[Especial Mega Drive] A Guerra do Genesis

“Cansado de jogar em seu Nintendo os mesmos jogos de sempre?

Não aguenta mais toda a lerdeza de seus jogos?
E o que dizer então da precariedade do controle, com apenas dois botões?

Pois fique sabendo que esses dias melancólicos chegaram ao fim! Conheçam agora o poderoso, bonito e super veloz: Mega Drive, o mais novo console da SEGA, com 16 BITS de potência! É mole?”

A história

O console

O Mega Drive, conhecido também como Sega Genesis, foi lançado em 1988 no Japão, e ficou conhecido mundialmente por protagonizar uma das guerras mais quentes da história da indústria de games: A era 16 bits, onde o console da SEGA e seu grande rival, o Super Nintendo, passaram por uma grande competição de mercado, gerando uma leva lendária e gigantesca de grandes clássicos.

O console foi a resposta da SEGA em relação ao 8 bits da Nintendo, o qual dominava o mercado, sem dar muitas chances para rivais, incluindo o Master System, o antecessor do Genesis. Baseado em placas de arcades 16 bits da própria empresa, o Mega Drive era um console caseiro que se destacava na época pela sua beleza gráfica em relação ao rival, e acima de tudo, a sua velocidade de processamento de dados (que garantia jogos com jogabilidade mais fluida ou literamente mais rápida), apresentada tanto por comerciais da empresa como pelos próprios jogos, a exemplo de Sonic the Hedgehog. A Big N, por sua vez, lança seu contra-ataque anos depois, chamado Super Nintendo (ou Super Famicon no Japão), inciando assim, a lendária “briga” de consoles.

“O Mega Drive é o único que consegue rodar seus jogos em uma fluidez e velocidade nunca vistas antes!
Chega de lerdeza, chega de jogos bobinhos para crianças! Vamos nos aventurar em jogos radicais e testar o limite de nossos reflexos com essa maravilha tecnológica!”

A rivalidade

“Possível apenas no Genesis!”

Não apenas por qualidade de jogos o Mega Drive é conhecido. A SEGA, naquela época, era bastante polêmica e infame com seus comerciais, atacando diretamente sua rival e elevando seu console aos céus, mesmo que isso fosse exagero ou até mentira. Frases como “Genesis does what Nintendon’t” ficaram cravadas na história dos videogames, e a estratégia de marketing, mesmo sendo um tanto “suja”, conseguiu atingir sua meta, com a “lavagem cerebral” de muitos fãs da Nintendo.

O comercial mais famoso…e polêmico.

“Super Mario? Passado! Deixe de lado esse encanador lento e sem graça. Venha correr e se aventurar com Sonic, o mascote da Sega que veio para atropelar o bigodudo da rival, em um jogo com muita adrenalina!”

O mascote

Sonic the Hedgehog

Antes do Mega Drive, e posteriormente a própria SEGA, ser praticamente sinônimo de Sonic, a empresa teve muitos candidatos ao posto de mascote. O primeiro deles foi Alex Kidd, personagem já popular através do irmão mais velho do console, o Master System. Apesar do carisma, a SEGA não viu nele a imagem correta para representar os 16 bits e a velocidade necessária. A primeira nova tentativa foi Toejam & Earl: com um jogo de mesmo nome. Apesar do enorme sucesso da dupla de alienígenas, a idéia de serem iconizados não foi pra frente, pois grande parte desse sucesso se deve ao jogo em si, e não a suas presenças. No final, o problema da empresa foi resolvido com o lançamento de Sonic the Hedgehog, jogo que, além de ser uma representação perfeita do apelo principal do Mega Drive, trouxe um dos personagens mais conhecidos do mundo dos games: Sonic.

“E quem disse que jogar videogame é sempe a mesma coisa? Você pode jogar sozinho, com os amigos, apertando botões, se movimentando…e até com alguém que não esteja perto de você! Impossível? Apenas para a Nintendo, pois com o Mega Drive, o que antes era loucura, se tornou realidade!”

