[Tomio’s Review] Digimon World Re: Digitize

Nome: Digimon World Re: Digitize
Produtora: Tri Crescendo
Gênero: JRPG
Plataforma(s): Playstation Portable
Versão analisada: Japonesa

Digitais

Digimon World Re: Digitize é o mais novo título da maior franquia rival de Pokémon, produzido pela Tri Crescendo (Eternal Sonata) para Playstation Portable.

Admirável mundo digital

Re: Digitize reproduz mais uma vez o mundo digital dos Digimons, conhecidos pela série animada contando as aventuras de Agumon e companhia. O jogo possui um visual cartunesco com cores bem fortes e um mundo vasto e diversificado, sendo fácilmente um dos títulos mais bonitos do PSP. Tecnicamente, Re: Digitize é igualmente muito competente, com loadings rápidos, ausência de pop-in ou slow downs e campos enormes. O destaque aqui fica para o sistema de dia e noite do jogo, com excelente uso de iluminação e outros efeitos, além de outros aspectos diferenciados de gameplay por conta disso.

A trilha sonora é também de primeira, com uma seleção de instrumentos que puxam as melodias mais para o lado retrô:

Outro ponto forte do jogo é o controle de câmera, que foi muito bem adaptada aos limites do portátil.

Salvando o mundo…digo, banco de dados

Re: Digitize em termos de história é um jogo bem simples, pois o mesmo é claramente voltado para crianças. Por conta disso, a história, personagens e acontecimentos são bem simples e não muito profundos, mas se mostram competentes se for considerado o público alvo, com narrativa sólida e universo envolvente.

O mais interessante nesse aspecto é o número considerável de cameos, indo de personagens da série e até personagens de outros jogos.

Os novos bichinhos virtuais

Re: Digitize segue o mesmo gameplay do primeiro Digimon World, lançado para Playstation One. Ou seja: É preciso criar um Digimon para ele ficar mais forte e diginvolver, e explorar os diversos campos do mundo digital.

Assim como seu ancestral, uma coisa que definitivamente não combina com o público alvo é a dificuldade do jogo, pois a mesma é bem alta a ponto de ser brutal em algumas partes, exigindo que o jogador tenha domíno de todas as mecânicas de jogo e planejamentos avançados de ações se não quiser entrar em um loop interminável de treinamento em vão.

No título, o jogador precisa, literalmente, tomar conta de seu Digimon. Ou seja: Dar comida, levar ao médico, ao banheiro, treinar e lutar para melhorar atributos, dar bronca ou elogiar e até mesmo mandar dormir. As mecânicas de “babá” do jogo são todas muito bem aplicadas e completas, dando ao jogador a sensação de que está mesmo criando um ser vivo. Fazer ou deixar de fazer qualquer ação pode afetar drásticamente mais pra frente, seja na hora do Digimon evoluir para uma criatura mais poderosa, ou até mesmo no presente. Por exemplo: uma criatura mimada geralmente não obedece direito o treinador. Nessa hora, o ideal é dar uma bronca, pois após isso, geralmente o Digimon pára de reclamar ou recusar as ações de seu treinador.

Assim como em Digimon World, Re: Digitize tem como base os sistemas de evolução de Monster Rancher, RPG da Tecmo. Os Digimons não possuem level, pois eles ficam mais fortes de acordo com o tipo de treinamento. Um minigame de desviar de bombas, por exemplo, faz com que sua velocidade e inteligência aumentem. Os monstros possuem até mesmo idade e morrem depois de um tempo, deixando dados para que o próximo Digimon a nascer já comece um pouco mais poderoso. O tempo de vida de um Digimon vai depender diretamente da competência do jogador em criar seu parceiro de forma decente, dando o que ele precisa na hora certa e treinando da forma correta. Essa deadline para os Digimons, inclusive, é uma ótima forma de balancear a dificuldade do jogo. Outro ponto chave do jogo são as Digivoluções, evoluções dos monstros para versões mais poderosas: eles não ficam apenas mais fortes, como também são importantes para prolongar a vida do Digimon, pois quanto mais evoluções, mais ele vive. Evoluir um Digimon é bem interessante, pois dependendo do estilo de criação do jogador, uma mesma criatura pode resultar em diversas outras versões mais poderosas, aumentando, consequentemente, o fator replay.

Para avançar no jogo, é preciso seguir sua história, explorando dungeons e batalhando. O ponto positivo disso é o nível considerável de liberdade que o jogo dá para realizar essas atividades de enredo, podendo concluir muitas delas na ordem que quiser ou até mesmo ignorar algumas coisas.

O mundo de Re: Digitize é basicamente um itercalado de várias dungeons como se fossem uma só, estilo de jogo já visto em JRPGs como Final Fantasy XII (PS2), por exemplo. As dungeons são em geral bem grandes e com cenários bem variados. Dentro delas é possível encontrar itens como frutas e cogumelos, que servem de alimentos, inimigos, poças d’água para um minigame de pesca e Digimons NPCs, importantes serem descobertos para liberar sidequests, dungeons novas e até mesmo novos sistemas de jogo. O destaque é o já citado sistema de dia e noite, que pode influenciar na aparição de novos elementos em campo, dependendo do horário visitado. Apesar de possuir tudo isso, as dungeons passam uma forte sensação de vazio pela ausência total de baús e outros itens mais relevantes, quebra-cabeças ou labirintos mais bem elaborados, e principalmente pela escassa quantidade dos calabouços.

O sistema de batalhas de Re: Digitize é um tanto fora do comum: nele, o jogador não controla o lutador, mas sim o treinador. A princípio, o jogador tem a disposição apenas comandos simples, como “Faça o que quiser”, “Fuja” ou jogar um item de cura para o Digimon, mas com um parceiro evoluído, mais ações como “Mudar alvo”, “Se afaste” ou “Ataque com tudo” ficam disponíveis. A parte mais interessante disso é que esses comandos vão ficando disponíveis de acordo com o nível de inteligência do Digimon, ou seja, quanto mais o jogador treina seu bicho intelectualmente, mais ferramentas de combate ficam disponíveis. Infelizmente, o jogo é outra vítima da “burrice artificial”. Devido à fraca IA, muitos desses comando acabam não fazendo muito sentido, e somado à total ausência de controle sobre o Digimon, as batalhas acabam sendo mais um jogo de sorte do que estratégico.

Uma breve jornada

Re: Digitize é uma curtíssima aventura, que pode ser finalizada em menos de 10 horas dependendo do jogador.

Apesar disso, possui uma boa quantidade de extras, como descobrir e criar todos os Digimons possíveis, uma coleção de cartas que podem ser adquiridas de várias maneiras, um modo Arena com direito até a campeonatos, side-quests, um minigame de pescaria e até modos multiplayer cooperativo ou versus.

Re: Digitalizar

Digimon World Re: Digitize é a volta às raízes depois de muitos títulos mornos. É pequeno e tem alguns problemas, mas possui um capricho visível que não se apoia a nomes ou nostalgia. Recomendado para fãs de RPGs e obrigatório para amantes de Digimon.

Nota: 8,5

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9 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Digimon World Re: Digitize

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