[Neto’s Review] LittleBigPlanet PS Vita

“Se alguma vez existiu uma obra-de-arte que podia ser melhorada por um único toque de pincel, então tu és o pincel, e a pintura é LittleBigPlanet.”

Capa do jogo.

ENREDO

LittleBigPlanet é uma série no mínimo ousada. Desde o primeiro a aposta é 100% no conteúdo criado pelos jogadores. A campanha single player do primeiro era claramente uma amostra das coisas mais básicas que o jogador poderia fazer, com um enredo pobríssimo e uma apresentação pior ainda.

Uma fase inspirada em Assassin’s Creed, criada por um usuário.

Na segunda edição isso já melhorou basatante, foram adicionadas cutscenes e os personagens ganharam muito mais personalidade, com dublagem e expressão facial bem mais marcante do que o anterior. Infelizmente nunca encostei as mãos no LittleBigPlanet do PSP, então não sei falar sobre ele.

E a edição do PS Vita, em sua campanha single player, seguiu os passos do segundo jogo (como era de se esperar, afinal, seria uma involução voltar aos passos do primeiro em termos de enredo e apresentação). Dessa vez não estamos no planeta Terra, mas sim em um planeta menor chamado de Carnivália (joguei em português de portugal, ora pois), onde estranhas coisas estão acontecendo: um ser maligno e amargurado chamado Fantocheiro está sugando a alegria de todos os lugares para fazer um terrível exército de seres sem alma chamados Hollow, que põem o mundo abaixo durante a aventura, sequestrando várias pessoas por aí.

Os Hollows

A bizarrice de costume está presente, com personagens esquisitões e com personalidades exageradas. Essa é a marca da série desde a segunda edição, e muito combina com o clima. A expressividade deles é muito bem construída para um jogo platformer 2D que, em tese, é mera perfumaria para um jogo focado no compartilhamento de fases criadas pela sua comunidade.

O próprio Sackboy, personagem principal da série, apesar de não soltar um A o jogo todo, também consegue ser expressivo através de suas faces padrões: assustado, triste, feliz ou bravo, todas apresentadas conforme a situação nas cutscenes.

O enredo, apesar de bem simplório e clichê (um vilão tentando dominar o mundo), ganha muito brilho graças às atuações cômicas dos personagens (ainda mais com a dublagem em português de portugal que, cá entre nós, deixa tudo muito engraçado para os brasileiros), com suas fraquezas e grandezas bem mostradas durante todo o jogo.

Sackboy e um dos estranhos personagens deste pequeno grande planeta.

JOGABILIDADE

LittleBigPlanet procura utilizar absolutamente todas as funções do PS Vita (menos o microfone): touch, rear pad, motion control, a câmera (supérflua, entretanto) e, claro, os botões convencionais. Isso pode ser o sorriso na cara pelo brilhantismo ou a lágrima caindo dos olhos de frustração.

O jogo se apresenta como um platformer 2D sidescroller, cuja maior diferença para os outros é a sua física realista, o que pode ser complicado para ser domada. Mas isso é marca da série e também acaba sendo o principal fator de afastar muito jogador. De resto, tudo é bem normal: obstáculos e (poucos) inimigos, buracos para serem pulados, espinhos que surgem, plataformas que se movem, molas para impulsionar um pulo e muita coisa que vem sendo implantada, melhorada ou removida desde, no mínimo, Super Mario Bros.

E é aí que entram os além-dos-botões do PS Vita. Além do manete para andar e do botão de pulo, o jogador vai usar bastante o dedo para tocar e arrastar, seja na tela OLED do console ou na carcaça na parte de trás.

BÚ!

O maior problema está no reconhecimento do toque na tela. Inúmeras vezes isso falhou e foram necessárias algumas tentativas para dar certo, o que levava o Sackboy a morrer em várias ocasiões. Isso é irritante e até mesmo desmotivador e não poderia jamais ocorrer algo assim, pois a precisão é crucial em um jogo platformer, principalmente se for em alguma ocasião de fugir de um perigo que vem destruindo a fase logo atrás.

De resto, o motion control e o rear touch funcionaram muito bem. O primeiro é utilizado em algumas plataformas para movê-las de um lado para outro e basta inclinar o console para fazer funcionar e é bem detectado e funcional. O segundo é bastante simples e eficaz, principalmente por surgir na tela uma mira mostrando onde está o seu dedo em relação à tela, mas cuidado para não estar com alguma parte da outra mão sobre a área do rear pad, pois vai causar um conflito de leitura e o movimento não será reconhecido!

O jogo possui alguns segredos escondidos, como por exemplo, tocar este piano te garantir alguns prêmios! E tocar de verdade, passando o dedo pela tela!

O jogo continua com power ups, mas em nível menor do que na segunda edição do Playstation 3 e só são usados em lugares específicos e para acessar as plataformas seguintes, como um gancho para praticar rapel ou uma luva para pegar objetos e arremessá-los.

De resto, o jogo funciona absolutamente muito bem e conforme tudo o que se conhece da série, com uma jogabilidade bastante divertida e desafios simples, contando com alguns puzzles e algumas fases diferenciadas, como veículos e afins. Era de se esperar um conteúdo pelo menos próximo ao de LittleBigPlanet 2, mas a versão do Vita deixou a desejar neste ponto: aquela variedade, com fases de shoot’n’up horizontal não existem mais, e nem aquelas com visão aérea. O jogo, nesse ponto, se manteve mais fiel à sua primeira edição, o que é uma involução, visto que a variedade do segundo título apresentava um dinamismo muito maior.

