[Tomio’s Review] E.X. Troopers

Nome: E.X. Troopers
Produtora: Capcom
Gênero: Ação
Plataforma(s): Playstation 3, Nintendo 3DS
Versão analisada: Playstation 3, japonesa

Tropa de eli…especial.

E.X. Troopers é um spin-off da série Lost Planet da Capcom, com um novo formato de gameplay e estilo gráfico/artístico diferenciado, lançado para Playstation 3 e Nintendo 3DS.

Bonito, mas…

E.X. Troopers, diferente da série principal com seus gráficos realistas, possui um visual bem diferenciado, apresentando um cel shaded com traços de anime e narrativa apresentada como se fosse uma história em quadrinhos. Tecnicamente, o jogo é bem competente em texturas e movimentação de personagens, monstros e bases, mas perde a força quando os cenários de batalhas entram em cena, todos muito simples e pobres em quantidade de coisas, sendo apenas uma das provas de que o título foi feito primeiro para o portátil da Nintendo, e não o contrário. A iluminação também é um tanto estranha – se é que é possível chamar aquilo de iluminação. Basicamente, o jogo simula luz com bordas brancas em personagens e monstros, o que acaba não dando muito certo por fazer os detalhes dos modelos serem perdidos.

A parte sonora fica apenas no aceitável nos efeitos, mas bem agradável nas músicas – cerca de 80 músicas eletrônicas estão presentes no jogo, algumas até mesmo com vocal ao estilo Hatsune Miku (leia a respeito AQUI). A única bola fora são as músicas escolhidas para as bases (as HUB Worlds), que se tornam repetitivas rapidamente.

E.X. Mongos

E.X. Troopers ocorre no mesmo universo de Lost Planet. Isso significa que o jogador vai encontrar várias características da franquia, como os robôs VS, a organização NEVEC e os monstros com material primário de energia térmica.

A história, ao contrário da série principal, é bem simples (para não dizer pobre), sem reviravoltas ou temas muito complexos, narrativa objetiva e com muitos clichês, como personagens fazendo poses, nomes de golpes, superpoderes e robôs falantes, deixando claramente o apelo ao público infantil.

Os personagens acompanham o tema, e de uma maneira não muito feliz. O elenco é uma verdadeira representação do que tem de mais genérico no mercado de animes e jogos infantis, como o rivalzinho convencido, o inteligente medroso, a princesinha inocente e o protagonista burro e forte. Alguns deles conseguem irritar bastante repetindo manias linguísticas como “não”, “bom, bom” e “tipo assim” a todo instante. O destaque negativo disso vai para o protagonista, que não se contenta apenas a uma ou duas palavras, mas repete uma frase praticamente jogo inteiro: “primeira estrela do universo!”, fora algumas onomatopéias que ele fala em momentos importunos, deixando tudo ainda mais sem sentido.

É triste ver um produto infantil desses como se criança = pessoa retardada, pois há vários exemplos de excelentes títulos infantis, que não apenas atingem o alvo com maestria, como também agradam outros públicos, como Ni no Kuni e Digimon World Re-Digitize. Ao menos a Capcom não tentou jogar perfume nas fezes e deixou as coisas bem rápidas e básicas para dar mais espaço pra o gameplay, que no final das contas, é o que importa num jogo.

Tudo teleguiado, mas com falhas

E.X. Troopers é um jogo de ação em terceira pessoa com uma pegada mais arcade, gênero mais conhecido como Run-and-gun (ou uma versão pedestre de Shoot’em ups). Ou seja: o jogador vai passar por fases (missões) lineares e enfrentando hordas de inimigos, geralmente concluindo a missão alcançando um ponto do mapa ou derrotando um chefão. Apesar da simplicidade, o jogo consegue dar uma boa variada no gameplay, tendo algumas missões onde o principal objetivo é não levar muito dano, outras onde é preciso coletar materiais, outras onde é preciso proteger bases e até mesmo batalhas utilizando um VS de última geração, resultando em uma experiência bastante agradável mesmo durando mais do que muitos shooters de hoje em dia.

