[Neto’s Review] Rayman Origins

Power to…

Capa do jogo

ENREDO

Rayman Origins é mais uma tentativa da Ubisoft de colocar o mascote Rayman na boca do povo. O jogo já teve várias facetas e agora vem em forma de um sidescroller 2D platformer, o estilo que outro mascote, o da Nintendo, Super Mario, consagrou.

E o enredo, mais uma vez no gênero, é algo simplório. O mundo de Rayman está em colapso e o jogador precisa salvá-lo, descorrompendo quatro guardiões dos elementos que regem o universo do personagem. No meio do caminho, fadas mágicas ajudarão o mascote sem braços e pernas.

O enredo é bastante simplório, mas não tem como deixar de se notar a hilariedade que a Ubisoft procurou colocar no jogo. Absolutamente tudo foi feito para ser caricato: personagens, cenários, inimigos, diálogos. O problema disso, porém, é que tudo isso acaba soando bastante forçado. Rayman e seus amigos, ao invés de serem engraçados, trocam as bolas  para serem idiotas e imbecis.

É muita careta pra pouca graça…

O jogo, portanto, vem para apelar para um humor extremamente pastelão, que é o das caretas e dos movimentos bruscos quando em comemorações e conversas (raras) que existem durante o jogo. Há quem goste deste tipo de humor, que chore de rir… mas é difícil ser de um nível universal de hilariedade, como é, por exemplo, o Mr. Bean.

Outro ponto importante são os personagens (jogáveis e não jogáveis): o público já dificilmente sabe quem é o Rayman, quanto mais seus amigos. E o jogo faz muito pouco para apresentá-los, é até mesmo difícil decorar os nomes e acaba-se por chamá-los de “o grandão azul” ou “o baixinho de chapéu”ou “o velho da árvore de barba”.

JOGABILIDADE

Quer jogar Rayman da forma como é feita para ser jogada? Jogue fazendo os famosos speed runs, modalidade onde o jogador busca passar das fases e desafios do modo mais rápido possível. Isso, no entanto, é algo que poucos fazem e que dificilmente é recompensador de se fazer na primeira vez que se joga.

Portanto, a análise feita aqui será conforme um jogo normal, sem speed run algum. Rayman é um platformer 2D sidescroller, ou seja, é um jogo como Super Mario Bros., Donkey Kong Country e LittleBigPlanet, com cenários cheios de obstáculos onde o jogador vai precisar de perícia e agilidade nos dedos para superá-los.

O jogo consiste em vários mundos com temáticas diferentes e, nos primeiros, o jogador vai obtendo novos poderes, como atacar, flutuar, encolher, afundar na água ou andar pelas paredes. Esses são upgrades que farão ser possível se passar dos novos desafios propostos pelo jogo. Rayman e seus companheiros têm como movimentos o pulo, correr e atacar. Basicamente isso, além dos upgrades já citados.

Há bastante variedade de fases.

O maior desafio que o jogador vai encontrar será passar pelos obstáculos propostos pelo jogo, seja pular sobre buracos ou pular entre duas paredes o mais rápido possível para que algo não o pegue de surpresa. No meio destes obstáculos, Rayman pode achar tesouros, como moedas ou passagens secretas para fases bônus que lhe dá prêmios para abrir novas fases.

Além destes desafios, o jogo coloca inimigos no meio do caminho. E é uma das maiores falhas do jogo. Grande parte dos inimigos ficam parados no chão e são extremamente passivos, cabendo ao jogador passar correndo por eles e pular em suas cabeças ou simplesmente dar um belo soco. Eles funcionam como outros obstáculos, mas poderiam ser bem mais inteligentes e ativos. Mas, se for pensar em jogar em um speed run, isso fica bastante aceitável, pois o jogador passará correndo e nem daria chance para o inimigo reagir de alguma forma.

Inimigos que não fazem nada…

O jogo possui muitos coletáveis, sendo os mais importantes os Lums, que são pequenos seres dourados que ficam dormindo pela fase. Toda fase possui pouco mais de 350 destes, divididos também entre moedas douradas, que dão bastante quantidade a mais, e também possui uma espécie de Rei Lum, que acorda os seres dourados e transforma-os em vermelho por um curto período de tempo e os deixa com o dobro do valor. Ao final da fase, um contador de Lums aparece e, a cada tanto coletado, o jogo vai recompensá-lo. E acredite, você vai querer pegar absolutamente TODOS os Lums! Coletar coisas nesse jogo é excelente!

Rayman Origins tem bastante variação dentro das fases. Há fases totalmente na água, outras híbridas, outras com um curso vertical, com variações climáticas de vento, e etc. E todas as fases possuem checkpoint em determinadas portas, que leva o jogador para uma nova área. Isso quebra um pouco a progressão do desafio. Por vezes passa-se de uma parte extremamente difícil de determinada fase e, posteriormente, na próxima sala, a facilidade reina absoluta. Essa quebra de progressão dá um pouco de desânimo, mas no geral o jogo é bastante desafiador em seus obstáculos propostos ao jogador.

Mudanças climáticas muito bem-vindas!

Há também fases onde o jogador vai subir em um grande mosquito, que atira projéteis e engole os inimigos. Essas fases são bastante prazerosas de serem jogadas e também bastante desafiadoras, pois a fase vai “engolindo” e deixa o jogador em situações difíceis de coletar Lums ou matar todos os inimigos.

