[Neto’s Review] Far Cry 3

“A sociedade te ensinou a falhar. Não a natureza”

Poster de Far Cry 3

Poster de Far Cry 3

Turismo de aventura

Far Cry 3 é a nova aposta da Ubisoft na franquia. O anterior, Far Cry 2, foi um jogo um tanto mal recebido e com muitas falhas, momentos morosos e com bastante repetitividade. Ficar com um pé atrás com o novo jogo da série é o normal.

O enredo e o cenário de Far Cry 3 são totalmente diferentes e sem ligação com o anterior da série. Desta vez o jogo se passa nas Ilhas Rook, em algum lugar do Pacífico, provavelmente nas polinésias, mas nada disso é dito durante o jogo, então é impossível de se saber onde ficam as Ilhas Rook.

As ilhas são o local perfeito para realizar um belo turismo de aventura, principalmente skydiving. E é para lá que Jason, o protagonista do jogo, e seus amigos e irmãos vão para torrar as fortunas de seus pais. Mas eles não esperavam que isso terminaria muito mal, tudo porque as Ilhas Rook são o covil preferido de piratas e traficantes de escravos.

Vaas, o Rei da Floresta

Agora, imagine só a situação: um bando de playboy sequestrados e enjaulados para serem vendidos como escravos para qualquer um que queira comprar. E além disso, por um vilão claramente psicopata, chamado Vaas, um dos personagens mais detestáveis e carismáticos já criados algum dia para os videogames.

Perceba, Vaas não é um vilão comum que fala grosso e é diabólico porque tem um plano de conquista global. Ele tem uma voz esganiçada e que falha quando fica nervoso e parece se divertir com a crueldade e medo que causa nos seus cativos, sempre com frases de efeito e discursos sobre a loucura.

Vaas

Vaas

E é diante disso que Jason foge para a floresta, procurando se esconder de Vaas e recuperar seus amigos e seu irmão mais novo, mas para isso vai ter ajuda mística e muita tinta.

A Garça, o Tubarão e a Aranha

Toda a mitologia das Ilhas Rook giram em torno de um guerreiro poderoso que surgirá e conseguirá todas as tatuagens e livrará as ilhas de todo o mal que os piratas causam para a ilha. Jason surge como a possibilidade de ser o Neo de Far Cry 3 e ganha suas primeiras tataus (tatuagens) de um guerreiro Rakyat (o povo das ilhas) chamado Dennis.

Estas marcas de tinta no braço esquerdo de Jason Brody surgem como upgrades do jogo, baseados em pontos de experiência que se ganha fazendo as missões do jogo, matando inimigos, cumprindo side quests e afins. Há três trilhas distintas das tatuagens, baseadas nos três animais sagrados do povo Rakyat: a Garça, o Tubarão e a Aranha.

É importantíssimo o upgrade no jogo, visto que somente assim obtém-se mais barras de vida, ganha-se mais resistência, aumenta-se o poder das seringas curativas e ganham-se novas habilidades de matar inimigos, de aumentar precisão das armas e outros.

Tatau mostrada na skill tree

Tatau mostrada na skill tree

Essa skill tree não é tão grande e complexa quanto a de um Skyrim ou algum outro RPG, mas, entendendo-se que é um shooter, há muito o que se evoluir, o que é um tanto difícil haver em jogos do gênero. Isso é um ponto extremamente positivo, pois aumenta o conteúdo do jogo significativamente e também dá mais vontade ao jogador de cumprir objetivos secundários ou procurar matar os inimigos de formas menos convencionais do que somente um tiro no peito, visto que um tiro na cabeça dá mais pontos de experiência, bem como um assassinato silencioso dá ainda mais.

A civilização da caça e coleta

As Ilhas Rook são grandes. O jogo possui um mapa aberto gigantesco, mas que está recheado de animais selvagens. De primeiro, pode-se pensar que isso é uma bela de uma porcaria, porque, vai caçar para quê? Só para vender?

Mas não, Far Cry 3 conseguiu colocar bastante motivos para a caça. Além do upgrade da tatuagem, há também o upgrade de bolsas de inventário, coldres de armas, mochilas para carregar granadas e bombas, carteiras de dinheiro e etc. E para que isso ocorra, é necessária a caça de animais.

