[Mara’s Review] Hitman Absolution

Nome: Hitman Absolution

Produtora: IO Interactive

Distribuidora: Square Enix/Eidos

Gênero: TPS/stealth

Plataforma(s): PC, Ps3 e Xbox 360

Versão analisada: PS3

Hitman-Absolution

Codinome: 47

Em 2000, os jogadores do PC conheceram agente 47, um clone treinado para ser o melhor assassino profissional, o humano perfeito. A partir do segundo título da série, Silent Assassin, jogadores de console puderam conhecer a história do careca frio e calculista. Entretanto, se passaram seis anos desde o último lançamento, Blood Money, e a IO Interactive precisava provar se a série suportaria a nova geração, agradando os fãs da série depois de tantos anos e, mais importante, ganhando novos adeptos.

Criado para ser o melhor

Criado para ser o melhor

Faça seu trabalho sem perguntas

Hitman Absolution começa com uma missão tutorial com peso significativo para a consciência do assassino: matar Diana Burnwood, sua aliada e única pessoa que teve um maior contato com o agente, o auxiliando em praticamente todas suas missões. Diana Burnwood pertenceu à clandestina e milionária agência I.C.A. (International Contract Agency), conhecida por fornecer mercenários e assassinos profissionais para o mundo todo. Por motivos explicados ao longo do jogo, Burnwood se torna fugitiva da Agência e seus perigosos segredos precisam desperecer juntamente com ela. Além da morte da aliada, 47 precisa sequestrar uma misteriosa garota chamada Victoria e leva-la até a Agência.

Os conhecedores da série, logo perceberão a dificuldade do assassino em completar sua missão, e a culpa o perseguirá por todo o jogo, representados por flashbacks. A história claramente trata da redenção do frio clone, uma situação iniciada desde o segundo título da série. 47 luta contra sua origem cruel, e mesmo que não consiga mudar seu propósito (nascido para matar), tenta consertar certos erros cometidos. Um ponto interessante é perceber que o agente está fraco e movido por sentimentos, cometendo erros inconcebíveis para alguém como ele. Contudo, os fãs não precisam se preocupar, a essência do personagem não foi modificada, e mesmo que alguns estranhem um 47 tagarela, a frieza e o modo robótico que trata das coisas ainda é presente.

47 com a estranha adolescente perseguida pelo vilão.

47 com a estranha adolescente perseguida pelo vilão.

A história, apesar da ideia interessante, possui alguns buracos, talvez explicados em um futuro jogo, e situações forçadas. E os jogadores notarão que personagens interessantes são mal aproveitados e desaparecem repentinamente, sem qualquer lógica.

Falando em exagero, um dos pontos negativos do jogo são os vilões. Se Blake Dexter, o principal antagonista, consegue ganhar a atenção dos jogadores como o sádico e ambicioso caipira, outros não possuem essa sorte. É o que acontece com as polêmicas Saints.

Quando Absolution era promovido, conhecemos por um trailer o grupo de assassinas de elite Saints. Vestidas como freiras sadomasoquistas, elas eram morta uma a uma por um psicótico agente 47. Além da proposta do trailer ir contra toda a ideia de assassino frio e calculista, o vídeo foi polêmico e visto como misógino por muitos. Sem iniciar qualquer tipo de discussão feminista/machista na análise do jogo, percebemos que depois do trailer, a produtora foi obrigada a modificar um pouco o contexto para o grupo de assassinas de roupa de látex aparecer no jogo. O resultado? Vilãs desnecessárias, exageradas e com uma presença reduzida na história. Os fãs sentirão que a imagem das Saints vai contra a seriedade da série, tratando-se de uma sexualização incoerente para o jogo.

Trailer com as polêmicas Saints.

A história é explicada em vinte missões, com localizações originais e nada enjoativas. Passaremos por locais luxuosos até o submundo do crime. De Chicago até o interior norte americano, fábricas, hotéis a bairros movimentados, Absolution traz ao jogador um mundo vivo e repleto de NPCs com diálogos únicos e capazes de nos fazer parar no meio de uma missão para ouvir suas conversas.

