[Tomio’s Review] Tokyo Jungle

Nome: Tokyo Jungle
Produtora: Crispy’s
Gênero: Sandbox
Plataforma(s): Playstation 3 (PSN)

Selva de pedra

Tokyo Jungle é um jogo que mistura inúmeros gêneros, lançado para Playstation 3 pela Cripsy’s com colaboração da campanha Playstation CAMP, responsável em descobrir e apoiar novos talentos e projetos. A campanha tem em seu currículo séries como Echochrome (PSP/PS3) e Holy Invasion of Privacy, Badman! (PSP).

Concrete Jungle

Tokyo Jungle, tecnicamente falando, não é um jogo que possa ser muito elogiado, pois possui iluminação bem simples, texturas um pouco melhores que as da geração passada e física quase inexistente. A falta de capricho é visível principalmente em dias de chuva, onde cai água milagrosamente até mesmo quando os animais se abrigam debaixo de tetos (e consequentemente, afeta no gameplay). Em compensação, a movimentação, modelagem e textura dos animais ficaram bem realistas.

Os controles, apesar de não apresentarem problemas de resposta, não possuem a opção de customização, e com isso alguns comandos não muito bem posicionados podem acabar incomodando em momentos de ação mais intensa.

A trilha sonora é composta basicamente por músicas eletrônicas, que estão longe de serem memoráveis, mas ao menos não chegam a incomodar. Já o som ambiente é bem trabalhado, ajudando bastante o jogador indicando os perigos que podem estar próximos.

Macacos me mordam

Tokyo Jungle se passa em um mundo onde a humanidade foi extinta misteriosamente, e os animais tomaram conta das ruas. Apesar de não parecer, o jogo possui um enredo consideravelmente bem detalhado, contado através do modo história do jogo, onde o jogador acompanha o drama de diversos animais que lutam para sobreviver (regado a muito humor, diga-se de passagem), e data chips coletados durante o modo sobrevivência, com diários e relatórios que esclarecem o maior mistério do jogo.

Mas não é através da história ou da fauna que o jogo brilha, e sim na ambientação e sua imersão – é muito fácil ser sugado ao universo de Tokyo Jungle, entrar na pele do animal controlado e raciocinar sem deixar os instintos de lado. Em pouco tempo, o jogador vai se pegar pensando em como vai fazer para matar aquele grupo de hienas e dominar seu território, ou como vai fazer para passar por aquela rua sem que o leão perceba sua presença, sem, é claro, tirar o olho do indicador de fome.

Streets of Metal Gear Grand Theft War Bros.

Em Tokyo Jungle, o objetivo primário é bem simples: Sobreviver, se alimentando de tempos em tempos para não morrer de fome e reproduzindo para manter sua espécie. Para isso, o jogador vai contar com um leque enorme de possibilidades.

A começar pela escolha de modos. O jogo oferece o modo sobrevivência, onde o jogador escolhe um animal para encarar os perigos de Tokyo, e o modo história, onde são apresentados capítulos com deveres e animais fixos – esse último é basicamente um “Challenge Mode” usado para desvendar os mistérios do enredo. O modo história é destrancado ao coletar data chips espalhados pelo mapa no modo sobrevivência. A divisão de conteúdo entre esses dois modos e a forma como um influencia no outro deixa a jogatina bastante interessante, pois incentiva bastante o fator replay.

O modo sobrevivência funciona com aspectos de um jogo arcade, ou seja: leaderboards online de quanto tempo os jogadores conseguiram sobreviver e ausência de checkpoints (há apenas uma opção para salvar o jogo provisóriamente para desligar o console). Mas o jogo não se limita a apenas uma característica, muito pelo contrário: O jogo é uma mistura insana de vários gêneros, e o melhor de tudo, é que todos são muito bem aplicados.

Dependendo do animal escolhido pelo jogador, a jogabilidade pode mudar consideravelmente. Escolher um cão de pequeno porte, por exemplo, vai necessitar que o jogador seja cauteloso e utilizar mais da ação furtiva oferecida pelo jogo, se escondendo em moitas, andar rastejando e se mover dentro de baldes espalhados pelas ruas, tudo isso para pegar outros animais desatentos pelas costas e matá-los com apenas uma mordida no pescoço. Já no caso de uma gazela, o lema principal será fugir de tudo que se move, utilizando dos mesmos recursos furtivos para se esconder de faros aguçados e se alimentando através de plantas e frutas. No caso de um carnívoro pesado como um tigre ou leão, é mais vantajoso tirar proveito de sua resistência alta e suas presas mais afiadas e chegar de frente contra animais de grande porte. Isso pode soar um tanto desequilibrado, mas o fato é que o jogo balanceia perfeitamente o gameplay de cada animal para que todos sejam, no mínimo, usáveis: Os cachorrinhos morrem facilmente com qualquer golpe e praticamente dão cócegas em animais grandes; a gazela corre muito rápido e tem pulo duplo; o leão é mais lento e é mais fácil para os outros animais perceberem sua presença. O jogo não se limita só a stealth, e apresenta uma jogabilidade completa para um jogo de ação, com ataques, investidas mortais (essas usadas na hora de atacar pelas costas), esquivas e até mesmo contra- ataques.

