[Neto’s Review] Assassin’s Creed III Liberation

“Eles teriam me matado, levado meu coração. Eu nunca quis te deixar.”

Capa do jogo.

ENREDO

Assassin’s Creed III Liberation foi lançado no mesmo dia de Assassin’s Creed III, a última entrada da franquia nos consoles de mesa. Exclusivo para o carente PS Vita, Liberation era um dos títulos mais esperados pelos donos do portátil (e por fãs da franquia em geral), principalmente porque parecia, pela primeira vez, que a série estava finalmente sendo levada aos portáteis com seriedade. Será que é realmente isso tudo?

O jogo foca na protagonista Aveline de Grandpré, uma negra francoamericana que conseguiu escapar das garras do forte escravismo de Nova Orleans, tendo sido adotada por uma rica família após se perder de sua mãe. O jogo vai focar todo no tema de libertação dos escravos e intrigas de estado, com uma cidade dominada por exércitos espanhóis na maior parte do tempo.

Tela de apresentação do jogo.

O problema é que o enredo é muito confuso e não há muita ligação entre as cenas que tentam explicá-lo. Como todo Assassin’s Creed, há muita conversa, muita apresentação de personagens e tudo mais, mas tudo é feito com pouco carinho e cuidado nesse ponto.

A confusão do enredo é causada devido principalmente a essa falta de ligação citada. Aveline uma hora está no ponto A, e de repente vai para o ponto B, que está acontecendo algo com alguém que nem sabemos quem é, devido ao fraco desenvolvimento de personagem que o jogo tem.

É muito estranho e triste isso, visto que ser uma mulher pela primeira vez em Assassin’s Creed poderia render bons frutos para o enredo, mostrar um lado diferente, mas esse ponto é tão deixado de lado que soa enfadonho e chato. A história do jogo é facilmente esquecível e os personagens nem um pouco marcantes, apesar de Aveline ser a mais emotiva de todos os assassinos que um dia a Ubisoft já nos deu nas pontas dos dedos.

As ligações entre as memórias geralmente são essas imagens, tudo bem confuso e sem muita ligação no fim das contas.

A reconstrução histórica poderia ter sido bem melhor se o enredo tivesse sido melhor trabalhado. Essa coisa de brincar com a história sempre foi excelente em todos os jogos da franquia (pelo menos nos de mesa), mas dessa vez passa em branco… Nova Orleans parece apenas servir de palco para os acontecimentos e personagens históricos (se é que existem, já que a história da escravidão de Nova Orleans e seu domínio pelos espanhóis me são desconhecidos) passam despercebidos, muito diferente do resto da série.

Há algumas coisas interessantes em relação ao enredo, no entanto, como a verdade estar escondida por uma espécie de pessoa-bug do Animus acessado e, se essa pessoa for morta, a verdade sobre determinada cena será revelada e isso pode causar boas reviravoltas.

JOGABILIDADE

Assassin’s Creed III Liberation é um jogo open world com duas áreas principais: a cidade de Nova Orleans e o Pântano.

O jogo possui diversas missões pelas muitas “memórias” acessadas de Aveline. O básico aqui, como nos outros Assassin’s Creed, será escalar, matar e lutar.

Escalar é bastante fácil e funcional, praticamente idêntico ao dos jogos de mesa, com um bom adendo de um chicote que pode fazer a personagem pular mais longe se necessário de uma plataforma para outra. E todos sabemos que escalar na franquia Assassin’s Creed é essencial.

Sim, é claro que há os famosos “View Points”.

Agora, a parte do combate do jogo já não é tão legal assim. O combate do jogo é baseado em contra ataques, e o problema principal aqui é que a mecânica funciona muito mal. O jogo tem problemas em detectar se você apertou ou não o botão no momento certo, e acaba-se apanhando muitas vezes, tentando apertar na hora certa (que incrivelmente é a hora errada). Pode esquecer, você não vai pegar a manha, porque não há uma. Houveram horas que eu achei que tinha pegado o timing, mas não, o jogo simplesmente ri na sua cara e você toma espadadas, machadadas e tudo mais, então simplesmente é mais fácil ficar apertando bolinha sem parar para evitar tomar um dano, até que chega um inimigo em que você for obrigado a bloquear seu ataque para conseguir encontrar uma brecha para o ataque. Triste.

A maior adição para a jogabilidade é a troca de roupas que a personagem possui. Há três vestimentas diferentes: a de dama, de escrava e de assassina. Cada uma possui suas peculiaridades: a de dama pode seduzir homens para te proteger e subornar guardas, a de escrava se disfarça entre os trabalhadores e escala melhor, e a de assassina pode manipular mais armas. Tudo isso poderia ter sido muito mais bem explorado e poderia ter tido mais vantagens de se usar uma roupa ou outra. No fim das contas, usar a dama será um saco pois ela é lenta e não pode escalar, e usar a escrava ou a assassina é quase como trocar seis por meia dúzia…

Escrava Aveline

Agora, quanto ao que fazer em Nova Orleans além das missões… bem, não há muito. Há algumas side quests espalhadas, normalmente para encontrar e matar um alvo, há alguns coletáveis para serem roubados de transeuntes, lojas para comprar roupas ou armas, câmaras para se trocar de roupa para serem compradas… mas ainda há algo pior… há o Pântano.