O jogo possui bastante conteúdo desbloqueável, como novas fases dentro de todos os mundos e também novos personagens. O problema dos novos  personagens é que são todos absolutamente idênticos, todos têm o mesmo movimento, a mesma força, a mesma velocidade. Isso deixa a troca de personagens inócua, é apenas uma mera skin sem peculiaridade alguma.

O jogo também carece de mais boss battles. São pouquíssimas pela quantidade de mundos que o jogo possui. Talvez isso seja só um costume que a maioria dos platformers 2D tenham deixado como legado, mas essa falta de chefes é sentida durante metade do jogo, pelo menos.

Um ponto importante a ser destacado é a jogabilidade embaixo da água. Geralmente essas fases são o terror de qualquer jogador, mas não em Rayman Origins. O jogo possui uma característica bastante suave embaixo da água e não a deixa frustrante. Outra coisa é que os inimigos embaixo da água são muito mais agressivos do que os que ficam em terra, o que é bastante paradoxal, visto que geralmente é o contrário que acontece em outros jogos do gênero.

As fadas garantem novos poderes ao jogador.

SOM

O trabalho de sonoplastia do jogo é bastante competente, com músicas que vão seguindo a progressão da fase algumas vezes. Por outras vezes pode ser extremamente chatas e repetitivas as músicas: Rayman Origins não é um jogo que preza pela variação musical e não há tantas composições diferentes assim. Isso sem falar nas fases onde há uma espécie de “cantoria” em uma língua completamente esquisita… essas são as piores músicas possíveis, a ponto de irritar quem está jogando e/ou assistindo.

Pense numa música que te irrita…

Há de se destacar os barulhos de quando se pega vários Lums em sequência,principalmente se estiverem acordados. Esse tipo de som faz o jogador ter vontade de capturar mais e mais coletáveis. Muito bom.

GRÁFICOS

Rayman Origins é um jogo extremamente bonito, em todas as plataformas lançadas. Uma arte sem muita coisa carregada, prezando por ambientes naturais em mundos bastante coloridos. A movimentação dos personagens é bastante caricata e combina bem com a arte do jogo, deixando tudo muito bem encaixado.

Visual impecável.

Não há do que reclamar nesse ponto, parece que a equipe responsável pela arte teve bastante carinho em sua produção bastante limpa e leve, coisa que não se vê muito aplicada no gênero, que anda abandonado ultimamente, principalmente nos consoles HD.

VEREDITO

Rayman Origins é um excelente sidescroller 2D, um dos melhores de uma geração carente do estilo. Não é um jogo engraçado como pintam, mas sim um jogo idiota no mau sentido da coisa, com uma comédia pastelona e enjoativa, com um enredo bem pobre, mas quem liga para isso nesse tipo de jogo, certo? Afinal, o jogo possui bastante desafio, apesar de carecer de inimigos mais ativos e talvez ter mais fases, porém mais curtas do que as que o jogo possui (fases muito grandes e com muitas divisões tendem a ser enfadonhas). Jogue fazendo speed run e o desafio será muito maior e o jogo será muito mais prazeroso!

Rayman, na próxima seja carismático, e não mongolóide.

NOTAS

ENREDO: 6,0/10,0

+ Simplicidade funciona bem no estilo

+ As fadas são bastante carismáticas

– Mas os outros personagens não são

– Humor pastelão e enfadonho

JOGABILIDADE: 8,0/10,0

+ Desafio bastante alto

+ Rayman e seus amigos possuem muitos movimentos e possibilidades

+ Coletáveis que dão vontade de serem coletados

+ Locais secretos e coisas escondidas adicionam muito ao jogo

+ Uma das melhores jogabilidades aquáticas de todos os tempos

– Inimigos muito passivos

– Fases muito longas e com desafio quebrado

– Mais chefes em Rayman Origins 2, por favor!

– Muitos personagens jogáveis sem diferença alguma entre si

SOM: 7,0/10,0

+ Músicas que acompanham a progressão da fase

+ Sons ambientes muito bons

– Pouca variedade musical

– Algumas músicas irritam

GRÁFICOS: 10,0/10,0

+ Arte clean e bonita

+ Bastante cuidado em um gênero que anda sendo renegado

NOTA FINAL: 8,0/10,0

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7 pensamentos sobre “[Neto’s Review] Rayman Origins

  1. +Realmente senti falta de mais chefes….
    +enredo mega mequetrefe (deve ser, na verdade nem prestei atenção)

    + ou- inimigos meio tronxos… os ‘caçadores’ do inicio do jogo são, os robôs e inimigos aquaticos são excelentes.

    -Tipo, se colocassem os chars com habilidades diferentes de um pro outro (na velocidade ou altura do pulo por exemplo) ACABARIAM com o multiplayer nos time trials e todas as fases de corrida, não?
    -Ost achei 100% foda, ouço ate hoje, original e divertida bagarai.
    -As fases nao achei nada longas (como assim longas? 5/10 minutinhos cada fase po, e no time trial cai pra 30s/2 min)

    • Vilela, vou comentar só um ponto seu aí, porque os outros vc pode ter razão.

      O caso da “fase longa”… o que faz isso é a quebrada de ritmo nelas por causa dessas inúmeras portas… isso quebra o desafio muitas vezes e deixa a fase com uma sensação de “arrastada”…

      Valeu o comentário 😀

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