[Félix’s Reviews] The Walking Dead – The Game [Season One]

Categoria: Adventure

Produtora: Telltale Games

Distribuidora: Telltale Games

Plataformas: Xbox PS3/XBOX360/PC

Versão avaliada: PC

TWD

O universo de The Walking Dead já possui um longo percurso.  Tendo origem em 2003 em HQ criada por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore (substituído por Charlie Adlard depois da sétima edição), a história narra a jornada de diversos personagens tentando de todas as formas possíveis sobreviver ao apocalipse zumbi.

The Walking Dead é centrada em Rick Grimes, um oficial de polícia que acorda em um hospital confuso e completamente sozinho, aos poucos ele descobre que o mundo que ele conhecia não existe mais e que agora irá precisar de toda sua habilidade para sobreviver e encontrar sua família, seja lá onde ela esteja.

Até então, esse parece um pano de fundo comum para qualquer obra envolvendo mortos andantes. No entanto, o grande diferencial de The Walking Dead é de como os personagens são desenvolvidos e aprofundados dentro do contexto que estão. As Hqs tiveram um começo modesto, mas com o avançar da obra, a série ganhou uma grande popularidade e foi sucesso de vendas.

Uma das capas da edição número 100 da HQ de The Walking Dead

Uma das capas da edição número 100 da HQ de The Walking Dead

Em 2010, The Walking Dead ganhou uma série televisa e com isso a marca ficou ainda mais popular. A primeira temporada de apenas seis episódios foi um tiro no escuro da equipe de produção e da emissora que aceitou o projeto. O sucesso foi estrondoso e hoje a série já esta na sua terceira temporada, com uma quarta já garantida.

A obra também ganhou dois livros, A Ascensão do Governador e O Caminho Para Woodbury, ambos mergulhando no passado de Philip Blake,o grande vilão de The Walking Dead, conhecido mais como O Governador. Nos livros percorremos a fundo a vida do personagem e sua jornada para transformar Woodbury um lugar habitável onde a sociedade possa lembrar o que um dia foi sem se preocupar com o mundo fora dos limites da cidade.

 David Morrissey dá vida ao Governador no seriado.

David Morrissey dá vida ao Governador no seriado.

Com uma base bem sólida já nas Hqs, na televisão e começando na literatura, já era hora de uma das obras mais fascinantes do universo dos mortos-vivos ganhar algum jogo. Ano passado foi anunciado que Telltale Games estaria desenvolvendo um game baseado no universo de The Walking Dead. A noticia foi um pouco decepcionante para todos que esperavam uma grande produção já que o que estava por vir era, até então, apenas um game vendido por episódios na PSN, LIVE e Steam.

Para piorar, Telltale Games não estava em seus melhores dias ao anunciar o game, já que ainda sofria pela má recepção de seu último jogo, Jurassic Park – The Game, outro adventure aos mesmos moldes do que The Walking Dead seria elaborado. No final, o surpreendente aconteceu. O primeiro episódio jogável de The Walking Dead rendeu excelente crítica e aceitação. O mesmo aconteceu com outros quatro episódios que somados renderam nada mais, nada menos que a premiação de Game of the Year na VGA desse ano. O que foi no mínimo, inesperado.

Mas será que mesmo sendo um ótimo título, The Walking Dead mereceu mesmo levar o prêmio de jogo do ano? Será que um jogo vendido por episódios e com uma produção modesta poderia mesmo desbancar os grandes de 2012?  Como Halo 4, Assassin’s Creed III, Dishonored entre outros?  É hora de descobrir!!!

Lee Everet é o protagonista da primeira temporada de The Walking Dead - The Game

Lee Everet é o protagonista da primeira temporada de The Walking Dead – The Game

No primeiro episódio do jogo conhecemos Lee Everet, no exato momento que estava sendo levado para prisão. Mas, ao que parece ainda não era o fim para Lee, sua vida iria mudar, assim como a vida em todo planeta. Seria uma chance de redenção? Ou uma punição pelos seus pecados?  Seja o que for, o policial que levava Lee até a prisão perde o controle do veículo ao tentar desviar de um zumbi uma pessoa na estrada e ambos sofrem um acidente.

Lee consegue escapar com vida, mas o mesmo não acontece com o policial. Não custa minutos para ele perceber que ele esta fud… algo esta realmente errado. Os mortos estão voltando a vida e atacando os vivos. Com uma certa dificuldade e uma perna machucada pelo acidente, Lee se abriga em uma casa aparentemente vazia. Confuso ele encontra a pequena Clementine que estava se abrigando na casa da árvore. Lee se sente imediatamente responsável pela segurança da menina e então parte junto a ela em busca de entender o que esta acontecendo, achar um local seguro e encontrar os pais de Clementine.

A relação entre Lee e Clementine é construída ao longo dos cinco episódios de uma forma bem intensa. A necessidade que um vê no outro é bem nítida: para Lee, a nova chance para tentar de alguma forma corrigir os erros do passado e para Clementine uma imagem paterna que talvez jamais possa ter com outra pessoa. Até o final do primeiro episódio um se torna tudo para o outro.

Clementine é a personagem mais cativante do jogo. E precisará de toda ajuda de Lee para tentar encontrar seus pais.

Clementine é a personagem mais cativante do jogo. Ela precisará de toda ajuda de Lee para sobreviver e tentar de alguma forma encontrar seus pais.

Outros diversos personagens cruzam o caminho de Lee nas mais de 15 horas de jogo. Muitos se unirão a ele e formarão um grupo e outros tantos irão atrapalhar a vida de nosso personagem. Cada um dos estranhos que cruzam o caminho de Lee possuem uma história própria, uma personalidade própria e razões próprias para ajudar ou prejudicar o grupo. A relação com cada um é influenciada pela forma que o jogador lida com cada uma das figuras da aventura.