A pequena cidade de Hope, no interior norte-americano.

A pequena cidade de Hope, no interior norte-americano.

Paciência é o segredo para o sucesso

Assim como nos jogos anteriores, há inúmeras formas para assassinar seus alvos. Quem jogou os outros títulos da série sentirá o cuidado feito pela IO para nos trazer o melhor da série. Ali estão a fibra de piano, pistolas com silenciador, e claro, as mortes criativas que desbloqueiam desafios. Naturalmente você precisa ser fã de stealth, até mais que no caso do Dishonored, porque em Hitman torna-se impossível ser um assassino descontrolado e sedento por sangue.

Absolution representa o típico jogo da série, difícil de ser completado porque requer paciência, movimentos calculados e inteligência. Pretende terminar uma missão atirando em tudo que passa pelo seu caminho? Prepare-se para morrer inúmeras vezes. O melhor sempre é a discrição. Mate rapidamente com uma fibra de piano e esconda o corpo, ou então desmaie a pessoa (sistema parecido com o empregado em Dishonored) para não ser punido por uma morte desnecessária.

Prepare-se para reiniciar checkpoints, pois praticamente todas as suas ações serão descobertas pelos inimigos.

Prepare-se para reiniciar checkpoints, pois praticamente todas as suas ações serão descobertas pelos inimigos.

O instinto de um assassino

Com um treino específico para causar a morte silenciosa de seus alvos, agente 47 conta com um conhecimento diferenciado para se infiltrar em diferentes locais e passar despercebido entre inimigos. Esse conhecimento é apresentado ao jogador como “instinto”. A arma serve para detectar inimigos, se disfarçar melhor e encontrar dicas no ambiente. O instinto também é usado pra matar vários inimigos de uma única vez, o chamado “Point Shooting”. A função se torna útil para jogadores que se encontram em situações desesperadoras, mas caso queira uma maior pontuação e o desejado rank de assassino silencioso, é melhor nem utilizá-lo. O sistema de instinto é limitado, sendo obrigatória calma e estratégia para utilizá-lo.

Instinto sendo usado para fornecer dicas.

Instinto sendo usado para fornecer dicas.

Pensando em se disfarçar?

Um dos pontos essenciais da série Hitman é a ideia de se disfarçar para alcançar seu objetivo. Em Absolution, o disfarce sofreu uma mudança significativa: somos facilmente descobertos caso encontremos pessoas com a mesma roupa que a nossa. Aqui, o sistema do instinto nos ajuda a passar despercebidos. Entretanto, o instinto não é infinito, e logo nos tornamos alvos dos inúmeros inimigos do jogo, que obviamente perceberão que aquele careca não é o segurança contratado para proteger o alvo. Caso esteja sozinho com a pessoa que te descobriu, ainda há salvação. Apenas finja que se rendeu e veja 47 tomar controle da situação e fazer o inimigo de escudo humano quando ela se aproximar (algo já presente em Blood Money, mas agora mais elaborado).

Além dos disfarces, o sistema de cover será obrigatório para o jogador ter sucesso no jogo. Os inúmeros obstáculos e paredes conseguem nos esconder pelo período necessário para programarmos nosso próximo passo. Precisa se vestir de eletricista para ter acesso a uma área restrita? Nada melhor que se esconder no guarda-roupa e aguardar a chegada da vítima, ou então podemos utilizar os inúmeros objetos espalhados pelas fases (desde tijolos até rádios que podem ser ligados) para distraí-lo a ponto de ser atacado.

O jogador deve procurar o melhor disfarce para alcançar seus objetivos.

O jogador deve procurar o melhor disfarce para alcançar seus objetivos.

Seja o melhor

Uma ótima adição foi o sistema de pontuação e challenges. Em cada fase, somos apresentados à pontuação padrão feita pelos jogadores dos Estados Unidos e mundo; uma ótima forma de criar competição mesmo em um jogo single player. Essa pontuação é feita através de seus atos nas fases de Absolution. Mortes desnecessárias são punidas, a eliminação do alvo de forma criativa e sem descobertas acidentais aumentam sua pontuação. Caso fique insatisfeito com o resultado, o jogador pode reiniciar a fase e tentar seu melhor.

