[Especial] Tomb Raider (Parte 1)

tomb raider evolução

E a aventureira nasce

1993. Foi nesse ano que a empresa britânica Core Design iniciou o demorado processo de criação do jogo intitulado Tomb Raider. Toby Gard, responsável pelo design de personagens, criou então um personagem masculino de chicote e chapéu para ser o protagonista do novo jogo. Seu personagem, tão semelhante à Indiana Jones, foi descartado. Gard encontrou uma solução criativa para seu problema: uma personagem feminina, diferente do estereótipo do momento, atleta e de tranças. Seu nome era Laura Cruz, nascida na América do Sul e especializada em artefatos antigos.

Laura Cruz não era bem o que a empresa de software Eidos (que havia recentemente comprado a Core Design) queria. A personagem poderia ser uma mulher exploradora de tumbas, mas o nome deveria soar mais agradável aos ouvidos ingleses. Nada que uma olhada na lista telefônica não resolvesse. Laura Cruz transformou-se em Lara Croft e algumas mudanças em sua biografia foram feitas. Lara agora era uma lady britânica, vinda de uma rica família de condes e que recebeu a melhor educação, contudo decidiu negar a vida de nobreza fútil para se dedicar à aventura fora dos muros da mansão familiar. O famoso  chá das cinco não parecia agradar Lady Croft.

Laura Cruz

Laura Cruz

Lara Croft foi criada com os pouco mais de 200 polígonos disponíveis para um jogo 3D da época. A enorme trança teve que ser cortada, mas o realismo era grande, até mesmo para os jogos da época. Isso se ignorarmos a pequena falha de Gard que foi aprovada por toda a equipe: o aumento acidental dos pequenos para enormes seios da aventureira. Apesar dos exageros, Lara criou vida. A personagem corria, pulava, atirava, nadava, dava piruetas e escalava. Após a adição de uma voz para a heroína, cutscenes ambiciosas e uma trilha sonora, Tomb Raider saiu em 1996 para Sega Saturn, e logo em seguida para MS-DOS e Playstation.

Tomb Raider I

Tomb Raider I

Tomb Raider conta a história de Lara Croft, exploradora curiosa, que recebe o pedido de Jacqueline Natla para recuperar uma peça do Scion, artefato misterioso e milenar. O que a exploradora não imaginava era que Natla não era uma simples colecionadora de peças antigas. A rica empresária na verdade era parte do governo da cidade de Atlântida, presa por milênios por ter utilizado o poder do Scion para libertar um exército de mutantes e gerar o caos por toda Atlântida. Agora, desperta de sua prisão milenar, Natla deseja continuar seu plano, mas para isso precisa recuperar todas as peças perdidas do Scion. Naturalmente, a vilã não contava com uma curiosa Lara sempre um passo a frente de seu desejo. Seguimos Lady Croft por tumbas peruanas, gregas, egípcias e até mesmo pela cidade de Atlântida para destruirmos o funesto plano de Natla.

A ação do jogo era novidade para o jogador. Atacamos uma vasta série de animais (desde lobos, um feroz Tiranossauro Rex e até mutantes de Atlântida) com as inseparáveis pistolas duplas de Lara Croft de munição infinita, espingardas, submetralhadoras e magnum. Além da ação, há o elemento de exploração e puzzles (inspirados em jogos como Prince o Persia), que segundo a Core seriam mais importantes do que a ação desenfreada.

Lara e a aberração de Atlântida.

Lara e a aberração de Atlântida.

O jogo surgiu na época certa. Sua estreia em novembro de 1996, pouco tempo após a de Super Mario 64, foi bombástica. Lara era inovadora e seu jogo nada parecido com o que havia no mercado. A aventura vendeu mais de sete milhões de cópias e foi responsável por uma transformação na indústria dos jogos eletrônicos.

De criação do pequeno estúdio da Core para símbolo sexual e artista pop. Lara Croft fez comerciais dos mais variados (desde carros, cartões de crédito até energéticos), participou da turnê do U2, Pop Mart, posou em revistas com biquínis e vestidos sensuais e até ganhou uma modelo real para representa-la. Parecia que o sucesso de Lara Croft era interminável, mas Toby Gard não gostava do modo como a Eidos lucrava com sua criação mais amada.

Dat ass.

Dat ass.

Cansado da imagem de símbolo sexual, Gard decide sair da Core e abandonar o sucesso de sua cria. A Eidos não se desesperou e após um ano o lançamento do primeiro título, chega as lojas Tomb Raider II para PC, Playstation e Macintosh.

No título de 1997, Lara procurava pela milenar Adaga de Xian, que se cravada no peito de um humano, o transformaria em um invencível dragão. Entretanto, ela não é a única atrás do poderoso artefato. O psicótico mafioso Marco Bartoli a procura para dar continuação a uma longa tradição familiar e pretende utilizar a adaga em si, tornando-se praticamente imortal no processo.

Lara Croft nas Muralhas da China, a fase de abertura de Tomb Raider II.

Lara Croft nas Muralhas da China, a fase de abertura de Tomb Raider II.

Seguimos o terrível mafioso e a trilha pela adaga por diversos ambientes como Veneza, um navio afundado, Tibete e finalmente China, onde a adaga repousa. O jogo trouxe algumas adições, como o uso de veículos (snowmobiles e uma lancha) e novas e letais armas. As fases tornaram-se mais ambiciosas e com uma melhoria técnica, Lara até mesmo pode voltar a usar sua famosa trança.

O jogo foi um sucesso e animados com o lucro, Core e Eidos decidiram lançar um Tomb Raider por ano.

