[Tomio’s Review] Paper Mario: Sticker Star

1Nome: Paper Mario: Sticker Star
Produtora: Intelligent Systems
Gênero: Aventura
Plataforma(s): Nintendo 3DS

Estrela colante2

Paper Mario: Sticker Star (Paper Mario: Super Seal no Japão) é o quarto jogo da série para Nintendo 3DS e produzido pela Intelligent Systems (Fire Emblem, Wario Ware).

De papel3

Paper Mario: Sticker Star traz um visual bem diferenciado, simulando tudo que tem nele como sendo de papel ou papelão. O resultado é bem satisfatório, dando um aspecto convincente do estilo artístico e com gráficos bem coloridos, que combinados com o 3D do portátil, deixam o visual um verdadeiro show de coisas saltando da tela, como um livro de relevo infantil faz. É válido destacar o cuidado que a produtora teve como os pequenos detalhes, como o miolo ondulado que os papelões possuem, ou o aspecto “quebrado” de quando uma folha plastificada é dobrada, por exemplo.

A parte sonora traz os sons clássicos da série. As musicas, por sua vez, são uma boa mistura de jazz, orquestra e clássicos da franquia, deixando a jogatina bastante agradável e envolvente.

O único ponto técnico que deixa a desejar é a distribuição de botões, com o pulo e a ação localizados no mesmo lugar, resultando em muitos saltos indesejados e o Mario fazendo outra coisa quando deveria estar com os pés na cabeça de um inimigo.

Salvando a princesa – parte 3564

Em Paper Mario: Sticker Star, Mario deve partir para uma jornada em busca de seis selos especiais, derrotar Bowser e de quebra salvar a princesa. Como já se pode imaginar, o enredo do jogo não é dos mais inovadores por ser voltado para crianças, mas ainda tem seu charme e pode agradar até mesmo os mais velhos, com várias sacadas e cameos da serie Super Mario e sátiras de coisas da vida real, como quando o Mario faz a tipica pose de jogador de boliche ao resolver um enigma.

O titulo não tenta forcar novos e rasos personagens e limita esse aspecto a praticamente uma única personagem, que é a Kersti, a companheira do encanador durante a aventura. De resto, o jogador verá apenas caras nostálgicas, alguns com suas funções originais, como os Koopa Troopas de inimigos comuns, e outros com personalidade e background, como um Goomba. Isso deixou o jogo bem mais amigável para os fãs da franquia e ao mesmo tempo deu uma cara nova no velho elenco. Vale também destacar o imenso carisma de Mario, mesmo sem dizer uma palavra o jogo todo.

A Sony cria, a Nintendo copia5

Paper Mario: Sticker Star é um jogo de aventura, em grande parte do tempo 2D, bem ao estilo The Legend of Zelda, mas dividido por “fases” (que no caso, são pedaços de terreno) em um world map ao melhor estilo Super Mario World, com direito a saídas secretas e portas escondidas. Essa interface, por incrível que pareça, deu certo mesmo para um jogo do gênero, pois deixa a progressão muito bem organizada, com o jogador sempre por dentro do que já fez ou deixou de fazer, e o melhor: não tira a liberdade para concluir a região que quiser na hora que preferir. Outra coisa que o jogo anula com isso é aquela sensação de estar perdido, coisa típica de jogos de aventura por eles serem geralmente em mundo aberto.

A mecânica principal do jogo roda em torno dos selos, que Mario vai usar para fazer tudo no jogo, como lutar em batalhas e resolver enigmas, encontrando pelos cenários, pegando de inimigos derrotados ou até mesmo comprando em lojas. O sistema fora das batalhas é idêntica (para não dizer cópia) à mecânica de LittleBigPlanet, onde o jogador precisa coletar figurinhas pelos cenários e colá-los em algum outro lugar para poder prosseguir ou liberar um extra. É bem divertido coletar diversos selos e ver para que e aonde eles podem ser úteis, assim como é bem gratificante prosseguir por ter usado o item certo na hora certa, pois o jogo não é apenas isento de lógicas insanas/irreais, como geralmente dá mais de uma opção para resolver os problemas.