Cada região do mapa possui um grupo distinto de animais para caça. Por exemplo, para se obter determinado upgrade, requerem-se duas peças de couro de búfalo. E não, não vende nas lojas espalhadas pelo mapa. A única alternativa é ir até um local onde haja búfalos e caçar. Feita a caça, um simples acesso ao menu e pronto, aumenta-se a capacidade de carregar itens dentro da mochila (por exemplo).

Caçando

Caçando

Isso é bastante interessante, mas há horas em que fica difícil encontrar os animais em questão para caça, e é aí que entra a coleta de folhas e plantas medicinais.

O jogo possui vários tipos de seringas que podem ser feitas pelo jogador: de medicamento, de boost de caça, de exploração e de combate. Há vários tipos diferentes de folhas: verdes, amarelas, vermelhas, azuis… e cada uma produz uma seringa diferente, ou combinadas obtêm-se algumas seringas mais poderosas (mas não sempre). Portanto, há seringas de caça que permitem que Jason consiga sentir o cheiro dos animais, que aparecem destacados pelo cenário.

E não se preocupe: as Ilhas Rook estão infestadas de plantas, que aparecem diretamente no radar. Mas jamais se esqueça de ter sempre seringas de medicamento de prontidão e algumas folhas verdes guardadas, para o caso de acabarem… se curar nesse jogo é imprescindível.

O mapa da selva

O mundo de Far Cry 3 é enorme, e o mapa vem completamente fechado. E aqui um empréstimo de Assassin’s Creed não fez mal: há diversas torres de rádio espalhadas pelo mundo que, se escaladas e desativadas, garantem duas boas coisas ao jogador:

A primeira e mais importante é a liberação da visualização de uma grande área do mapa. Isso garante uma mobilidade mais fácil e possibilidade de ver as zonas de influência inimiga, áreas que são extremamente hostis ao jogador.

A segunda é a liberação de armas gratuitas nas lojas. Quanto mais torres de rádio liberadas, mais armas ficam gratuitas para o jogador. E isso é interessante, visto que dinheiro é um problema para se conseguir.

Torre de rádio

Torre de rádio

Liberado o mapa, é possível ver as zonas de influência dos inimigos. Essas áreas são perigosas para se caminhar, pois estão cheias de inimigos andando para lá e para cá, e vão atacar assim que verem. Para dar fim a essa influência, Jason deve exterminar todos os inimigos de algum posto avançado da área, que garantirá vários benefícios, o primeiro e mais óbvio é a erradicação da hostilidade da área; o segundo é a abertura de um ponto para viagem rápida (imprescindível em um jogo desse tamanho); o terceiro, por fim, é a abertura de um ponto de venda de armas e munições em cabines automatizadas dentro destes postos.

Jason Fisher Snake

Liberar estes postos avançados não é coisa fácil. O level design destas partes vão se intensificando conforme as missões vão se movendo para novas áreas. Não é obrigatório liberar estes postos, mas fazê-lo facilita muito, pois andar pelo mapa pode se tornar cansativo (apesar dos inúmeros veículos que o jogo apresenta).

Estes postos contêm vários inimigos que ficam rondando a área, prontos para atirar ao menor aviso de inimigo. Outro problema que Jason vai encontrar é que todos esses postos possuem alarmes, que servem para chamar reforços. Portanto, já deu para perceber que partir para o modo berserker é praticamente um suicídio, certo?

E é aí que fica clara a importância do stealth no jogo. Não é algo obrigatório, mais uma vez, mas fica como algo extremamente vantajoso. O primeiro passo é desativar o alarme sem ninguém perceber. E, se você for audacioso e cuidadoso o suficiente, vai eliminar todos como um verdadeiro assassino silencioso, o que vai te garantir um bônus muito maior por liberar o posto do que somente eliminar todos fazendo explosões e barulho demais.

O stealth de Far Cry 3 é bastante simples, porém funcional. Jason possui, para seu auxílio, duas coisas essenciais: uma câmera fotográfica e a habilidade de arremessar pedras. A câmera serve para marcar os inimigos no minimapa/radar e conseguir vê-los através das paredes. Simplesmente esconda-se e aproxime a lente da câmera nos inimigos e eles automaticamente serão marcados. Isso facilita bastante o seu trabalho de espião ninja.