Gráficos: a nítida diferença entre as versões lançadas de Tomb Raider II. Todos os antigos jogos da franquia possuem maior qualidade técnica no PC.

Gráficos: a nítida diferença entre as versões lançadas de Tomb Raider II. Todos os antigos jogos da franquia possuem maior qualidade técnica no PC.

Tomb Raider III chegou nas lojas em novembro de 1998 trazendo uma nova história. Um grupo de cientistas encontra na Antártida ruínas de uma expedição onde Charles Darwin e equipe encontraram estranhos fragmentos de um meteoro que caiu na Terra há milênios. Os marinheiros que encontraram essas estranhas peças foram mortos em diversas localidades e as peças espalhadas pelo mundo. Com a ajuda de um dos cientistas, Lara passa a procurar esses fragmentos e com o passar da história descobre seu real significado. A história é passada em quatro localidades, sendo a primeira na Índia e as demais escolhidas a critério do jogador (Londres, Ilhas do Pacífico e a famosa e polêmica Área 51 no deserto de Nevada). Ao terminar as longas fases de todas as localidades, o jogador destrava o último local da aventura: Antártida, onde Lara chega ao clímax do jogo.

Lara nas Ilhas do Pacífico.

Lara nas Ilhas do Pacífico.

Tomb Raider III conta com alguns avanços em relação ao seu antecessor. Gráficos melhorados, novas armas e veículos, além de uma ótima história. Encontramos dinossauros e canibais nas Ilhas do Pacífico, vítimas deformadas de experimentos no primeiro ambiente urbano da série, Londres, alienígenas na Área 51 e mutantes contagiosos na Antártida. A criatividade dos desenvolvedores chega ao máximo no terceiro título da série, que foi recebida com sucesso pelo mercado.

Lara Croft e seu velho amigo: T-Rex.

Lara Croft e seu velho amigo: T-Rex.

Com tanta fama, Core e Eidos não deixaram de aproveitar mais um pouco a imagem da famosa exploradora. Em 1998 lançam uma versão especial do primeiro Tomb Raider, acompanhado de mais quatro fases conhecidas como a expansão Unfished Business & Shadow of the Cat. E em abril de 1999 é lançado a expansão para o Tomb Raider II (Golden Mask).

Com tanta Lady Croft, alguns pensaram que seus criadores dariam um tempo para que não houvesse uma saturação da personagem. Estavam enganados: em novembro de 1999, sem falhar ao cronograma, conhecemos The Last Revelation, o número quatro da série Tomb Raider.

Bem vindo ao Egito.

Bem vindo ao Egito.

O jogo é todo ambientado no Camboja e Egito e conta praticamente a história da relação de Lara com seu tutor, Werner Von Croy. Primeiro somos apresentados a uma jovem Lara, de dezesseis anos, que acompanhada do arqueólogo Von Croy, explora ruínas de templos no Camboja. Percebemos rapidamente que Lara possui um senso de moral muito forte e se vê contra a ideia ambiciosa do tutor em levar um antigo artefato do local. Os dois discutem, Von Croy pega o artefato e fica preso na tumba, enquanto Lara foge no ultimo instante escapando da morte. Passam-se anos e voltamos ao presente, com uma Lara adulta no meio do deserto egípcio. A exploradora procura o templo do deus Seth e por curiosidade e descuido acaba retirando o Amuleto de Hórus da tumba do infame deus, o despertando de sua prisão eterna.

Depois de feito o estrago, Lara corre contra o tempo por ruínas egípcias, tumbas, mastabas, pirâmides de Gizé, Cairo e a Cidade dos Mortos para impedir que Seth consiga instaurar seu reino de caos na Terra. Enquanto faz isso, ela ainda precisa fugir do seu antigo tutor (que não morreu na tumba do Camboja), agora inimigo de Lara e escravo de Seth.

Corra, Lara!

Corra, Lara!

As localizações do jogo mostram o cuidado que a equipe teve em recriar toda a cultura egípcia, desde os tempos do faraó, passando pelas tradições muçulmanas do local. Tomb Raider 4 foi um dos jogos mais longos da série e conta com algumas inovações: como uma aparência mais refinada para Lara, possibilidade de combinar itens no inventário, uso de cordas para se equilibrar entre locais, efeitos gráficos com uma visível melhoria (principalmente em áreas externas e aquáticas). Entretanto, havia algo de errado. A equipe da Core estava exausta de Lara Croft e não havia mais prazer em levar jogos anuais aos jogadores. Tanto marketing havia saturado a série, que já começava a apresentar sinais de cansaço. A solução era clara para seus criadores: matar Lara Croft. No final de Last Revelation assistimos uma resignada Lara entregar-se a morte soterrada na Grande Pirâmide.

Uma longa e mortal escalada nos espera.

Uma longa e mortal escalada nos espera.

Não perca! No próximo artigo conheceremos as crônicas de Lara, seu renascimento e a chegada mais que esperada de Tomb Raider para a nova geração de videogames.

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11 pensamentos sobre “[Especial] Tomb Raider (Parte 1)

  1. Bom artigo, é um ótimo conteúdo pra quem conhece pouco ou nada da série. Infelizmente (?) não joguei muito os antigos porque eu detesto os controles “resident evil” deles, mas gosto muito do Underworld, haters gonna hate.

  2. Pingback: [Epoch - The Time Machine] Tomb Raider (parte 2) | Jogador Pensante

  3. Pingback: [Mara's Review] Tomb Raider | Jogador Pensante

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