[Mara’s Review] Siren: Blood Curse

Nome: Siren Blood Curse /New Translation

Produtora: SCE Japan Studio

Distribuidora: Sony Computer Entertainment

Gênero: Survival Horror

Plataforma: PS3

Siren: New Translation (título recebido no Japão) ou Siren: Blood Curse, como ficou conhecido no Ocidente.

 

Como amante de jogos de terror, sempre fiquei intrigada com a série Siren, produzida pela equipe Project Siren e conhecida por criar Gravity Rush, um exclusivo para Vita. A equipe é um braço do estúdio japonês de criação da Sony, que nos trouxeram inúmeros jogos de qualidade como Shadow of the Colossus, LocoRoco e Demon’s Souls.

O primeiro Siren veio em 2003, seguido de uma continuação (Forbidden Siren 2) de 2006, ambos para PS2. Infelizmente, por não possuir o console, não pude conhecer a série antes. A versão analisada, conhecida no ocidente como Siren: Blood Curse e no Japão como New Translation, foi lançada em 2008, primeiro com forma digital na Playstation Store, e somente depois com mídia física. Apesar da curiosidade em jogar, Siren é uma franquia desconhecida do público ocidental, e a falta de sucesso de Blood Curse só dificultou as chances de colocar as mãos em uma cópia física (sim, apesar da facilidade em encontrar o jogo para download pago na PSN, ainda prefiro a boa e velha mídia física). Mas vamos à análise.

Uma dos raros momentos de luz no jogo.

Uma dos raros momentos de luz no jogo.

 

Terror no vilarejo

Começamos o jogo em 2007, no destruído vilarejo de Hanuda, seguindo uma equipe de televisão que acaba presenciando um ritual de sacrifício humano feito por um bizarro culto. A partir desse instante, todos da equipe se tornam envolvidos com os atos medonhos do culto formado pelos inimigos principais do jogo: shibitos.

Shibitos são mortos vivos convocados pela medonha sirene que dá nome ao jogo e controlados pela estranha magia realizada naquele vilarejo. Não pense, no entanto, que shibitos são zumbis desprovidos de cérebro. Eles preservam características humanas e até continuam seus antigos afazeres. Exemplo: shibitos agricultores continuam plantando e colhendo, enfermeiras vagueiam pelo hospital levando cadeiras de rodas, uma criança shibito continua em seu quarto rabiscando em um papel enquanto canta e policiais shibitos patrulham o vilarejo.

Shibitos assistindo sua programação favorita

Shibitos assistindo sua programação favorita.

 

A história de Siren é apresentada em forma de capítulos, se assemelhando a um episódio de série para televisão. A cada final assistimos um trailer com os próximos acontecimentos e, ao começar um novo capítulo, assistimos a um vídeo de recapitulação. Em um título de horror complexo e com uma história misteriosa, esse sistema se torna útil ao jogador, que pode reprisar aberturas, trailers e cutscenes a hora que desejar.

Outra adição que melhora o entendimento da história confusa do jogo, é o sistema de “arquivos” no menu principal. Cada documento encontrado durante os episódios fica armazenado nesses “arquivos” e serve como dicas úteis para ligar os diversos fatos que ocorrem em Hanuda, pois não se engane, a história de Siren é complexa e repleta de interpretações. Para o jogador familiarizado com enredos do estilo de Silent Hill, que brincam com o sentido de realidade, Siren será um ótimo jogo, mas se você prefere menos análise psicológica em um jogo, melhor passar longe do título.

A traumatizada Bella.

A traumatizada Bella.

 

Um ponto interessante do jogo e que o deixa ainda mais atraente ao jogador, é a possibilidade de se jogar com sete personagens de diferentes personalidades. Todos eles pessoas comuns, presas a um ambiente hostil e aterrorizante, lutando pela sobrevivência (controlamos até mesmo uma criança em cenários escuros capazes de traumatiza-la por muitos anos).

