[Mara’s Review] Silent Hill Downpour

Nome: Silent Hill Downpour

Produtora: Vatra Games

Distribuidora: Konami

Gênero: Survival horror

Plataforma(s): Ps3 e Xbox 360

Versão analisada: PS3

Downpour foi a última tentativa de trazer o terror de volta à clássica franquia da Konami; e dessa vez a responsabilidade ficou a cargo da desconhecida empresa Vatra Games.

O jogo segue a história do prisioneiro Murphy Pendleton, personagem ambíguo e carismático, que por motivos logo explicados na introdução do jogo será transferido para uma prisão de segurança máxima. Naturalmente a viagem não chega a ser concluída, pois o ônibus de detentos cai de um despenhadeiro ao se aproximar da tão conhecida e, agora, chuvosa Silent Hill.

Pendleton acorda instantes mais tarde e começa então sua longa caminhada pela sobrevivência (e  por que não também pela liberdade?). Passamos por duas horas através de florestas, um parque desativado e uma mina para finalmente alcançarmos a abandonada Silent Hill, que recebeu um novo mapa para exploração. Logo percebemos que Downpour é um novo Silent Hill, tentando seguir os moldes clássicos que fizeram a saga conhecida, mas ainda assim buscando inovações para uma franquia com mais de dez anos.

Murphy Pendleton – psicopata ou vítima?

Uma nova Silent Hill?

Assim como nos antigos Silent Hill, controlamos um personagem longe dos padrões. Um detento com conduta questionável, um psicopata ou uma pessoa sem controle quando o assunto é a vingança; independente da forma como vemos Pendleton, o personagem nunca se torna fraco ou sem carisma. Ponto para a Vatra que conseguiu criar alguém que nos cativa ao ponto de lermos todos os mistérios espalhados pela cidade para finalmente entendermos o que se passa na vida de Murphy. O trabalho de dublagem foi bem feito, e as legendas e traduções precisas ajudam a entender um enredo complexo e que se mostra lentamente ao jogador, como de praxe na franquia. O mesmo não se pode dizer dos personagens secundários. Muitos aparecem e desaparecem tão rapidamente que o jogador mal sentirá sua falta, enquanto outros nos seguem até o final, mas com pouco a acrescentar, pois todos os olhos estão na misteriosa vida do presidiário. Aqui não podemos saber se os criadores quiseram desenvolver um jogo de um único personagem, ou se, de fato, faltou maior cuidado para a construção desses personagens de apoio.

Personagens feitos somente para testar nossas escolhas morais e responsáveis por diferentes finais no jogo.

Gráficos problemáticos

O tratamento gráfico dado ao jogo logo nos mostra seus problemas. São diversos os momentos em que sentimos travamentos, não só enquanto o jogo é salvo ou quando carregamos um novo ambiente, mas também em toda área externa. As quedas de framerate prejudicam a jogabilidade e para muitos pode se tornar um problema sério.

Na versão analisa percebemos falta de polimento nos personagens e ambientes, com gráficos inferiores para a geração. E mesmo a neblina e ambientes escuros não conseguem disfarçar as texturas pobres. Os bugs nos acompanham em todo o jogo, e apesar de não impedirem a aventura, podem se tornar um incomodo para alguns.

Inovações e problemas

As inovações vieram através de acréscimos benvindos, como a liberdade para andar na abandona e destruída Silent Hill. São inúmeras as missões paralelas onde sentimos que a cidade possuía uma vida em alguma época do passado. Ainda podemos encontrar easter eggs espalhados pelos apartamentos e lojas para aqueles que jogaram os jogos antigos. Claro, assim como toda missão secundária, o jogador tem a escolha de simplesmente ignorá-las e partir para seu objetivo, mas perdemos muito sem essa exploração.

Vista da nova Silent Hill

Outra novidade interessante foi a chuva (a água, aliás, é uma característica presente em todo o jogo), substituta da densa neblina, responsável em trazer uma maior quantidade de inimigos mais poderosos e que atacam o protagonista em grupos. Nesse ponto, o jogo nos obriga a buscar abrigo, pois o combate não é o ponto principal de Downpour. Aliás, ele é um dos problemas do jogo.

Nos primeiros Silent Hill havia cenas em que precisávamos enfrentar monstros para progredirmos, outros em que a melhor solução era simplesmente correr. Com a nova geração da franquia observamos o interesse dos criadores em focarem na ação ao invés do horror. Homecoming foi a prova viva de quão falha é essa ideia de transformar franquias de terror em mais um título de ação/aventura. Downpour utiliza o combate ao longo do jogo, sim, porém, de forma bem menos necessária. Há momentos em que correr continua sendo a melhor opção, mas nos momentos em que é preciso atacar o inimigo conseguimos sentir uma das grandes falhas do título: combate travado, confuso e mal elaborado. Depois de um tempo, você percebe também que ele é previsível, o que diminui a dificuldade do jogo.