O Pântano é um lugar claramente pensado como a Fronteira de Assassin’s Creed III. Esta última é um verdadeiro playground para o jogador, com caça, missões diferenciadas, fortes para serem liberados e muito, mas muito mais mesmo… já o Pântano é pura chatice. Possui side quests de eliminar inimigos e nada muito mais do que isso. E é uma área grande e infinitamente chata (e ah, não há sistema de fast travel no jogo), a movimentação por um terreno alagado é péssima, apesar de existirem as árvores para uma melhor transitada pelo local.  Há alguns coletáveis por aí, como ovos de crocodilo para serem pegos, mas, a não ser que você seja alguém que tem sede de fazer 100% em todos os jogos, não há motivos para ir atrás disso.

No final das contas, o conteúdo de Assassin’s Creed III Liberation é extremamente pobre, apesar de haver missões principais bastante diversificadas e algumas (poucas) bastante empolgantes.

Mas o pior de tudo fica a cargo do gimmick forçado pelo jogo. Sabemos que o PS Vita é um videogame com funções motion, touch (frontal e traseiro) e com câmera. E a aventura de Aveline tentou utilizar absolutamente tudo. Mas isso é absolutamente muito chato, principalmente alguns puzzles onde deve-se girar o Vita para fazer uma bolinha passar pelo labirinto (frustração é pouco para a imprecisão dessa parte) ou encontrar uma fonte de luz forte e apontar a câmera do Vita para que apareça algo escrito em uma carta (se você estiver jogando e faltar energia na sua casa, pode fechar o jogo e ir brincar de pogobol).

Não, por favor, não…

SOM

Primeiramente, a dublagem. É o ponto mais alto do jogo, uma dublagem forte e com muita personalidade. É muito bom ouvir as conversas em inglês permeadas de francês da região de Nova Orleans do século XVIII.

Já para as músicas, a coisa fica um pouco pior. No Pântano, quando fora de perigo ou em pontos específicos da missão, só se ouve o som de sapos e afins, enquanto na cidade há uma música depressiva e muito, mas muito chata, que começa a irritar e dá vontade de simplesmente tirar o som do jogo.

Há algumas músicas boas, especialmente na última missão do jogo, que casa totalmente com o clima e dá até pena em pensar em como o trabalho musical de Assassin’s Creed III Liberation foi feita de modo fraco e sem muita atenção.

Uma das poucas boas músicas do jogo.

VISUAL

Um dos jogos mais bonitos do Vita, mais uma vez. Por ter áreas maiores do que Uncharted: Golden Abyss, é possível dizer que Liberation é mais bonito do que este. O jogo conta com vegetações muito bem feitas, variedade de cenários, detalhes nas construções e movimentação muito boas para seus personagens. As expressões faciais também são bem feitas, bem como a iluminação do jogo.

Belíssimos cenários.

Há alguns bugs (como era de se esperar), como personagens que estão DENTRO das paredes, seres que ficam estáticos em posições estranhas após algo acontecer e vários outros bugs menores.

E as colisões na hora dos assassinatos beiram o surreal: muitas vezes é como se Aveline estivesse atingindo o inimigo com uma extensão invisível de sua espada ou de sua hidden blade. Isso chega até a irritar, pois ocorre muitas vezes.

Mister M, senhor dos sortilégios, nos conte seu segredo de entrar dentro da parede!

Outro ponto baixo fica por conta das cut scenes, onde personagens que já pararam de falar continuam gesticulando, ou outros que estão conversando entre si não se olham (talvez sejam todos vesgos ou estrábicos… acho que não, né?).

E por fim, o jogo tem quedas de desempenho bruscas, muitos slow downs e muitas vezes há a impressão de que Aveline corre em câmera lenta.

Bela vista.

VEREDITO

Assassin’s Creed III Liberation é uma grande decepção. Esperado por muitos como um forte jogo para o PS Vita, a aventura de Aveline se mostra bastanta insípida, sem muito conteúdo, com muitos momentos chatos, trilha sonora passável e muito mais…

Se vale a pena? Eu diria que a preço de um lançamento, definitivamente não. E diferente de Revelations, nem o multiplayer vale a pena… quer saber como é o multiplayer de Assassin’s Creed III Liberation? Jogue algum jogo social do Facebook, o paradigma é o mesmo.

É muito triste ver a Ubisoft entregando um produto claramente caça níquel e que soa como feito às pressas para ser lançado juntamente com o poderoso e ambicioso Assassin’s Creed III, provavelmente buscando vender no rastro do hype imenso dos fãs que aguardavam a aventura de Connor.

Parte dama, parte escrava, parte assassina… e total decepção.

NOTAS

ENREDO: 3,0/10,0

+ Aveline é uma personagem interessante

+ Algumas reviravoltas graças aos “personagens bug” do Animus

– Problemas críticos de narrativa

– História confusa e esquecível

– Cadê a reconstrução histórica memorável que tanto marca a série?

JOGABILIDADE: 5,0/10,0

+ Escalada simples e funcional

+ Missões diversificadas

+ Sistema de troca de roupas é até interessante, mesmo podendo ter sido melhor explorado

– Gimmick forçado

– Contra-ataque falho

– Falta de conteúdo para um jogo de mundo aberto

SOM: 7,0/10,0

+ Dublagem bem feita

+ Algumas músicas empolgam

– Mas a maioria é passável, quando não irritantes

VISUAL: 6,5/10,0

+ Possivelmente o jogo mais belo do Vita

+ Bons efeitos de iluminação, água, enfim, os cenários em geral são muito caprichados

– Bugs estranhos

– Colisões em batalhas muito ruins

– Cut scenes mal feitas

– Muitas quedas de desempenho

NOTA FINAL: 5,0/10,0

Clique aqui para entender as notas do Jogador Pensante.

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2 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Assassin’s Creed III Liberation

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