Outra coisa muito estranha são os vários checkpoints infinitos que o jogo possui. Raras são as vezes em que se depara com um checkpoint sem o símbolo do infinito. O jogo é fácil e seria raro morrer, de qualquer forma, mas isso subtrai bastante algum clima de desafio, já que há diversos e próximos checkpoints espalhados por todas as fases. E isso não é herança nem do primeiro e nem do segundo jogo.

Uma adição bem vinda foi na última fase de cada mundo ter um chefe para enfrentar (aqui sim os checkpoints são finitos) e eles são o maior desafio do jogo, apesar de ainda serem fáceis. Aliás, inimigos não são o forte de LittleBigPlanet, são criaturas fracas, desajeitadas e estranhas, que possuem pontos fracos em lugares estratégicos, sem dar muita dificuldade, além de serem escassos no jogo. Ao menos não são passivos, como são os de Rayman Origins.

Um dos chefes.

No final das contas, a jogabilidade é funcional e compete bem à proposta do jogo, que é, mais uma vez, demonstrar o grande parque de diversões que pode ser criado pelo jogador para que compartilhe suas criações. Mas seria bom ter um pouco mais de desafio.

E claro que um dos maiores charmes da série não poderia faltar: a coleta de novas peças de roupa e acessórios. As fases são recheadas com essas bolhas e várias ficam escondidas ou em lugares inacessíveis até que se cole algum colante (que também deve ter sido previamente encontrado) ou que se esteja jogando em dois ou mais jogadores. A obsessão por coletar cada bolha de prêmio vai fazer o jogador cair em buracos ou deixar o Sackboy queimar em um rio de fogo muitas vezes e isso deixa o jogo mais desafiador do que qualquer outra coisa.

Montanha russa!

SOM

Esse é um dos maiores trunfos do jogo: dublagem maravilhosa e que fica bem característica a cada personagem e pode dar mais toque de humor ainda. Não foi encontrada absolutamente nenhuma falha na sonoplastia do jogo, ainda mais na sua trilha sonora altamente inspirada, eu diria que é a melhor da série, exaltando o clima bizarro e carnavalesco que o jogo possui.

 

Hightech-Tunnel, uma das músicas do jogo.

GRÁFICOS

Outro ponto forte. Um dos jogos mais bonitos em portáteis que se pode encontrar. Efeitos de sombra, de explosões, luzes e muita coisa de altíssimo nível, diria que não fica quase nada atrás das versões do Playstation 3. Um jogo bonito de ser apreciado, e muitas serão as vezes em que a ferramenta de screenshot do PS Vita será utiliada, devido à beleza e belíssimas cores que o jogo apresenta no portátil.

Belos efeitos nas cutscenes.

VEREDITO

LittleBigPlanet do PS Vita acertou em muitas coisas, como seguir o padrão de apresentação de LittleBigPlanet 2, mas pecou em retirar bastante o desafio, principalmente com as ideias de checkpoints infinitos a torto e a direito. A frustração pelo touch não ser tão preciso acaba sendo contornada pelo número enorme de outras funções que o jogo apresenta, apesar de não ser tão variado quanto o já citado LBP 2, o que é realmente uma pena. Mas tudo isso pode ser deixado de lado e a experiência será magnífica e viciante, mas que o jogo poderia ser maior na campanha single player, ah, isso podia! Mas ele é infinito na comunidade ativa de fases projetadas pelos fãs, o que dá uma longevidade imensa ao jogo.

Sackboy e seu sorriso galanteador.

NOTAS

ENREDO: 8,5/10,0

+ Apresentação fantástica

+ Uma reviravolta no final do jogo é surpreendente

+ Carnivália e seus personagens são bastante expressivos

– Enredo, num geral, bastante clichê

JOGABILIDADE: 8,0/10,0

+ Muita diversão em coletar absolutamente tudo

+ Uso inteligente dos recursos do PS Vita

+ Power ups adicionam mais variedade para o jogo

+ Chefes

+ Jogo infinito graças à criação de fases

– Checkpoints com vida infinita

– Imprecisão do touch

– Curta duração do single player

SOM: 10,0/10,0

+ Dublagem impecável

+ Músicas que se encaixam perfeitamente às situações

GRÁFICOS: 10,0/10,0

+ Belos efeitos

+ Movimentação fluída do Sackboy

+ Personagens expressivos

+ A bizarrice nos gráficos adicionam mais imersão ainda em Carnivália

NOTA FINAL: 8,5/10,0

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19 pensamentos sobre “[Neto’s Review] LittleBigPlanet PS Vita

  1. ”O jogo se apresenta como um platformer 2D sidescroller, cuja maior diferença para os outros é a sua física realista, o que pode ser complicado para ser domada. Mas isso é marca da série e também acaba sendo o principal fator de afastar muito jogador. ”
    Confesso que foi um dos motivos que me fez demorar pra dar uma segunda chance pro primeiro LBP. Mas voltei a jogar e agora to gostando bastante.
    Pena que esse título do Vita sei lá quando vou jogar hehehe

  2. Sempre achei que esse jogo deveria ser o carro chefe do Vita, ele tem tudo o que precisa para demonstrar as funcionalidades do portátil, pelo review dá para perceber que o jogo se encaixou bem com o aparelho. Uma pena a sony não estar conseguindo alavancar o menino.

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