Falando em história, alguns leitores que conhecem a série perceberão que o enredo de Blood Curse se parece muito com o do primeiro Siren, e não estará enganado. O jogo nada mais é que uma livre adaptação do título original, com mudanças significativas e inovações na jogabilidade.

Seigo Saiga, um dos melhores personagens do jogo, presente também no primeiro Siren, com o nome de Shiro Miyata.

Seigo Saiga, um dos melhores personagens do jogo, presente também no primeiro Siren, com o nome de Shiro Miyata.

 

Lembrança dos antigos jogos de terror

Enquanto passa pelos inúmeros desafios de Siren, o jogador lembrará muitos jogos antigos de terror, mas a lembrança não será nada positiva. Prepare-se para controlar seu personagem com controles travados e pouco inovadores, e uma câmera mal posicionada em diversos momentos só servirá para o jogador sofrer inúmeras mortes desnecessárias. Em alguns momentos, os controles não respondem ao nosso pedido.

Se os jogos antigos de terror possuíam essa característica marcante, ver o mesmo acontecer com um jogo da atualidade chega a ser frustrante e, até mesmo, irritante. Em determinado momento, o jogo nos dá a informação que podemos jogá-lo em primeira pessoa; mas nada melhora tendo em vista que esbarramos em parede e perdemos totalmente o controle do personagem. Assim, voltamos logo à visão em terceira pessoa, também decepcionante, mas ainda assim, possível de se jogar.

Howard Wright, o “herói” do jogo.

Howard Wright, o “herói” do jogo.

 

Contudo, os controles do jogo não atrapalham toda a jogabilidade de Siren. Os atrativos que mantêm o jogador preso até o final são variados: a impotência do personagem é chave para nos deixar com medo durante as doze missões do jogo. Começamos cada capítulo sem armas (tirando algumas exceções na história), o que nos obriga a uma abordagem silenciosa. Não somos páreos para os violentos e psicóticos shibitos. Precisamos nos esconder e usar um das melhores adições do jogo: o sistema de Sight Jack, já existente desde o primeiro jogo, mas agora completamente renovado.

Sight Jack é uma ferramenta acionada pelo jogador para ver o mundo através dos olhos macabros de outros shibitos ou humanos próximos. Quando usamos o Sight Jack, o personagem entra em uma espécie de transe e a tela se divide. A partir desse momento, podemos ter uma ideia de quão longe estamos de um shibito, além de usarmos a ferramenta para revelar dicas importantes durante o jogo. Sight Jack além de ser útil, se torna extremamente necessário para completarmos a história de Siren. O efeito também é acionado automaticamente quando somos descobertos por um shibito. A partir desse momento, podemos visualizar do lado direito da tela o inimigo em nosso encalço, criando um efeito dramático e desesperador.

Sight Jack contribui ainda mais para a sensação de terror desenvolvida em Siren.

Sight Jack contribui ainda mais para a sensação de terror desenvolvida em Siren.

 

Cabe lembrar que Siren é um jogo de objetivos pré-determinados. O jogador não terá nenhuma liberdade enquanto caminha entre as poucas localidades disponíveis (o jogo não possui uma variedade de ambientações, mas os produtores tentaram usar as poucas disponíveis de maneira a não enjoar o jogador). Assim que iniciamos uma missão, temos um objetivo principal claro e somos guiados por um mapa bem detalhado e repleto de dicas até o final do capítulo. Ao facilitar a navegação, o jogador perde, em grande parte, a sensação de se estar perdido em um local isolado e misterioso.

Missão principal é mostrada na tela desde o início do capítulo.

Missão principal é mostrada na tela desde o início do capítulo.

 

Cânticos assustadores

Para criar a atmosfera perfeita para um jogo de horror é preciso que os efeitos sonoros sejam responsáveis em transformar a experiência do jogador em algo aterrorizante e tenso. Siren: Blood Curse nos traz essa sensação ao usar uma música intimista e repleta de cânticos bizarros.

Shibitos, os inimigos imortais do jogo, possuem vozes humanas carregadas de insanidade, além do efeito de distorção na voz que foi adicionado e os tornam ainda mais bizarros. Junte isso a uma boa dublagem dos atores e a trilha sonora de ótima qualidade, e fica claro porque Siren conseguiu transmitir terror ao jogador.

