[Tomio’s Review] Trails of Nayuta

Nome: Trails of Nayuta
Produtora: Falcom
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Playstation Portable
Versão analisada: Japonesa

Trilhas

Trails of Nayuta é o mais recente título da Falcom, responsável também pela série Ys.

Estrelas

Trails of Nayuta é atualmente o melhor trabalho técnico da Falcom para o PSP, com modelos 3D bem detalhados, expressões faciais nítidas, movimentação fluida dos personagens e representação artística bem fiel. Mas, ser o melhor trabalho da empresa não significa ser o melhor do portátil, já que existem ainda inúmeros títulos que aproveitam melhor o hardware do aparelho, como os títulos da Square-Enix, por exemplo.

A parte sonora conta com mais um trabalho com selo Falcom de qualidade, ou seja, composições excepcionais que passam a sensação necessária ao jogador no momento certo através de muitas faixas orquestradas.

Os defeitos vão para pontos de menos importância, como a quase ausência de cenas dubladas, completa ausência de movimentação labial e a falta de configuração de controles. Felizmente, esse último quesito não se faz tão ausente devido ao bom mapeamento e resposta dos comandos.

Novela

Em Trails of Nayuta, o protagonista de mesmo nome é um personagem um tanto diferente dos convencionais, por ser um completo maníaco por arqueologia e astronomia. Infelizmente esse aspecto não dura muito tempo, pois com o andar dos acontecimentos, Nayuta passa a ter um senso heróico raso e forçado como a maioria dos protagonistas do gênero, desperdiçando todo o potencal que ele carregava.

Além de Nayuta, o jogo apresenta um elenco consideravelmente grande. Apesar do número, o título não consegue fazer bom uso da grande maioria deles, sendo difícil até mesmo em julgá-los devido a total falta de aprofundamento. Consequentemente, isso acaba afetando cenas importantes do jogo, onde um momento sério ou dramático acaba sendo até engraçado, pois o que foi apresentado ao jogador sobre os personagens simplesmente não condiz com suas atitudes. A flor do deserto nesse caso é Noi, a fada que acompanha Nayuta e é basicamente todo o poderio mágico do jogador – A relação entre ela e Nayuta é muito bem detalhada, dando bastante peso em cenas onde a dupla é o destaque e passando a sensação necessária ao jogador de aventura vivida juntos.

Apesar de possuir “Trails” em seu nome, o jogo possui pouquíssimas referências ao prestigiado JRPG da Falcom. As ligações se limitam a nomes de sistemas de jogo (arts e crafts) e um easter egg de Trails of Zero/Azure. O jogo é muito mais próximo de Ys, a popular série action RPG da empresa.

Ao contrário dos personagens, a história do jogo e seu universo são muito bem construídos e detalhados, com uma narrativa que carrega muitas reviravoltas e que não deixa escapar nenhum furo.

Aventura

Trails of Nayuta é basicamente um action RPG, com progressão divida em várias dungeons. Dentro de uma dungeon, o jogador controla o personagem por campos 3D com câmera fixa, derrotando monstros, coletando cristais (miras, o dinheiro do jogo), buscando baús e descobrindo diversos itens dentro de objetos destrutíveis.

O gameplay do título carrega inúmeros pontos a serem destacados. A começar pelo design das dungeons, que proporcionam uma ótima sensação de exploração e aventura. Em seguida, o número de mapas: cerca de 60 mapas estão disponíveis, sendo pelo menos a metade deles completamente opcionais. O número alto é devido a um sistema de jogo que permite a troca de estações do ano de um local, modificando o terreno, itens, visual, música e inimigos, podendo assim, ser considerado facilmente uma área inédita.

O maior atrativo das dungeons é o sistema de objetivos e recompensas que elas carregam. Cada área possui 3 cristais grandes e um ou dois baús, além de uma missão específica de cada local, que variam desde chegar ao fim antes do tempo determinado a matar certo número de inimigos com magias, por exemplo. Ao completar as missões e coletar os itens especiais, o jogador recebe estrelas em um cartão. O melhor de tudo é que o jogador não precisa fazer tudo de uma vez, tampouco é obrigado, podendo, por exemplo, focar uma jogada para a coleta dos itens especiais e outra apenas para a missão, ou simplesmente ignorar tudo.

