[Especial comemorativo] Os jogadores pensantes

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Fiquem agora com o artigo abaixo, e também com o nosso muito obrigado. E voltem sempre, estamos esperando suas opiniões, jogadores pensantes!

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Os jogadores pensantes

“Videogames não devem ser levados a sério”.

A indústria dos videogames atual está cheia de “grandes mentes”, símbolos portadores de grande carisma e genialidade. Mas qual o motivo dessa gente, antes tão apagada nas gerações anteriores, receberem tais status?

Hideo Kojima, criador da aclamada série “Metal Gear Solid”

Enquanto muitas produtoras preferem a zona de conforto, seguindo a receita do básico “arroz com feijão”, muitos desenvolvedores preferem expressar suas visões, seja da vida, seja de como um jogo deve ser. O por que disso se tornar um boom nessas últimas gerações é bem simples: a tecnologia permite voar mais alto, viajar mais longe. A tecnologia, hoje, permite transportar fielmente a mente humana na telinha da TV.

Pikmin, série de Shigeru Miyamoto, baseada nos jardins do criador.

Uma produtora que se encaixa perfeitamente nessa situação é Thatgamecompany, que criou obras como FlOw, Flower e Journey. O que esses jogos têm em comum? São trabalhos completamente fora do padrão denominado “comum” na indústria. O objetivo desses jogos são muito mais poéticos que lógicos, mas, ao mesmo tempo, trazem diretamente as sensações que os mais antigos dos games traziam: o desestresse e relaxamento, a estabilidade psicológica para se pensar em outras coisas enquanto joga. O que a empresa faz é simples: inclui nessa experiência que o jogador está tendo, o seu próprio universo, o seu poema, e deixa o jogador cantá-lo como bem entender.

Florindo o mundo de Flower

Ainda existem muitas obras que não são um mero amaranhado de gameplay – Você já parou para pensar sobre os valores morais apresentados na série Bioshock? Já sentiu as consequências de suas ações em Heavy Rain? Você já chegou a imaginar como seria enfrentar os monstros dentro de você, literalmente, como os protagonistas da série Silent Hill? Você chegou a fazer alguma interpretação poética/literária em algum jogo?

Little sister, de Bioshock. Salvar? Ou…

Mas afinal, porque a indústria atual insiste tanto em transformar os videogames em literatura abstrata? Na verdade, os videogames já são uma expressão literária, já trabalhavam com a imaginação e poder de interpretação dos jogadores há décadas, mas de formas obviamente mais simplórias. Não? Me diga então o que você via um carro através daqueles 8 quadradinhos aglomerados em um jogo de corrida do Atari 2600? Como você conseguia dizer que uma barrinha com três tons de verde era um homem, em Pitfall?

Pitfall, de Atari 2600.

Os jogos estão, a cada dia, aderindo mais e mais a uma concepção poética, e isso é ótimo. Videogames sempre foram o portal perfeito para viver outros mundos, e nada melhor que a construção de um universo mais profundo, pois quanto mais aventuras da nossa mente, mais podemos nos divertir com um único título. Videogame também é um meio de entretenimento, de se desligar do mundo momentaneamente, e um jogador feliz vai saber aproveitar ao máximo o que essa indústria oferece atualmente. Não há uma “regra”, não há o “certo”. Há apenas sua mente, seu jogo e, como resultado, sua diversão.

“Videogames não devem ser levados a sério”. Concordo, é essa a alma de um jogador pensante.

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6 pensamentos sobre “[Especial comemorativo] Os jogadores pensantes

  1. Acompanho o site a pouco tempo, mas posso dizer que é realmente de muito bom gosto. As matérias são interessantes e os reviews muito bem escritos. Continuem assim!
    Ah e aproveitando, o Jogador Ouvinte também foi interessante, espero ver(ou ouvir ^^’) mais, e com temas mais diversificados e interessantes ainda!

  2. Concordo plenamente que games não podem ser levados a sério por sua natureza de entretenimento. Jogos eletrônicos são como filmes, quadros, músicas, e, consequentemente, os games no máximo dão um “toque” em quem joga quando tratam de assuntos delicados.

    O Kojima faz jogos para que o jogador pense “nossa, vi algo do tipo na aula de história”, ou “nossa, li algo parecido no livro do Hobsbawm”.

    O jogo eletrônico é manifestação da máxima “toda brincadeira tem um fundo de verdade”.

    Bom artigo, Tomio.

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