O jogo conta com um gameplay bem variado e desafiador em geral, fazendo com que o jogador esteja sempre fazendo alguma atividade difenrente, sempre atento aos truques visuais dos cenários para encontrar extras ou até mesmo prosseguir. Mas, infelizmente, esses, que deveriam ser pontos completamente positivos, acabam tirando a paciência do jogador e trazendo frustração repetitiva e/ou prolongada de vez em quando. Por exemplo, logo no início, o jogador é obrigado a encontrar dezenas de Toads espalhados pela cidade, e enquanto todos não forem encontrados, é impossível prosseguir. Em outro momento, só é possível terminar uma fase e dar continuidade no jogo encontrando uma passagem exageradamente não-intuitiva. O jogador que preferir não apelar para wikipedias e detonados, vai se ver perdendo muito tempo rodando as fases de novo e de novo, por uma coisa que se encaixaria muito melhor como um extra do que algo obrigatório (por exemplo: encontrar metade dos Toads para prosseguir, mas todos para ganhar um item).

Agora, o pior elemento do jogo: as batalhas.

6

O sistema é, a primeira vista, a mesma coisa de todos os RPGs que tenham o encanador da Nintendo, ou seja: por turnos e baseado em apertar botões no tempo certo para efeitos extras, como defesa adicional ao tomar dano, golpes mais poderosos ou combos com mais hits. Até aí o jogo não decepciona, com boas respostas de controles e várias estratégias para inimigos diferentes, mas os inúmeros problemas começam daí – o título não possui absolutamente nada de RPG a não ser os turnos, ou seja: não existe nível, experiência, habilidades, customização de equipamentos, nada. Tudo que Mario usa, ou melhor, precisa usar, são os selos, e isso significa também que sem selo nenhum (ou apenas os selos errados), o personagem fica completamente inválido em batalhas, restando apenas fugir delas. Uma decisão bizarra de design que falhou miseravelmente, pois tiraram os ataques normais (e infinitos, por lógica) e destruíram um sistema que funcionava tão bem até então, para que um jogo de cartas enrustido fosse introduzido.

Os inimigos não derrubam nada de relevante além de poucas espécies que possuem selos raros (mais para colecionar do que por utilidade, diga-se de passagem). Isso, somado ao fato de não ganhar experiência, resulta em uma atividade, que deveria ser o maior atrativo do jogo, em algo sem propósito algum, desmotivante e pura perda de tempo e recursos, já que os selos que a maioria dos bichos costumam derrubar podem ser encontrados aos baldes nos cenários, e dinheiro pode ser adquirido em abundância toda vez que uma nova fase é concluída.

Para piorar, o inventário é limitado, então o jogador precisa ficar sempre de olho no que carregar, estar sempre organizado para não desperdiçar espaços vazios, já que cada selo possui um tamanho diferente. A princípio isso é um aspecto até interessante, mas apenas no caso de ser bem utilizado, o que não é o caso do jogo, já que ele necessita de selos para fazer tudo, e limite de espaço resulta em mais e mais backtrackings, mais e mais frustração. Pelo menos, ao avançar na campanha, a capacidade total vai aumentando aos poucos.

A dificuldade das batalhas também depende do tipo de selo usado, alguns deixando os inimigos muito mais fáceis. Isso significa também que sem o selo certo, o jogador pode passar por momentos insanos com chefões humanamente impossíveis de serem derrotados, ou que levam uma eternidade e consomem todo o inventário. Esse é apenas outro aspecto interessante que foi perdido pela má utilização, pois o jogo só dá dicas do que se deve usar durante as lutas, fazendo que todas as vezes sejam a base da tentativa e erro. Para piorar um pouquinho mais, o jogo não possui a opção de soft reset, a maior parte das cutscenes não podem ser puladas e o jogo não dá opção de ficar parado durante as lutas (é obrigatório utilizar um selo), então a forma mais fácil e rápida acaba sendo desligar o 3DS e reiniciar o jogo logo após descobrir quais os selos necessários.

Outro problema é a ausência de seleção de alvos quando há mais de um inimigo na tela. As vezes, quase todos estão em posições de defesa/contra-ataque, menos um no fundo da fila, mas não é possível atacá-lo diretamente pois Mario só vai interagir com o mais próximo. Assim, inicia mais uma novela frustrante, com o jogador sendo obrigado a gastar desnecessariamente selos para passar turnos ou selos de ataque em grupo até o alvo resolver ficar vulnerável de novo.

A única novidade de batalha isenta de pontos negativos é um sistema de caça-níquel que pode ser acionado uma vez por turno. Com uma quantidade de moedas, o jogador pode arriscar a sorte para ter diversos efeitos na luta, como paralisar todos os inimigos ou recuperar sua própria energia. Mas o principal ponto disso é outro: com no mínimo 2 ícones alinhados, Mario ganha o direito de agir 2 ou 3 vezes seguidas por turno, idéia bem similar ao Brave/Default de Bravely Default (3DS) e bem útil para terminar as lutas rapidamente se tiver com moedas sobrando no bolso.

