[Neto’s Review] Mark of the Ninja

“I’m here to help you.”

Capa do jogo

ENREDO

Mark of the Ninja é um jogo sobre… bem… ninjas. O personagem nunca é nomeado durante todo o jogo, só se sabe que ele é o escolhido de um clã. Por isso, recebe tatuagens que são ditas serem poderosíssimas e liberarem habilidades letais (e silenciosas, afinal, ele é um ninja), mas tudo isso vem com um preço: as plantas que fazem o pigmento das tatuagens são venenosas e com o tempo causam ilusões e a loucura acaba acometendo o tatuado… o ninja protagonista está, portanto, marcado para a morte, e deve fazer isso cometendo suicídio perante todos após sua última missão.

O enredo, propriamente dito, gira em torno desta missão: recuperar artefatos que foram roubados de dentro do dojo dos ninjas por um poderoso chefe do crime. O enredo parece bem simples, e realmente é. Mas lá pela frente, reviravoltas acontecerão e novos personagens entrarão em cena, ampliando a trama para algo um pouco mais complexo.

O ninja e Ora, parceira durante o jogo.

Muito da cultura ninja pode ser revelado durante o jogo, através de pergaminhos coletados pelas missões, que contêm anotações e poemas sobre um antigo ninja que também recebeu as tatuagens. Talvez todo esse universo ninja pudesse ter sido mais bem explorado, mas a escolha da época do jogo dificulta isso: normalmente um jogo sobre ninjas se passaria em um Japão antigo, mas Mark of the Ninja se passa nos dias de hoje, talvez até mesmo em um futuro próximo, portanto a alta tecnologia está em voga nas missões, dificultando um clima mais próximo do que conhecemos de ser ninja.

Um ponto importante a ser dito é que o final do jogo fica a cabo do jogador. Não conforme suas ações nas missões anteriores, mas sim em uma única decisão ao final. Essa parte é muito interessante e deixa o clima do jogo mais intimista, bem como testa a afeição do jogador pelos personagens envolvidos.

Uma das cutscenes do jogo.

JOGABILIDADE

Mark of the Ninja é essencialmente um jogo stealth. Ou seja, o jogador deverá encontrar os meios para avançar através do jogo silencioso e cuidadoso. Como todo jogo nessa área, a paciência requerida é grande, apesar de que a escolha por um design 2D torne tudo mais rápido do que seria em 3D.

Primeiramente, o jogo de “escuridão e luz” é essencial, como é em Splinter Cell Conviction, mas em um nível muito maior. O ninja não possui armas de fogo, nem sequer um arco e flecha ou algo que fira o inimigo diretamente. Munido de somente uma espada, o jogador só terá a possibilidade de matar de uma vez um inimigo por um ataque furtivo e silencioso.  Esconder-se na escuridão, dentro de uma caçamba ou atrás de uma porta é algo que será muito praticado durante todo o jogo.

Silencioso como uma sombra.

Entrar em combate aberto é uma loucura. Os inimigos são dotados de armas de fogo que em coisa de poucos tiros são capazes de derrubar o ninja até à morte, e os golpes dele, apesar de rápidos, são muito inefetivos. É possível dar cabo de inimigos dessa forma, mas somente se não houver outro próximo, e levará mais tempo do que aguardar escondido para o abate.

Todas as ações do ninja causam barulho. E isso pode ser usado para desviar a atenção e a rota dos inimigos para o lugar que o jogador bem quiser. Atirar um dardo em uma lâmpada distante ou utilizar um item barulhento pode fazer a mágica funcionar. Mas cuidado, pois os passos do ninja também pode atrair a atenção! Correr é algo que só deve ser feito se houver a certeza da ausência de hostis! E também cuidado com os cachorros, pois estes, além de te ouvir, também te cheiram.

A variedade dos inimigos, no entanto, não são muitas. A dificuldade mesmo estará em conseguir ficar escondido em algum lugar e ir matando cada um sem que o outro perceba. Existem basicamente cinco tipos de inimigos, o que pode parecer pouco, mas eles são meramente obstáculos, se pensar na proposta do jogo.

Rápido como uma cobra.

Após conseguir acabar com os inimigos de certa área, o jogador deverá fazer o que realmente é o objetivo: encontrar algum artefato, apertar algum botão para abrir uma porta e coisas do tipo. Coisas básicas, porém que funcionam. O ninja, para ter acesso aos lugares, tem diversos meios, como pendurar-se nas paredes, no teto, avançar de cover em cover, andar por baixo do solo, em aberturas de ventilação, entre outros.

Mas para contornar todas as adversidades, o ninja conta com um inventário bastante vasto, customizável e com upgrades: bombas de fumaça, dardos, armadilhas, distrações e muito mais. Tudo vem ao auxílio, porém o jogo limita a escolha a cada fase (no meio da fase pode-se mudar esta organização, caso encontrada uma espécie de cabana) e tudo deve ser bem escolhido, dependendo do estilo de jogo que o jogador desenvolver.

