[Rodrigo’s review] Spec Ops: The Line

Nome:  Spec Ops: The Line

Gênero: Third person shooter

Distribuidora: 2K games Produtora: Yager

Plataforma(s): Xbox 360, Playstation 3 e Pc.

Versão analisada: Xbox 360

Qual o maior problema de uma geração longa? Falta de inovação e fórmulas repetidas são dois desses problemas. Talvez em 2012 estamos sentindo o efeito de uma geração já desgastada e que precisa de novidades. Spec Ops: The Line é um grande exemplo disso.

Spec ops é uma série antiga. O primeiro titulo foi lançado em 1998, para PC e tinha suas raízes em um jogo baseado em táticas militares. Fez grande sucesso e ganhou algumas sequências para Playstation e Dreamcast, mas a serie já estava esquecida há um bom tempo, tendo o último jogo sido foi lançado em 2002.

Em Spec ops: The Line todo o passado da série foi deixado de lado: não existem mais atributos táticos e nem esquadrões baseados na realidade do exército americano. O jogo ganhou uma jogabilidade ronovada mais voltada para os padrões de hoje em dia, com câmera em terceira pessoa e sistema de cover (popularizado nessa geração). Talvez um erro de ressuscitar a serie foi ter deixado a raízes de lado.

Você assumirá o papel do Capitão Martin Walker e seu esquadrão Delta force, braço do grupo U.S. 33. Walker tem como missão encontrar sobreviventes em Dubai, após uma serie de tempestades de areia devastadoras que deixaram a cidade em ruinas e também descobrir o que houve com o fundador do U.S. 33: Coronel John Konrad, que está na cidade há dias, mas não há sinais de seu paradeiro.

A ideia de uma Dubai totalmente devastada é um  original e deixa o cenário belo. E a possibilidade das areias mudarem a superfície do campo de batalha a todo momento é uma ideia excelente. Há também áreas impressionantes de contraste, como os belos prédios de luxo ou clubes de alta classe entupidos de areia do deserto,  ao mesmo tempo em que temos ruas devastadas, cheias de corpos mutilados e deixados para apodrecer pelos rebeldes. Por todo esse cenário, os cidadãos sobreviventes são obrigados a improvisar abrigos pela cidade. Soldados americanos também fixaram residencia em Dubai, e após suas tentativas de dominarem a cidade terem sido em vão, o local virou um caos com os eternos conflitos entre os nativos e o exercito.

Todo esse ambiente de bagunça e destruição tem a intenção de formar um campo de batalha improvisado, onde na maioria do tempo você vai estar matando inimigos esporadicamente, sem qualquer desafio. E no meio de toda batalha o seu pelotão teima em ter discussões irritantes sobre os valores da vida, seguidas por piadas sem graças e copiadas de outras series do gênero.

Mecanicamente, Spec ops: The Line é comum a tudo o que já vimos em um TPS (third person shotter): o sistema de cover e a mira por trás do ombro foram bem adicionados à serie, mas a falta de tática e a simplicidade do combate, que passa a maior parte do tempo baseado do famigerado “esconde-atira”, torna o jogo massante e a jornada pouco interessante. O jogador vai se sentir em um verdadeiro “deja vu” com situações idênticas a vividas em outros jogos do gênero.

Lançar misseis teleguiados com câmeras aéreas ou pendurar-se sobre um veiculo em alta velocidade destruindo tudo à sua volta são algumas das missões que você viverá em Spec ops: The Line. A variedade de armas de fogo e inimigos no jogo é praticamente nula, deixando o jogador ainda mais frustrado. A IA (Inteligencia artificial) do jogo é capenga, existem momentos em que os inimigos vão estar em sua frente e não vão de atacar, isso serve também para os membros do seu esquadrão que, mesmo quando são comandados pelo jogador, teimam em fazer diferente.

A narrativa do jogo tenta ser polemica com questões morais e momentos de decisões como quem deve morrer (que não muda em nada o desenrolar da historia), mas novamente com uma execução medíocre. Muitas vezes o jogador vai perder interesse na historia de Spec Ops: The Line, pelos temas já batidos e clichês, mas que nos últimos capítulos ganha qualidade e tem um final impressionante, mas ainda sim não evita a execução sonolenta do jogo.

O jogo engrena da metade para o final. Walker começa a ter alucinações, que caiem muito bem ao cenário de Dubai e suas tempestades de areia, deixando a narrativa mais ousada e perturbadora. O capitão começa a se questionar qual a sua verdadeira missão: ao invés de resgatar alguém, ele e seus companheiros só promoveram uma chacina em Dubai.

Spec Ops: The Line é minúsculo, o jogador vai levar cerca de 6 a 7 horas para terminar os 15 capítulos.

