[Félix’s Reviews] Darksiders II

Categoria: Adventure/RPG

Produtora: Vigil Games

Distribuidora: THQ

Plataformas: PS3/Xbox 360/PC

Versão avaliada: PS3

 “E em frente do trono havia uma coisa parecida com um mar de vidro, claro como cristal. Em volta do trono, em cada um dos seus lados, estavam quatro seres vivos, cobertos de olhos, na frente e atrás”.

                                                                                                                                                                        Apocalipse 4:6

Um eterno conflito

Há muito tempo, o reino do céu e o reino do inferno travaram uma colossal batalha que parecia nunca ter fim. Ao meio do caos, um antigo conselho vinculado a certas leis que mantinham a ordem no universo surgiu para então por fim ao conflito. O conselho enviou ao combate quatro cavalheiros os quais nada e ninguém poderia ter poder superior. Seu objetivo era simples: conter a batalha que estava colocando o equilíbrio em risco.

Ao meio de tudo isso, surgiu um terceiro reino. Intermediário entre o reino do céu e o reino do inferno: o reino dos homens. O conselho profetizou que os humanos seriam, um dia, fundamentais para manter o equilíbrio dos reinos e assim permitir a paz. Pelo menos até o momento certo.

Sete selos foram criados. Sete selos que simbolizavam a trégua do reino do céu e do reino do inferno até que o reino dos homens estivesse preparado para a Guerra do Apocalipse. Batalha final que ditaria o destino dos três reinos. O dia que os setes selos fossem rompidos, a trégua acabaria, a guerra voltaria, os cavaleiros ressurgiriam.

Os quatro Cavaleiros do Apocalipse, por Viktor Vasnetsov (1887).

Os quatro cavaleiros do apocalipse

A trama central de Darksiders é banhada por narrações bíblicas que possuem diversas interpretações. Os cavaleiros poderiam não simbolizar o apocalipse, mas períodos da história da época em que a profecia foi escrita. Nessa visão, o primeiro cavaleiro simbolizaria a derrota dos romanos e o fim da perseguição aos cristãos e os demais cavaleiros seriam simbolicamente a queda gradual dos romanos.

Outra forma de interpretar os quatro cavaleiros seria como períodos históricos da igreja cristã. Nela o primeiro cavaleiro seria a o “cristianismo original”, responsável por conquistas muitíssimos seguidores. Após isso os próprios seguidores do cristianismo começariam a se dividirem em grupos e lutarem entre si (segundo cavaleiro, guerra) pelo direito de interpretar os ensinamentos cristãos. Logo após viria a Fome pelas palavras de deus(terceiro cavaleiro), e por fim a morte espiritual,(quarto cavaleiro)causada pela propagação de falsas doutrinas eu iriam substituir o cristianismo.

Mas, voltando a interpretação apocalíptica em que Darksiders se apoia, nesse segundo título da série, passamos a assumir o controle de Death (Morte), o segundo cavaleiro do apocalipse apresentado na série. O objetivo de Death na trama fica claro nos primeiros momentos do título. Sua missão é resgatar War, seu irmão que esta sendo falsamente acusado de trazer o conflito entre anjos de demônios de volta antes da hora e como consequência, condenar o reino dos homens a extinção.

Death tem a plena certeza que War não é o culpado, e para provar a inocências de seu irmão tentará fazer de tudo para restaurar a humanidade. Porém, trazer de volta algo que foi reduzido a cinzar requer nada mais que viajar ao centro da criação de tudo, lidar com forças complexas que originaram o universo, viajar entre o céu e o inferno e manipular leis divinas. Cabe a Morte, trazer a vida.

Death protagoniza Darksiders II

Uma longa jornada pela frente.

Enquanto o primeiro Darksiders possuía uma duração média de 15 horas de campanha principal, Darksiders II possui no mínimo 25 horas  sem cumprir as sidequests. Durante a longa campanha viajamos por quatro grandes mundos que funcionam como quatro world maps. Cada um dos quatro mundos apresenta uma arte diferenciada, NPCs próprios e inimigos distintos. Como é de se esperar a dificuldade vai naturalmente aumentando conforme avançamos em nossa jornada.

Esqueça a forma “pesada” de se jogar com War no primeiro Darksiders. Death é muito mais ágil e mortal. Jogar com ele é uma experiência mais “leve” e rápida. Algo que coincide com o estilo de combate do próprio personagem . Possuímos como arma principal duas foices, e além delas podemos alterar entre armas secundárias rápidas como garras ou armas pesadas, como gigantescos martelos e grandes lanças. O interessante que para cada tipo de inimigo existe uma combinação certa para um melhor desempenho no combate. Podemos em combos alternar entre arma primaria e secundária e causar um dano maior ao inimigo.

Death em combate

Uma das maiores sugestões dos fãs do primeiro jogo da série era que Darksiders ficaria ainda melhor com elementos de RPG. Isso foi levado ao pé da letra pela Vigil Games ao produzir Darksiders II.  A primeira mudança ficou por conta que os inimigos agora dropam itens ao serem derrotados. Itens como armaduras, armas, poções, etc. A segunda mudança é que além de equipar diversas armas ao nosso personagem, podemos equipar vários tipos de armaduras,botas,luvas e acessórios que melhoram ou pioram o desempenho de Death além de garantir um novo visual ao herói.

Deixando um pouco de lado a parte de personalização e de equipamentos, Darksiders II agora conta com sistema de levels. Death possui como lvl máximo o 30. No começo do jogo, pode parecer pouco, mas para conseguir upar não é tão simples quanto aparenta. Por mais que o jogador curta deixar a história de lado e ficar upando, em Darksiders II apenas inimigos do seu nível ou de nível superior garantem XP. A árvore de habilidade é outra que engana pelo pequeno tamanho. Mas conseguir comprar todas as habilidades e upgrades de cada uma também não é uma tarefa fácil.

