[Tomio’s Review] Yakuza 5

logoNome: Yakuza 5
Produtora: SEGA
Gênero: Beat’em up, Sandbox
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

Um sonho1

Yakuza 5, ou Ryu ga Gotoku 5: Yume Kanaeshi Mono (Como um dragão 5: Aquele que realiza sonhos) no Japão, é o quinto título canônico da série para Playstation 3. Além dos cinco jogos numerados, ainda foram lançados um Yakuza na era feudal chamado Ryu ga Gotoku Kenzan, um com temática de apocalipse zumbi chamado Yakuza: Dead Souls, uma subsérie de dois jogos para PSP chamada Kurohyou (Pantera negra) e um jogo para celulares chamado Yakuza Mobile.

Passando cera na madeira2

Yakuza 5, diferente do prometido pela produtora e esperado pelos fãs, não traz uma revolução técnica gritante a ponto de ser chamado de “recomeço”. O título traz gráficos medianos, com muitas texturas fracas, serrilhados e modelagens ruins, coisas já vistas desde Yakuza 3. As sutis diferenças ficam para movimentações de personagens bem mais suaves devido a utilização de captura de movimentos dos atores e iluminação mais realista.

A parte sonora se mantém na mesma qualidade, mas nesse caso isso é uma ótima notícia, já que a série sempre trouxe músicas que misturam rock e música eletrônica de alto nível.

Entre outras coisas mantidas se encontram os loadings um pouco demorados, instalação obrigatória de 40 minutos, cutscenes pré-renderizadas com personagens bem realistas e a utilização de vozes e imagens de muitos atores japoneses reais para maior imersão e fidelidade na hora de apresentar as cidades baseadas em regiões diferentes do japão, com boa direção artística.

História sem fim3

Yakuza 5 traz novamente o drama da máfia japonesa de forma bem agradável, juntando o universo fictício da série a detalhes de como funciona uma organização e como seus integrantes se comportam, tudo isso em uma narrativa bem simples e de fácil entendimento.

O jogo conta com grande parte do velho elenco, como o eterno protagonista Kiryu e sua filha adotiva Haruka, a muitas caras novas, como Shinada, um ex jogador de baseball e Aoyama, o braço direito do chefão da maior organização do leste japonês. Todos possuem dublagem perfeita, um bom aproveitamento na história e são bem carismáticos, ficando difícil não gostar e se identificar com pelo menos um deles.

Infelizmente o jogo peca muito em sua reta final, contando com sucessivas reviravoltas muito previsíveis ou absurdas e um encerramento claramente incompleto, deixando quase todas as questões sem respostas.

Chuck Norris vs Barbie4

Yakuza 5 mistura um jogo sandbox com o beat’em up, gênero raro hoje em dia. Basicamente, o jogo é dividido em três partes: a pancadaria, a liberdade para fazer o que bem entender nas cidades e o gameplay paralelo do Another Drama.

O jogo traz novamente a progressão vista desde Yakuza 4, ou seja, em capítulos, onde em cada um é utilizado um protagonista diferente. Mas as semelhanças acabam por aí, já que o título não traz os tradicionais quatro protagonistas, mas cinco, cada um com suas características, situações e gameplay, além de cada um estar em uma cidade diferente, totalizando cinco localidades distintas para serem exploradas. O jogo é tabém o primeiro a trazer uma protagonista feminina, Hakura, com gameplay ao melhor estilo Space Channel(Dreamcast) / Bust-a-move (Playstation 1) na hora dos “combates”.

A pancadaria de Yakuza 5 continua de fácil adaptação e completa para os mais experientes, mesmo sendo um beat’em up 3D de câmera livre. Ao andar pelas cidades, os personagens periodicamente topam com malfeitores que logo puxam o jogador pra briga. Ao começar a luta, vale tudo, desde bater diretamente nos adversários a até mesmo usar objetos ao redor, como bicicletas e até motos, tudo pra ser o mais violento possível e, consequentemente, derrotá-los o mais rápido que conseguir. Já Haruka é um tanto diferente, pois ela não luta. Ao invés disso, ela enfrenta diversas “batalhas de dança”, onde o jogador precisa encarar um gameplay rítmico de apertar botões na hora certa. É inegável que a parte da Haruka é bem estruturada e até mesmo desafiadora em alguns pontos, mas no final não é algo que tenha o mínimo a ver com Yakuza, tampouco em um numerado, um jogo onde a alma está na luta. Ter que encarar coisas “bonitinhas” em uma série de natureza violenta e adulta pode ser constrangedor para muita gente, e até mesmo um ponto negativo para os mais conservadores.

