[Tomio’s Review] Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance

Nome: Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance
Produtora: Square-Enix
Gênero: Action RPG
Plataforma(s): Nintendo 3DS
Versão analisada: Japonesa

Sonho

Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance é o mais novo título da franquia que reúne o melhor do mundo da Disney com os criadores de Final Fantasy em um RPG de ação. O jogo foi lançado para o Nintendo 3DS.

Distância

Kingdom Hearts 3D é o título mais importante para a franquia desde Kingdom Hearts 2 (Playstation 2), por trazer novamente o elenco principal da franquia e dando continuidade direta ao antecessor canônico. Isso pode ser notado não apenas em setting, como também na  qualidade do jogo: Kingdom Hearts 3D é até então o título da franquia mais bem produzido tecnicamente, com gráficos detalhados e muito coloridos, representação perfeita de personagens e universos da Disney, vastos mapas e trilha sonora digna das duas empresas, indo de músicas remixadas da série e de obras da Disney a inéditas orquestradas. Tem até música clássica da melhor qualidade.

O principal trunfo do portátil da Nintendo também é muito bem utilizado neste título. O recurso 3D deixa a experiência ainda mais imersiva e ressalta ao máximo a beleza artística do jogo.

De problemas, o jogo sofre de telas de loadings um tanto persistentes e muito serrilhado. Outro inimigo do jogo é…o próprio Nintendo 3DS. O aparelho da Nintendo possui telinhas muito pequenas para o nível de produção e tipo de jogo que é a franquia Kingdom Hearts, fazendo com que o jogador não consiga acompanhar a sobrecarga de acontecimentos rápidos o suficiente para desfrutar completamente o que o título tem a oferecer, prejudicando o gameplay, no pior dos casos. A falta que um analógico direito faz também é bem evidente, pois, apesar do jogo estar bem polido e adaptado para isso, ainda é perceptível a diferença em jogar com controle total de câmera. Pelo menos, o título possui suporte para o slide pad, acessório vendido separadamente para suprir essa necessidade não só desse jogo, mas do aparelho em si.

Recaída

Kingdom Hearts 3D se passa diretamente após os acontecimentos do segundo jogo canônico, com Sora e Riku indo realizar um teste para se tornarem Keyblade Masters.

O jogo necessita de conhecimento geral de toda a série, incluindo todos os spin-offs. Apesar do título apresentar um resumo de todos eles, é aconselhável para quem não jogou ir atrás de wikipédias mais detalhados para não se sentir muito perdido. Não fique preocupado se continuar um pouco mesmo depois de todas as pesquisas e jogatinas. Nem o fã mais árduo da série consegue entender o enredo “complexo” da franquia (há rumores de que nem Nomura, o criador, entende).

O título representa muito bem os personagens da Disney, assim como cada universo apresentado, indo desde arte fiel a dublagem original da turma do Mickey. Do lado da Square-Enix, ao contrário dos dois canônicos anteriores, não foi usado nenhum personagem da série Final Fantasy para fazer participações especiais. No lugar deles, personagens de um famoso jogo do Nintendo DS, “The World Ends With You”, entram em cena, estes também não fazendo feio para o lado da empresa japonesa.

Se tratando de personagens, Kingdom Hearts 3D possui um lado bom e um lado ruim. Enquanto Riku tem mais personalidade e a narrativa é praticamente toda carregada para com ele, Sora é um completo desmiolado infantilóide, um sofrível estereótipo de herói de JRPGs. É triste para quem acompanhou a série e a evolução do personagem, ver nesse jogo que o mesmo sofreu uma tremenda regressão mental. Ao menos, o enredo segura a mesma densidade dos jogos anteriores, e prepara o terreno de forma magistral para o tão esperado terceiro jogo da franquia.

Reino

Kingdom Hearts 3D é um RPG de ação completo, com direito a combos, ataques aéreos, magias, esquivas e até mesmo feitos mais “ninjas”, como pegar impulso em paredes e realizar ataques giratórios em postes, tudo isso em um gameplay fluido e rápido. A customização é realizada através de “decks”, onde o jogador pode configurar ações específicas como uma magia de cura ou uma skill que desfere um ataque de área. Esse mesmo sistema permite configurar o personagens mais a fundo, como o tipo de pulo, tipo de esquiva e tipos de defesa especiais, deixando as possibilidades quase infinitas para todo tipo de jogador.