Além disso, golpes também são “comprados”. Para atacar um inimigo e matá-lo a partir do teto, a habilidade deve ter sido previamente comprada. Para atacar a partir de um cover, também.

Calmo como águas paradas.

A moeda de troca do jogo é obtida através das missões, conforme o ranking ou encontradas pela fase, o que adiciona um fator de exploração bem grande ao jogo, que possui mapas semelhantes ao que é conhecido como metroidvania, com segredos e até mesmo fases bônus, que vão exigir pensamento lógico do jogador ou agilidade nos dedos. Outro método é fazendo os objetivos opcionais, como por exemplo passar até determinado ponto sem ser detectado. A presença de muitos checkpoints torna essa tarefa fácil, visto que, deu errado, um “load last checkpoint” resolve, desencorajando a busca por um esconderijo para voltar a jogar.

E absolutamente tudo no jogo retorna em pontos, que ajudam o jogador a obter um score alto, que se convertem em moeda: recuperar artefatos, matar silenciosamente, atordoar um cão, esconder um corpo, não ser detectado por algum inimigo… as possibilidades de se pontuar são muitas!

O jogo conta também roupas desbloqueáveis, que, além de serem cheias de estilo, também apresentam alguma vantagem e desvantagem, alterando totalmente a forma como um desafio é encarado. A roupa totalmente preta, extremamente stealth, te deixa levar dois itens de distração, porém não haverá espadas e nem itens de ataque! Ou seja, o jogador deverá passar pela fase sem matar nenhum inimigo.

O medo golpeia mais forte do que as espadas.

SOM

O jogo é quieto. Poucas vezes uma música entrará em cena durante uma jogada normal (as músicas são ativadas em situações de perigo, como fugas). Talvez isso seja bom para ajudar no clima silencioso do jogo, mas essa teoria é facilmente esquecida quando, em uma das missões, uma música começa a tocar depois de certo evento, mesmo sem uma situação especial de perigo. O jogo poderia ter ousado mais nesse ponto, ainda mais sendo arcade.

Strings, uma das músicas (que deveriam ser mais presentes) do jogo.

O jogo conta com dublagens nas cenas e são bem competentes, apesar das vozes repetitivas dos capangas inimigos. Os sons ambientes, de passos, tiros, vidro estilhaçando e afins são bastante bem executados também.

GRÁFICOS

O jogo é bastante cartunesco e a beleza do jogo é realmente no escuro, quando os objetos se transformam em silhuetas. Na luz, o efeito intimista não é o mesmo, porém ainda assim é agradável aos olhos. O jogo também conta com efeitos de chuva e raios, que podem vir a alterar inclusive a aproximação em determinadas fases.

O jogo tem excelentes efeitos de luz.

A animação e movimentação dos personagens são bastante naturais, principalmente a do protagonista, que anda vagarosamente, agaixa, pula, se esconde… os inimigos, no entanto, possuem aparências bastante genéricas e se repetem durante todo o jogo. Talvez um pouco mais de variedade fosse interessante, mas nada disso tira o brilho do jogo.

VEREDITO

Mark of the Ninja é um dos melhores jogos por download que há hoje em dia. Lançado primeiro na Xbox Live, o jogo hoje também se encontra disponível para Windows. Obrigatório para fãs de stealth games, por apresentar uma aproximação em 2D com o estilo, Mark of the Ninja é uma experiência divertida e recompensadora.

O ninja sem nome e suas muitas tatuagens.

NOTAS

ENREDO: 8,5/10,0

+ Colisão de mundos: ninjas e alta tecnologia

+ Reviravoltas no mínimo interessante

+ Final com escolha do jogador

– Plot geral do jogo soa clichê 

JOGABILIDADE: 9,5/10,0

+ Dificuldade na medida certa

+ Level design primoroso

+ Jogabilidade customizável e que ocorre da forma que o jogador escolher

+ Vasto arsenal

+ Roupas desbloqueáveis que se adaptam ao estilo do jogador

+ Versatilidade do ninja faz o jogador ter muitas opções

– Pouca variedade de inimigos, pouquíssimos requerendo aproximações diferenciadas 

SOM: 8,0/10,0

+ Dublagem excelente

+ Sons ambientes bem reproduzidos

– Trilha sonora pouco presente

– Vozes repetitivas dos capangas

GRÁFICOS: 9,5/10,0

+ Boas animações…

+ … principalmente do protagonista

+ Visual bastante intimista no escuro

– Pouca variedade no visual dos inimigos

NOTA FINAL: 9,0/10,0

* Legendas das imagens da parte de JOGABILIDADE retiradas de falas da personagem Arya Stark, da série As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, publicada no Brasil pela Leya.

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11 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Mark of the Ninja

  1. Pingback: [Reviews] Mark of the Ninja partial review (mild spoilers) : YOU MUST PLAY THIS GAME | Takuchat

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