Ao atingir um número específico de estrelas no cartão, Nayuta pode trocá-las por uma habilidade nova ou equipamentos especiais com seu professor de espada. Esse sistema se mostra muito bem aplicado, pois, além de trazer a Nayuta habilidades de combate que farão muita diferença na hora do aperto, vai incentivar o jogador a explorar todo o conteúdo do jogo. Por falar em habilidades, a evolução que o personagem sofre ao longo da jornada é notável e bem prazerosa. Nayuta começa basicamente com comandos comuns de jogos do gênero, como esquiva, combos de espada e ataques aéreos. Com a ajuda de Noi, ele vai adquirindo magias poderosas e bem variadas, que se adaptam à necessidade e estilo do jogador, além de novas mecânicas, como andar em paredes e quebrar grandes rochas, que a dupla vai adquirindo ao longo da trama. Se o jogador se dedicar em obter quantas habilidades puder com o professor e somar com todos os recursos que vão ficando disponíveis ao longo da aventura, terá em pouco tempo um personagem quase irreconhecível com o do começo do jogo, com jogabilidade complexa (mas de fácil associação) e um leque enorme de possibilidades.

Outro detalhe que deixa os combates mais interessantes é o sistema de combos. Ao acumular hits, Nayuta vai ganhando diversos benefícios, como aumento de força física, mágica e dinheiro extra, incentivando o jogador a prosseguir mais cautelosamente se não quiser perder todos esses bônus levando dano de alguma armadilha ou inimigo.

O jogo possui também inúmeras lutas contra chefões, todos eles necessitando de estratégias diferenciadas. A dificuldade não só deles, mas do título em geral, pode mudar bastante dependendo da habilidade do jogador, dos equipamentos, do nível de Nayuta, da quantidade de itens de cura e das magias disponíveis. Para o jogador que já está acostumado com jogos do gênero e gosta de aproveitar bem o que joga, é aconselhável se aventurar no nível de dificuldade mais alta, pois a disposição massiva de recursos pode deixar o jogo fácil demais em alguns pontos na dificuldade média para baixo.

Além das dungeons, Nayuta pode voltar para sua vila quando quiser e realizar outras atividades, como serviços opcionais para os moradores, compras de ingredientes para preparar merendas (os itens de cura do jogo), compras de equipamentos que, além de aprimorar os atributos da dupla, alteram o visual deles, e vender itens coletados durante as aventuras para um museu. Essa última atividade certamente é a mais interessante, pois, além de ganhar dinheiro vendendo tralhas, o jogador pode visitar o museu quando quiser e ver tudo o que já foi coletado até o momento, que vão desde insetos e animais marítimos a peças de armaduras raras.

Atarefado

Trails of Nayuta é certamente um dos jogos que mais enganam o jogador quando o assunto é “sensação de estar acabando”. O jogo se expande diversas vezes mesmo quando parece não ter para onde ir além, garantindo gratas horas extras e inesperadas de gameplay.

O jogo dura cerca de 25 horas completando tudo que pode ser feito durante a primeira jogatina. Uma vez terminado, o jogador pode começar um New Game Plus, com um nível de dificuldade ainda maior disponível e muitos extras exclusivos para a segunda rodada, como novos personagens e side-quests, por exemplo.

O jogo conta também com um sistema interno de conquistas, similar aos troféus do Playstation 3. Mas no caso de Trails of Nayuta, o sistema é bem mais útil e interligado ao conteúdo do jogo, diferente de ser apenas símbolos do que já foi feito pelo jogador – Cada conquista concede um certo número de pontos, que por sua vez, podem ser trocados no New Game Plus por inúmeras coisas, que vão desde aumento do limite de nível de Nayuta a liberação de novas dungeons, somando assim, mais um incentivo para o jogador fazer 100% do jogo.

Vício

Trails of Nayuta, apesar do nome, não carrega quase nada do universo Trails, tampouco possui um enredo tão bom quanto um jogo da série principal. Mas os problemas acabam aí… se é que isso pode ser considerado um (afinal, Link salvar a princesa e seu reino não fez de Zelda uma série ruim por décadas). O jogo é impecável em gameplay, com apresentação perfeita de conteúdo e jogabilidade que se adapta facilmente a qualquer tipo de jogador. Um título obrigatório para todos os donos de um Playstation Portable.

Nota: 10

Anúncios

3 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Trails of Nayuta

  1. Pingback: [Tomio's Review] The Legend of Heroes VII: Trails of Zero « Jogador Pensante

  2. Pingback: [Tomio's Review] The Legend of Heroes: Trails of Azure « Jogador Pensante

  3. Pingback: [Especial The Legend of Heroes] Parte 4 – Trilhas alternativas « Jogador Pensante

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s