Stealth

Stealth

E atirar pedras é crucial para desviar a atenção dos inimigos. Jogue uma pedra próxima de um soldado e ele vai desviar sua rota normal de patrulhamento e assim o jogador pode passar despercebido por ele, ou abre uma brecha para um nocaute silencioso, golpe em que Jason executa o inimigo com uma facada mortal.

Parece fácil, mas é bastante difícil, visto a quantidade de inimigos e o level design das fases, que faz isso ser bastante complicado de se realizar. Mas é uma daquelas coisas que, quando dá certo, o jogador se sente o Rei do Mundo, principalmente pelo bônus enorme de pontos de experiência que liberar um posto avançado silenciosamente, sem ninguém te notar, dá.

Além disso, vários postos possuem animais ferozes e predadores presos em gaiolas. Atirar nelas faz com que elas se abram e o animal vai sair atacando quem quer que esteja na frente (tenha certeza de que não seja você). Isso serve para desviar a atenção dos soldados e também para eliminar alguns (pode até eliminar todos, mas normalmente o animal vai ser morto antes de isso dar certo), abrindo o caminho de Jason para eliminá-los mais rapidamente.

Outra coisa interessante que pode ocorrer são eventos aleatórios de um bando de animais selvagens atacar o posto durante o assalto a ele. Isso ajuda muito e traz um sorriso ao rosto do jogador facilmente, pois é algo totalmente de repente, sem qualquer coisa para ativá-lo. Muito bom, mas que também ocorre raramente somente.

Vish!

Vish!

O livro da selva

Nas missões principais de Far Cry 3, Jason vai enfrentar os mais diversos desafios. Pegar alguma anotação que está com algum capanga, eliminar alguém, explodir um posto de combustível… há muita variedade de missões.

A maioria consiste em invadir e matar, seja silenciosa ou agressivamente. Possuir armas, granadas e munições fica sempre imprescindível, bem como ter seringas de medicação e de boost de combate.

Mas também há missões de dirigir um veículo enquanto algum companheiro dispara pela arma acoplada, e vice-versa também, depois disso subir em um avião e pular de para-quedas e muito mais. Tudo bem montado.

Incendiar a vegetação pode ser uma das possibilidades para eliminar inimigos. Mas o contrário também pode ocorrer.

Incendiar a vegetação pode ser uma das possibilidades para eliminar inimigos. Mas o contrário também pode ocorrer.

A dificuldade mesmo vai residir no level design. Far Cry 3 possui cenários muito abertos e os inimigos vêm por todos os lados. Achar um cover e decidir suas ações nesse momento é importante. A IA dos inimigos é um pouco fraca e eles não pensam muito em se esconder propriamente, e acabam sendo alvos fáceis, mas ao mesmo tempo Jason também fica vulnerável devido a esse cenário extremamente aberto.

Munição para as armas dificilmente será um problema, mas possuir várias armas diferentes, para determinadas situações, também se torna crucial, já que há grande variedade de inimigos: snipers, outros que vêm correndo em sua direção enquanto se ateiam um coquetel molotov, inimigos blindados com metralhadoras poderosas, cães que vão farejar Jason e atacá-lo e outros desafios. E isso retorna à necessidade de dar upgrade nas bolsas e mochilas, afinal, poder carregar somente duas armas em um jogo tão aberto pode ser complicado.

Pintando o sete

Far Cry 3 contém uma gama enorme de missões secundárias e desafios: entrega de medicamentos com tempo cronometrado, encontrar um inimigo e matá-lo ao modo Rakyat (com uma faca), matar determinado animal raro requerido, corridas com veículos e etc.

Nesse ponto, é possível perceber como Far Cry 3 é um verdadeiro parque de diversões. É um FPS open world extremamente recompensador e divertido, com muita coisa para se fazer além das missões principais. Muitas vezes vai-se deixar de lado o salvamento dos amigos de Jason para fazer alguma missão que pode dar uma boa recompensa. E explorar o cenário em busca de coletáveis também pode se provar divertido, com áreas escondidas e templos enterrados em cavernas, tudo devido aos visuais magníficos do jogo também.

Safari colorido

Far Cry 3 é um jogo extremamente colorido, com muito mato bem verde, um céu azul lindo e muito mais. A versão testada foi a de consoles, e nem é preciso dizer que a versão de PC tem um poder de mais de oito mil perto destas.

