[Tomio’s Review] The Legend of Heroes: Trails of Azure

Nome: The Legend Of Heroes: Trails of Azure
Produtora: Falcom
Gênero: JPRG
Plataforma(s): Playstation Portable, PC (apenas na China), Playstation Vita (Evolution)
Versão analisada: Playstation Portable, japonesa

Trilhas Azuis

The Legend of Heroes: Trails of Azure é o mais recente título da franquia Trails, iniciada pela trilogia Trails in the Sky. Azure é continuação direta de Trails of Zero. Assim como seu antecessor, recebeu um port HD para PCs apenas na China, e um remaster completamente dublado para Playstation Vita.

Maior, melhor e mais pesado

Trails of Azure continua com a estrutura básica de seu antecessor, ou seja: gráficos poligonais simples mas limpos, parte artística bem trabalhada e apresentada através de diversas jogadas de câmera, e sprites 3D para personagens e alguns objetos.

O jogo conta com efeitos visuais mais bem trabalhados, como a mudança da iluminação ambiente em dias de chuva, por exemplo.

A sonoplastia, além de já incluir toda a trilha sonora do jogo anterior, traz também algumas faixas remixadas e mais algumas inéditas, sendo muitas delas compostas com ênfase em piano e/ou violino, totalizando mais de cem músicas de altíssima qualidade, com variedade o suficiente para se encaixar perfeitamente em todos os momentos do jogo.

Com mais músicas, personagens, cenários e muito, muito mais cutscenes, o jogo acabou ficando mais pesado que a encomenda, resultando em telas de loading mais persistentes, quedas de quadros por segundo, alguns pequenos travamentos que duram alguns segundos e até alguns bugs em locais específicos que podem prejudicar a jogatina.

E o culpado é o mordomo…não.

Trails of Azure mais uma vez traz os acontecimentos de Crossbell, cidade onde Lloyd, Ellie, Tio e Randy, os protagonistas, trabalham como parte de uma divisão da polícia.

A narrativa dessa vez traz dois pontos distintos: de um lado, todos os eventos que vão acontecendo e envolvendo a cidade e seus moradores, e de outro, a organização criminosa Uroboros, presente desde o começo da franquia Trails, É interessante ver esse último lado, já que apresenta mais detalhes e revela alguns segredos da misteriosa organização, além de, consequentemente, relembrar inúmeros acontecimentos e fazer reaparecer muitos personagens que deram as caras na trilogia anterior.

Mas o destaque fica para o enredo principal: os acontecimentos que envolvem Crossbell. É impressionante como o jogo consegue conduzir uma história política densa e complexa a soar interessante o bastante para convencer o jogador a não parar de jogar em momento algum. Aliado a uma narrativa dinâmica, que não enrola ao mesmo tempo que entrega informações na dose certa, o título consegue prender a atenção de qualquer tipo de jogador com seu enredo, uma maratona incessante de reviravoltas imprevisíveis, jogos intelectuais sobre jogos intelectuais e uma atmosfera hostil e desesperadora em grande parte do tempo.

O elenco do jogo é monstruosamente grande, e o jogo felizmente consegue tirar proveito de todos os personagens, apresentando e se aprofundando no passado e na personalidade dos mais importantes, e disponibilizando muitas cenas e conversas opcionais para outros NPCs. O destaque aqui fica para as ações e pensamentos dos protagonistas, já que o jogo e sua história os fazem sentir na pele a pressão de serem apenas uma peça dentro de toda a engrenagem, ao contrário dos heróis poderosos e suas conversas heróicas forçadas da maioria dos outros jogos do gênero. Outro ponto que merece destaque são os vilões, que são todos compostos por figuras misteriosas ou com propósitos e ideais realistas e inteligentes o suficiente para convencer qualquer um de que não existe o bem e o mal absoluto.

O sistema de relacionamento entre Lloyd e outros personagens, presente no jogo anterior, aparece novamente em Trails of Azure, e dessa vez voltado mais para o sim date, já que é possível até convidar um personagem para ir juntos em alguma atração de um parque de diversões, por exemplo. Essas ações não concedem apenas itens, habilidades únicas e mais detalhes sobre o personagem em questão, como podem até mesmo alterar a relação entre Lloyd, modificando algumas cenas e diálogos posteriormente. Apesar de soar um tanto fora de proposta, o sistema não prejudica em nada o enredo nem a atmosfera do jogo, e com o tanto de benefícios e informações extras que podem ser obtidos através dele, o mesmo acaba sendo uma boa adição, no final das contas.

Trails of Azure termina a saga Crossbell, composta pelo mesmo e por Trails of Zero. Como em todos os outros jogos da franquia esse também termina com algumas questões a serem respondidas e dicas de onde será o próximo “palco” para o Uroboros.