Minha coleção de selos7

Paper Mario: Sticker Star dura cerca de 15 horas para abrir todas as fases, descobrir todas as saídas e abrir todas as portas secretas. Curto para um jogo do gênero, ainda mais para um “Paper Mario”.

Fora a campanha e os principais extras, o jogo ainda oferece um interessante museu onde o jogador deve colar seus selos inéditos e completar a galeria, locais escondidos com corações que aumentam a quantidade de HP, easter egg de um personagem bem famoso da Nintendo e um sistema de conquistas/troféus interno, onde a cada meta atingida, uma bandeira é levantada na cidade principal. Apesar de todos esses interessantes extras, o jogo continua bem curto, não passando de 25 horas para fazer 100%.

Inovação frustrada8

Paper Mario: Sticker Star é um jogo de pouco, mas excelente conteúdo, jogado no lixo por um sistema de batalhas completamente cru e uma progressão as vezes inconsistente. Um potencial incrível desperdiçado, infelizmente.

Nota: 6 – “Desperdício”

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8 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Paper Mario: Sticker Star

  1. Ótimo review.
    Uma pena que Paper Mario esteja sofrendo com essas “inovações”, ao menos o resultado foi menos pior do que o visto em Super Paper Mario Wii.

  2. Porra meu, até tinha esperanças de comprar esse, mas pelo jeito não vale a pena…. 😄
    Seria uma boa adicionar aos seus reviews junto das considerações finais se o jogo vale a pena de ser comprado ou não.

    Outra coisa, você não está afim de entrar no time de moderadores do fórum da Rpg Players?
    A idéia seria expandir as sessões de reviews para games em geral, com você postando por lá e moderando os reviews… o que você acha?

    • Boa ideia, Eric!=D

      Quanto a sugestao, agradeço, mas ficarei apenas nesse blog mesmo…eu não ando com muito tempo disponível nem para me dedicar ao Jogador Pensante, então caso eu entre em outro site, capaz de virar “funcionário” fantasma de ambos XD.

      Mas, mais uma vez, obrigado pelo convite!

  3. Tomio, impressionante sua indução com as palavras. Eu concordo parcialmente com sua analise, concordo em especial, no sistema obrigatório de desvendar onde esta tal adesivo, e para onde se destina, isso esta feito de forma a estressar o jogador, por ser uma descoberta praticamente secreta, e não discreta.
    Com relação ao modo de batalha, achei inovador positivamente, se você está com falta de adesivos para batalha, trate de pegar pelas fases ou compre, isso faz o jogo se tornar mais “adventure”, e se o jogador quer tanto customizar armas ou fazer upgrades de habilidades, procure um RPG classico, e não paper mario.
    E a enfase ” sony cria nintendo copia” foi tão inutil quanto desnecessário. Evidente que a ideia pode ter vindo de Littlebigplanet, mas para cada jogo que a nintendo se referencia da sony, a sony já copiou 10 da nintendo.
    Esse jogo nem de longe tem duração de 15 horas, a não ser que você não lê toda história ( as conversas ) do jogo, e olhe lá. Esse jogo, tem duração média de 25 horas se considerar 100% completado em adesivos e bandeiras de missões, mas com o sistema estressante de descobrir adesivos que abrem fase, sem usar detonados, pode chegar as 35-40 horas.
    Esse jogo recebe avaliações entre 8,0 e 9,0 por ai, nota 6,0 é um tanto quanto desabafo e expectativa alta de fã do que realmente digno de nota 6,0.
    De qualquer forma, gostei da analise, me chamam atenção e serve de referencias.
    Abraço.

    • Obrigado por ler e comentar, Yuri.

      O problema de Paper Mario, é que ele foi ficando diferente do que ele era originalmente (RPG), mas não se livrou totalmente das raízes, e mesmo assim, fez isso da maneira errada. Por ter se tornado um adventure, o último elemento RPG que deveriam ter mantido é o sistema de batalhas por turno e quebra de telas, deixa o jogo muitíssimo cansativo e o tal sistema sem propósito algum, já que, como já é de nossa consciência, dá pra comprar ou coletar stickers pelas fases, e dinheiro não é problema por ganharmos muita grana no final de cada fase.

      Mas, enfim, novamente agradeço sua visita! Grande abraço!

