[Especial motores gráficos] A verdadeira importância dessas ferramentas

Em breve o mundo conhecerá o novo console da Nintendo para a oitava geração, o Wii-U. E os rumores sobre o proximo Xbox, conhecido como 8,720 ou ainda 3 (Microsoft se decida!) e Playstation 4, já começaram. Muito provável que na E 3 de 2013 eles vão dar finalmente a sua cara para o mundo conhecer todos os próximos consoles da próxima geração. E todo começo de geração, sempre tem a mesma historia: Qual o melhor motor gráfico?

Para responder a essa pergunta, precisamos antes saber o que são motores gráficos (engine graphics)? No artigo a seguir, o Jogador Pensante vai explicar tudo sobre essa importante ferramenta, capaz de definir uma geração! Boa leitura.

Quando você confere um novo jogo, tudo parece estar na mais perfeita ordem. É um conjunto de cenários, texturas, sons, inteligência artificial, física e efeitos 3D que, integrados, fazem o game funcionar.

Cada aspecto desses é desenvolvido nos mínimos detalhes, que se unem como várias engrenagens responsáveis pelo andamento do jogo. Mas a criação desse complexo sistema não é tão simples: são muitos os games que utilizam uma produção prévia de ferramentas, conhecido como: motores gráficos.

Um motor gráfico é um pacote de funcionalidades que são disponibilizadas para facilitar o desenvolvimento de um jogo e impedir que sua criação tenha que ser feita do zero.

Também conhecido como “engine gráfica”. O pacote é normalmente utilizado na modelagem de imagens 2D e 3D, além de trazer animações e sons padronizados, facilitando assim o criação do game.

Utilizar um motor como a CryEngine pode gerar resultados como o da imagem acima.

Além de garantir um bom visual, ele é responsável por diversos itens da jogabilidade que são pouco percebidos pelos jogadores, como o sistema de colisão entre personagem e objetos e a inteligência artificial de inimigos ou parceiros, essenciais na composição de um bom game. Mas tudo isso levou muito tempo (e muitos jogos) para chegar ao complexo estado em que se encontram as engines hoje.

No início

Mesmo nos primeiros consoles e computadores, desenvolver um jogo era um desafio. O  lançamento ocorria para apenas um video game: transportá-lo para outra plataforma era uma tarefa corajosa, pois exigia a reprogramação de todos os aspectos do título, já que quase nada era aproveitado da versão anterior. Por isso de existir tantos exclusivos no passado.

A terceirização desses aspectos técnicos começou apenas como suporte gráfico, no formato de softwares de renderização criados por certas companhias, com o objetivo de processar as imagens criadas digitalmente.

A primeira engine utilizada por outras companhias foi a Freescape, da Incentive Software. Ela serviu jogos como Driller, em 1987, e Dark Side, lançado no ano seguinte. Já o termo só apareceu mesmo em meados da década de 1990, com a popularização definitiva dos FPS (tiro em primeira pessoa).

A engine de Doom foi uma das pioneiras nos jogos de tiro em primeira pessoa.

Esse gênero estourou de vez com o lançamento do trio da Id Software: Quake, Doom e Wolfenstein 3D, todos na mesma década.  Depois do sucesso deles, vários sucessores usaram o mesmo motor de suas inspirações, mas alteravam armas, cenários, inimigos e mapas, para mostrar traços de originalidade.

Infelizmente essa década os consoles e computadores eram muito obsoletos  então a maioria dos jogos era idêntica  raro era o caso de jogos como Hexen (também da Id), que trazia um conceito bem original e se diferenciava da concorrência.

Na década de 90, os jogos de tiro eram muito similares por usarem a mesma engine simples.

No final dos anos 90, surgiu a verdadeira revolução dos motores gráficos: A Unreal Engine. Criada pela Epic Games em 1998, seu primeiro jogo foi Unreal, continha renderização, detecção de colisão, inteligência artificial, sistema de redes e sistema de arquivo. Usava a Glide API ao invés de OpenGL( processador gráfico mais popular da época), continha uma linguagem de script (C++) que ajudou a sua popularização, também incluía um sistema de cliente-servidor.

O Mercado

Rapidamente, os motores gráficos tornaram-se populares em todos os tipos de jogos, como RPG e Platformer. Já a capacidade das criações mais modernas transformou a programação dos motores em um verdadeiro trabalho de gênio: são pacotes bastante completos que tentam deixar sons e imagens o mais próximo possível da realidade, exigindo um pouco menos do desenvolvedor.

Além disso, ter uma base para criar jogos é uma garantia de benefícios para a empresa. Entre eles, podemos destacar o corte de custos na criação do que já está disponibilizado pela engine, velocidade no lançamento e a possibilidade de transportar o game para outras plataformas mais facilmente. A atual geração é um dos maiores exemplos da popularização de um motor gráfico.

A terceira versão da Unreal Engine, foi usada e abusada em inúmeros games, desde o lançamento do Xbox 360. O primeiro teste foi Gears of War (2006), e o jogo passou no teste, tornando-se super popular, pela beleza técnica e artística  Assim a procura pelo motor foi gigante, gerando um volume grande de games com a mesma aparência (muito devido a preguiça de outra produtoras, em trabalhar melhor a Unreal Engine 3).

No começo da geração, Gears of War foi o chamariz para a Unreal Engine 3.