Quando encontramos um monstro (arte conceitual repetitiva e longe de ter significado como nos casos de Silent Hill 2 e 3), podemos ataca-lo de três formas: punhos (difícil e problemático), armas brancas (praticamente qualquer coisa pode ser utilizada num combate, desde pedras e garrafas até facas e pedaços de ferro) que se quebram depois de um tempo de uso, e, finalmente, armas de fogo (com balas escassas e recomendadas apenas para os poucos chefões do jogo).

A câmera fixa, marca registrada da série, continua presente e se torna sua inimiga no combate mal feito. Prepare-se para morrer muitas vezes enquanto tenta atingir um monstro que parece ser mais inteligente que você.

Prepare-se para o combate falho…

Contudo, você correrá mais do que enfrentará monstros. Pendleton é um sobrevivente em busca de redenção (temática comum na franquia) e, como todo personagem atormentado, será vítima dos horrores que Silent Hill pode causar. Como no caso do famoso Otherworld, que em todo Silent Hill representa o subconsciente dos personagens, onde seus maiores medos criam forma.  É um mundo paralelo apenas capaz de surgir através dos poderes antigos da cidade, e é através desse mundo que os personagens encontram uma representação sombria, suja e doentia da própria Silent Hill. Em Downpour não há uma continuação do mundo “normal” para o Otherworld, e sim um espaço separado em que os ambientes não possuem ligação com o real. Por ser um presidiário ligado a um passado misterioso, Pendleton vê seu Otherworld como um grande presidio com grades e corredores apertados, instrumentos de tortura e guilhotinas.

O ambiente sujo e misterioso possui uma espécie de vórtice que procura sugar a energia do protagonista e mata-lo, enquanto você luta através de corredores numa corrida pela sua vida. O vórtice avermelhado destrói tudo ao passar, e por esse motivo, Murphy precisa utilizar qualquer tipo de instrumento para bloquear sua passagem, e garantir algum tempo extra para sua fuga. Perder-se nesse ambiente é algo comum e a cada instante que a estranha luz se aproxima, Murphy grita sentindo a morte se aproximar.

O início do vórtice.

O mapa de Silent Hill é confuso e sem qualquer tipo de dica, o que apenas ajuda a criar ainda mais a sensação de solidão e impotência do personagem. Foi uma das características que a Vatra Games decidiu preservar dos clássicos, e que fez todo o diferencial frente a tantos jogos que nos entregam o objetivo e o caminho para alcança-lo. Para facilitar a exploração pela cidade, o jogo nos informa que podemos utilizar o metrô desativado como atalho, mas na realidade o sistema foi mal explorado e o jogador até o final ainda caminhará por toda a cidade para alcançar seus objetivos.

Efeitos sonoros sem Yamaoka

Um dos pontos que muitos perceberão mudanças foi na trilha sonora, não mais composta por Akira Yamaoka, responsável pelas trilhas de todos os jogos da franquia antes de Downpour. Em muitos momentos a música é inexistente, e quando encontramos situações tensas, não há trilha sonora ou efeitos impactantes o suficiente.

Silent Hill e Korn, uma escolha questionável

O terror permanece

No entanto, se o jogo não causa a sensação opressora dos primeiros jogos, é preciso deixar claro que dificilmente veremos um novo Silent Hill 2. E isso não tira os métodos do jogo, que triunfa onde Homecoming e Shattered Memories não conseguiram triunfar. Espere encontrar puzzles na medida certa, presentes ao longo do jogo e feitos para desafiar o jogador. E assim como na franquia, o jogador pode modificar o nível de dificuldade tanto do combate quanto dos puzzles.

Downpour nos proporciona situações onde elementos do terror foram bem utilizados. Não falo do susto, pois Silent Hill nunca foi uma franquia interessada no susto imediato. O diferencial da série foi criar um clima aterrorizador e tenso, e Downpour tenta resgatar esse diferencial perdido nos últimos jogos, seja pela atmosfera carregada ou pela impotência do personagem principal. Podemos perceber isso logo no início ao entrarmos no ambiente escuro da mina desativada, ou na fantástica cena do teatro animado.

A peça infantil que vira pesadelo.

