysis 3 carece bastante.

Stalkers

Stalkers

Há dois bosses no jogo e, por apresentarem situações diferentes, onde o arco chega a ser até mesmo inútil, exigem novas abordagens, e aí surge algum desafio. Mesmo assim a poderosíssima Nanosuit ainda possui seu modo de invisibilidade e vai tornar a coisa mais fácil, porém, ainda assim, até entender-se o padrão da coisa, será necessário resetar o checkpoint algumas vezes.

Maximum Symphony

Aqui está algo impecável. Crysis 2 já possuía uma trilha sonora belíssima, e Crysis 3 não fez diferente. Músicas atmosféricas e orquestradas, que dão o ritmo que a caça de Prophet necessita batem carteira durante o jogo. Eu não esperava menos da Crytek, porque as partes técnicas de seus jogos são praticamente impecáveis, e as trilhas da série sempre foram excelentes.

Dublagem e efeitos sonoros também são de alto nível. É perceptível que tiveram uma boa despesa para produzir uma sonoplastia de alto nível. Uma pena que, dessa vez, ouvi pouco a shotgun disparar.

Maximum Forest

E agora, ao que todo mundo quer saber de verdade: os gráficos. Obviamente que a versão do PC é umas 456 vezes mais bonita e mais fluída, porém a Crytek fez um trabalho excelente e de milagreiro para portar o jogo aos consoles.

Crysis 3 está lindo e impressionante. E o mais impressionante é a vegetação. Sério, tem muito mato, e o capim alto é primordial para o jogo ser o que é. Há MUITO capim, se bobear mais até do que Far Cry 3 (com a exceção de que este é mundo totalmente aberto, enquanto Crysis 3 possui fases gigantescas).

Que bom que o jardineiro faltou.

Que bom que o jardineiro faltou.

Temos uma boa modelagem de personagens, especialmente os principais e o trabalho de expressão facial ficou muito bom para esse tipo de jogo. Aliás, a “interpretação” dos personagens perante o que acontece é excelente também. Fica um destaque para os aliens, que são extremamente bem modelados e têm uma movimentação muito bem feita.

Os consoles, infelizmente, já não conseguem produzir uma sensação de “uau!” com alguns efeitos, como os de explosão. Esses foram claramente capados e chega a ser bobo o jogo te oferecer a opção de pressionar um botão para ver uma explosão contextual em algum lugar distante. Já vi efeitos melhores em (muitos) outros jogos, e as chamas do jogo são feias e até mesmo incondizentes com a qualidade dos ambientes.

O jogo sofre com alguns slow downs, mas bem raros. Apesar de eu acreditar que ele não rode nem a 30 frames per second constantes, o jogo mantém uma boa fluidez e, apesar de ter uma pequena latência no reconhecimento dos comandos, não há muito do que reclamar.

Minimum Challenge

Crysis 3 é um bom jogo. Acredite, é divertido e consegue te deixar tenso. Porém, agora eu não sei se a intenção dos produtores foi realmente te fazer se sentir praticamente invencível ou se o jogo é fácil por ser.

Nos consoles, Crysis 3 chega a ser decepcionante, mesmo no nível mais difícil. Eu zerei no Supersoldier, o grau de dificuldade mais difícil disponível, com inimigos mais inteligentes, sem assistência de mira e sem crosshair (aquela mirinha que fica no meio da tela, guiando seus tiros) e… não tive dificuldade. A falta de desafio é grande e a sensação de Super Homem é gigantesca.

No fim das contas, Crysis 3 é um passeio na floresta.

O arco, personagem principal de Crysis 3.

O arco, personagem principal de Crysis 3.

O melhor: o trabalho milagroso da Crytek em portar esse ambicioso projeto aos consoles

O pior: pouco desafio

Nota: 6,5 (Menos Maximum da próxima vez)

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4 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Crysis 3

  1. Belo texto! Conseguiu esclarecer várias dúvidas que eu tinha em relação ao jogo. Além disso, ce convenceu a acabar (em parte, mas já foi um progresso considerável) com o preconceito que eu tinha com essa série sobre ser apenas um shooter genérico com gráficos maravilhosos (acredito que muita gente pensa assim também), pois vi que, por mais incrível que parecesse para mim, o jogo tem uma história até que interessante! XD

    • O enredo da série é excelente. Esse estigma de “Crysis só tem gráficos” surgiu porque pouca gente rodou o 1 na época do lançamento, além de ser exclusivo para PC.

      Jogue desde o 1 se puder. Tem disponível ele na PSN e Xbox Live!

      Obrigado por comentar! 😀

    • Valeu, Lorran! O jogo é bom e muito polido, infelizmente é muitíssimo fácil, e acho que a proposta para um shooter desse tipo é oferecer muito mais desafio. Ao menos pra mim 😀

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