E nesse ponto que o jogo começa a mostrar seus melhores aspectos. Todos os cinco episódios são formados por dezenas de escolhas, desde respostas de forma educada ou agressiva até quem deverá ser salvo e quem deverá morrer. Além disso há as escolhas mais complexas como por exemplo, deixar alguém que esta pedindo ajuda ser atacado e assim ganhar tempo para fugir ou ajudar a vítima a ser salva e assim arriscar a própria vida, outro exemplo é a escolha de se vingar de alguém que causou problemas de mais ou dar uma nova chance para essa pessoa mostrar o seu valor. Para quem já jogou a série Mass Effect (EA games) essas escolhas já serão familiares. O rumo de certos eventos muda sempre conforme as escolhas do jogador mas nunca a história central. É importante ter em mente isso.  Existem escolhas feitas no episódio um que terão consequências no final do quinto.

Outro grande ponto positivo é a atmosfera tanto dos Hqs quanto da série de TV sendo passada com extrema fidelidade ao game. Algo que já acontecia em Jurassic Park – The Game. O clima intenso, triste, desgastante da jornada de Lee é passado de forma tão pura para o jogador é que vezes é impossível não se sentir melancólico ao jogar. Prepare-se para ficar sem reação por reviravoltas chocantes e para se emocionar na hora de dizer adeus a certos personagens. Morte esta sempre entre os membros do grupo, mesmo assim, o jogador nunca se acostuma com esse fato. Cada perda é uma surpresa.

 

Dezenas de personagens  irão cruzar o caminho de Lee. Esteja sempre pronto para dizer adeus a qualquer um em qualquer momento.

Dezenas de personagens irão cruzar o caminho de Lee. Esteja sempre pronto para dizer adeus a qualquer um e em qualquer momento.

A exploração e combate do jogo são uma mescla de Point & Click com QTEs. Junto a isso o jogador pode se mover pele cenário como qualquer adventure e explorar ao redor. Existem puzzles, objetos a serem encontrados para assim abrir alguma porta ou ativar algum mecanismo. Em certos momentos o jogo consegue lembrar clássicos do survival horror como os primeiros títulos da série Resident Evil (Capcom) e Silent Hill (Konami) Na parte da exploração vale destacar também a variedade de cenários. Ao decorrer de todos os cinco episódios passamos por diversas casas, mercados, hotéis,por uma fazenda,zonas rurais,cidades devastadas,viajamos de trem,exploramos mansões, esgotos entre outros.

O combate é sempre intenso e variado, sempre situações novas acontecem impedindo a sensação de mesmice. Muitos sustos e combates frenéticos pela sobrevivência aguardam o jogador, embora seja basicamente QTEs, as pequenas combinações de movimentos com analógico/mouse já garantem divertidas e originais mecânicas.  Mas lembre-se, o combate acontece diversas vezes, mas não é o foco de The Walking Dead. O que não é de se surpreender já que nem na obra original o foco é esse.

Combates intensos ocorrem ao longo do jogo.

Combates intensos ocorrem ao longo do jogo.

 

The Walking Dead é um jogo muito agradável visualmente. Não possui nenhuma engine poderosa nem é recheado de efeitos e física realista, mas consegue ser muito bonito. Na maior parte do tempo. Em cenários fechados como escolas, mercados, casas o jogo é lindo e detalhista. Porém em cenários mais abertos como cidades é possível notar a pobreza de detalhes. Efeitos de luz e sombras são bem simplórios mas estão lá fazendo suas partes. 

O grande destaque visual do jogo é a movimentação facial, super detalhista e convincente.  Fica ainda mais bela por se tratar de um jogo em cel-shading. Clementine encanta com suas dezenas de expressões faciais e consegue fazer qualquer qualquer marmanjo se derreter quando chora. Movimento corporal não esta no mesmo nível de cuidado mas convence. Sofre apenas de problemas de colisão quando caminhamos até o limite do cenário, e por vezes ocorrem de formas estranhas e robóticas. Alguns pequenos bugs acontecem por poucas vezes mas nunca chagam a atrapalhar a jogatina.

A dublagem do jogo esta excelente e novamente preciso destacar a Clementine que foi perfeitamente dublada ainda mais no quinto e último capítulo onde ela ganha um maior destaque. Efeitos sonoros são fracos mas não ao ponto de prejudicar o game. A trilha sonora é bem modesta porém agrada mesmo não possuindo músicas memoráveis.

 

Gráficos de The Walking Dead impressionam por diversas vezes.

Gráficos de The Walking Dead impressionam por diversas vezes.

Afinal, The Walking Dead mereceu o Goty? Acredito que definir um único grande jogo para um ano todo é uma tarefa complicada. Existiram outros grandes títulos em 2012 que também mereceram o prêmio de jogo do ano. Porém todos eles já vinham com a promessa de serem ótimos títulos e The Walking Dead não, ele foi uma surpresa, uma ótima surpresa e com a premiação no VGA ele será reconhecido como deve. Como um dos melhores jogos de 2012. Imperdível.

Nota: 9,5

 

Tá esperando o quê? Corra agora mesmo e vá jogar The Walking Dead !!!

Tá esperando o quê? Corra agora mesmo e vá jogar The Walking Dead !!!

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11 pensamentos sobre “[Félix’s Reviews] The Walking Dead – The Game [Season One]

  1. Juro que tenho muita vontade de jogar, porque gosto de adventures/point’n’click… mas a temática me afasta muito. Se um dia eu achar barato eu compro pra ver qual é que é!

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