As versões, idéias e acessórios

Sega Nomad

O Atari 2600 não foi o único videogame a ter versões revisadas de hardware antigamente. No total, a SEGA teve três versões oficiais de Mega Drive, ficando cada vez mais leves e menores a cada novo lançamento. Existiu até mesmo uma versão portátil do console, nomeado Sega Nomad, o qual não foi muito bem sucedido pelo consumo insano de baterias e pouca durabilidade das mesmas. O controle oficial da empresa também foi revisado e passou a ter seis botões ao invés dos 3 iniciais, e é considerado por muitos o melhor controle já criado para jogos de luta, por comportar todos os botões na parte frontal do mesmo.

A empresa foi pioneira em diversas idéias, muitas delas sendo aproveitadas de forma satisfatória apenas nos dias de hoje. Alguns exemplos que podem ser citados são: Activator, um dispositivo que captava movimentos dos jogadores e funcionava como os tapetes de dança de Dance Dance Revolution; Total Control, um controle similar a um controle remoto de televisão, que respondia a movimentos com as mãos, o Sega Net, acessório que permitia o uso de serviços online, como baixar jogos, notícias de games e até mesmo realizar partidas online em alguns jogos. Outro serviço iniciado pela empresa foi o Sega Hotline, que tirava dúvidas do consumidor não apenas sobre o console em si, como também fornecia dicas de jogos.

A SEGA também introduziu o uso de add-ons em consoles, especificamente com o Sega 32X e o Sega CD. O primeiro concede ao console o dobro de poder, sendo possível com isso, o uso de efeitos visuais mais avançados, como o zoom e o 3D, que antes só era possível com técnicas artificiais das softhouses. Já o Sega CD é o que o nome sugere, dando suporte ao CD-Rom e abrindo o caminho para jogos com som e imagens melhores, além do uso de vídeos, coisa que não era possível devido à capacidade de armazenamento dos cartuchos. O Sega CD, inclusive, fez com que a Nintendo planejasse uma resposta, que hoje é conhecido como Playstation 1. Versões revisadas desses add-ons também foram lançadas, tendo até mesmo versões já acopladas no console, como o Sega CDX, onde o Mega Drive e o Sega CD dividem uma só carcaça.

“Venha se deliciar com muitos jogos que você nunca viu e nunca verá no rival! Um festival de epicidade que só o mais novo console da SEGA pode te oferecer! Mario de novo? Dê um basta na mesmice! Você merece mais variedade, mais qualidade. Você merece jogar em um Mega Drive!”

Os jogos

Gunstar Heroes, Gun’ n’ Run da Treasure

O Mega Drive não foi diferente em relação a todos os outros consoles perante a Big N, sofrendo com o monopólio quase absoluto de franquias famosas e apoio de empresas que a Nintendo tinha em suas costas. Mas, felizmente, isso não foi motivo para a criadora de Sonic desistir. O Mega Drive em seu legado conseguiu responder ao gosto de todo o tipo de consumidor, lançando jogos de todo os estilos imagináveis, e todos de qualidade impecável. De Sonic para plataformas a Virtua Fighter para luta, de Golden Axe para Beat’em Up a Phantasy Star para RPGs, a empresa, no final, criou uma linha de frente monstruosa, podendo facilmente declarar independência de outras empresas sem se prejudicar.

Mas isso, claro, não impediu de algumas empresas acreditarem em “outros rumos” para a indústria. O Mega Drive teve forte apoio da Treasure, empresa muito aclamada por sempre lançar jogos no mínimo acima da média, como Gunstar Heroes e Dynamite Headdy. O console recebeu também muitos ports do rival, que apesar de pecar em não ter o mesmo poder gráfico e sonoro do Super Nintendo, levava vantagem em outros aspectos, principalmente em velocidade, que apesar de não ser aquela coisa exagerada que a empresa sempre ressaltou em seus comerciais, faziam certa diferença, que pode ser notada em jogos como Rock’n’roll Racing e Street Fighter, por exemplo.