Apesar de tudo, a parte da ação não deixa de apresentar boas novidades, a começar pela inclusão de diversos novos golpes especiais tão violentos quanto os já existentes, como um de Kiryu onde ele esfrega o rosto dos adversários no asfalto. Outra boa novidade são golpes especiais onde os personagens ficam cobertos por uma aura vermelha, permitindo movimentos únicos dependendo do personagem. Por exemplo, Akiyama começa a emendar combos aéreos e Saejima pega um inimigo caído pelos pés e o usa como arma, rodando 360 graus e acertando tudo que estiver ao redor. Outras mudanças menos importantes, mas também bem vindas, são os momentos na hora de entrar em uma luta sem quebra de tela na maioria das vezes e a capacidade do jogo suportar dezenas de inimigos na tela querendo acabar com o jogador ao mesmo tempo.

A navegação do jogo continua sendo ao estilo sandbox, com pontos marcados no mapa indicando o próximo destino. Nesse meio tempo, é possível fazer outras atividades, como sidequests e outros extras, se alimentar em restaurantes e recuperar energia, reestocar itens de cura e combate e evoluir os personagens com experiência adiquirida durante a jogatina, moldando-os de acordo com a vontade e necessidade do jogador, como energia extra ou golpes novos.

5

Além da rota principal para a progressão, o jogo conta também com o Another Drama, que é um meio termo entre campanha principal e sidequest, já que não é uma atividade obrigatória, mas ajuda bastante a explorar os protagonistas e os personagens ao seu redor. O mais interessante do Another Drama, é que todos eles possuem um gameplay completamente diferente. O de Kiryu é ser motorista de taxi, precisando respeitar as leis de trânsito e tentar ao máximo atender aos pedidos dos passageiros. O de Saejima, por sua vez, é ser caçador em uma montanha de gelo, precisando montar armadilhas, se aproximar com cautela dos animais e dar tiros de espingarda certeiros pra não deixar o alvo fugir. Ao contrário do que possa parecer, todas essas atividades paralelas são bem estruturadas e completas em termos de jogabilidade, não dando a impressão de que estão lá apenas para ocupar espaço.

Apesar do Another Drama ser uma boa novidade, ela acabou afetando negativamente o jogo. Durante a campanha principal, o jogador é obrigado a encarar a ser um taxista ou um caçador por um tempo, a fim de receber instruções básicas dos sistemas, quebrando o ritmo e o clima do título até então. Como se isso já não bastasse, o Another Drama em si é muito curto, a ponto de sequer aproveitar todo o potencial que a jogabilidade de cada personagem oferece. Para finalizar, o gameplay da campanha principal é também muito curto, com pouquíssimas lutas obrigatórias e casos extremos de personagens que possuem mais tempo de introdução do Another Drama que a main quest em si.

Parque de  diversões6

Yakuza 5 dura cerca de 50 horas se o jogador for atrás de todas as sidequests e another dramas de cada um dos cinco personagens.

Assim como todos os outros jogos da série, há muita coisa extra para se fazer por todas as cinco cidades, como degustar vários pratos de diversos restaurantes, jogar outros games de verdade, como Virtua Fighter 2 e Taikou no Tatsujin nas casas de fliperama, frequentar bordéis e se relacionar com acompanhantes, pescar em rios ou no mar e até participar de um campeonato ilegal de artes marciais, citando apenas uma pequena parte das atividades do título. Os extras não se resumem apenas às cidades em si, como também há sidequests espalhadas pelo mapa, podendo ser facilmente encontradas através de indicadores. Elas também são bem variadas, indo desde missões de derrotar um grupo de inimigos a atividades que envolvem até mesmo o another drama, variando de acordo com cada personagem. Um dos aspectos positivos de Yakuza 5 é que muitas dessas atividades extras são, ou inéditas, ou reestruturadas dos jogos anteriores, eliminando boa parte do dejá vu que vinha assombrando a série. Outra coisa que incentiva bastante a aproveitar mais o título, é que o jogo oferece diversos prêmios quando o jogador completa uma determinada categoria de um opcional, como por exemplo, ganhar dinheiro ao completar todas as sidequests, ou armas raras ao almoçar em todos os restaurantes de uma cidade.

Mafioso estagiário7

Yakuza 5 conseguiu dar uma boa renovada nos ares da série, que já estava muito desgastada ao longo dos anos. Novas cidades, personagens, sistemas e extras deixaram o título bem agradável mesmo para quem já jogou todos os títulos canônicos. Mas, infelizmente, o jogo não é, e está longe de ser perfeito, devido à curtíssima campanha principal, somada a elementos sub-aproveitados (Another Drama), que não combinam com a série (Haruka) e uma reta final desastrosa, mostrando que o jogo foi claramente produzido às pressas e não houve orçamento o suficiente para ser terminado.

Nota: 7 (incompleto)

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3 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Yakuza 5

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