Exemplos de como a Unreal engine 3 facilitou o lançamento de jogos nessa geração existem aos montes. Foi graças ao motor que a Bioware conseguiu concluir sua ideia inicial: Lançar uma trilogia inteira na mesma geração. O motor também, foi responsável pelo aumento substancial de games lançados.

Ainda há o suporte completo da empresa que criou tal motor, caso ele apresente algum problema. Se ela lançar atualizações no sistema, quem possui a licença de uso poderá também receber as melhorias livremente.

Os motores gráficos são a parte mais importante para uma geração se popularizar rapidamente. O mercado dessas ferramentas cresce a cada ano, passaram de antes um mercado exclusivos de praticamente produtoras nativas dos Pcs, para hoje vermos que empresas que tinham sua ferramentas internas, já estar criando seu motor gráfico para venda no mercado, caso da Konami.

Alguns dos mais famosos motores gráficos.

CryEngine

O motor da empresa alemã Crytek serviu inicialmente para uma demonstração de tecnologia da NVIDIA, durante uma convenção em 2000. O sucesso da exposição transformou o sistema de ferramentas em um jogo, Far Cry, lançado quatro anos depois.

A CryEngine busca aproximar-se da realidade. A imagem digital é a da direita. 

Mas a consagração veio com a CryEngine 2, que originou Crysis, um jogo que foca seu potencial no realismo de seus gráficos. Em 2009, foi anunciada a versão atual do motor, a CryEngine 3. Crysis 2, foi o primeiro game a utilizar a nova versão, mais leve e desenvolvida para se adequar melhor ao mercado. O sucesso da engine é relevante, os gráficos gerados em Crysis 2 impressionaram a todos. Crysis 3 marcado para 2013 vai vir com uma versão atualizada da engine, sendo ainda mais potente e fácil de trabalhar.

Source Engine

Em 2004, a Valve lançou a primeira versão de sua engine 3D, mais popular que a criação da Crytek.

Um dos jogos mais populares do Brasil, o Counter-Strike foi feito a partir da Source Engine.

A Source foi utilizada em sucessos como Counter-Strike, Left 4 Dead e Half-Life 2. A utilização do Steam para disponibilizar atualizações, a animação de faces e o bom modo online são suas características mais marcantes.

id Tech 5

Ela é a quinta versão de uma engine já bastante trabalhada, que estreou em Doom. Anunciada em 2007, serviu de base para Rage, e agradou muito o resultado nos pcs, nos consoles o jogo sofreu um pouco e deixou a desejar, mesmo assim é um engine muito promissora. Existe ainda a remota chance de DooM 4 aparecer nessa geração utilizando o motor. Segundo um dos fundadores da empresa que criou a id Tech, John Carmack, a Id tech 5 pode ser licenciada por outras produtoras.

Rage rodando na Id tech 5.

IW Engine

Essa engine é baseada inicialmente na id Tech 3, mas foi bastante modificada, até ganhar uma identidade própria. Ganhou fama por estar presente nos últimos episódios da série Call of Duty.

Unreal Engine 3

O motor mais famoso de todos. A Epic Games, quando criou o motor gráfico  talvez, não imaginou tamanho sucesso. São vários os jogos que a utilizam, como Mass Effect, Too Human, Bulletstorm,Star Ocean IV, Batman Arkhan series, Asura´s Wrath,Bioshock, entre muitos outros. Entre seus pontos positivos, sombras dinâmicas e bom efeito de profundidade. E negativos os famosos personagens com aparência “plastica”.

Com a crescente do mercado de Smartphones, a Epic não perdeu tempo e desenvolveu o motor adaptado para os aparelhos. O resultado pode ser visto em Infinite Blade, jogo de Cliff B. (criador de Gears of War), o resultado é muito satisfatório.

Infinity Blade, impressiona por ser um jogo exclusivo para celulares. 

O futuro é agora

Não é fácil prever quais os futuros avanços em motores gráficos, mas a próxima grande leva começa a surgir. Epic Games, Cry Engine, já demonstraram atualizações para a próxima geração, alem dos novos motores da Square-Enix e Konami.

A impressionante Unreal Engine 4.

Lançamentos apontam que os portáteis são um novo mercado. O Psvita da Sony rodará jogos com a CryEngine, enquanto o iPhone o iPad possuem suporte para Unreal Engine 3 adaptada.

Outra tendência é o mercado alternativo de engines, que é de fácil acesso, custo amigável (ou até sem custo algum) e desenvolvimento simples, porém eficiente. Um bom exemplo é a Unity 3, que em sua versão Pro sai por no máximo 4 mil dólares.

A Epic Games cobra cerca de 700 mil dólares pela licença, dependendo dos termos de uso e se o jogo terá uma ou mais plataformas. Uma versão grátis do seu kit de desenvolvimento foi disponibilizado para estudo e uso, mas, se o game  for vendido, a taxa deverá ser paga. Já a CryEngine também é bastante cara, mas uma versão de graça existe com o objetivo de ajudar instituições de ensino que abordam o tema.

Apelar para programadores independentes muitas vezes é a solução, pois o custo para obter a licença das grandes empresas é alto, apesar do esforço monetário ser recompensado com um bom serviço. Mesmo assim, deve-se levar em conta que nem só uma boa engine é capaz de salvar um jogo ruim.

Os motores gráficos, estão em constante evolução, a todo momento surge rumores ou videos de novos motores para o mercado. Não há duvidas, que eles podem ser um dos maiores diferenciais em uma geração.

 

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