Os challenges são outro incentivo para repetirmos cada missão do jogo. São representados por mini troféus desbloqueados dependendo da ação dos jogadores na fase. Esse sistema é tão variado que não se torna nada enfadonho repetir fases para alcançarmos a perfeição. Consegue terminar as missões utilizando apenas o famoso terno do assassino? Foi descoberto? Encontrou documentos importantes durante a fase? Eliminou o alvo de forma criativa? Quanto mais challenges desbloqueados, maior sua pontuação.

Sistema de pontuação. Ainda faltam muitos pontos para alcançar o rank Silent Assassin.

Sistema de pontuação. Ainda faltam muitos pontos para alcançar o rank Silent Assassin.

As fases de Absolution são divididas em seguimentos, ao contrário de uma única fase gigante como nos jogos anteriores. Uma novidade agradável e recompensadora, principalmente se pensarmos em um jogo com checkpoints limitados e espalhados por mapas amplos (muitas vezes o jogador terá que iniciar de um ponto distante de onde parou, o que pode frustrar os jogadores menos pacientes). O sistema de checkpoint, aliás, lembra a quantidade limitada de savegames dos jogos anteriores (dependendo da dificuldade desejada), ou a falta total de saves, como acontece no primeiro jogo da série.

Inimigos perdidos e combate falho

Os novos elementos aumentam a imersão no jogo, entretanto, nem tudo é perfeito no título. Todo jogo de stealth precisa contar com uma ótima IA que desafia o jogador, e nada é mais frustrante que ver um sistema falho e nada realista. Em Absolution, notamos alguns momentos aonde a IA deixa a desejar. Em combate, os inimigos continuam atirando na direção onde você esteve mesmo depois de ter saído do lugar há minutos. Quando estamos escondidos, o inimigo, em alguns momentos, passa do nosso lado e ignora completamente nossa presença.

A maior parte dos problemas com IA desaparece ao se jogar em maiores dificuldades. A partir dos modos chamados profissionais: hard, expert e purista, notamos um maior realismo e IA elaborada.

São raros os momentos de combate direto, mas ao se iniciar um tiroteio o jogador não sentirá dificuldade com o controle, e a adição do “point shooting” é muito benvinda. O uso de certas armas, como o rifle de precisão sofreu uma atualização e agora é bem mais prático e agradável.

Outro problema encontrado no jogo é a adição de QTE’s para combate com certos inimigos. Os botões são pequenos, aparecem em momentos diferentes e são pouco explorados. Felizmente, são poucas as situações em que usaremos esse tipo de combate físico.

exemplo de situação onde há uso obrigatório de QTE.

exemplo de situação onde há uso obrigatório de QTE.

A falta de Jesper Kyd

Os fãs da série vão sentir uma grande diferença ao jogarem Absolution: não há trilha de Jesper Kyd. Se nos jogos anteriores, cada fase possuía sua identidade própria e uma música à altura, nesse jogo temos apenas uma variação da mesma música, e na maior do tempo, teremos apenas o silêncio. Por se tratar de um título stealth, é compreensível a falta de música, mas é impossível não relacionar Hitman com Jesper Kyd.

Música tema de Blood Money, de Jesper Kyd.

vs.

Música tema de Absolution.

Se a música não traz nenhum diferencial, os efeitos sonoros são impressionantes. As dublagens profissionais aliadas aos sons ambientes criam a atmosfera perfeita para o título. Barulhos para indicar que estamos próximos de sermos pegos, guardas que são despertados pelo barulho de portas abrindo, e até mesmo o som da vegetação pode chamar atenção de inimigos próximos. O cuidado foi claro para aumentar o realismo no universo de Hitman.

A vegetação pode te esconder, mas qualquer  movimento desperta inimigos.