O grande destaque do jogo é a atenção ao tema “natureza”. Tokyo, apesar da completa ausência de humanos, é muito viva, com mudanças metereológicas repentinas como chuva, noite, neblina e névoa venenosa, e animais nas ruas interagindo em tempo real, podendo encontrar um grupo de vacas dormindo no meio do caminho em uma rodada, gangues de cães e gatos se matando em outra, ou simplesmente uma rua com rastros de carnificina deixados por um animal de grande porte que resolveu aparecer, por exemplo. O mais interessante disso, é que todo o mínimo detalhe pode afetar drasticamente a vida do jogador – a noite, por exemplo, não apenas deixa a tela escura, como também diminui o campo de visão dos outros animais também; Já uma chuva, faz com que os animais se abriguem dela, deixando as ruas desertas e prejudicando a caça no caso do jogador ser um predador (e obviamente facilitando a vida caso seja herbívoro); Uma névoa tóxica vai aos poucos envenenando o animal do jogador, além de ir contaminando poças d’água, frutas e cadáveres, dificultando a sobrevivência. Esses são apenas alguns exemplos que ilustram a vívida e realista cidade japonesa do título.

O mapa do jogo é consideravelmente grande, dividido em várias áreas muito bem detalhadas, desde visualmente, com nomes de estabelecimentos licenciados, como em termos de design, dando oportunidade até a pequenas sequências de platforming e exploração. Com isso, o jogador pode encontrar vez ou outra itens úteis que recuperam energia, desentoxicam, matam a fome e até mesmo equipamentos que aumentam atributos, como roupas, chapéus e outros acessórios. O destaque fica para a total liberdade dada ao jogador, podendo ir de canto a canto na hora que quiser, na ordem que quiser.

Assim como na vida real, os animais de Tokyo Jungle são também organizados. O jogo oferece um sistema de domínio de territórios, importante para prolongar a existência de sua espécie, já que os animais morrem de velhice depois de um certo tempo. O jogador precisa guiar seu animal para pontos específicos do mapa, geralmente dominados e protegidos por grupos de animais. Uma vez que todos os pontos de uma área são dominados pelo jogador, um número de fêmeas de sua espécie aparecem, e com isso, fica possível acasalar e, consequentemente, dar cria à próxima geração. Dependendo da fêmea escolhida e do desempenho do pai, o número de filhotes e seus atributos mudam. Com mais de um filhote, o jogador passa a controlar um grupo de seu animal, apliando a jogabilidade – além de aumentar naturalmente o número de ataques, é possível, por exemplo, mandar os irmãos atacarem outras presas enquanto o jogador caça uma específica, ou fazer um se sacrificar servindo de comida para um predador para que os outros possam fugir em segurança. O número de irmãos servem também como um “continue” caso o controlado pelo jogador morra. Certamente um conceito no mínimo interessante, mas infelizmente a IA dos irmãos não funciona muito bem, fazendo eles correrem para o nada diversas vezes ou travando em locais. A já citada má distribuição de comandos no controle também não ajuda.

Outro destaque de Tokyo Jungle fica por conta da alta dificuldade, já que muitos animais morrem facilmente, fazendo com que o modo sobrevivência seja brutal para quem não souber dominar todas as mecânicas de jogo. Ao menos, o jogo ameniza isso um pouco para os iniciantes, pois o mesmo acumula as gerações mesmo morrendo e começando um new game, ou seja, toda a herança genética acumulada (bônus de atributos) é mantida mesmo recomeçando.

O planeta dos macacos

Tokyo Jungle possui cerca de 50 espécies, algumas delas com várias raças, fora os animais por download através da Playstation Store, todos eles com sua própria jogabilidade e atributos.

O jogo oferece também um sistema de quests aleatórias, como “Vá até área X” ou “Mate Y inimigos” durante um período de tempo. A realização dessas quests, por sua vez, liberam conquistas internas e particulares de cada espécie, que dão como prêmios equipamentos como roupas e acessórios e até mesmo um desafio especial de derrotar um animal específico. Vencendo-o, ele passa a ser selecionável na próxima partida. Uma forma genial de manter o fator replay alto e sempre variar o animal usado.

O único porém no fator extra do jogo fica por conta dos troféus: são apenas treze deles. Quantia normal para um jogo de PSN, mas não para um jogo desse porte, com esse tanto de conteúdo.

O mundo perdido

Tokyo Jungle é uma grande e bizarra mistura que deu certo. Um jogo que apresenta várias idéias e as aplica de forma muito competente, ao mesmo tempo em que deixa o ritmo de jogo totalmente nas mãos do jogador, resultando em uma experiência agradável e viciante.

Nota: 9

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5 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Tokyo Jungle

  1. Um jogo que parece ser MUITO diferente. Até esquisito… Nunca imaginei um jogo em que pudéssemos jogar como animais numa ”selva urbana”. Deve valer uma conferida.

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