O destaque do jogo vai para a trilha sonora. Com referências a filmes de guerra como Apocalypse now, tudo funciona muito bem, com inúmeras músicas bem arquitetadas tocando nos prédios devastados. Os gráficos do jogo cumprem seu papel e não desagradam, mantendo ainda a Unreal Engine 3 como o melhor motor gráfico para essa geração.

Spec Ops: The Line não é um jogo com uma má execução. Pelo contrario: tudo funciona bem nele. A Yager, produtora do jogo, fez a lição de casa e criou um jogo sólido e bem desenvolvido, com um cenário original (as tempestades de areia e os enormes prédios de Dubai formaram um ótimo campo de guerra). Mas com a falta de novidades dele para o gênero e a cópia de ideias já desgastadas que vimos no decorrer dessa geração fazem de Spec Ops: The Line um jogo comum e frustante. Raros são os momentos em que o jogador vai realmente sentir uma experiencia prazerosa e válida. Talvez se o jogo tivesse aparecido no meio dessa geração e não após inúmeros TPS iguais que o mercado tem a oferecer, ou então, mantivesse o padrão antigo da serie sendo tático e mais complexo, ele se daria melhor.

Se você é fã de jogos de tiro e do gênero em terceira pessoa, e procura um jogo funcional para o final de semana, Spec Ops: The Line vale a pedida, por sua execução simples e de fácil reconhecimento.

Nota: 7,0/10,0

Trailer de lançamento do jogo.

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3 pensamentos sobre “[Rodrigo’s review] Spec Ops: The Line

  1. Acredito ser um jogo competente, como você mesmo diz. Ainda sendo só mais um, tenho vontade de jogá-lo, justamente por ser Third Person Shooter. Antes mais um TPS do que outro FPS hehe!

    • Sim Neto é um jogo muito legal, mas acho que o principal motivo que faz ele perder o brilho é a própria geração ser extensa, e muitas da ideias do passado estarem sendo copiadas nesse game.

      Mas como eu disse vale a pedida tranquilamente, se quiser um jogo para fds ele encaixa muito bem

  2. Vi a review só agora, extremamente tarde. Boa análise, apesar de discordar em muitos pontos. Não acredito que deveria manter o padrão, achei essa mudança ótima. A história do jogo, para mim, é a parte mais fantástica. É baseada no livro Heart of Darkness, que deu origem ao maravilhoso Apocalypse Now, do mestre Coppola. O começo é fraco, sim, mas o desenrolar do enredo é ótimo. É interessante ver a mudança nas emoções dos personagens. No começo, o Lugo é brincalhão, fazendo piadas estúpidas e tudo mais. E conforme o desenrolar do enredo, vê-se as desavenças no grupo, o sentimento de culpa com tudo que fizeram, criando um clima tenso. O sentimento de que nada daquilo faz sentido, de que não sabem mais o que fazem ali, de que se tornaram apenas assassinos. O que era para ser uma missão simples, de encontrar sobreviventes e chamar as equipes de resgates, acaba virando um massacre. O sentimento de culpa, após o massacre que ele criou com fósforo branco, o faz (do Walker) criar a ilusão, uma versão em sua mente, de que ele não é responsável por aquilo, de que ele é um herói. Isso é incrível. Essas pequenas decisões sem influência no enredo, achei que funcionaram muito bem. Joguei no PC e tive alguns problemas com a câmera, mas após arrumar, tudo funcionou bem. Definitivamente não trás nenhuma novidade no quesito jogabilidade, mas nem por isso a torna ruim. Não sei em que dificuldade você jogou, mas fechei no Suicide e FUBAR, e morri em várias partes, pois acredito que há sim bastante dificuldade em algumas partes, principalmente com os heavy troopers. É aquele jogo que necessita usar o cover, e estrategicamente, sair dele para poder acertar os inimigos. Não se pode dar um de rambo. A trilha funciona muito bem, com o radioman colocando clássicos para tocar enquanto há tiroteio pra todo lado, achei isso incrível. A cena do helicóptero atirando neles, com Dies Irae de fundo, ficou ótima. Tem uma grande escassez de arma, de fato, mas não acho que isso faça perder nada. O jogo tem uma duração curta, mas creio que seja o suficiente para a história ser contada. Creio que acertou nisso. Muitos jogos acabam estendendo a duração da campanha, e a tornam enjoativa e desnecessária. O final é surpreendente, pois confesso que não esperava aquilo, e achei incrivelmente bem feito e original. Os 4 (ou 5) finais possíveis, apesar de não mudar muita coisa em alguns, são bem interessantes. Encarar a verdade de que ele não é herói algum, de que toda aquela desgraça aconteceu pelos seus atos, e perceber a sua insanidade, é demais. “Do you feel like a hero yet?”. Pra resumir, achei Spec Ops um jogo incrível, e acho que a produtora acertou e muito em mudar os tais padrões. Um jogo que definitivamente me marcou, e que não me cansou nem um pouco após zerar 3 vezes.

    Parabéns pela análise, abraços!

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