A vegetação pode te esconder, mas qualquer movimento desperta inimigos.

Um mundo cheio de vida

Hitman Absolution conta com ambientes diversos e podemos notar que a produtora fez um trabalho cuidadoso para criar um mundo vivo ao jogador. As sombras e efeitos de chuva são bem feitos, e em locais abertos com diversos NPCs notamos ainda mais o realismo gráfico. No entanto, existem alguns serrilhados, mas nada que impeça que o jogo seja uma experiência agradável. Serão nas cutscenes em CG que os jogadores sentirão ainda mais a diferença gráfica em relação ao gráfico ingame.

A multidão em Hitman Absolution.

A multidão em Hitman Absolution.

Contracts

Contracts é o diferencial do jogo e o que pretende fazê-lo vivo por mais tempo entre tantos lançamentos.  Para os amantes de desafio, o modo presente em Absolution será ainda mais aproveitado. Podemos jogar as fases presentes na história padrão, mas agora com novos alvos e objetivos que devem ser cumpridos para ganharmos dinheiro utilizado em compra de armas melhores e diferentes upgrades. O sistema é bem variado, e conta ainda com outro diferencial: o jogador pode criar seu próprio contrato, e disputar com amigos pela melhor pontuação.

“Sempre soube que eu não pertencia a esse mundo. Mas eu nunca me esquecerei daqueles que me traíram, e daqueles que nunca deixei de confiar.”

“Sempre soube que eu não pertencia a esse mundo. Mas eu nunca me esquecerei daqueles que me traíram, e daqueles que nunca deixei de confiar.”

Um jogo para minoria

A série Hitman é conhecida pela criatividade e paciência e Absolution não foge desse padrão. Os fãs antigos da série vão se sentir em casa e aproveitarão cada novidade do novo título, além de se depararem com homenagens aos jogos antigos. Os novos jogadores devem se preparar, no entanto, com um stealth sem caminhos predeterminados e total liberdade na forma em que podemos concluir uma missão. Assim como vimos em Dishonored, Hitman Absolution representa um diferencial entre tantos jogos onde a estratégia e paciência são as últimas coisas a serem utilizadas.

Hitman-Absolution-Review

Nota: 8,5

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17 pensamentos sobre “[Mara’s Review] Hitman Absolution

  1. Eu joguei umas 3, 4 fases somente até agora por falta de tempo.

    Sou jogador novo em stealth, e aprendi a amar o estilo com Deus Ex Human Revolution e Dishonored. Acho jogos stealth muitíssimo imersivos, e senti isso jogando Hitman Absolution, o primeiro da série em que pus as mãos pra jogar pra valer. Achei difícil, bem mais do que Deus Ex ou Dishonored, algo mais roots, não sei hehe.

    Sei que é um jogo para nos deixar muito tensos, pq eu jogando Hitman Absolution até me contorço de tensão!

    Boa análise!

    • é bem isso mesmo, Neto. Stealth é um título difícil, e Hitman é bem mais que outros jogos do gênero. Sempre foi. Ele havia perdido a essência no Contracts (o terceiro da série), mas depois o jogo voltou a ser o bom e velho stealth que se deve jogar com paciência.
      E sim hahahaha dá um nervoso jogar, porque você realmente se sente na pele do 47, e quer fazer tudo perfeito.

      Valeu, Neto 🙂

  2. Ah, que bom que, apesar de errinhos bobos, o jogo continua com a essência da série (e não caiu em repetições enjoativas e missões sem graça). Pra quem tem paciência e gosta da saga do Agente 47, tenho certeza que deve ser um prato cheio pra quem tanto esperava.

    Parabéns pelo review, Mara.
    Logo devo pegar a minha versão também.

    • É uma das melhores qualidades do jogo novo. Cada missão tem uma diversidade fora do comum. Foi uma surpresa agradável, porque realmente pensei que esse jogo seria pior que os últimos.

      Você precisa jogar logo hehehe

      Obrigada pelo comentário =)

  3. Pingback: [Jogo do ano] 2012 « Jogador Pensante

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