Hey Cloud, já vi esses monstros antes…

Trails of Azure se desenrola com exploração (gameplay básico de todo JRPG) e/ou investigação (mais puxado para o “point-and-click”, com diálogos e resoluções de casos/mistérios através de lógica) de dungeons, cidades e estradas, todas interligadas umas com as outras, com um bom trabalho no design e repletas de atividades, cenas e diálogos opcionais/secretos, que por sua vez concedem informações extras e mais benefícios mais pra frente. É importante destacar aqui a variedade de dungeons, ainda mais se tratando de uma continuação situada na mesma cidade, onde as produtoras tendem a reciclar conteúdo – o título praticamente não leva o jogador a nenhuma dúngeon que já foi visitada em Trails of Zero (a não ser para side quests), diminuindo consideravelmente a sensação de Dejá-vu. Infelizmente esse mesmo empenho não foi utilizado para o bestiário, que com exceção dos chefões, são praticamente todos reciclados do título anterior.

As batalhas rolam em arenas quadriculadas por turnos, uma espécie de híbrido de RPG com tactics. O jogador precisa se aproveitar dos bônus de turnos, como “ataque crítico” e “morte instantânea” para não sofrer muito em batalha. O interessante das lutas do jogo é que elas são mais um jogo de cálculos e manipulação de turnos, pois é possível interferir a vez do adversário de diversas formas – seja com crafts (habilidades) que atrasam o turno inimigo, arts (magias) que aceleram o turno aliado, as S-Crafts, habilidades especiais poderosas que podem ser encaixadas em qualquer momento da luta e até mesmo através do Burst, uma barra que funciona como uma espécie de Limit Break, da série Final Fantasy, e concede turnos consecutivos para o grupo dos heróis. Outro ponto interessante é o fato de todos os recursos estarem muito bem balanceados, com magias poderosas e/ou úteis que consomem muito EP (mana) e habilidades bem distintas de um personagem para o outro, por exemplo, necessitando um pouco de cuidado na hora de formar um grupo, principalmente contra chefões, que nesse jogo são inúmeros, e vários deles poderosíssimos mesmo em dificuldades baixas.

Para a customização, o jogo conta com o sistema de Orbment, chamado de Enigma em Trails of Zero e Enigma II em Trails of Azure. O sistema consiste em equipar quartz, pequenas pedras preciosas, em um dispositivo, resultando em aumento de status e a capacidade de uso de magias do portador, esse último dependendo de vários fatores, como a cor e nível das quartz misturadas em uma mesma linha, algo bem similar a juntar uma Materia “All” e uma Materia “Cure” pra obtenção de uma magia de área em Final Fantasy VII. Além de toda a variedade de quartz disponíveis, que vão desde pedras que aumentam o HP a outras que matam o alvo instantâneamente, exitem também as Master Quartz, versões ainda mais poderosas dessas pedras, que inclusive evoluem junto com o usuário, concedendo ainda mais habilidades passivas e magias ainda mais poderosas. Com tudo isso, o jogador é capaz de moldar os personagens de acordo com o gosto e/ou situação, como fazer um guerreiro baseado em status altos, ou um mago, calculando bem as combinações de diferentes Quartz pra obtenção de magias mais poderosas, que chegam até mesmo a ser summons em níveis extremos.

O jogo conta também com alguns sistemas de fast travel para quem quer evitar longas caminhadas em estradas. O jogador pode pegar ônibus, que obviamente param em pontos especificos do mapa, ou usar um carro, um recurso ainda mais prático de locomoção, pois com ele é possível praticamente parar na porta de qualquer lugar que deseja ir. É possível até mesmo customizar o veículo, como tralhas visuais, mudança de cor e dispositivos que recuperam HP, EP (mana) e CP (pontos para utilização de habilidades), esse último extremamente útil para a aventura.

O mestre dos puzzles em um RPG

Trails of Azure, assim como seu antecessor, possui inúmeras atividades extras/escondidas. É possível realizar tarefas como alimentar um gato com peixes, que são obtidos em outro mini-game de pescaria, em troca de quartz raros, oferecer refeições, estas preparadas após a obtenção de receitas espalhadas pelos locais e pessoas, para obtenção de itens, arriscar a sorte em jogos de cassino ou até mesmo dar uma parada no ritmo de jogo para ler uma série em novel disponível dentro do jogo. Dá até pra jogar um clone da série Puyo-Puyo, famoso puzzle da Sega.

Existe também um sistema de conquistas, similar aos das plataformas HD dessa geração. Após finalizar o jogo, é possível destrancar inúmeros extras, como uma galeria de videos e quais recursos são possíveis de serem carregados para um New Game +, tudo dependendo da quantidade de conquistas destravadas durante a jogatina, uma verdadeira junção do útil ao agradável.

O jogo possui, apenas de main quest, 50 horas mínimas de jogo. Quem busca os 100%, não menos de 100 horas de jogo estão garantidas.

Fechando com chave azul de ouro

The Legend of Heroes: Trails of Azure termina a saga “Crossbell” com maestria. Por alguns pequenos problemas técnicos e reciclagem de alguns materiais, ele não consegue ser impecável como seu antecessor, mas consegue prender o jogador e entreter de uma forma que nem todo jogo “perfeito” é capaz.

Nota: 9

Review de Trails of Nayuta

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4 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] The Legend of Heroes: Trails of Azure

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