Entre uma missão e outra, o jogador é levado para uma das bases da NEVEC, que funcionam como as HUB Worlds do jogo. O jogador pode fazer várias coisas nelas, como se alimentar para ganhar status temporários (ataques mais poderosos, mais HP, etc), melhorar armas com os materiais derrubados pelos inimigos e interagir com NPCs para sidequests e missões paralelas.

A ação ocorre como um jogo de tiro em terceira pessoa com aspectos já conhecidos de Lost Planet, ou seja: É preciso atirar nos pontos fracos (partes amarelas) para derrotar os monstros. O título possui um acervo bem amplo de ações, como tiros de diferentes tipos de armas, golpes físicos com direito a esquiva, defesa e contra-ataque, jetpacks para locomoções rápidas e até golpes especiais de área quando uma barra fica cheia. Os controles são bem mapeados e as respostas dos comandos são excelentes, mas há um “pequeno” problema: a mira completamente automática. Ao apertar ou segurar um botão, a mira trava no inimigo (ou um dos pontos fracos no caso de monstros gigantes) e o controle de câmera pára de funcionar, pois o analógico direito passa a funcionar como troca de alvo. Há vários problemas nessa decisão de design:

-A mira, mesmo travada, muda de alvo repentinamente algumas vezes, deixando o jogador na mão;
-A completa falta de mira manual algumas vezes deixa o que seria uma batalha simples em algo demorado e com dificuldade artificial, pois só é possível cuidar de um inimigo por vez (os tiros saem praticamente teleguiados);
-Tirando partes específicas citadas acima, o jogo fica fácil de mais por conta desse sistema.

Tudo isso, no 3DS, é completamente justificável pela falta de analógico para mira, mas em um console de mesa fica no mínimo lamentável o nível de relaxo da produtora na hora de portar o título, jogando fora a oportunidade de apresentar uma jogabilidade a nível do excelente conteúdo do jogo por um detalhe tão bobo.

Outra coisa que incomoda um tanto é a inteligência artificial dos aliados. Em geral, os NPCs são insignificantes, pois não atacam direito e quase não acertam os inimigos. Mas o real problema se mostra em momentos onde é preciso que eles façam algo útil, como em missões onde é preciso proteger alguém ou algum ponto do mapa. Não há gerenciamento de tropas, nem configuração de ações, nem comandos para dar ordens, nem nada. Apenas o jogador acompanhado de uma ou duas mulas em momentos críticos. Felizmente, momentos como esses são ligeiros e não são numerosos.

Treinamento virtual

E.X. Troopers dura cerca de 15 horas na campanha principal, enquanto buscar o troféu de platina (que significa também fazer absolutamente tudo do jogo) leva um pouco mais de 30 horas.

O jogo possui um sistema online, onde o jogador pode se encontrar com dois amigos, desconhecidos pela internet ou até mesmo dois NPCs, e realizar diversas missões paralelas, contando inclusive com objetivos extras que dificultam a jogatina de quem quiser concluí-los, mas recompensam com moedas, que por sua vez são usadas para comprar extras como roupas alternativas e músicas. Após o término da campanha principal, é possível também participar de uma espécie de new game plus, onde todas as missões principais contam com objetivos extras. Há também um modo competitivo, mas esse infelizmente é muito limitado, tendo apenas dois modos para seis pessoas: Uma espécie de capture the flag e um team deathmatch.

Dentro das bases, o jogador pode também interagir com alguns NPCs e realizar diversas sidequests, como encontrar itens específicos, ir juntos ao campo de treinamento (missão paralela) ou bancar o mensageiro. Essas quests, além de simples e divertidas, são úteis de várias maneiras, pois com elas é possível liberar mais roupas extras disponíveis, ampliar a lista de recrutas para as missões paralelas e ganhar itens para melhorar as armas para estágios mais avançados.

Estrela número 1!

E.X. Troopers é um jogo bem simples e descompromissado, ótimo para sentar, jogar e relaxar…no Nintendo 3DS, pois o título, em um console de mesa, simplesmente não se justifica.

Nota: 7

Uma palavra: Relaxante

Clique AQUI para entender as notas do Jogador Pensante.

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