  4. Gostei muito da sua análise do ponto de vista técnico. É muito detalhista, tem boa redação indo direto ao ponto. Dividiu muito bem os tópicos e fez uma ótima ilustração…

    No conteúdo se saiu muito bem, mas eu particularmente não concordo com diversos pontos. Quero deixar bem claro aqui que nunca tinha jogado nenhum Paper Mário, e sua análise em momento algum teve esse ponto de vista.

    Em primeiro lugar, você deu nota 6.0 – Desperdício. Discordo complemente. Para mim no geral o jogo é ótimo, muito divertido e valeu muito a pena jogá-lo. Fiquei viciado no jogo… Mesmo tendo excelentes jogos disponíveis no meu Xbox e até no 3DS, depois que comecei a jogar esse jogo não consegui mais sair dele… E não queria ter “gastado” o jogo assim, pois meu 3DS é para ser usado quando não estou em casa… ou quando meu 360 está ocupado com meu filho…

    “O jogador que preferir não apelar para wikipedias e detonados, vai se ver perdendo muito tempo rodando as fases de novo e de novo, por uma coisa que se encaixaria muito melhor como um extra do que algo obrigatório”
    Em relação a isso posso dizer que SE você souber inglês, e aí para mim está o problema, pois quem não souber vai ter mesmo que ir para os detonados, dá pra resolver tudo no jogo… pois com o botão L você pode chamar a Kersti a qualquer momento do jogo. Basta ir para frente da parte aonde precisa passar e apertar o botão… ela vai aparecer e te dar uma dica bem de leve e discreta… e te pergunta se quer mais ajuda… se você já sacar beleza… se não, ela dá mais um pitaco que fica bem fácil descobrir o que fazer… ou ao menos para onde ir… Agora a Nintendo pisa na bola feio por não traduzir os jogos para PT-BR…

    Teve outros pontos que para você eram pontos fracos, mas para mim eram pontos fortes… por exemplo: “Para piorar, o inventário é limitado, então o jogador precisa ficar sempre de olho no que carregar, estar sempre organizado para não desperdiçar espaços vazios” Isso para mim é muito positivo… TODO jogo de RPG ou estratégia (neste caso eu concordo com você Mario Paper é estratégia e não rpg…) se utiliza deste artifício… TODO. E isso para mim é um ponto positivo.

    Outra coisa:
    “A dificuldade das batalhas também depende do tipo de selo usado, alguns deixando os inimigos muito mais fáceis. Isso significa também que sem o selo certo, o jogador pode passar por momentos insanos com chefões humanamente impossíveis de serem derrotados, ou que levam uma eternidade e consomem todo o inventário. Esse é apenas outro aspecto interessante que foi perdido pela má utilização, pois o jogo só dá dicas do que se deve usar durante as lutas, fazendo que todas as vezes sejam a base da tentativa e erro. Para piorar um pouquinho mais, o jogo não possui a opção de soft reset”

    Em relação ao soft reset concordo plenamente com você… agora querer que o jogo te diga que selo usar aí já é demais… qual foi o jogo de estratégia que você já viu isso? Você é jogador da geração Merthiolate que não arde??? 🙂

    Em relação as horas de jogo também não concordo… mesmo sabendo o que fazer o jogo demora mais que 15 horas de jogo… sei disso pois contei as horas do detonado do GuilhermeOss, e ele já sabia tudo o que tinha que fazer… mesmo de vez em quando dando aquela “pressãozinha” para fazer um suspense…

    Do resto, gostei muito da análise… e gostei mais ainda do jogo. Foi o melhor que joguei para 3DS até agora…

    • E ae Deivid! Obrigado por ler e pelo comentário!

      Vamos por partes:

      -Quanto as “dicas”…como pode ver no cabeçalho da análise, utilizei a versão japonesa, e nela não consta nenhum tipo de dica útil, tampouco um “deseja uma dica mais específica?”. Mas é bom ver que a versão ocidental é mais amigável nesse aspecto.

      -Quanto ao inventário e “dicas” de selos, você entendeu errado. Não reclamei dos sistemas em si, reclamei da má utilização das mesmas. Do jeito que foram implementadas nesse jogo, só deixou a jogatina mais desgastante, e não desafiadora. Pelo menos ao meu ver.

      -As horas de jogo não tenho o que falar além de “mas foi 15 horas mesmo”, Com esse tempo tinha aberto todas as “portas” fases…só não completei o museu de selos.

      Mais uma vez, obrigado por ler e pelo elogio =)

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