Existem diversas armas e equipamentos para serem usados

Existem diversos puzzles ao longo do game. Locais que só podem ser acessados após adquiridos algum item ou poder especial. Nos puzzles, começamos com simplicidade de empurrar objetos para ativar plataformas, avançamos para uma habilidade que permite que Death duplique a si mesmo e esteja em dois lugares ao mesmo tempo, podemos criar portais para atravessar zonas e mover objetos e até viajar no tempo.  Ok. Nada muito original, mas tudo funciona de uma forma extremamente divertida e garante bons momentos de desafio ao jogo.

Darksiders II apresenta um grande números de boss battles. Muito maior que na maioria dos games atuais. Algumas batalhas são diretas, onde precisamos mesmo ir pra cima e cuidar para se esquivar dos ataques. Já outras lutas são como puzzles. Onde precisamos descobrir uma forma mais complexa de derrotar o boss. Um exemplo é uma boss battle que envolve portais. Precisamos usar os portais para desviar ataques do Boss contra ele mesmo, além de outros detalhes.

Ao longo dos quatro  mundos de Darksiders II encontramos diversas sidequets que prolongam ainda mais a aventura. Além disso algumas delas exigem que o jogador vague pelo jogo todo em busca de colecionáveis. Mas, ao contrário da maioria dos jogos, os colecionáveis de Darksiders II representam vantagens ao jogador.

Por exemplo, no começo da aventura ganhamos a sidequest de encontrar as 40 páginas perdidas do livro dos mortos. A cada dez páginas encontradas, ganhamos uma chave para uma das quatro tumbas do jogo. Cada tumba em um mundo. Dentro delas existem armas raras, muitos itens e ouro. Uma recompensa gratificante para quem andou vagando para encontrar todas as páginas.
Outra sidequest exige que o jogador encontre dezenas de pedras em grupos de três cores. Azuis,vermelhas e amarelas. Mas não precisamos encontrar todas para ganhar a recompensa, podemos vender aos poucos para o NPC que nos deu a sidequest. Conforme a ordem de cores que vendemos, ganhamos bônus para alguma habilidade do personagem, como por exemplo mais 50 de HP máximo.

Existem outras diversas sidequets divertidas desafiadoras e que garantem prêmios ótimos ao jogador. Além delas, existem chefes secretos e desafios complicados como uma arena onde precisamos vencer 100 rodadas para poder combater o chefe secreto.  Resumindo, existe muitíssimo conteúdo extra além da campanha principal.

Death usa uma montaria fantasmagórica para explorar os mundos em Darksiders II

Tecnicamente falando…

Darksiders II é um jogo belo. Não por apresentar o que há de mais sofisticado em tecnologia gráfica e sim por apostar em uma arte rica. Todos os quatro mundos são belos e artisticamente bem detalhados. Não é difícil se perder admirando os cenários do  jogo .

Mas nem tudo são flores, o jogo apresenta um desempenho pouco abaixo do esperado, em partes mais complexas da aventura, com um maior número de inimigos é notável a queda de FPS. Abrir o menu de administração do jogo é um pouco demorado, não responde bem.

Os controles funcionam bem, mas para alguns no começo é um pouco difícil se acostumar com a configuração de certas habilidades de Death. Nada que prejudique a forma de se jogar, mas não é um jogo que logo de cara se domina totalmente. O som é uma parte bacana do jogo, a maioria das dublagens são ótimas. A trilha sonora também tem bons momentos, mas  conta com músicas extremamente curtas e pouco exploradas.

Tudo que tem um começo precisa ter um fim.

“Atrás daquela porta esta o fim de tudo, até mesmo da morte em si”

Darksiders II é uma excelente sequencia do muito bem aceito primeiro título. Como mudanças radicais em relação ao antecessor, o jogo apresenta uma proposta única, uma identidade própria e busca a sua  maneira de narrar os eventos. Ao finalizar a aventura percebe-se que Vigil Games não pretendeu apenas dar uma mecânica diferencia ao novo protagonista, mas um jogo totalmente voltando e adaptado para esta jornada. Para quem quiser ir a fundo no jogo, ainda é disponibilizado o New Game + onde podemos recomeçar a aventura com o level que finalizamos  e todos nossos itens. Os inimigos estão desde o começo com o nível parelho ao do jogador e os chefes nesse modo dropam itens raros. Além do mais existem outros segredos só revelados nesse modo.

Notas:
Gráficos: 8,0

Jogabilidade: 8,5

Som: 7,5

Diversão: 9,0

Nota final:  8,2

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5 pensamentos sobre “[Félix’s Reviews] Darksiders II

  1. Você praticamente não falou mal do jogo, kkkk. Mas foi um ótimo review, descreveu bem.

    E pelo que vi, esse lance de exploração e tal, esse jogo não é pra mim mesmo. Mas qualquer dia que eu estiver sem nada pra jogar, eu vejo como é…

  2. os combates, movimentaçao, customizaçao, nisso tudo o jogo ficou MUITO melhor, mas pqp…

    pq alongar tanto o jogo?! pq pra pegar o item X vc precisa pegar o Y, entregar pro personagem K, q te dá o W, e vc cavalga seculos ate Z, pra pegar o A, ah va tnc! enjoei em poucas horas.

  3. Pingback: [Jogo do ano] 2012 « Jogador Pensante

  4. Apartir de um momento no jogo voce ganha o “FAST TRAVEL” que pode te levar a qualquer lugar em instantes sem andar durante 5 hras…. é bem simples, no ‘world map’ é so selecionar o simbolo da porta do local desejado, a apertar o ‘fast travel’…

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