O jogador vai parar inicialmente em um mundo bastante conhecido pelos fãs da série, o mundo-purgatório Transverse Town. Além da pequena cidade, o jogo oferece outros mundos com temáticas da Disney para serem explorados, desde já visitados em títulos anteriores, como Tron e Pinocchio, a completamente novos, como o mundo dos três mosqueteiros. Apesar do título possuir mundos já conhecidos, eles estão longe de serem iguais aos dos títulos anteriores, pois possuem mapas redesenhados e muito maiores, além da trilha sonora refeita.

Além de vastos, os mapas possuem inúmeros baús escondidos, hordas de inimigos à espreita e atividades únicas de cada área, que vão desde coisas mais simples como visual dos personagens adaptados ao universo em que se encontram, mais óbvias como mini-games/eventos de cada mundo, e fatores que alteram o gameplay, como utilizar um barril de estilingue para acertar vários inimigos em Transverse Town, ou hackear metralhadoras para mudar suas funcionalidades em Tron Legacy. Certamente uma excelente adição que deixa as possibilidades de combate ainda maiores e estratégicas.

O bestiário de Kingdom Hearts 3D é outro destaque. O jogador não verá mais nenhum Heartless ou Nobody. Dessa vez, os monstros são os Dream Eaters. Além de não ter quase nenhum reaproveitamento de modelos (mais forte com cor diferente), eles estão em um número consideravelmente alto para a duração de jogo. Mas o principal atrativo deles não é na estética, mas sim no comportamento. Os novos inimigos dos usuários de Keyblades são na certa os mais agressivos da série, pois não só estão em hordas grandes e variadas, como também partem para cima do jogador com tudo, além de muitos deles necessitarem de certa cautela ou estratégia para a luta não durar uma eternidade, ou até mesmo não resultar em um game over no pior dos casos. Por falar em game over, o título é também o mais difícil da série, de longe. Mesmo em dificuldade média, os inimigos podem matar Sora e Riku facilmente por qualquer descuido. Os chefões são ainda piores, chegando a alguns casos de completo desbalanceamento de dificuldade, obrigando o jogador a se submeter a uma sessão gratuita de teste de masoquismo ou horas extras de treinamento para aumentar alguns níveis.

Dessa vez, os monstrinhos não estão apenas para tomar chave na cabeça. Em Kingdom Hearts 3D, o jogador pode, literalmente, criar Dream Eaters a partir de receitas e ingredientes, ou até mesmo apenas ingredientes, arriscando o uso de material por conta. Com eles, é possível criar um grupo para lutar ao lado de Riku e Sora, assim como lutavam Donald, Pateta e outros personagens da Disney nos jogos anteriores. O mais interessante deles é a árvore de evolução que possuem. Ao lutarem ao lado de Riku e Sora, eles vão ganhando pontos, que servem para destravar habilidades e magias. Esses recursos, além de serem usados pelos próprios bichos, ficam disponíveis também para os protagonistas, alguns bastando apenas “comprá-los” nas árvores, outros necessitando também deixá-los no grupo, uma excelente forma de incentivar a criação de novos Dream Eaters e novas formações de party. Os únicos problemas deles são a IA, que apesar de aceitável, não é configurável, e o modo de interagir com os mesmos, ao “melhor” estilo Nintendogs: O jogador precisa alisar ou cutucar os bichinhos e brincar com eles em minigames se quiser destravar habilidades e magias secretas, assim como também é necessário para aliviar o estresse deles e otimizar o desempenho dos mesmos em luta. Se isso fosse completamente opcional não haveria problema algum, mas falha a partir do momento em que influencia aspectos cruciais de gameplay, ainda mais com uma atividade tão fora de contexto com o resto do jogo.

Antes de chegar em um mundo, Riku e Sora precisam mergulhar em um túnel espaço-temporal e realizar missões diversas, como coletar estrelas ou matar inimigos, em uma jogabilidade a la Star Fox. Diferente do gameplay original, essa parte do jogo é mais puxado para o lado arcade, com direito a pontuação, medição de tempo e ranking, tornando-se um ótimo passatempo para sessões rápídas de jogatina.

Até agora, o jogo teria conteúdo o suficiente para ser o melhor absoluto da série. Seria, se não fosse por uma das principais mecânicas de jogo: a Drop System.