O console recebeu também versões diferentes de um mesmo jogo, como é o caso de The Adventures of Batman & Robin, feito pela Konami para Super Nintendo, enquanto a versão do Mega Drive ficou a cargo da Clockwork Turtoise com apoio da própria SEGA. Os jogos não só sairam totalmente diferentes uns dos outros, como a versão da Clockwork foi muito melhor recebida, sendo considerada por muitos um dos melhores jogos de super-herói da história. Situações como essa se repetiram diversas vezes na era 16 bits, tendo como outro exemplo o jogo Alladin, feito pela Capcom para o console da Nintendo, enquanto a aclamada versão do Genesis, ficou a cargo da Virgin.

Uma das coisas que a SEGA usou contra a Nintendo foi dar mais liberdade a conteúdo sensurado, geralmente violência. Por conta disso, muitos jogos que sofriam cortes tinham o Mega Drive como preferência, como no caso de Mortal Kombat, onde a versão do Genesis permitia o uso de sangue através de um código, diferente da versão do rival, onde a chuva vermelha foi totalmente descartada.

A vantagem do console ter uma arquitetura similar aos dos arcades vinha dos ports de grandes títulos como Golden Axe e Altered Beast, que apesar de não terem a mesma qualidade técnica original, era uma adição considerável para os donos de Mega Drive.

“Todos esse poder, agora no Brasil! Você encontra o Mega Drive nas lojas de eletrônicos mais próximas da sua casa! Tá esperando o que? O console mais veloz do mundo veio correndo até perto de você, agora é a sua vez de ir correndo garantir o seu, pois assim como o poderoso processador de dados do console, acabar o estoque é muito rápido!”

O Mega Drive e o Brasil

O Mega Drive portátil da Tec-Toy, com jogos na memória.

Ao contrário das últimas gerações, o Brasil teve uma participação considerável no sucesso do Mega Drive. Assim como a Nintendo com a Gradiente, A SEGA foi representada no país pela Tec-Toy, responsável pela comercialização dos produtos, localização de jogos e informações e prestação de serviços ao consumidor, incluindo o Sega Hotline. O sucesso se deve ao bom nível de serviços prestados e aos preços não abusivos como hoje em dia. Um bom exemplo a ser lembrado é o hack oficial do jogo Wonderboy in Monster Land, chamado de “Turma da Mônica na Terra dos monstros”. A empresa substituiu todos os sprites e falas do jogo original por todo o universo dos personagens do Maurício de Sousa, resultando em um produto um tanto bizarro, mas de alta qualidade.

Ainda hoje, a Tec-Toy insiste em apostar no Mega Drive, lançando diversas versões capadas, com jogos na memória e até mesmo uma versão portátil.

“Garantia de vida longa e jogos de qualidade, é isso que o Mega Drive é! Você nunca vai se arrepender de ter adquirido um! Obtenha já seu 16 Bits, faça já esse INVESTIMENTO!”

A queda

Uma gameteca invejável, muitas boas idéias e uma empresa empenhada. O que fez a SEGA cair, afinal? Muitos podem achar que o Mega Drive e toda sua boa imagem nada tem a ver com a decadência dessa que um dia foi a maior rival da Nintendo, mas a verdade é que o 16 bits da SEGA foi o começo do fim. O motivo: Abandono de suporte.

De todas as idéias mirabolantes da empresa, apenas o controle de seis botões seguiu em frente. De resto, os consumidores tiveram diante de seus olhos um festival de sub-aproveitamento, principalmente por parte dos add-ons 32X e Sega CD, que foram abandonados logo após seus lançamentos para os preparativos da empresa para a próxima geração, com o Sega Saturn. Esse ato de traição aos compradores desses caros aparelhos foi o suficiente para fazer muita gente, e até mesmo produtoras, a desacreditarem nas jogadas da empresa, e com isso, desencadear diversos outros fatores que levaram a SEGA a ser o que é hoje.

Apesar dos pesares, é impossível negar a importância que o Mega Drive teve na indústria dos games: um videogame que lutou de igual para igual contra um gigante quase invencível, e fez de sua era um dos momentos mais marcantes da vida de todo gamer.

Leia também sobre a trilogia Sonic the Hedgehog (16 bits)

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2 pensamentos sobre “[Especial Mega Drive] A Guerra do Genesis

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