Trilha sonora de excelente qualidade.

Escuridão muito bem vinda

Siren: Blood Curse foi lançado primeiramente para download, e por esse motivo, temos gráficos acima da média, mas nada excepcionais. Os gráficos inferiores são disfarçados pelo bom uso da escuridão e neblina ao longo do jogo, e até com o criativo efeito chuviscado que toma conta da tela ao entrarmos em Sight Jack.

O conceito dos inimigos (shibitos voadores e com olhos saltados, enfermeiras que parecem ter saído do filme Exorcista), aliado ao ambiente decadente e sombrio deixa Siren ainda mais bizarro e opressivo.

Conceito dos shibitos é capaz de fazer muito marmanjo sentir medo.

Conceito dos shibitos é capaz de fazer muito marmanjo sentir medo.

 

Conclusão

Blood Curse é mais que obrigatório para aqueles que procuram por bons títulos de horror, mesmo com suas falhas, sejam na jogabilidade ou em seus gráficos.

Não deixe se enganar pelo tamanho dos primeiros episódios, Siren é um jogo completado com mais de 12 horas e que merece ser jogado por qualquer fã de bons títulos de terror. Há também outros atrativos para aqueles interessados em completar totalmente a história, como coletar todos os documentos que formam os “arquivos” do jogo ou encontrar todas as armas.

Siren: Blood Curse passou despercebido e não teve a fama que merecia, mas é um jogo mais que obrigatório para aqueles que esperam uma experiência bizarra e sombria.

Enfermeira shibito, possuída pelo Pazuzu.

Enfermeira shibito, possuída pelo Pazuzu.

Nota: 8,0

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5 pensamentos sobre “[Mara’s Review] Siren: Blood Curse

  1. SIREN! Tava falando desse jogo outro dia LOL Na verdade eu estava dizendo como os Shibitos são tensos XD Digo, eles são MTO ESPERTOS cara, como proceder?

    Eu joguei, logo que lançou o do PS2, mas desencantei depois de um tempo por conta dos gráficos (sou burra, admito que perdi um jogão) e tbm porque havia outra coisa me encantando na época (e que me encanta até hj): FATAL FRAME. Podem falar o que quiser, mas acho que Fatal é um dos jogos de terror que mais me agrada (no sentindo de dar aquele medo FROM HELL LOL. Hj não tenho tanto, mas você sempre fica preensivo lembrando que sua “Ghost List” não tá completa =X).

    O que eu vi do Blood Curse eu vi pelo Youtube e não tenho vergonha de dizer isso, mto pelo contrário, agradeço eternamente por ter net e ter tido a oportunidade de “assistir” o jogo como se tivesse vendo um movie (faltou a pipoca, mas ok).

    De qualquer forma, ótimo review *-*

    Beijinhos =)

    • São espertos pq são humanos no final das contas. Eles conversam entre si e se planejam, é muito doentio lol
      Vou tentar jogos os primeiros no emulador, porque só assim =( Igual com Fatal Frame, pq acredito que seja realmente uma ótima série de terror (ainda mais com fantasmas, jesus cristo amadinho).
      hehehe eu lembro que cheguei a ver Siren pelo youtube também 😉 não há nada vergonhoso nisso. Ainda mais com o estilo cinematográfico de muitos jogos hoje em dia ^^

      Valeu por comentar, Kelly. Beijos ;*

  2. Acho uma pena os survival horrors em geral terem controles ruins como um defeito em comum. Mas apesar disso, parece realmente um bom título para os amantes do gênero.

    Ótima análise!

    • Sim, já virou até padrão ter controles duros. É uma falha até aceitável em jogo antigo, mas pra jogo da atualidade é preguiça dos desenvolvedores.
      Enfim, fazia tempo que não jogava um título de horror 100%. Vale a pena pra quem gosta 😉

      Valeu por ter lido e comentado, Tomio =)

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