A Drop System consiste em uma barra que vai diminuindo com o tempo. Quando ela chega ao fim, o jogador é obrigado a trocar de personagem. Se estiver jogando com Sora, vai passar a jogar com o Riku, e vice-versa. Está no meio de uma batalha e a barra acabou? Não interessa, troca o personagem. Está no meio da luta contra o chefão de um mundo? Não não importa, troca o personagem também. Além de extremamente inconveniente, em casos onde o jogador estava no meio de uma batalha, ele é obrigado a começar novamente quando voltar.

Esse sistema não apenas quebra completamente o ritmo do jogador, como também prejudica o ritmo do jogo em si – Sora e Riku precisam passar pelos mesmos mundos e na mesma ordem pra poder prosseguir. Na verdade, o jogo até dá opções de escolher qual mundo quer explorar primeiro, mas a diferença de força dos inimigos é tão grande que a sensação de liberdade não passa de ilusão. Apesar de cada personagem passar por situações (histórias) diferentes e alguns cenários diferentes, o jogador vai se sentir repetindo dois terços do jogo em um intervalo quase nulo de tempo, já que a Drop System é ativada basicamente de meia em meia hora em velocidade normal. Isso seria justificável se existissem mecânicas onde as ações de um personagem influenciassem no andamento do outro, mas isso infelizmente não acontece.

Para piorar as coisas, a jogabilidade de Sora e Riku não se diferem em quase nada, tendo basicamente um ataque especial com os Dream Eaters do grupo, onde Sora os usa como montaria e Riku os absorve em seu corpo, e algumas habilidades avançadas particulares que são adquiridas apenas perto do final do jogo. De resto, é tudo igual: magias e habilidades adquiridas, Dream Eaters disponíveis e quantidade de itens. Nem mesmo as Key blades são diferentes.

O jogador possui a opção de esperar a Drop System ativar naturalmente, ou ativá-la manualmente. Mas essa última opção nem sempre é útil, pois o uso antecipado do sistema pode fazer com que o outro personagem tenha ainda menos tempo até a próxima Drop. Andar pelo mapa desviando de batalhas e não explorar direito também pode ser uma má idéia se for considerar o tempo restante para o outro personagem, pois isso também resulta em pênalti. Ou seja, o jogador é submetido a obedecer o que o jogo impôe se quiser ter um gameplay decente. Há um item que recupera parte do tempo de Drop, mas para isso é necessário sacrificar um slot do deck de comandos, além de precisar estar sempre comprando-os em lojas com os contados gummies (o dinheiro do jogo). No fim, o jogo faz questão de estragar a experiência de alguma forma. Ao menos há um único ponto positivo nisso tudo: após a Drop, o jogo oferece mercadorias exclusivas, como habilidades temporárias de aumento de atributos e habilidades que só são vendidas ali, tudo dependendo da pontuação que é adquirida com batalhas. Além disso, algumas características da área onde os personagens se encontram mudam, como desconto em lojas, experiência extra ou inimigos raros diferentes. Um aspecto que deveria incentivar a Drop System, mas perante todos os seus problemas, não passa de um consolo.

Rapidinha?

Kingdom Hearts 3D dura cerca de 25 horas. Na verdade, 10 horas são exclusivamente para o grinding, ou seja, treinamento para ganho de níveis até que o jogo se torne, ao menos, justo em termos de dificuldade.

Para aqueles que gostam de fazer tudo 100% no jogo, não menos que o dobro desse tempo é necessário: há muitos extras, como mistérios e baús escondidos nos mundos, dezenas de Dream Eaters para serem criados e evoluídos, dezenas de habilidades a serem adquiridas e até mesmo um sistema de troféus interno.

Tropeço

Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance é um jogo com conteúdo de qualidade o suficiente para estar no topo da franquia, mas infelizmente esse potencial escorre ralo abaixo por conta de uma decisão ridícula de design. Apesar dos pesares, ainda se mantém um excelente e imperdível título para os fãs da série, ainda mais para quem espera por Kingdom Hearts 3.

Nota: 8

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6 pensamentos sobre “[Tomio’s Review] Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance

  1. Oh Saudades de Kingdom Hearts!!! Curti o review Tomio, mostra bem o que esperar do novo KH. Como nao tenho 3DS e nenhum jogo ainda me motivou a compra-lo, vou ficar na espera do Kingdom Hearts 3 aparecer um dia.

  2. Pingback: [Jogo do ano] 2012 « Jogador Pensante

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