O jogo roda em um framerate estável, sem quedas bruscas, nem mesmo quando várias explosões ocorrem ao mesmo tempo. É um dos jogos mais bonitos da geração, com expressões faciais belíssimas e modelagem muito boa, apesar de alguns probleminhas, como uma vez vi um personagem andando flutuando a 2cm do chão.

As Ilhas Rook tem cenários de tirar o fôlego.

As Ilhas Rook tem cenários de tirar o fôlego.

Outro problema que pode incomodar são os constantes screen tearings (cortes na imagem) que o jogo possui, além de bastante serrilhado e texturas feias quando aproximadas muito.

Mas no geral, é um jogo belíssimo e o port para os consoles de Far Cry 3 foi um trabalho milagroso, a Ubisoft realmente tirou leite da pedra nesse caso, sinceramente.

Bú!

Bú!

Vozes e tambores

A dublagem de Far Cry 3 é simplesmente maravilhosa. O já citado vilão Vaas merece prêmios pela dublagem e atuação, sempre muito expressivo e carismático, mas os outros personagens não perdem por muito, os principais sempre têm dublagem e atuações muito positivas e interessantes.

Confira como foi dublar Vaas, nesse vídeo da Ubisoft. Legendado em português!

O jogo possui uma boa trilha sonora, com momentos com músicas extremamente excelentes, principalmente durante as missões, misturando um ritmo de tambor e de orquestras. Fora delas, como é de praxe nos dias de hoje, reina o silêncio e o som que se ouve é o da floresta, de veículos e afins.

Sangue, tiros e tinta

Far Cry 3 se provou um jogo com um conteúdo muito expressivo. Há muito o que se fazer pelas Ilhas Rook e tudo, absolutamente tudo, é divertido e recompensador. O enredo do jogo consegue prender o jogador por toda a sua extensão, se renovando com novos personagens e várias reviravoltas (como é de praxe em jogos de mundo aberto, especialmente os bons sandboxes), além de possuir um dos vilões mais carismáticos e odiosos de todos os tempos dos videogames.

A execução das missões principais têm alguns problemas e anticlimaxes, com batalhas importantes ocorrendo por meio de QTEs, porém com atmosfera muito interessante.  A IA dos inimigos também é um tanto ruim e o desafio maior vai ser mais para se manter vivo do que para conseguir acertar os alvos.

O trabalho para portar Far Cry 3 para os consoles também merece destaque, pois foi uma tarefa de titã, apesar de todos os problemas, como screen tearing e serrilhados.

Jason Brody

Jason Brody

O melhor: conteúdo e mais conteúdo, horas e horas de diversão pelas Ilhas Rook

O pior: IA fraca tira um pouco do desafio, mesmo no nível mais difícil

Nota: 9,0 (Parque de diversões)

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20 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Far Cry 3

  1. Meu amigo, fiquei animada com esse jogo depois que vi aqueles 10 minutos iniciais. Fora que o Vaas parece ser aquele tipo de vilão foda e carismático demais. Vou pegar em janeiro sem falta!!!
    Ficou muito bom o texto 🙂

    • Valeu, Rodrigo!!! Vc tem toda razão, a Ubi tem uma franquia riquíssima nas mãos, afinal, poucos jogos hoje apelam pra um ambiente aberto dessa forma, e sem o clima comum de guerra moderna e afins, coisa bem diferente do que se tem feito por aí!

      Abraços!

  2. Opa! Muito bom review. Estava querendo comprar mas ao mesmo tempo estava com receio de o jogo estar fraco (não acredito mais nos reviews da IGN depois de CoD BO II). Mas agora que foi aprovado pela galera do Jogador Pensante eu confio!!! =D

  3. Pingback: [Jogo do ano] 2012 « Jogador Pensante

  4. Cara jogo BF3 e quando me falaram desse jogo pensei, será se existe outro melhor?! Daí compreiii e valeu a pena….jogão com mapas enormes…já se foram 9 horas de jogo e ainda estou no 3º objetivo (lembrando que, tem muita coisa pra fazer nos mapas e não somente os objetivos).

  5. Pingback: [Neto's Review] Crysis 3 | Jogador Pensante

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