Quedas de framerate, com travamentos indesejados, podem ser o grande problema em Downpour. Aliado à jogabilidade confusa e gráficos inferiores a muitos lançamentos do mesmo período, com bugs e acabamentos mal polidos, Downpour deixa de ser um grande título, passando despercebido por muitos.

Juggernauts

Contudo, podemos perceber o cuidado da Vatra Games em preservar o clima dos antigos Silent Hill, mesmo que com toques atuais e pequenas inovações. Downpour foi um jogo subestimado e com suas falhas, mas ainda assim, um título que tenta resgatar a tensão construída pelos antigos Silent Hill.

NOTA GERAL: 7,5

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19 pensamentos sobre “[Mara’s Review] Silent Hill Downpour

    • Ah, provavelmente, Neto! Eu gostei do jogo, mas se você já conhece fica mais fácil gostar. Acho que esse Downpour chamou mais atenção dos fãs mesmo, porque logo caiu no limbo =( Mas vc deveria jogar hehehe

  1. Excelente review,só falou o q eu queria saber,q é sobre o q talvez mais importe pra mim em Silent Hill q é a ambientação. Infelizmente sem o Yamaoka e sem a equipe dos primeiros SH é quase impossivel vermos um “Silent Hill 2 da vida” novamente,mas melhor ter um SH nota 7,5 q não ter nada ou ter q aturar Alan Wake.

    • HAHAHAHA HATERS GONNA HATE!
      Olha, nem vou falar de AW aqui, mas gostei dele. Quase comparei com o Downpour, mas achei melhor não. Mas a comparação que faria é a seguinte: depois de jogar esse SH, percebi como AW era linear.
      Mas esse 7,5 aí não deixa o jogo ruim não. Eu tive que deixar a nota mediana porque ele tem esses probleminhas com gráfico e combate, mas nada que te faça perder a vontade de jogar. É só passar o começo entediante que o jogo deslancha 😀
      Enfim, valeu pelo comentário 😉

      ps: confesso que senti MUITA falta do Yamaoka. Ficou MUITO diferente a sonoplastia do jogo.

  2. Li e me interessei, amiga. Sempre gostei de Silent Hill, mas desde o The Room eu não jogo um até o final. Homecoming foi ridículo!

    quem sabe eu pegue no futuro, uma pena não ter para Pc.

    Parabéns!

    • Homecoming é um lixo mesmo! Aquilo lá nem podia ter recebido o nome de Silent Hill. Nisso, o The Room ganha em qualidade.
      Eles falaram que num vale a pena lançar pra pc. Deve ser porque o jogo não vendeu nada =/ Uma pena mesmo. Mas pega um dia pra xbox, Rodrigo. Você vai gostar.
      Obrigada pelo review! 😉

  3. eu gostei do game…achei o começo muito chato e tava sofrendo pra jogar,tanto que parava e voltava a jogar 3,4 dias depois,era quase que uma obrigação,mas depois o jogo fica interessante…apesar de eu ter achado o final meio “sem sal” e sem muito daquele bizarrice de crianças queimadas,rituais satânicos,assassinato de esposas…que caracterizava os games clássicos,eu esperava um final mais impactante..

    • Nossa, o começo é muito chato. Aquilo ali quebrou um pouco o clima. Certeza que muita gente parou ali mesmo e desistiu de jogar.
      O meu final foi bem salvador hehehe Mas confesso que esperava algo mais trágico também.Aliás, foi um dos problemas do jogo: chefões sem graça. Não tem aquela dramaticidade de uma Claudia, Pyramid Head ou Valtiel.
      Mas foi um bom jogo, fala aí. Pelo menos ela não estragou a série que nem Resident Evil.
      Valeu pelo comentário, Ramon 😉

  4. Eu gostei do clima do jogo, e até da trilha, principalmente o Clima deixado quando a gente liga o radio.

    o que me desanimou nesse SH, foi o numero de criatura redusido, e aquele vórtice maldito não me animou.

    Gostei das referencias aos outros jogos da série. Mas infelizmente não é um jogo para jogar mais de uma vez como os outros.

    PS: o final do aniversário é bem divertido

    • O vórtice foi algo interessante, mas ficou mal explorado de fato. É repetitivo demais.
      E agora, depois de zerar, fiquei com essa sensação: é um jogo que preciso refletir mesmo se zero novamente. Não tem o atrativo dos antigos, mas isso era pedir demais… Até que a Vatra fez um bom trabalho com o que tinha.
      Valeu pelo review =)

  5. Pingback: [Fran's Review] Dead Space 3 | Jogador Pensante

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